Archive for the ‘ Jazz ’ Category

Jáze das Cinco, no Jardim

Os Yeti Project surgem em 2006 rejuvenescidos de músicos de nacionalidade portuguesa provenientes da Berklee school of music e dos conservatórios de música de Amesterdão e Roterdão. O concerto no Festival de Jazz do Sudoeste em Agosto de 2006 que trouxe uma frescura de boa musica tendo marcado uma presença muito viva no panorama do jazz português. A partir deste momento assumiram-se como projecto. Procuram uma sonoridade que vem do jazz actual, explorando os ritmos e ambientes do pop rock, misturando por vezes a musica popular portuguesa, tocando recentemente em espaços como o Bicaense, Ondajazz, entre outros lugares de agenda.

Ricardo Pinto (trompete), Jeff Davis (bateria), Nuno Costa (guitarra), Óscar Marcelino da Graça (piano e sintetizadores) e Rui Pereira (bateria) tocam dia 9.

João Lencastre estudou no Hot Club de Portugal com Bruno Pedroso.
Em 2002, uma estadia em Nova Iorque permitiu-lhe estudar e contactar com Ralph Peterson Jr., Billy Kilson, David Binney entre outros. Em Portugal, toca como sideman em diversos projectos como o Quinteto de Mário Franco, os Spill ou os Eurobots. Em Agosto de 2005 fez uma tournée em Portugal com os Eurobots ( André Fernandes, Jesse Chandler, João Lencastre) com David Binney como convidado especial. Tem vindo a tocar igualmente com Afonso Pais, Nelson Cascais, Jacinta, Nuno Ferreira, Carlos Martins, entre outros.

Este projecto é formado por Phil Grenadier (trompete), Leo Genovese (piano), Demian Cabaud (contrabaixo) e João Lencastre (bateria).

Tocam a 16.

O pianista Filipe Melo (n. 1977) faz parte da novíssima geração do jazz português tendo sido bolseiro no reputado Berklee College of Music de Boston até 2000. As suas excepcionais qualidades de interpretação desde logo se fizeram notar no Hot Clube de Portugal emprestando o seu talento a variados projectos e em inúmeras jam sessions. Reunindo músicos em empatia no culto que dedicam aos standards do jazz menos comuns – o contrabaixista da Galiza, Paco Charlin e o baterista Bruno Pedroso, aos quais se juntam como convidados o trompetista João Moreira e o saxofonista de Valência, Jesus Santandreu, um dos notáveis da nova geração de Espanha – prenuncia-se em Filipe Melo o seu pianismo cheio de frescura e rigor, bem como o seu merecido reconhecimento junto de uma audiência mais alargada.

Filipe Melo apresenta neste concerto o projecto «Debut», acompanhado por Bruno Santos na guitarra e Bernardo Moreira no contrabaixo.
Tocam dia 23.

O programa completo pode ser consultado aqui.

Os Mensageiros do Jazz

ENCICLOPÉDIA ILUSTRADA DO JAZZ & BLUES.
Organização de Howard Mandel, com prefácio de John Scofield
Edições Afrontamento, 2006


Da escassa informação disponível em português, esta obra destaca-se naturalmente pela profundidade e riqueza das biografias de nomes maiores da história do jazz.
Vem mesmo a calhar, esta enciclopédia, nomeadamente para dinamizar o Aqui Jazz o Fado, projecto embrionário que pretende ir às origens e casamentos de duas formas de expressão musical tão diversas…
Como gostava de ter visto o Carlos Paredes ao lado do Charlie Haden no Coliseu!


As evoluções da música popular nos séculos XX e XXI foram muitas e variadas, passando-se da utilização de instrumentos rudimentares e de estruturas melódicas simples a trabalhos mais complexos e ao recurso cada vez maior a tecnologias avançadas. No entanto, é muitas vezes possível traçar as origens da música popular ocidental a partir dos seus muitos artistas e das influências das duas correntes de música afro-americana que se desenvolveram no final do século XIX: o jazz, que saía quente do caldo urbano multicultural de Nova Orleães, e o blues, vindo das paisagens rurais desoladas do Texas e do delta do Mississipi. Estas misturas de elementos da música afro-americana com o mundo cultural e social da América pós-guerra Civil foram evoluindo gradualmente a partir das suas raizes semelhantes, vindo a constituir dois géneros musicais bastante distintos e criando bases sólidas para o surgimento de outros estilos novos.



