Sublimação!

Que forma tão sentida de admirar a Renascença e os seus vultos!

Sandro Botticelli (1445-1510) – Giovanna degli Albizzi Receiving a Gift of Flowers from Venus – 1486 – Fresco destacado e colocado em tela – 211 x 284 cm – Museu do Louvre, Paris

 

Para Botticelli

Pressinto que o mundo cresce de teus dedos
quando num clarão mortal se rasgam asas
e faces lívidas de anjos
choram suas raízes arrancadas do chão.

Quando o vento grita em teus cabelos
que não é o mar a seara que se ondula.

Quando um perfil destrói em si a noite
e o teu peito,
onde límpida era a sua côr.

Quando uma árvore frutifica a sua solidão
e se ilumina
com um súbito canto
ou um vulto quase irreal de ser tão breve.

Quando, de olhos sangrentos,
sentes nitidamente o anoitecer
e exausto abandonas a cabeça a mãos ausentes:
náufrago de veias que prolongam a terra,
transfigurado no rosto
onde a manhã te anuncia o seu regresso.

in Silabário, de José Bento

Postais da Cidade Branca!

Há um bar em Lisboa que faz a diferença: O British Bar!



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Situado no Cais do Sodré, frente ao Tejo, tem como companheiros o antigo English Bar e o American Bar.

No século XIX, os britânicos e os portugueses que se dedicavam ao comércio marítimo, começaram a estabelecer-se nesta zona ribeirinha da cidade de Lisboa.

O Visconde Reinaldo e Basílio – personagens queirozianas, tomavam xerez na Taverna Inglesa – nome original deste bar com história, onde mais recentemente se sentava José Cardoso Pires nas suas deambulações pela cidade e onde deu uma entrevista pouco antes de morrer – se bem me recordo, a Bárbara Guimarães.



Posted by Hello

À entrada, temos duas portas estilo saloon e na montra do meio, um logotipo vermelho tem escrito British Bar.

O relógio inglês de finais do século XIX revestido de uma belíssima talha em madeira situado na parede do fundo da sala, tem dificuldade em rivalizar com a peça que está por detrás do balcão; Este famoso relógio é o que dá as horas ao contrário, pois os ponteiros funcionam no sentido da rotação da Terra.

A riquíssima madeira trabalhada da biblioteca do British Bar, onde podemos apreciar as lombadas com doseadores – obras que inspiraram alguns escritores ao longos dos anos..

A fotografia que celebra o final da Segunda Guerra Mundial, a decoração Art Nouveau que vem dos anos vinte, o balcão com o varão metálico em volta, fazem parte do espólio do único sítio em Lisboa que serve Ginger Beer à pressão, produzida a partir de uma infusão fermentada de gengibre..

São motivos mais do que suficientes para justificar uma primeira visita… pois as seguintes dispensam desculpas!!

Com a vizinhança dos bares de má fama das ruas de trás, durante muito tempo o British só deixava entrar homens, numa espécie de fronteira entre dois mundos que se completavam, pois os marinheiros começavam por beber nestes bares e só depois de atascados iam às meninas!

Por ser um bar cosmopolita, O British Bar nunca pegou muito em bebidas típicas como o eduardinho e a ginginha!

O engraxador residente, dos poucos que restam em bares e cafés da cidade, é um senhor de cabelos brancos que se confunde com a idade da napa vermelha das cadeiras.

Tem os seus os clientes habituais – normalmente empresários da zona, mas trata sempre com extremo cuidado um par de sapatos.. quando vê que merece!

É neste ambiente a dois tempos que o British Bar é para mim um local especial: de manhã, para tomar a bica e alindar os sapatos, e ao fim da tarde para uma ginger beer!

O British é um bar com swing!

Iluminuras Medievais, ou Retalhos da Vida de um Médico

Um médico lê um livro, enquanto o aprendiz prepara um medicamento.


Um médico examina um doente com um inchaço na axila.

kunaaaaami… fresquinho! *



Posted by Hello

Está frio, mas o colorido da Baixa nesta altura do ano transmite o calor próprio do Natal!

O Chiado está cheio de gente apressada..



.. e muitos, muitos turistas!

Para quem tenha disponibilidade, decorre uma Feira do Livro até dia 8 no Largo de Camões, onde serão colocados à venda, a preço de conveniência, títulos alusivos à Cidade e à História de Lisboa, títulos de História de Portugal Contemporâneo, Livros de Arte..

* “olha a bela da castanha assada!”

Extraído de uma rábula do Gato Fedorento

Vantagens competitivas



Posted by Hello

Já aqui tinha citado Clara Ferreira Alves quando afirmou que jeito dá ter um blog

É normal hoje em dia que, tendo um pc alimentado por banda larga e uma placa de captura de tv, se consiga colocar um post dois ou três minutos após a divulgação de uma notícia!

Daí que, blogs como o Blasfémias, o Barnabé, o Abrupto, etc, vocacionados para a actualidade, concorram com os sítios da internet no mesmo mercado!

No Diário de Notícias de ontem, é curiosa a referência ao post de JPP no Abrupto, em que criticou o cinismo de alguns jornalistas!



Mais curiosa é a caixa do artigo onde, sob a forma de comparação entre blogosfera e imprensa digital, Marina Almeida escreve Criatividade ‘vs’ rigor…!

Temos então rigor no processamento da informação por parte das redacções e espírito de aventura nos blogs?

Não creio! Os blogs em questão estão muito bem estruturados e possuem uma linha editorial bem definida!

Não são de forma alguma descomprometidos, pelo contrário, apresentam os seus argumentos desabrida e frontalmente … o que nos jornais só conseguimos obter em alguns artigos de opinião!

