Depois de alguma intermitência nas escapadelas, à de hoje não há como fugir. Paulo Curado, já aqui referido, é um dos nomes importantes da cena jazz, não só pelo impressionante currículo enquanto instrumentista e compositor, como também porque esta coisa da improvisação no jazz tem muito que se lhe diga, e ele tem muito para contar…
Esta noite constituirá porventura um dos pontos altos destas sessões de verão na Cafetaria do CCB.
Mas a postura do jovem Júlio Resende sentado ao piano é uma espécie de reminiscência do Mestre. Acho até que ele faz um bocadinho por isso, mas enfim… Gostei particularmente de dois temas seus, “The Alma” e “Deep Blue”; tocaram ainda o bonito tema Wise Up da lindíssima Aimee Mann.
A partir de hoje e até final de Setembro, sempre às 5ªs, música da boa no CCB. A culpa de sair à noite a meio da semana é destes senhores. O alibi para esta noite, encontra-se aqui.
Na Primavera de 1959, Miles Davis no trompete, Cannonball Adderley e John Coltrane no saxofone, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria reinventaram o jazz!
Menos é Mais – A espontaneidade de tocar duas ou três notas, obtendo o mesmo efeito melódico que as oito das progressões elaboradas, abria lugar ao improviso… e ao bebop.
Decidi-me ontem pela fita Anjos Exterminadores, em exibição no King. Um filme sobre o prazer das mulheres suscita sempre curiosidade, mas este revela-se freudianamente claustrofóbico, particularmente nas cenas de sexo explícito em que o realizador deixa as jovens em roda livre, numa espiral de prazer com consequências imprevisíveis. Nada que não se consiga com uma webcam, afinal. Para esquecer, este filme de sexo… fraco. Para esquecer também a sala, com o sonoro da sala ao lado a interferir nos gemidos das belles jeunes…
De positivo, valeu chegar cedo, pois ainda deu para espreitar o novo MM Café do renovado Teatro Maria Matos e ouvir 50 minutos de jazz. A Bárbara Lagido é boa onda e ontem teve um convidado que toca violino. Vale a pena uma visita.
O sax alto Lee Konitz, que tive oportunidade de ouvir em Março de 2006 na Culturgest, como bem notou o Nuno do A Forma do Jazz, convidou um dos mais virtuosos pianistas da actualidade, Brad Mehldau (a cujo concerto de anteontem no CCB não tive possibilidade assistir – ao que parece – o público terá correspondido melhor que em Fevereiro de 2006, pois Mehldau é um músico extraordinário e merece as melhores plateias) e também o contrabaixo Charlie Haden (que salvo erro em 1990 no Coliseu dialogou com Mestre Carlos Paredes), juntaram-se em 1997 e 1999 para dois concertos, de que resultaram Alone Together e Another Shade of Blue.
Ouvir estes três discos é um puro exercício de comunhão espiritual. Sem exagero, pois não há música mais livre que o jazz.
Michael Brecker Tenor Sax / Pat Metheny Guitars / Herbie Hancock Piano Charlie Haden Bass / Jack Dejohnette Drums / With Special Guest: James Taylor vocals
… Ou quando o todo não é o somatório das partes, antes, cada movimento é por si só um evento único.
Se tivesse de escolher um, elegeria o terceiro movimento (uma clara reminiscência do Concerto de Colónia). Este emocionante exercício improvisado de puro lirismo pode ouvir-se aqui, na primeira parte do concerto, ao minuto 20. Espantoso como há quem não acredite em orgasmos internos!
O sétimo movimento – integrado na segunda parte do concerto e que pode ouvir-se no programa Um Toque de Jazz, a transmitir no próximo domingo na Antena 2 às 23:00, com apresentação de Manuel Jorge Veloso – gera uma dúvida sobre o termo terapia: se o devemos aplicar a esta obra de arte, se a nós, que precisamos de tratamento depois de a ouvir…
O Bernardo Sassetti com Drumming coloca no ventilador o último trabalho do músico – Unreal: Sidewalk Cartoon – para ilustrar as personagens duma história passada sabe-se lá aonde… cujo desenvolvimento é representado por ritmos de percussão – alguns ininteligíveis -, interpretados por solistas convidados sabe-se lá por quê e pelo meio ainda tem um filme de animação tipo aqueles do Vasco Granja…
A sério!