Esta Enciclopédia proporciona um olhar profundo sobre essa música poderosa e influente, com informação detalhada sobre os artistas inovadores que ajudaram a dar forma ao jazz e ao blues à medida que os estilos foram evoluindo. Organizados por décadas, todos os capítulos abrem com um texto introdutório com a informação básica essencial. As secções «Temas & Estilos» situam a música no seu contexto cultural, histórico e social e descrevem a evolução do jazz e do blues nesse período. Seguem-se as secções biográficas sobre os «Artistas de Referência» de cada década, contendo detalhes sobre faixas emblemáticas e gravações clássicas de cada um deles. Depois, em «Artistas de A-Z», apresentam-se as histórias da vida de muitos outros músicos, vocalistas, compositores, arranjadores, chefes de orquestra e produtores importantes. A secção de referências, bastante abrangente, inclui informação sobre os instrumentos do jazz e do blues, uma extensa lista de artistas, um glossário e bibliografia complementar sugerida.

Sobre a obra, recomenda-se também este artigo de Rui Branco.

por falar em música* …

É curioso que, precisamente um ano depois de publicar um post sobre o Jazz em Agosto na Gulbenkian, o deste ano tenha o mesmo tema.
Deve-se ao destaque dado a Coleman no suplemento Ípsilon do Público de hoje, que teve o efeito de uma descarga eléctrica: não tinha bilhete. Mas isso é passado.


Ornette Coleman, saxofonista alto, gravou no princípio da sua carreira um álbum intitulado «The Shape of Jazz To Come». Correndo o risco de parecer uma manifestação de arrogância juvenil – Coleman tinha apenas 29 anos nessa altura – este título acabou, na verdade, por se revelar profético. Coleman é o criador do conceito musical «harmolodic», uma forma musical que pode igualmente ser vista como uma filosofia de vida. A riqueza da harmolodics advém da interacção única que ocorre entre os músicos.

Rompendo as barreiras de rítmos rígidos e de expectativas convencionais, harmónicas ou estruturais, os músicos harmolódicos improvisam juntos, dando origem ao que Coleman chama «improvisação composicional», enquanto se mantêm, invariavelmente, em sintonia com a fluência, o sentido e as necessidades dos seus parceiros. (…). Ornette descreve-o como: «Retirar ao som o sistema de castas.» A um nível mais abrangente, harmolodics proporciona o balanço entre a liberdade de se estar como se quer, desde que se ouça os outros, e se trabalhe com eles no desenvolvimento de uma harmonia própria e individual.

Pela sua visão fundamental e inovação, Coleman foi alvo de tributos que incluem o MacArthur «Genius» Award, a admissão à Academia Americana das Artes e das Letras, o doutoramento honoris causa pela Universidade da Pensilvânia, a Letter of Distinction do American Music Center e o Prémio das Artes do Governador do Estado de Nova Iorque. No entanto, o caminho para este seu reconhecimento universal nem sempre foi ameno.

Nascido a 9 de Março de 1930 em Fort Worth, Texas, num período de grande segregação, o seu pai morreu quando Coleman tinha apenas sete anos. A sua mãe, costureira de profissão, trabalhou muito para poder comprar a Coleman o seu primeiro saxofone quando este tinha 14 anos de idade. Tendo aprendido sozinho a tocar de ouvido a partir de um livro prático de piano, Coleman ficou à vontade com o instrumento e começou a tocar com bandas locais de rhythm & blues.

Coleman sabia que não estava só na sua busca de uma sonoridade que expressasse a realidade tal como ele a percepcionava. As competitivas sessões que aludiam ao bebop tinham que ver apenas com auto-expressão na sua forma mais elevada. «Eu podia tocar e soar, nota-a-nota, como Charlie Parker, mas estava apenas a tocar pela técnica. Tentei então perceber para onde devia ir a partir daqui», afirmou Coleman. Los Angeles provou ser o laboratório daquilo que veio a chamar-se jazz. Aí, começaram a juntar-se em torno de Coleman um grupo de músicos que viriam a ter grande expressão na sua vida: um trompetista adolescente e esguio chamado Don Cherry, e Charlie Haden, um contrabaixista de ar angélico com um estilo contemplativo e firme. Os bateristas Ed Blackwell e Billy Higgins também se juntaram aos intensos e exploratórios ensaios, durante os quais Coleman ia refinando o seu vocabulário num saxofone de plástico, apesar da falta de actuações ao vivo. No entanto, e por simples persistência, a criatividade de Coleman atraía admiradores.

Red Mitchell, baixista de bebop e antigo associado de Cherry, levou o saxofonista a Lester Koenig da Contemporary Records com a intenção original de lhe vender alguns dos seus trabalhos. Apercebendo-se das dificuldades que os músicos sentiam ao tocar a música, Koenig perguntou a Coleman se ele era capaz de tocar as melodias. Este encontro fez com que Coleman gravasse o seu primeiro álbum «Something Else» em 1958.

