Histórias de Amor

As mãos que trago – Vida e obra de Alain Oulman em exposição no Museu do Fado, até 31 de Dezembro.

Que sentiria Oulman ao verter a poesia de Mourão-Ferreira e de Homem de Mello (entre tantos outros), para Amália cantar? Talvez que se vertia ele próprio, em sangue que corria nas veias de sua amada. Mas que certamente nos condenou a ouvi-la, até que a noite eterna nos liberte da sua voz.

Por teu livre pensamento
foram-te longe encerrar.
Tão longe que o meu lamento
não te consegue alcançar.
E apenas ouves o vento.
E apenas ouves o mar. 

Levaram-te, a meio da noite:
a treva tudo cobria.
Foi de noite, numa noite
de todas a mais sombria.
Foi de noite, foi de noite,
e nunca mais se fez dia.

Ai dessa noite o veneno
persiste em m`envenenar.
Oiço apenas o silêncio
que ficou em teu lugar.
Ao menos ouves o vento!
Ao menos ouves o mar!

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