E claro, os blogs têm a vantagem competitiva de possuirem caixas de comentários muito mais activas que, por exemplo, O Expresso!

Big Bang.. or Big Crunch?

Somos fruto de um acaso verdadeiramente notável!
Como se fizéssemos parte de um jogo de poker, com as cartas viciadas!
Pena que não tomemos consciência da sorte que temos..!

Um dia não muito longe
assistiremos à colisão
dos planetas e o céu diamantado
acabará submerso em escombros.
Então colheremos flores rutilantes
e estrelas de néon.
Olha, eis o sinal, um fogo
acende-se no céu, chocam-se
Júpiter e Órion e no terrível
estampido onde acabou o homem?
Certo que basta um sopro neste mundo
em que vivemos para que ele acabe.
Ficará talvez um grito, o da
terra que não quer perecer.

Eugenio Montale (1896-1981)

Em Busca do Essencial

O Azul .. para estimular o espírito!



Maria Helena Vieira Da Silva (1908-1992)

Ariane, 1988

Óleo sobre tela, 130×97

Paris, Colecção Galerie Jeanne-Bucher

Ponto de partida para a Exposição, no Museu da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.. até final de Janeiro, aqui mesmo ao lado de casa!

Winston Churchill – III

A desastrosa campanha britânica aos Dardanelos – Turquia, da qual Churchill tinha sido o seu principal promotor e em grande parte responsabilidado, teve como consequência o seu pedido de demissão, em plena Primeira Guerra Mundial.

A formação de um Governo de coligação originou o abandono de Churchill do Almirantado, condição imposta pelos Conservadores, como vingança por ele ter deixado o Partido em 1904.

Sobre esse período difícil, a sua mulher diria:

“Pensei que ele ia morrer de desgosto”.

Na sequência do vazio de funções a que foi votado, Churchill descobriu vocação na pintura:

“Foi então que a musa da pintura veio em meu auxílio… Quando eu chegar ao Paraíso, tenciono passar uma parte considerável do primeiro milhão de anos a pintar, até conseguir dominar essa arte.”



Churchill voltou para o exército e comandou um batalhão do regimento «Royal Scots Fusiliers», na frente ocidental.

Regressou ao Parlamento em 1916 e exerceu funções governamentais até final da Guerra, como Ministro das munições.

Winston Churchill abandonou então o Partido Liberal.

Foi nomeado Chanceler do Tesouro num Governo Conservador, após o que esteve durante um período de 10 anos sem exercer qualquer cargo público.

Foi nesta altura que escreveu a sua obra-prima sobre o seu antepassado Malborough; His Life and Times, numa espécie de exercício de preparação para nova guerra, em que ia alertando para o perigo que Hitler representava..

Escreveu a propósito:

“A partir desse momento, forças poderosas ficaram à deriva. Abrira-se o vazio, e foi para esse vazio – após uma pausa – que caminhou a passos largos um louco com um génio feroz, o repositório e a expressão dos ódios mais virulentos que alguma vez corroeram o coração humano – o cabo Hitler.”



Em 1939 foi novamente nomeado Primeiro Lorde do Almirantado, e em 10 de Maio de 1940, devido à demissão de Neville Chamberlain, foi nomeado primeiro-ministro.

A Alemanha iniciava a invasão da Europa Ocidental – Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França.

Churchill formou um governo de unidade nacional, com a participação do Partido Trabalhista e do Partido Liberal.

A 13 de Maio, demonstrou a sua capacidade de liderança, ao proferir um dos seus mais célebres discursos: “Sangue, Sofrimento, Suor e Lágrimas”.


(In)Dependência Nacional, ou O poder está na rua!

Após o impacto inicial das notícias do fim de tarde, tenho tentado fazer uma introspecção séria sobre as razões pelas quais devia ser dos poucos portugueses que andava distraído com esta hipótese absurda de termos alguma possibilidade de avançar um pouco mais na construção de um país virado para o século XXI.

Mas este exercício guardo-o para mais tarde..

Não sei o que aí vem, mas parece-me claro que não seja coisa boa…

Confunde-me a trapalhada que o Presidente arranjou ao despedir à pressa e com justa causa o Governo!

Podia ter esperado mais um dia e incluir a notícia no Discurso das Comemorações da Restauração da Independência.. “Era preciso restaurar as liberdades, afastar os maus e repôr os bons”..

Isso sim, seria sentido de oportunidade!

Depois do folhetim que foi a consulta a meio mundo para se decidir pela indigitação..

Agora, sem aviso prévio.. isto?

Estou curioso para ver quais os fundamentos do Presidente! Legítimos, claro!

E estou preocupado com o futuro próximo – Referendo, Eleições, Constituição Europeia..

Poderíamos ter um Governo de iniciativa Presidencial..

Da sedução dos anjos

Sculpteur avec un Groupe sculpté (Hommage à Carpeaux), 1934

Anjos seduzem-se: nunca ou a matar.
Puxa-o só para dentro de casa e mete-
-Lhe a língua na boca e os dedos sem frete
Por baixo da saia até se molhar
Vira-o contra a parede, ergue-lhe a saia
E fode-o. Se gemer, algo crispado
Segura-o bem, fá-lo vir-se em dobrado
P’ra que do choque no fim te não caia.
Exorta-o a que agite bem o cu
Manda-o tocar-te os guizos atrevido
Diz que ousar na queda lhe é permitido
Desde que entre o céu e a terra flutue –
Mas não o olhes na cara enquanto fodes
E as asas, rapaz, não lhas amarrotes.

Poema de Bertolt Brecht, gravura de Pablo Picasso