A energia e electricidade que se foi gerando em torno de Ornette e dos seus músicos «explodiu» durante a legendária temporada em que Coleman tocou no clube de jazz Five Spot em Nova Iorque, em Novembro de 1959. Os rumores a propósito da abordagem não convencional do jovem texano, instigaram zunzuns antes dos espectáculos e, enquanto as duas semanas previstas inicialmente se transformavam num programa seguido de seis semanas, o revolucionário quarteto de Coleman tornou-se o acontecimento a não perder da temporada.

E no entanto, conforme Robert Palmer, escritor e associado de Coleman de longa data, refere nas suas notas da colectânea dos Atlantic years intitulada «Beauty Is A Rare Thing» (Rhino/Atlantic), «O ouvinte dos dias de hoje muito provavelmente ouvirá estas peças como trabalhos bem concebidos, e soberbamente alcançados em sede própria, e voltará a interrogar-se quanto às razões da controvérsia que geraram na altura.»

Coleman depressa iniciou estudos de trompete e violino, expandindo a sua sempre prolífica composição a trabalhos para quartetos de cordas, quintetos de sopro e peças sinfónicas. Escreveu a sinfonia «Skies of America» com um subsídio da Fundação Guggenheim, partiu para Marrocos em 1973 para trabalhar com os Master Musicians of Jajouka nas suas terras na montanha, e também visitou aldeias na Nigéria. Imediatamente após o seu regresso, as criações de Coleman reflectiam um novo som, um impacte harmolódico frontal, uma secção rítmica dobrada de percussão e baixo eléctrico, denominado Prime Time.

Em 1982, Coleman aceitou uma encomenda para refazer Skies of America para a Fort Worth Symphony e para compor uma peça de câmara, ambos os trabalhos para a abertura de Caravan of Dreams em Setembro de 1983. Os seus primeiros álbuns decorrentes desses eventos, Live at the Caravan e Prime Time/Prime Design (para Buckminster Fuller) foram lançados em 1984. O filme Ornette: Made In America, baseado no seu regresso a Fort Worth, foi estreado em 1985, assim como In All Languages.

A colaboração de Coleman com o guitarrista de jazz-rock Pat Metheny começou em finais de 1985, dando origem a «Song X», a uma digressão e a um novo público. Ornette alcançou um reconhecimento público mais alargado em finais dos anos 80 por ter tocado e gravado com os Grateful Dead e com Jerry Garcia, o seu hippy e virtuoso guitarrista. A afeição e o respeito que Coleman e o já falecido Garcia tinham um pelo outro ficou registada nas sessões «Virgin Beauty» gravadas em 1988 (CBS/Portrait).

Esta nova autonomia assinalou a temporada em que Coleman começou a ganhar sucessivos prémios pelas suas contínuas aventuras musicais. Criou a etiqueta Harmolodic e associou-se à Polygram Francesa. No decurso da década, a Harmolodic lançou uma série de trabalhos entre os quais «Tone Dialing», o primeiro, no qual um prelúdio de Bach é apresentado harmolodicamente.

Civilization 1997, um evento com a duração de quatro noites, teve lugar no Lincoln Center, no Avery Fisher Hall. Começou com uma apresentação de duas noites da Filarmónica de Nova Iorque, dirigida por Kurt Masur, em conjunto com Prime Time. O acontecimento mais esperado destas quatro noites foi talvez a primeira actuação do Quarteto Original em Nova Iorque, no espaço de duas décadas, com material inteiramente novo. Ouvir a fusão familiar e sempre estimulante da música de Coleman, Haden e Higgins era uma experiência emocional para muitos espectadores, que sentiram na profunda empatia dos músicos uma medida das suas próprias vidas e o cumprimento dos sonhos que tiveram quando ouviram o Quarteto quebrar concepções de música pela primeira vez. Um dos mais importantes tributos americanos, o MacArthur Foundation «genius» Grant, foi atribuído a Coleman em 1994 e, em 2004, foi galardoado com o prestigiante Dorothy and Lillian Gish Prize, um dos mais importantes prémios atribuídos no domínio das artes. Na generalidade, as actuações de Coleman, mais do que simples concertos, eram agora grandes acontecimentos multimédia que, simultaneamente, influenciavam e se reflectiam na comunidade das cidades que o recebiam, acontecimentos estes que tinham lugar durante várias noites em lugares importantes.

