Cadeira de D. Afonso V

Visita guiada à “Cadeira de D. Afonso V” (último quartel do séc. XV), no âmbito do programa de visitas guiadas a 10 obras de referência do MNAA – 25 de Junho, 18:00 horas

Cadeira de Braços (Estadela)
Portugal, 2ª metade do século XV.
Carvalho, A 180 x L 68 x P 52,5 cm

Cadeira de estado, ou estadela, terá sido usada por D. Afonso V (1438-81) quando se recolhia no Convento do Varatojo, nos arredores de Torres Vedras, que fundou em 1470.
O seu nome deriva do “solium romano”. Assento nobre, tinha o espaldar elevado e as ilhargas como que a proteger quem nela se sentava. Era difícil de remover em consequência do peso da madeira maciça e da parte inferior ser construída como um cofre. Encostada ou não a um dossel, com ou sem sobrecéu, não dispensava a almofada sobre o assento e uma segunda para os pés.
É uma peça de grande raridade, não só por ser sobrevivente único de uma época em que os móveis de assento eram escassos como pela carga simbólica de que um móvel deste tipo se reveste na esfera social.
A cadeira de estado situava-se no topo da pirâmide hierárquica dos móveis de assento, usada pelo rei ou por quem simbolizava o poder no âmbito restrito da nobreza ou do clero.
O protocolo em torno do “estar sentado” era rigoroso, fixando-se em prerrogativas de estatuto social, como na maior ou menor carga de elementos decorativos do móvel, na riqueza dos tecidos que o cobriam, ou ainda do tipo de assento e a sua colocação no aposento, muitas vezes acompanhado de planta e desenho.
A raridade dos móveis deste período deve-se não só às parcas exigências de comodidade, como à precaridade das matérias-primas e aos rudimentares processos construtivos, reflectindo ainda os costumes de uma corte itinerante.

A cadeira de D. Afonso V apresenta características semelhantes às cadeiras góticas, flamengas e francesas do final do séc. XV. A influência da arquitectura é evidente não só na decoração como na verticalidade dominante.
Com uma gramática decorativa de cariz arquitectónico em que se destacam os arcos ogivais, as rosáceas e os contrafortes, o móvel gótico integra ainda elementos inspirados no vocabulário têxtil.
A rigidez parietal da construção, que o rigor das superfícies ortogonais denuncia, é compensada pela decoração entalhada que, citando mais uma vez a arquitectura, nos traz a delicadeza do rendilhado que a ogiva gótica estrutura.

Via Museus na Escola

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