Na Península de Quasi-algures, numa altura em que as modas se confundem ou deixam (por isso) de ser moda, vamos conhecer Ernesto Ductilo Benito – administrador primeiro de uma fábrica de cooperação e recuperação, na região demarcada de Cidadania-a-nova. Um dia, depois de longas horas de trabalho, o bom Ernesto encontra alguns dos seus operários de fabricação em série misteriosamente empoleirados em estranhas máquinas, muito para além das laborárias, produzindo sons musicais, de nível estético apreciável, que nunca imaginara possíveis nas suas instalações.
Deste pequeno episódio, nasce-lhe o entusiasmo, a ideia e o sonho de rearmonizar o Domínio da Música – sua principal herança de família, agora convertido num reino de anarquia, onde todos os estilos musicais se (con)fundem numa enorme sarrafusca.
Inspirado pelos estudos musicais de sua bisavó Antónia, aconselhado por um sábio bruxo, Retortilho Castraz, e apoiado por um génio inventor, Mestre Ramalho Solau, Ernesto, transforma aqueles operários idiotas (pensava ele) em luminosos elementos de sciências musicais, rumo ao conturbado Domínio da Música.
Unreal – um hino ao desenvolvimento da classe de trabalhadores, artífices e operários por conta d’outrem: música; visão; imaginação; entrega; solicitação; aventura; mistério; paixão; “Indumentária”; desventura; solicitação; desenvolvimento; entrega; música; visão; delírio; falácia; zombaria e… experiências científicas na Península de Quasi-algures.
Bernardo Sassetti, 2006
Música original e arranjos Bernardo Sassetti Intérpretes (ao vivo) Drumming, Perico Sambeat, Alexandre Frazão, José Salgueiro, Rui Rosa, Bernardo Sassetti e músicos convidados Participação especial Beatriz Batarda Filme/cartoon musical realizado por Filipe Alçada e Bernardo Sassetti Animação de Filipe Alçada baseado na história original e no trabalho de fotografia e patchwork (2003/06) de Bernardo Sassetti
Com alguns dos músicos mais experientes da cena Jazz e da música Erudita, o Lisbon Underground Music Ensemble apresenta um espectáculo intenso e enérgico, rico em sonoridades que vão das mais caóticas e explosivas improvisações aos mais subtis ambientes cinematográficos.
O compositor Marco Barroso dirige esta formação de 15 músicos interpretando um conjunto de obras que atravessam os mais variados contextos estéticos; da Música Erudita, Contemporânea, ao Jazz, Rock, Funk, Transe entre outros; aliando a música escrita e a complexidade dos arranjos com a improvisação. Biografia dos músicos:
Formação Marco Barroso – Direcção, composição e piano Flauta – Manuel Luís Cochofel Clarinete – Paulo Gaspar Sax Soprano – Jorge Reis Sax Alto – João Pedro Silva Sax Tenor – José Menezes Sax Baritono – Elmano Coelho Trompetes: Jorge Almeida/ João Moreira/Pedro Monteiro Trombones: Luis Cunha/ Eduardo Lála/ Pedro Canhoto Piano – Marco Barroso Contrabaixo/Baixo Electrico – Yuri Daniel Bateria – Pedro Silva Concertos: Dia 23 de Novembro às 18h30 – Trem Azul Jazz Store – Lisboa Dia 25 de Novembro às 21h30 – Teatro Académico Gil Vicente – Coimbra
Jos d'Almeida é um compositor de música electrónica épico sinfónica, podendo este género ser também designado como Electrónico Progressivo. Na construção de um som celestial, resultante da fusão de várias correntes musicais, JOS utiliza os sintetizadores desde o início dos anos 80.
Chuck van Zyl
Chuck van Zyl has been at his own unique style of electronic music since 1983. His musical sensibilities evoke a sense of discovery, with each endeavor marking a new frontier of sound.