Em 2007, Coleman recebeu um dos prémios «2007 Grammy Lifetime Achievement Award». Em paralelo com este fantástico reconhecimento, o álbum Sound Grammar foi nomeado para um Grammy para «Melhor Álbum Instrumental de Jazz por um Indivíduo ou Grupo». Para além disso, em princípios de 2007, recebeu ainda outras distinções, tais como, o «Living Legend Award» em Washington, a «Texas Medal of the Arts» e, mais recentemente, o Prémio Pulitzer de Música, por Sound Grammar.

Metafísico, filósofo e eterno estudante, Coleman continua a iludir qualquer «categorização». O seu mundo Harmolódico continua a expandir-se com os conceitos deste artista sem limites. Certo dia afirmou: «A maior parte das pessoas pensa em mim apenas como um saxofonista e um artista de jazz, mas eu quero ser considerado como um compositor capaz de transcender todas as fronteiras.»

fonte:
Jazz em Agosto | Biografias
http://www.musica.gulbenkian.pt/jazz/

* a analogia ao post anterior não pretende induzir à sua leitura, embora a validade se mantenha

E porque hoje é Quinta…

Depois de alguma intermitência nas escapadelas, à de hoje não há como fugir.
Paulo Curado, já aqui referido, é um dos nomes importantes da cena jazz, não só pelo impressionante currículo enquanto instrumentista e compositor, como também porque esta coisa da improvisação no jazz tem muito que se lhe diga, e ele tem muito para contar…

Esta noite constituirá porventura um dos pontos altos destas sessões de verão na Cafetaria do CCB.

Não, não é o Keith Jarrett…

Mas a postura do jovem Júlio Resende sentado ao piano é uma espécie de reminiscência do Mestre. Acho até que ele faz um bocadinho por isso, mas enfim…
Gostei particularmente de dois temas seus, “The Alma” e “Deep Blue”; tocaram ainda o bonito tema Wise Up da lindíssima Aimee Mann.

A ouvir de novo este fim-de-semana, na 5ª Festa do Jazz do São Luiz.

escapadelas improvisadas ( que raio de título para um post)

A partir de hoje e até final de Setembro, sempre às 5ªs, música da boa no CCB. A culpa de sair à noite a meio da semana é destes senhores.
O alibi para esta noite, encontra-se aqui.

Diz que é uma espécie de obra-prima

Na Primavera de 1959, Miles Davis no trompete, Cannonball Adderley e John Coltrane no saxofone, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria reinventaram o jazz!

Menos é Mais –
A espontaneidade de tocar duas ou três notas, obtendo o mesmo efeito melódico que as oito das progressões elaboradas, abria lugar ao improviso… e ao bebop.

Kind Of Blue é, talvez, O disco de jazz!

Para ouvir os samples, clicar aqui.

boa música, mau cinema


Decidi-me ontem pela fita Anjos Exterminadores, em exibição no King. Um filme sobre o prazer das mulheres suscita sempre curiosidade, mas este revela-se freudianamente claustrofóbico, particularmente nas cenas de sexo explícito em que o realizador deixa as jovens em roda livre, numa espiral de prazer com consequências imprevisíveis.
Nada que não se consiga com uma webcam, afinal. Para esquecer, este filme de sexo… fraco.
Para esquecer também a sala, com o sonoro da sala ao lado a interferir nos gemidos das belles jeunes…

De positivo, valeu chegar cedo, pois ainda deu para espreitar o novo MM Café do renovado Teatro Maria Matos e ouvir 50 minutos de jazz. A Bárbara Lagido é boa onda e ontem teve um convidado que toca violino. Vale a pena uma visita.

Íntimas ligações implicam envolvimento afectivo


O sax alto Lee Konitz, que tive oportunidade de ouvir em Março de 2006 na Culturgest, como bem notou o Nuno do A Forma do Jazz, convidou um dos mais virtuosos pianistas da actualidade, Brad Mehldau (a cujo concerto de anteontem no CCB não tive possibilidade assistir – ao que parece – o público terá correspondido melhor que em Fevereiro de 2006, pois Mehldau é um músico extraordinário e merece as melhores plateias) e também o contrabaixo Charlie Haden (que salvo erro em 1990 no Coliseu dialogou com Mestre Carlos Paredes), juntaram-se em 1997 e 1999 para dois concertos, de que resultaram Alone Together e Another Shade of Blue.

Ouvir estes três discos é um puro exercício de comunhão espiritual. Sem exagero, pois não há música mais livre que o jazz.

O melhor tributo a um músico

É ouvir a sua obra.
Michael Brecker (1949 – 2007)

Michael Brecker Tenor Sax / Pat Metheny Guitars / Herbie Hancock Piano
Charlie Haden Bass / Jack Dejohnette Drums / With Special Guest: James Taylor vocals