Archive for the ‘ Iluminuras medievais ’ Category

Astronomia na Idade Média

O mundo dos astrónomos da Idade Média, herdada dos gregos, é perfeito e eterno. Em torno da Terra, imóvel no centro do Universo, giram o Sol e os planetas num movimento circular uniforme – Philippe Testard-Vaillant

Quando o Império romano ruiu, no século V, início a Idade Média, a astronomia conhece um eclipse na Europa. Durante décadas, nenhum nome brilhará no firmamento da ciência, nenhuma observação nem qualquer pesquisa teórica serão capazes de introduzir uma ordem inteligível no centro dos fenómenos celestes.
A disciplina só verá a luz no século XII, conquistando gradualmente um lugar nas universidades, onde o ambicioso programa educativo Quadrivium rapidamente associa aritmética, geometria, astronomia e música.
Uma «renascença» que nada deve ao acaso, antes a múltiplas traduções do árabe para o latim, que se desenrolam em Espanha, no sul de Itália e na Sicília, nas quais o mundo ocidental se verá consideravelmente reflectido numa parte das filosofias e das ciências greco-árabes.
De facto, desde o século VII que um número considerável de bibliotecas do mundo greco-romano cai nas mãos dos conquistadores árabes. Destas conquistas surge um estreitar de relações com a astronomia indiana, que possui desde o século V o Tratado  Surya Siddhanta,  obra que os leva a interessarem-se por Ptolomeu – o genial cientista de Alexandria, que na obra Almageste desenvolve uma teoria geocêntrica e matemática sobre a filosofia de Aristóteles e é também autor do mais célebre tratado de astrologia jamais escrito, Quadripartitvm.
Continua…

A partir da excepcional edição de Dezembro último da revista Les Cahiers de Science & Vie ; N° 114. Les Racines du monde

E porque hoje é Sexta-feira…

Quando corpus morietur,
fac, ut animae donetur
paradisi gloria. Amen.

Cristo começa a caminhada rumo ao calvário

Argonautas

Na primeira imagem, Peleu, pai de Aquiles, ordena a construção de Argo, destinada à demanda da lã de ouro do carneiro alado, ao sul das montanhas do Cáucaso. Na segunda imagem, vemos a construção da embarcação, com a ajuda da deusa Atena. Nas imagens seguintes, vemos o início da expedição de Argo.

Hoje, a música dos argonautas leva-nos para o Hemisfério Norte Celestial, a Andrómeda – não a filha de Cassiopeia -, mas à região das nebulosas, que é longe que se farta. 🙂
A viagem tem uma duração aproximada duas horas terrenas e o mano tem honras de abertura, com o tema Space Orgone.
Na Antena 2, a partir das 22h00 – Jorge Carnaxide.

Alinhamento dos Planetas: Planetário III
Jos D´Almeida – “Space Orgone” – Software – “Julia´s Dream” – Tiamat – “Planets” – Kevin Keller – “Orbit” – Lightwave – “Tycho On the Moon” – Tomita – “The Orb of Beauty” – Cliff Martinez – “Wormhole” – Software – “Dea Alba” – Megt Bowles – “Slow Weave” – Patrick O´Hearn – “Beneath the Celestial Sphere” – Brian Eno – “Always Returning II” – Tó Neto – “Zuzu”

Jan Hus

Durante o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), período durante o qual a Igreja Católica se dividiu em duas facções, uma fiel ao Papa Gregório XII de Roma, outra ao Papa Bento XIII, eleito pelos Cardeais de Avignon, tiveram lugar dois Concílios Ecuménico da Igreja Católica; O primeiro, em 1409, ocorreu em Pisa, na Toscânia, elegeu o Papa Alexandre V, que acentuou ainda mais a divisão no interior da Igreja, ao não ser reconhecido pelos outros dois. O Cisma prolongou-se durante os oito anos seguintes até que, em Konstanz, no sul da Alemanha, o 16º Concílio  (1414-1418) teve lugar, precisamente para pôr fim ao Cisma, com a eleição, em 1417, do Papa Martinho V.

No início do século XV, quer a Universidade de Praga quer a hierarquia da Igreja eram dominadas pelos alemães, interessados no status quo, o que viria a gerar sentimentos nacionalistas entre os checos. Consequência das disputas, em 1409 os alemães perderam a influência que detinham e, com a protecção do  Rei Venceslau (Václav), Jan Hus foi nomeado Reitor, o que aumentou ainda mais as tensões com a Igreja, culminando em 1412 nos confrontos entre protestantes checos e católicos alemães e ao êxodo de milhares de docentes e alunos, que viriam a estar na formação da Universidade de Leipzig, na Alemanha.

