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Movimentos Perpétuos…

… Ou quando o todo não é o somatório das partes, antes, cada movimento é por si só um evento único.

Se tivesse de escolher um, elegeria o terceiro movimento (uma clara reminiscência do Concerto de Colónia).
Este emocionante exercício improvisado de puro lirismo pode ouvir-se aqui, na primeira parte do concerto, ao minuto 20.
Espantoso como há quem não acredite em orgasmos internos!

O sétimo movimento – integrado na segunda parte do concerto e que pode ouvir-se no programa Um Toque de Jazz, a transmitir no próximo domingo na Antena 2 às 23:00, com apresentação de Manuel Jorge Veloso – gera uma dúvida sobre o termo terapia: se o devemos aplicar a esta obra de arte, se a nós, que precisamos de tratamento depois de a ouvir…

Postais de Natal – Porto

Postais de Natal – Lisboa

Praça do Município

Fedra, no aniversário de Racine

Fiou se o coração, de muito isento,
de si cuidando mal, que tomaria
tão ilícito amor tal ousadia,
tal modo nunca visto de tormento.
Mas os olhos pintaram tão a tento
outros que visto tem na fantasia,
que a razão, temerosa do que via,
fugiu, deixando o campo ao pensamento.
Ó Hipólito casto, que, de jeito,
de Fedra, tua madrasta, foste amado,
que não sabia ter nenhum respeito:
em mim vingou o amor teu casto peito;
mas está desse agravo tão vingado,
que se arrepende já do que tem feito.

Soneto de Luis de Camões

Escrita por Racine (1639-1699) a partir do texto clássico de Eurípedes, Fedra, rainha de Atenas e mulher de Teseu, apaixona-se por Hipólito, seu enteado.
Imaginando o marido morto, Fedra declara-se a Hipólito que, por a rejeitar, é acusado de violação; Acaba por sacrificar-se a si própria, pela forma como idealiza uma paixão não concretizada.

Sobe aos palcos:
No Teatro Municipal de Almada, de 28 de Dezembro a 28 de Janeiro.

No Teatro Municipal Maria Matos, de 11 de Janeiro a 18 de Fevereiro.

Esboços Pessoanos – V

Carta para Paris

Tenho andado a pensar,
meu caro Mário,
por que será que os poetas
sempre morreram
e ainda morrem
de cirrose, overdose, tuberculose
e outras formas de suicídio programado!

O inconformismo e a luta
dão-lhes uma vida filha da puta
(desgaste de energia
sem fim!).

Por isso não se pergunte
aos poetas da poesia
mas aos políticos da orgia
por que morrem assim?…

poema de Joaquim Evónio,
desenho de José Jorge Soares

Esboços Pessoanos – IV


Expectância

Expectante,
a vida não vive em mim.

Brota,
fera à solta, lá fora!
Mas hei-de encontrar a hora,
o instante certo,
para trocar o sofrimento
por um amor ao vento,
beijo breve e leve
e sempre
incerto!

poema de Joaquim Evónio,
desenho de José Jorge Soares

Tradição e Vanguarda

Depois da estreia em 2003 com Primeiro Fado e da participação no Álbum Vermelho – ao lado do mano Camané e de nomes como Cristina Branco, Argentina Santos, Mariza e Kátia Guerreiro -, Pedro Moutinho rompe o cordão fraterno e em Encontro aborda o fado tradicional com temas de Carlos e Lucília do Carmo, respectivamente Não me Conformo e A Rua do Desencanto.

Entre nove fados tradicionais, encontramos letras de António Botto, Fernando Pessoa, Manuel Alegre e António Lobo Antunes.

Anda Pacheco!

Albert Gleizes – O Cubismo em Majestade

Após um curto período impressionista, por volta de 1900, Albert Gleizes (1881-1953) dedica-se sobretudo ao desenho. O seu estilo, inicialmente simbolista, evolui para uma extraordinária síntese das formas que inaugura novos caminhos. No “Salon des Indépendants” de 1911, Gleizes participa juntamente com Jean Metzinger, Robert Delaunay e Fernand Léger no escândalo do Cubismo, revelado pela primeira vez ao público.

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Femme aux phlox, 1910

Os quadros enviados por Gleizes para os “Salons de Paris” até à Guerra de 1914, tais como La Femme aux phlox, Les Joueurs de football manifestam, de forma brilhante, as ambições do pintor, no momento em que Guillaume Apollinaire vê na “majestade”, “o que antes de mais caracteriza a arte de Albert Gleizes”.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Gleizes, que se encontra mobilizado na Lorena, aprofunda as suas experiências construtivas e volta-se para a abstracção. Em Nova Iorque, onde viria a refugiar-se, o seu estilo evolui para uma interpretação dinâmica e energicamente colorida do Cubismo. De regresso a França, em 1919, Gleizes torna-se no principal defensor de uma abstracção depurada, animada pelas “translações” e “rotações” de planos coloridos.

La majesté, voila ce qui caractérise avant tout l’art d’Albert Gleizes. Il apporta ainsi dans l’art contemporain une émouvante nouveauté.
On ne la trouve avant lui, que chez peu de peintres modernes. Cette majesté éveille l’imagination, provoque l’imagination et considérée du point de vue plastique elle est l’immensité des choses.

Guillaume Apollinaire
Les Peintres cubistes, 1913

 

Esboços Pessoanos – III


Ofélia

Eu sei!
O mundo fala de mim
sem entender
que o amor é,
ao mesmo tempo,
casto e sensual…

Um dia, alguém julgará o meu ardor
pois
o que a minha alma
mais deseja e quer
é o calor suave
do teu suave
corpo de mulher!

poema de Joaquim Evónio,
desenho de José Jorge Soares

Esboços Pessoanos – II

Heteromorfia

Para enfrentar
a náusea de viver
há que partir o espelho.

E cada vidro
reflecte o outro lado
aonde habita o sonho.
Desliza pela imagem dos destinos
o prisma do poema!…

poema de Joaquim Evónio,
desenho de José Jorge Soares