Arquivo de Abril, 2006

Meditação K


A Fraqueza Fundamental do Homem

A fraqueza fundamental do homem não é nada que ele não possa vencer, desde que não possa aproveitar com a vitória.
A juventude vence tudo: a impostura, a astúcia mais dissimulada, mas não há ninguém que possa deter no voo a vitória, torná-la viva, porque então a juventude deixou de existir.
A velhice não ousa tocar na vitória e a nova juventude, atormentada pelo novo ataque que se desencadeia imediatamente, deseja a sua própria vitória.
É assim que o Diabo sem cessar vencido, nunca é aniquilado.

Desenho (1907-1098) e pensamento de Franz Kafka

Meditação K

O Livre Arbítrio

Um homem é dotado de livre arbítrio e de três maneiras:
Em primeiro lugar, era livre quando quis esta vida; agora não pode evidentemente rescindi-la, pois ele não é o que a queria outrora, excepto na medida em que completa a sua vontade de outrora, vivendo.
Em segundo lugar, é livre pelo facto de poder escolher o caminho desta vida e a maneira de o percorrer.
Em terceiro lugar, é livre pelo facto de na qualidade daquele que vier a ser de novo um dia, ter a vontade de se deixar ir, custe o que custar, através da vida e de chegar assim a ele próprio e isso por um caminho que pode sem dúvida escolher, mas que, em todo o caso, forma um labirinto tão complicado que toca nos menores recantos desta vida.
São esses os três aspectos do livre arbítrio que, por se oferecerem todos ao mesmo tempo, formam apenas um e de tal modo que não há lugar para um arbítrio, quer seja livre ou servo.

Desenho (1907-1098) e pensamento de Franz Kafka

Luz Boa, na cidade e na arte

Ao longo dos meses de Junho e Julho, os lisboetas e os visitantes vão poder redescobrir espaços públicos, com incidência na zona velha da cidade, pelas intervenções de equipas pluridisciplinares de arquitectos, designers e outros criadores de arte pública em espaços urbanos, integradas na segunda Bienal da Arte da Luz em Lisboa

Estes ateliers, além de servirem para a reflexão sobre a importância da luz no tecido urbano – por exemplo, como fonte de vida do património histórico – funcionam como elemento de valorização cultural dos espaços públicos, pela experimentação de novas tecnologias, social e economicamente sustentáveis.

fotos de João Barata

Claro que existem outras formas de intervenção.


O projecto A função económica da arte pública visa a valorização da propriedade privada pretende abordar a função da arte no espaço público no âmbito das cidades pós-industriais.
A gestão cultural é um valioso instrumento, no pressuposto de que serve os interesses socioeconómicos dos vários intervenientes , seja uma freguesia, um bairro ou um privado.

Ver também o Projecto les yeaux de la nuit, realizado no final do ano passado em Genève, Suíça.

Catarse Pessoana

Exposição de Luzia Lage, na Galeria São Mamede, até 4 de Maio.

Meditação K


O Receio do Sofrimento

Todos os sofrimentos que nos cercam, é-nos necessário sofrê-los igualmente.
Todos nós, não temos um corpo, mas um crescimento, e esse conduz-nos através de todas as dores, seja sob que forma for.
Do mesmo modo que a criança, através de todos os estádios da vida, se desenvolve até à velhice e até à morte (e cada estádio parece no fundo inacessível ao precedente, quer seja desejado ou receado), do mesmo modo nos desenvolvemos (não menos solidários da humanidade do que de nós próprios) através de todos os sofrimentos deste mundo.
Para a justiça não há, nesta ordem de coisas, lugar algum, não mais do que para o receio dos sofrimentos ou para a interpretação do sofrimento como um mérito.

Desenho(1907-1098) e pensamento de Franz Kafka

Quando o mar bate na rocha…


«O Presidente do Chade, Idriss Deby Itno, anunciou ontem o corte das relações diplomáticas com o Sudão, que acusa de apoiar os rebeldes…

O Chefe do Estado ameaçou ainda expulsar os cerca de 200 mil refugiados sudaneses que estão em campos no Leste do Chade, caso a comunidade internacional não encontre até fim de Junho uma solução para o conflito no Darfur.»

O Efeito Especial da Luz Natural

Catedral de St Vitus, Praga – Abril de 2006
clique nas imagens para ampliar

Hércules e Ônfale, de François Lemoyne

Entre o mito e a saga heróica, Hércules, o deus protector dos homens e guardião das cidades, de regresso a Tebas após ter realizado os Doze Trabalhos, teve um acesso de loucura e matou Iphitus.
Procurou então o perdão do deus grego Hermes, que o condenou a três anos de servidão à rainha Ônfale, de quem se tornou amante.


A humilhação de Hércules ao serviço de Ônfale, simboliza nesta obra de Lemoyne (1688-1737) o domínio da mulher – grandemente ilustrado no final do Período Barroco – , é visível pela troca de adornos: o semideus, coberto por um drapeau de motivos dourados, executa uma tarefa feminina, segurando um fuso e uma roca, enquanto a rainha se cobre com uma pele de leão.

O pôr-do-sol em fundo deixa antever a noite de amor que se aproxima.


Enrolada na pele de leão de Hércules, Ônfale tem o peito descoberto, deixando visível a tonalidade clara da sua pele, em contraste com o tom bronzeado do amante.


Com o cabelo solto sobre o peito, Ônfale inclina-se num suave abraço a Hércules, cujo rosto, na penumbra, deixa mais visíveis os seus atributos físicos.

clique nas imagens para ampliar

as mulheres e a cidade

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei, é uma rapariga
Descalça e leve.
Um vento súbito e claro
Nos cabelos,
Algumas rugas finas
A espreitar-lhe os olhos,
A solidão aberta
Nos lábios e nos dedos,
Descendo degraus
E degraus
E degraus até ao rio

Eugénio de Andrade

Artes Decorativas no Século XIX

Os quatro frescos que decoram o Panteão do Museu Národní, em Praga, representam episódios célebres da história cultural checa.

clique nas imagens para ampliar