Trânsito de Vénus

A passagem visual de Vénus ou de Mercúrio diante do Sol, quando observado da Terra, designa-se por “trânsito” .
O trânsito de Vénus de 8 de Junho de 2004 será inteiramente observado no Norte do país, as restantes regiões perderão apenas os instantes iniciais e na Madeira e nos Açores serão observadas as fases intermédia e final do fenómeno. O próximo ocorrerá em 2012, e o seguinte só deverá verificar-se em 2117!
Os trânsitos de Vénus são utilizados desde o século XVIII para determinar a distância da Terra ao Sol.
Johannes Kepler (1571-1630) calculou em 1629 que Mercúrio passaria diante do Sol em Novembro de 1631 e Vénus no mês seguinte. Tendo falecido antes desta data, a confirmação dos cálculos foi efectuada por Pierre Gassendi, mas apenas para Mercúrio. Contrariamente aos cálculos de Kepler, Vénus passou diante do Sol quando era noite na Europa. O «ano» de Vénus, dura 224,701 dias, enquanto o ano terrestre dura 365,256 dias – Terceira Lei de Kepler.
Mercúrio e Vénus são planetas interiores, porque a sua órbita é interior à da Terra, ou seja, interpõem-se entre nós e o Sol.
Para que o alinhamento seja perfeito são necessárias duas condições. Em primeiro lugar é necessário que o planeta esteja na chamada conjunção inferior; em segundo lugar, é necessário que esteja na linha de intersecção entre os planos da sua órbita e da órbita da Terra, a chamada linha de nodos.
Por isso, Vénus ultrapassa periodicamente a Terra. Ao tempo que demora a ganhar à Terra uma rotação completa chama-se período sinódico e é aproximadamente igual a 584 dias.
Este valor representa o tempo, em dias, que medeia entre duas passagens consecutivas de Vénus pela Terra, ou seja, duas conjunções inferiores.
Em segundo lugar, é necessário que, no momento de conjugação, estejam no mesmo plano.
Os planos de órbita da Terra e de Vénus (tal como os planos de órbita da Terra e da Lua) não são o mesmo. Fazem um ângulo.
Vénus pode estar em conjunção com a Terra sem estar perfeitamente alinhado com esta. Esse alinhamento perfeito só se verifica quando ambos os planetas estão na linha assinalada, que se chama linha dos nodos.

Nessa linha, o alinhamento pode verificar-se em duas situações: no chamado nodo descendente, quando Vénus está em V1 e a Terra em T1, o que acontecerá a 8 de Junho, ou no chamado nodo ascendente, quando Vénus está em V2 e a Terra em T2 , o que acontecerá a 8 de Dezembro.

Em todos os outros casos de conjunção, como é o marcado em V3 e T3 , não poderemos ver Vénus passar em frente ao Sol, pois este passa «por baixo» ou «por cima» do astro. Os trânsitos de Vénus são mais raros que os de Mercúrio. No século XX, enquanto Mercúrio se atravessou entre nós e o Sol por 14 vezes, Vénus não registou um único trânsito.

Esta raridade relativa dos trânsitos venusianos deve-se, entre outros factores, a um movimento muito lento das conjugações. Cinco períodos sinódicos de Vénus são aproximadamente iguais a oito anos terrestres, ou seja, de oito em oito anos os três astros encontram-se aproximadamente na mesma posição no espaço. Como há uma diferença de dois dias e algumas horas entre os dois períodos sinódicos, de oito em oito anos a posição de Vénus e da Terra muda um pouco, o equivalente aos movimentos de translação de 2,428 dias.
Num trânsito de Vénus, ambos os planetas estão na linha dos nodos.
Passados oito anos menos 2,428 dias, os três astros estarão em posição semelhante, portanto é possível que se registe outro trânsito, mas também é possível que as órbitas dos dois planetas nesses 2,428 dias os tenha afastado dessa linha e que já não se verifique nenhum trânsito. A partir da inclinação da sua órbita, Vénus sobe cerca de 20′ (minutos de arco) ou desce 24′, ao passar de uma conjunção inferior para a que se regista passados 2,428 dias.
Como o disco solar tem um diâmetro aparente visto da Terra de cerca de 32′, é possível que se registe um trânsito de Vénus num momento e se registe outro passado oito anos, pois tendo-se deslocado o planeta 20′ ou 24′ apenas, é possível que cruze o disco solar das duas vezes.
Isto explica que os trânsitos de Vénus apareçam habitualmente aos pares, como se passa com o trânsito de 2004, que é seguido de um outro daqui a oito anos, em 2012. Mas isto quer dizer também que não é possível haver um terceiro trânsito passados mais oito anos, pois nessa altura Vénus já se terá deslocado 40′ ou 48′ e saído do disco solar, que apenas mede cerca de 32′.
É necessário que decorram mais 105,5 ou 121,5 anos depois de um par de trânsitos separados por oito anos. E mesmo nesse par pode falhar um dos trânsitos.
Foi o que aconteceu em 1388, no trânsito falhado que antecedeu o de 1396.
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