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Le Petit Prince – Antoine de Saint-Exupery

Chapitre XXIII

– Bonjour, dit le petit prince.

– Bonjour, dit le marchand.

C’était un marchand de pilules perfectionnées qui apaisent la soif. On en avale une par semaine et l’on n’éprouve plus le besoin de boire.

– Pourquoi vends-tu ça? dit le petit prince.

– C’est une grosse économie de temps, dit le marchand. Les experts ont fait des calculs. On épargne cinquante-trois minutes pas semaine.

– Et que fait-on des cinquante-trois minutes?

– On fait ce que l’on veut…

“Moi, se dit le petit prince, si j’avais cinquante-trois minutes à dépenser, je marcherais tout doucement vers une fontaine…”

Capitólio – mais uma causa perdida?

Gabriela Seara defende a preservação do ‘Capitólio’ no futuro Parque Mayer, uma medida que não está prevista no projecto do arquitecto Frank Gehry.

Basta dar uma volta pelo moribundo Parque Mayer, para concluir que é preciso ser muito optimista para, depois de uma breve observação do Cine-teatro Capitólio – que consta da lista da World Monuments Watch – 100 Most Endangered Sites,2006 – não concordar com o parecer de 2003 do IST, que diz que só será possível manter a fachada.
Hoje, nem isso parece grandemente viável, dado o estado de degradação a que chegou.

Porque é que tem de se chegar a este ponto para se decidir pela preservação?

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FIBD – Angoulême 2006

Melhor Álbum
Notes pour une histoire de guerre, de Gipi

Três jovens vêm-se envolvidos num contexto de guerra civil, algures nos Balcãs…
Gipi expõe de forma inteligenteos mecanismos do ódio, através destes rapazes que integram as milícias, em busca da sua própria identidade.

Melhor Argumento e Prémio do Público

Baseada nas memórias dos seus pais nos anos sessenta, a narrativa deste álbum a preto e branco decorre na conservadora região de Maine-et-Loire, onde reinava a autoridade da igreja e dos patrões.
Em flash-back, conta-nos as actividades progressistas dos pais, militantes de esquerda: da mãe, então com 14 anos e operária fabril, que tira partido das actividades da juventude católica e do pai, professor.

Em Paris, verão de 1944, resiste-se à ocupação nazi.
Nas margens do Sena, a rapariga, escondida num barco que se prepara para receber uma carga misteriosa, é salva por um soldado da Wehrmacht.

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Mudança de estação

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos“, 8-3-1914

Discuta-se a Avenida… e o Parque Mayer!

Encontra-se numa primeira fase de discussão pública uma revisão do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE).
A proposta original – de 1990 – é de autoria do arquitecto Fernandes de Sá.

Da proposta, onde consta o alargamento dos passeios da Avenida em cerca de 7 ou 8 metros, resulta que passará a haver um único sentido do tráfego automóvel nas laterias.

Complementarmente, haverá lugar ao reordenamento do estacionamento à superfície, com a eliminação de 380 lugares ilegais, a criação de ilhas para cargas e descargas, 3 parques de estacionamentos subterrâneos com capacidade de 250 lugares cada, nas intersecções da Alexandre Herculano e Barata Salgueiro – ambos do lado direito de quem sobe a avenida – e outro na esquina do antigo teatro Tivoli.

Com a diminuição da população residente ao longo dos últimos 15 anos, esta medida pretende evitar o acentuar da desertificação – 17,3% de edifícios devolutos em 2003 – e atrair novos residentes.

Estarão assim criadas as condições para que, nomeadamente, seja recriado o Passeio Público, com espaço suficiente para o aparecimento de grandes esplanadas – preferencialmente de qualidade – pois os lisboetas também merecem ter os seus Champs Elysées!

No Jardim do Bem e do Mal – entre a razão e a emoção

A UNIÃO DO CÉU E DO INFERNO (1)
Argumento

Rintrah(2) ruge e treme os seus fogos no ar carregado;
Nuvens famintas balançam sobre o abismo.

Submisso outrora e no caminho do perigo,
O justo percorria
O vale da morte.
Plantam-se rosas onde crescem espinhos
E na estéril charneca
Cantam as abelhas

Foi então plantado o caminho do perigo
E um rio e uma fronte brotaram
De cada penhasco e cada túmulo,
E nos ossos branqueados
Brotou barro vermelho.

Até que o vilão(3) deixou os caminhos do fácil
Para seguir os caminhos do perigo
E expulsar o justo para regiões estéreis.

A vil serpente anda agora
Em mole humildade
E o justo percorre em fúria os desertos
Onde erram os leões.

Rintrah ruge e treme os seus fogos no ar carregado;
Nuvens famintas balançam sobre o abismo.

William Blake (1757-1827)

(1) Sobre o texto: existem 9 cópias de A União do Céu e do Inferno, compostas por 24 pranchas (gravura e texto) seguidas de mais 3, correspondentes a Um Cântico de Liberdade.
Sobre o título: este adapta, unindo (casando) satiricamente os opostos, o título da talvez mais conhecida obra de Swedenborg, De Coelo et Inferno et ejus mirabilibus: ex auditis et visis, 1758, de onde o texto de Blake retira o impulso inicial e para o qual remete continuamente.

(2) Tal como Urthona, em Um Cântico de Liberdade, Rintrah é uma figura mítica e simbólica da poesia profética de Blake; A potência maléfica (vilão) expulsa o justo.

(3) O vilão simboliza o padre e a sua moral hipócrita e repressiva; O Argumento simboliza a escravidão e a revolta

Tradução e notas de João Ferreira Duarte
Editora – Relógio D`Água

Colecção Rau – Corot

Mestre impressionista da gradação de tons e margens suaves,
Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875) Le père Corot – foi percursor do trabalho de grandes pintores de paisagens, como Claude Monet e Camille Pissarro, sobre quem exerceu grande influência.

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O Último Cabalista de Lisboa – III

Segundo o Inimigo Público de hoje, o empresário Domingos Névoa terá mesmo oferecido 200 mil euros ao vereador Sá Fernandes.

“É verdade. E digo-lhe mais: até pagava o dobro. Não para a permuta dos terrenos, porque isso está garantido. Pagava-lhe para ele se calar, porque já não aguento mais ouvi-lo. Já rebentei quatro Sonys à paulada lá em casa, só de o ver aparecer nos telejornais”.

Oh, good God, this is amazing!!

Embora não seja de todo inesperado, pois, perdoem-me a imodéstia, era claramente uma questão de tempo, não deixa de ser excitante o Luminescências ter atingido hoje

Quero por isso, nesta noite, agradecer aos membros da Academia bloguista, ao Blogger, ao Google, ao Bravenet, ao Haloscan, ao Technorati, ao del.icio.us, ao Blinkar, à minha família…
E que me perdoem se esqueço alguém, mas a emoção é muito grande…

Chafariz do Arco de São Mamede – 1805

Em passeio pela Rua do Arco de São Mamede – próximo da Rua de São Bento -, atraído por fotos sobre uma casa abandonada que o CIDADANIA LX gentilmente me tinha enviado, e sobre a qual darei nota em breve…

Dei com este Chafariz do início do século XIX, cujos vestígios devem ter sido pintados para celebrar os 200 anos;
Porém, talvez fosse oportuno terminar com as comemorações:

Retirando os carros de cima do passeio, procedendo à limpeza do chafariz e dotando o conjunto de iluminação apropriada…

Não é pedir muito, pois não?