Arquivo de Julho, 2006

Critérios de avaliação

Com os miudos em férias escolares (!), foi notícia este fim-de-semana no Público e no Expresso o recrutamento de jovens pela Juventude Nacionalista à porta das escolas.

Duas interrogações:
Sendo substantivamente diversos os processos utilizados pela propaganda e pela panfletária, o critério de avaliação dos mesmos por parte do ME e do MAI não deverá ser uniforme?
Qual o peso relativo que têm os relatórios das forças de segurança sobre os assaltos por parte de gangs e a venda de droga à porta das escolas na discussão e análise do Programa Escola Segura, por parte dos Ministérios envolvidos?

Luz Boa, na cidade e na arte


A segunda edição da Luzboa – Bienal Internacional da Luz – propõe à cidade um grande evento cultural dedicado à Luz e à Iluminação: um circuito de intervenções de arte urbana.
Para além de uma programação artística internacional Luzboa abrange a promoção do conhecimento no domínio da Luz e da Iluminação, através de ateliês, conferências, edições e o Prémio Luzboa-Schréder.

I. Luzboa – um Projecto Urbano para Lisboa

O Projecto RGB é o suporte físico da Bienal e caracteriza-se pela transfiguração espacial de todo o ‘edifício’, por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a sua intensidade ao longo dos percursos. Explicita assim os seus três Circuitos interligados, cada um deles correspondendo a um espaço-ambiente urbano característico. Essa transformação é enfatizada por dois conjuntos de intervenções [ Esquiços e Art gets you through Night] que habitam o próprio espaço desenhado, assinalando-lhe pontos de fruição essenciais e os limites da própria Bienal. A continuidade cromática e a gestão da intensidade luminosa asseguram não apenas o adequado enquadramento visual das obras artísticas, mas a própria comunicação do Acontecimento.

O Projecto Urbano Luzboa exige criatividade, propõe cultura, a participação de pessoas e instituições, a articulação das diversas lógicas profissionais, o empenho político e uma capacidade de tomar e respeitar decisões a longo prazo.

Através de financiamentos públicos que geram por sua vez investimentos e participações privados, capazes de produzir tanto memórias do efémero como obras permanentes, Luzboa contribui para a melhoria do espaço público urbano da Capital.

Através do Projecto Urbano Luzboa,a Extra]muros[ desenvolve a sua acção em vários níveis intercruzados e sobrepostos. Em 2006, a Bienal contribui para essa intervenção sucessiva sobre a Cidade, por meio de um percurso que se desenvolve linearmente entre o Largo do Rato e Alfama.

Abordagem da cidade
1.
Reconhecimento territorial de um percurso urbano subdividido em três circuitos que atravessam o centro da cidade [Circuito Red, Circuito Green, Circuito Blue];
2.
Transformação espacial por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a intensidade da iluminação ao longo do percurso;
3.
Comunicação da própria intervenção, relevando momentos especiais do seu próprio corpo [Peças de Comunicação – Projecto RGB];
4. Incorporação de todas as intervenções [artísticas, de comunicação, reflexivas], assim como da participação interactiva do público e das instituições, da memória e do próprio acto de atravessar a noite, numa Unidade – definida, porém em evolução dinâmica.


II. Bienal Internacional da Luz 2006

Luzboa é um evento cultural urbano: um circuito de instalações e intervenções de arte contemporânea, complementado por acções de dinamização e de promoção do conhecimento no domínio da Luz, através de conferências, vistas guiadas, edições e o Prémio Luzboa-Schréder. De 21 a 30 de Setembro, diariamente entre as 20 e as 24h, a edição de Luzboa 2006 propõe um conjunto integrado de intervenções urbanas concebido como um Percurso Nocturno pela Cidade.

Luzboa Conceito
Luzboa é uma grande iniciativa urbana dedicada ao tema da Luz. Porque
a Luz e a iluminação são vectores de evolução, realização humana e urbanidade, assim como de qualidade de vida. Domínio por excelência do sonho, da imaginação, da experiência e do conhecimento, a arte contemporânea é a pedra-de-toque de toda a iniciativa, no quadro de uma programação com impacto junto do grande público.

Luzboa Oportunidade
Luzboa transforma Lisboa no cenário das propostas artísticas de artistas oriundos de vários países, enriquecendo a oferta cultural da Capital e contribuindo para a sua valorização no panorama das cidades culturais europeias;
Luzboa contribui para o debate acerca do desenho da noite, nomeadamente quanto ao papel da arte pública e da iluminação ambiental no Planeamento e Reabilitação Urbanos;
Luzboa cria sinergias entre a população, agentes culturais, a administração pública e o sector
empresarial e tecnológico, com benefícios estratégicos para os domínios do Urbanismo, da Iluminação Pública, do Turismo, da Economia e da Cultura.

Luzboa Objectivos
Luzboa é uma montra de ideias e tendências no domínio da arte contemporânea e da iluminação criativa,
numa perspectiva de inovação tecnológica e de adequação aos desejos e interesses tanto dos cidadãos
como das entidades relacionadas com a gestão da Cidade, assumindo como objectivos fundamentais:
– Trazer a Arte Contemporânea para a rua
– Celebrar o carácter e a beleza da noite de Lisboa
– Promover, ao nível nacional e internacional, a imagem de Lisboa
– Desenvolver um evento único e original

Luzboa Intervenção
Luzboa é um percurso único, um traçado que une o Príncipe Real a Alfama – passando pelo Camões, as zonas do Chiado e da Baixa. Se as muito diversas intervenções artísticas incidem em espaços públicos [praças, ruas, jardins, miradouros] e conjuntos edificados, as visitas guiadas são o elo que reforça a experiência de conhecer melhor a Cidade, enquanto o Prémio Luzboa-Schréder celebra as carreiras de um conjunto de personalidades consideradas importantes para a Cultura da Luz.

