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Museu do Côa

Vídeo com imagens das obras do Museu, Julho de 2008

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O Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa será o segundo maior museu (em área) de Portugal, a seguir ao de arte antiga de Lisboa. O Projecto ganhador do concurso internacional é de autoria dos arquitectos Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo, PORTO

Do Relatório do Júri:
Além do valor cultural e patrimonial presente em todos os trabalhos hierarquizados, o trabalho apresentado pelos Arquitectos Pedro Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo propõe criar uma peça de cariz escultório e emblemático, assumidamente contemporâneo, e acrescentando mais-valias à paisagem.
Apresenta uma organização muito compacta, uma figura forte, capaz de responder com clareza e intensidade aos valores da paisagem e do território.
O júri considerou a solução arquitectónica extraordinária e carismática. Uma inventiva e adequada resposta à integração na envolvente. O acesso revela-se bem pensado, introduzindo um compasso de espera entre a chegada, com uma noção clara da paisagem e da envolvente, e a descida ao espaço do museu.
Os conceitos utilizados na memória descritiva são notáveis e reveladores da consistência da proposta. Os espaços expositivos estão bem organizados e o acesso aos serviços bem resolvido.
A estrutura funcional apresenta-se adequada às exigências expressas no programa de intervenção, tendo contudo alguns aspectos que requerem maior reflexão. A solução demonstra flexibilidade evolutiva. Boa exequibilidade da solução, à luz dos actuais modos de construção.

Da Memória Descritiva do Concorrente:
“os temas abordados são diversos, resultando de uma dinâmica de trabalho que procura cruzar factores exteriores, como topografia e acessibilidades, e factores de conteúdo programático.
O desafio de fundir estes factores torna-se explicito no conceito da intervenção conceber um museu enquanto instalação na paisagem.

Conceito:
A Arte Rupestre que qualifica de forma única as margens do Rio Côa é provavelmente a primeira forma de “Land Art” da História da Humanidade. Esta condição revelou-se desde logo o motor de construção da ideia do projecto. A “Land Art” caracteriza-se genericamente de duas formas distintas.
Na primeira a condição de intervenção na paisagem é executada com elementos naturais promovendo continuidade, onde a geometria de carácter abstracto se impõe destacando a intervenção. Na segunda a estratégia é a de trabalhar um corpo, desenhado especificamente para um lugar promovendo um diálogo intimo entre artificial/natural e aumentando deste modo a complexidade temática da composição do mesmo.
O território sugere neste caso uma dupla leitura, pois é o suporte natural da paisagem, com que se pretende intervir e dialogar, mas é também a consequência da intervenção do homem numa natureza modelada, enfatizando a condição artificial.
No caso do Museu parece ser importante o sentido afirmativo do corpo, quer na sua leitura de intervenção na paisagem, quer quanto à sua natureza tipológica que deve ser formalizada enquanto massa física, não deixando quaisquer ambiguidades e equívocos quanto à sua localização e conteúdo.”

“Corpo: A forma / volume do corpo é triangular e resulta de três condições topográficas. O corpo triangular é lapidado pela geometrização abstracta da topografia, que no ponto mais alto do terreno (implantação) está entalado entre dois vales (Vale José Esteves e o Vale do Forno) e abre uma terceira frente ao encontro dos rios Douro e Côa.”

“Matéria: Para a plasticidade da matéria do corpo interessa considerar três temas: a massa, textura e a sua cor. Das possibilidades analisadas prevalecem duas: o xisto como sendo o material local e existindo em abundância, mas também pelo factor de ser o suporte escolhido no Paleolítico para o registo das gravuras. O betão interessa pelas suas características plásticas e tectónicas, mas também como material que aparece recentemente na paisagem do Douro em construções de médio e grande porte. No entanto, este, usado na sua cor natural, cinzento, promoveria alguma ruptura com o terreno onde predomina o castanho amarelado do xisto. Deste modo a proposta é que a matéria do corpo seja betão com inertes e pigmento de xisto resultando numa massa híbrida. Esta composição é sugerida nas eiras de secagem da amêndoa que pontuam alguns terrenos da envolvente, embora com a predominante xisto.