Monumento a Jan Hus, na Staroměstské Náměstí – Praça da Cidade Velha, Praga

Em 1414, Jan Hus (1369?-1415), seguidor da Reforma Protestante iniciada por John Wycliffe (1320?-1384) foi convocado ao Concílio e acusado de heresia, por reconhecer unicamente a autoridade da consciência que derivava da Bíblia,  em detrimento da autoridade da Igreja, expressa através dos Tribunais da Inquisição; Ao defender o voto de pobreza e ao mesmo tempo condenar o património dos Cardeais, Jan Hus tentava aproximar a Igreja do povo, pregando na sua língua natal, o checo, e não em latim, como determinava a Igreja. As teses de Jan Hus encontravam eco na maior parte da população e enfrentavam a essência dos poderes eclesiástico e feudal, gerando profundas tensões sociais. Jan Hus não só não renegou como reafirmou a sua doutrina perante o Concílio, o que levaria, a 6 de julho de 1415, à sua execução na fogueira.
A figura de mártir tornou Jan Hus num herói e por isso hoje é Feriado Nacional na República Checa.

Diebold Schilling the Older, Spiezer Chronik (1485): Burning of Jan Hus at the stake

Iluminura Medieval

Facta et dicta memorabilia / Dos factos e palavras memoráveis

Simon de Hesdin apresenta a sua tradução de "Facta et dicta memorabilia" de Valerius Maximus a Charles V, Rei de França

Praef. Vrbis Romae exterarumque gentium facta simul ac dicta memoratu digna apud alios latius diffusa sunt quam ut breuiter cognosci possint, ab inlustribus electa auctoribus digerere (sic Kempf, codd. deligere) constitui, ut documenta sumere uolentibus longae inquisitionis labor absit. nec mihi cuncta conplectendi cupido incessit: quis enim omnis aeui gesta modico uoluminum numero conprehenderit, aut quis compos mentis domesticae peregrinaeque historiae seriem felici superiorum stilo conditam uel adtentiore cura uel praestantiore facundia traditurum se sperauerit? te igitur huic coepto, penes quem hominum deorumque consensus maris ac terrae regimen esse uoluit, certissima salus patriae, Caesar, inuoco, cuius caelesti prouidentia uirtutes, de quibus dicturus sum, benignissime fouentur, uitia seuerissime uindicantur: nam si prisci oratores ab Ioue optimo maximo bene orsi sunt, si excellentissimi uates a numine aliquo principia traxerunt, mea paruitas eo iustius ad fauorem tuum decucurrerit, quo cetera diuinitas opinione colligitur, tua praesenti fide paterno auitoque sideri par uidetur, quorum eximio fulgore multum caerimoniis nostris inclitae claritatis accessit: reliquos enim deos accepimus, Caesares dedimus. et quoniam initium a cultu deorum petere in animo est, de condicione eius summatim disseram.
Valerius Maximus, Livro I – capítulo I

Simon de Hesdin apresenta a sua tradução de "Facta et dicta memorabilia" de Valerius Maximus a Charles V, Rei de França (detalhe)

Iluminura – A Torre de Babilónia

As primeiras representações visuais da bíblica Torre de Babel vêm da Idade Média; A partir do século XI, encontram-se decorações arquitectónicas, que pretendiam dar ênfase às técnicas e materiais utilizados na construção da época.

Nesta iluminura de Jean de Courcy, embora, quer o Rei Nimrod – o lendário edificador da Torre – quer a Torre propriamente dita, pareçam à primeira vista europeus,  o artista fez um esforço para lhes conferir algum exotismo oriental. A armadura de Nimrod, os minaretes da Torre e os anjos, são típicos elementos da linguagem visual da Europa Medieval.

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La Bouquechardière - Jean de Courcy

Chronique dite de la Bouquechardière par Jean de Courcy (c.1350-1431).
Les Troyens, Maître de l’Echevinage de Rouen (15e siècle)
MS 728/312 folio 181v – Musee Conde, Chantilly, France

A dificuldade em identificar a eventual destruição da Torre em documentos de autores gregos que possam ter testemunhado esse período, levam a especular que possam ter existido duas Torres, a primeira construida por Nimrod, a segunda por Semiramis.

Iluminura Medieval

Facta et dicta memorabilia / Dos factos e palavras memoráveis

Valerius Maximus – Região do Loire, c. 1475 – Livro 5: Capítulo I

Idem senatus, cum sibi Pru sian Bithyniae regem Perse uenire audisset, obuiam illi P. Cornelium Scipionem quaestorem Capuam misit censuitque ut ei domus Romae quam optima conduceretur et copiae non solum ipsi, sed etiam comitibus eius publice praeberentur, in eoque excipiendo tota urbs unius humani amici uultum habuit. itaque qui amantissimus nostri uenerat, duplicata erga nos beniuolentia in regnum suum reuersus est.

Scipio recupera o corpo do pai ferido

a partir da Batalha de Ticinus

Um soldado de Pompeius, tendo morto um soldado de Sertorius, descobre que matou o próprio irmão.
Suicida-se então, atirando-se para a fogueira onde o corpo de seu irmão arde.

Para quem aprecia os primores da iluminura, tem aqui uma interessantíssima página, cujo tema central é a História de Portugal.

ligações perigosas – casos da vida real

Iluminuras medievais

A Cidade Divina e a Cidade Terrestre

Iluminador: Maître François

Cobiça, Ganância e Liberalidade
Representadas pelo contraste entre o uso da propriedade
do mercador, do cambista e do homem caridoso

detalhe

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