Ulises y las sirenas, de Picasso

A la vora del mar. Tenia
una casa, el meu somni,
a la vora del mar.

Alta proa. Per lliures
camins d’aigua, l’esvelta
barca que jo manava.

Els ulls sabien
tot el repòs i l’ordre
d’una petita pàtria.

Com necessito
Contar-te la basarda
que fa la pluja als vidres!
Avui cau nit de fosca
damunt la meva casa.

Les roques negres
m’atrauen a naufragi.
Captiu del càntic,
el meu esforç inútil,
qui pot guiar-me a l’alba?

Ran de la mar tenia
una casa, un lent somni.

excerto XXV do poema Cementiri de Sinera (1946)
do poeta catalão
Salvador Espriu

O Sangue Derramado

Que não quero vê-lo!

Diz tu à lua que venha,
que não quero ver o sangue
de Ignacio sobre esta areia.

Que não quero vê-lo!

A lua de par em par,
cavalo de nuvens quietas,
e a praça gris do sonho
com salgueiros nas barreiras.

Que não quero vê-lo!
Que a lembrança se me queima.
Ide avisar os jasmins
com sua alvura pequena!

Que não quero vê-lo!

A vaca do velho mundo
perpassava a triste língua
sobre um focinho de sangues
derramados sobre a areia,
e os touros de Guisando,
quase morte e quase pedra,
mugiram como dois séculos
fartos de pisar a terra.
Não.

Que não quero vê-lo!

Pelos degraus sobe Ignacio
com toda a sua morte às costas.
Buscava o amanhecer,
e o amanhecer não era.
Busca seu perfil seguro,
e o sonho desorienta-o.
Buscava seu belo corpo
e encontrou seu sangue aberto.
Não me digais que eu o veja!
Não quero sentir o jorro
cada vez com menos força;
esse jorro que ilumina
lugares da praça e se entorna
na bombazina e no couro
da multidão tão sedenta.
Quem grita que eu me debruce?
Não me digais que eu o veja!

Não se fecharam seus olhos
quando viu os cornos perto;
as mães, contudo, terríveis
levantaram a cabeça.
E houve nas ganadarias
um ar de vozes secretas
gritando a touros celestes
maiorais de débil névoa.

Não houve em Sevilha príncipe
que comparar-se-lhe possa,
nem espada como a sua,
nem coração tão deveras.

Como um rio de leões,
maravilha era sua força,
e como um torso de mármore
sua medida prudência.
Um ar de Roma andaluza
dourava a sua cabeça
onde o seu riso era um nardo
de sal e de inteligência.
Grande toureiro na praça!
Que bom serrano na serra!
Que meigo com as espigas!
Que duro com as esporas!
Que terno com o orvalho!
Que deslumbrante na feira!
Que tremendo com o último
par de bandarilhas de treva!

Porém, já dorme sem fim.
Já os musgos e a erva
abrem com dedos seguros
a flor da sua caveira.
Seu sangue já vem cantando:
cantando por prados e marismas,
resvalando em cornos quase gelo,
vacilando sem alma pela névoa,
tropeçando em milhares de cascos,
como uma longa, escura, triste língua,
para formar um charco de agonia
junto ao Guadalquivir das estrelas.

Oh branco muro de Espanha!
Oh negro touro de pena!
Oh sangue duro de Ignacio!
Oh rouxinol de suas veias!
Não!
Que não quero vê-lo!
Que não há cálice que o contenha,
que não há andorinhas que o bebam,
não há geada de luz que o arrefeça,
não há canto nem dilúvio de açucenas,
não há cristal que o cubra de prata.
Não.
Eu não quero vê-lo!!

poema de Federico García Lorca, in Llanto por Ignacio Sánchez Mejías
gravura de Francisco Goya

Inês de Castro, de J. Simões de Almeida Jr.

No patamar do 1º piso da PGR cujas instalações terei oportunidade de visitar em breve e de que tentarei dar testemunho adequado encontra-se a estátua em mármore de “Inês de Castro”, da autoria do escultor José Simões de Almeida Júnior.
Encomendada pela terceira duquesa de Palmela, pertence ao recheio artístico do Palácio Palmela.
A obra foi sujeita a restauro pelo Instituto José de Figueiredo depois de ter sido encontrada abandonada na cerca do palácio.

fonte: PGR

O Diogo desapareceu

Reproduzo fotos do DIOGO ALEXANDRE CASTANHEIRA GARCIA, de 14 anos, que desapareceu após o jantar;
A irmã recebeu um sms a informar que “já estavam em Setubal e se dirigiam para Espanha”.

Neste momento, os pais do Diogo precisam da ajuda da blogosfera.

Seja qual for a situação actual do Diogo, tudo o que possa contribuir para a sua rápida identificação, é de extrema importância.

Esta informação foi-me esta tarde confirmada telefonicamente pela PSP de Queluz.

Ficam os contactos:
PSP DE QUELUZ – 214 350 644
MÃE – 918 568 442
PAI – 962 934 677

sopa de letras

Parabéns ao Leituras, que esta semana completa um ano.

É um privilégio ter uma crítica literária em casa!

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