No seguimento deste texto de Rui Resende, via Arquitectura.pt, ver também a apreciação Sobre o Museu do Côa, e esta coisa portuguesa de chamar ao terreno a responsabilidade sobre o projecto

Cadeira de D. Afonso V

Visita guiada à “Cadeira de D. Afonso V” (último quartel do séc. XV), no âmbito do programa de visitas guiadas a 10 obras de referência do MNAA – 25 de Junho, 18:00 horas

Cadeira de Braços (Estadela)
Portugal, 2ª metade do século XV.
Carvalho, A 180 x L 68 x P 52,5 cm

Cadeira de estado, ou estadela, terá sido usada por D. Afonso V (1438-81) quando se recolhia no Convento do Varatojo, nos arredores de Torres Vedras, que fundou em 1470.
O seu nome deriva do “solium romano”. Assento nobre, tinha o espaldar elevado e as ilhargas como que a proteger quem nela se sentava. Era difícil de remover em consequência do peso da madeira maciça e da parte inferior ser construída como um cofre. Encostada ou não a um dossel, com ou sem sobrecéu, não dispensava a almofada sobre o assento e uma segunda para os pés.
É uma peça de grande raridade, não só por ser sobrevivente único de uma época em que os móveis de assento eram escassos como pela carga simbólica de que um móvel deste tipo se reveste na esfera social.
A cadeira de estado situava-se no topo da pirâmide hierárquica dos móveis de assento, usada pelo rei ou por quem simbolizava o poder no âmbito restrito da nobreza ou do clero.
O protocolo em torno do “estar sentado” era rigoroso, fixando-se em prerrogativas de estatuto social, como na maior ou menor carga de elementos decorativos do móvel, na riqueza dos tecidos que o cobriam, ou ainda do tipo de assento e a sua colocação no aposento, muitas vezes acompanhado de planta e desenho.
A raridade dos móveis deste período deve-se não só às parcas exigências de comodidade, como à precaridade das matérias-primas e aos rudimentares processos construtivos, reflectindo ainda os costumes de uma corte itinerante.

A cadeira de D. Afonso V apresenta características semelhantes às cadeiras góticas, flamengas e francesas do final do séc. XV. A influência da arquitectura é evidente não só na decoração como na verticalidade dominante.
Com uma gramática decorativa de cariz arquitectónico em que se destacam os arcos ogivais, as rosáceas e os contrafortes, o móvel gótico integra ainda elementos inspirados no vocabulário têxtil.
A rigidez parietal da construção, que o rigor das superfícies ortogonais denuncia, é compensada pela decoração entalhada que, citando mais uma vez a arquitectura, nos traz a delicadeza do rendilhado que a ogiva gótica estrutura.

Via Museus na Escola

El desnudo de Velázquez

Até 24 de Fevereiro no Museu do Prado, a Exposição Fábulas de Velázquez: Mitología e Historia Sagrada en el Siglo de Oro é uma oportunidade rara para descobrir a narrativa histórica em Velázquez. De um total de 52 obras expostas, de Ticiano a Rubens, o pintor sevilhano contribui com 28.

Em destaque no núcleo El desnudo – La narración, esta
Vénus ao Espelho (1644-48), que pertence à National Gallery de Londres, e que pode ser vista ao lado de El dios Marte e Mercurio y Argos.

Desde finales de los años treinta, Velázquez produjo varias obras mitológicas, que se cuentan entre las más importantes y originales de su tiempo, y que le sirvieron para entablar un fructífero diálogo con la tradición pictórica. Fueron cuadros en los que culminó su tendencia a subrayar los valores asociados al color frente a los del dibujo, y a convertirlo en el principal instrumento expresivo. En eso, continuó la tradición a la que pertenecían Tiziano y Rubens, cuyas obras abundaban en las Colecciones Reales españolas y se convertirían en dos de los principales puntos de referencia para el desarrollo de su estilo.

La mitología propició un acercamiento al desnudo, un tema cargado de connotaciones. Es la forma que la tradición occidental ha vinculado más estrechamente a la idea de arte, la que expresaba mejor los valores del color, y al mismo tiempo, el lugar donde confluían los límites del arte y la decencia. A través de La Venus del espejo, Velázquez supo hallar una alternativa a los desnudos de Tiziano o Rubens, y al mismo tiempo demostró el lugar tan singular que ocupaba en relación con sus colegas españoles, pues su posición en la corte le permitió sustraerse a las restricciones morales en materia de desnudo femenino que atenazaban a estos. En Marte utilizó una gama cálida y suntuosa, modeló las formas a base de luz y color y destruyó los límites entre el cuerpo y su entorno, buscando transmitir una sensación de vida y transitoriedad, lo mismo que hizo con Mercurio y Argos. Al mismo tiempo, conservó su gusto por la paradoja narrativa, y en vez de utilizar rasgos heroicos para representar al dios de la guerra, lo pintó cansado y melancólico.

Jardim do MNAA

Este é um espaço privilegiado do Museu Nacional de Arte Antiga. As esculturas clássicas, a fonte do século XVI e as árvores centenárias fazem com que este seja um local de excelência para disfrutar da vista sobre o rio Tejo.

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