Arquivo de 31 de Julho, 2006

Critérios de avaliação

Com os miudos em férias escolares (!), foi notícia este fim-de-semana no Público e no Expresso o recrutamento de jovens pela Juventude Nacionalista à porta das escolas.

Duas interrogações:
Sendo substantivamente diversos os processos utilizados pela propaganda e pela panfletária, o critério de avaliação dos mesmos por parte do ME e do MAI não deverá ser uniforme?
Qual o peso relativo que têm os relatórios das forças de segurança sobre os assaltos por parte de gangs e a venda de droga à porta das escolas na discussão e análise do Programa Escola Segura, por parte dos Ministérios envolvidos?

Luz Boa, na cidade e na arte


A segunda edição da Luzboa – Bienal Internacional da Luz – propõe à cidade um grande evento cultural dedicado à Luz e à Iluminação: um circuito de intervenções de arte urbana.
Para além de uma programação artística internacional Luzboa abrange a promoção do conhecimento no domínio da Luz e da Iluminação, através de ateliês, conferências, edições e o Prémio Luzboa-Schréder.

I. Luzboa – um Projecto Urbano para Lisboa

O Projecto RGB é o suporte físico da Bienal e caracteriza-se pela transfiguração espacial de todo o ‘edifício’, por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a sua intensidade ao longo dos percursos. Explicita assim os seus três Circuitos interligados, cada um deles correspondendo a um espaço-ambiente urbano característico. Essa transformação é enfatizada por dois conjuntos de intervenções [ Esquiços e Art gets you through Night] que habitam o próprio espaço desenhado, assinalando-lhe pontos de fruição essenciais e os limites da própria Bienal. A continuidade cromática e a gestão da intensidade luminosa asseguram não apenas o adequado enquadramento visual das obras artísticas, mas a própria comunicação do Acontecimento.

O Projecto Urbano Luzboa exige criatividade, propõe cultura, a participação de pessoas e instituições, a articulação das diversas lógicas profissionais, o empenho político e uma capacidade de tomar e respeitar decisões a longo prazo.

Através de financiamentos públicos que geram por sua vez investimentos e participações privados, capazes de produzir tanto memórias do efémero como obras permanentes, Luzboa contribui para a melhoria do espaço público urbano da Capital.

Através do Projecto Urbano Luzboa,a Extra]muros[ desenvolve a sua acção em vários níveis intercruzados e sobrepostos. Em 2006, a Bienal contribui para essa intervenção sucessiva sobre a Cidade, por meio de um percurso que se desenvolve linearmente entre o Largo do Rato e Alfama.

Abordagem da cidade
1.
Reconhecimento territorial de um percurso urbano subdividido em três circuitos que atravessam o centro da cidade [Circuito Red, Circuito Green, Circuito Blue];
2.
Transformação espacial por meio de uma intervenção plástica efémera que modifica a cor da iluminação urbana e diminui a intensidade da iluminação ao longo do percurso;
3.
Comunicação da própria intervenção, relevando momentos especiais do seu próprio corpo [Peças de Comunicação – Projecto RGB];
4. Incorporação de todas as intervenções [artísticas, de comunicação, reflexivas], assim como da participação interactiva do público e das instituições, da memória e do próprio acto de atravessar a noite, numa Unidade – definida, porém em evolução dinâmica.


II. Bienal Internacional da Luz 2006

Luzboa é um evento cultural urbano: um circuito de instalações e intervenções de arte contemporânea, complementado por acções de dinamização e de promoção do conhecimento no domínio da Luz, através de conferências, vistas guiadas, edições e o Prémio Luzboa-Schréder. De 21 a 30 de Setembro, diariamente entre as 20 e as 24h, a edição de Luzboa 2006 propõe um conjunto integrado de intervenções urbanas concebido como um Percurso Nocturno pela Cidade.

Luzboa Conceito
Luzboa é uma grande iniciativa urbana dedicada ao tema da Luz. Porque
a Luz e a iluminação são vectores de evolução, realização humana e urbanidade, assim como de qualidade de vida. Domínio por excelência do sonho, da imaginação, da experiência e do conhecimento, a arte contemporânea é a pedra-de-toque de toda a iniciativa, no quadro de uma programação com impacto junto do grande público.

Luzboa Oportunidade
Luzboa transforma Lisboa no cenário das propostas artísticas de artistas oriundos de vários países, enriquecendo a oferta cultural da Capital e contribuindo para a sua valorização no panorama das cidades culturais europeias;
Luzboa contribui para o debate acerca do desenho da noite, nomeadamente quanto ao papel da arte pública e da iluminação ambiental no Planeamento e Reabilitação Urbanos;
Luzboa cria sinergias entre a população, agentes culturais, a administração pública e o sector
empresarial e tecnológico, com benefícios estratégicos para os domínios do Urbanismo, da Iluminação Pública, do Turismo, da Economia e da Cultura.

Luzboa Objectivos
Luzboa é uma montra de ideias e tendências no domínio da arte contemporânea e da iluminação criativa,
numa perspectiva de inovação tecnológica e de adequação aos desejos e interesses tanto dos cidadãos
como das entidades relacionadas com a gestão da Cidade, assumindo como objectivos fundamentais:
– Trazer a Arte Contemporânea para a rua
– Celebrar o carácter e a beleza da noite de Lisboa
– Promover, ao nível nacional e internacional, a imagem de Lisboa
– Desenvolver um evento único e original

Luzboa Intervenção
Luzboa é um percurso único, um traçado que une o Príncipe Real a Alfama – passando pelo Camões, as zonas do Chiado e da Baixa. Se as muito diversas intervenções artísticas incidem em espaços públicos [praças, ruas, jardins, miradouros] e conjuntos edificados, as visitas guiadas são o elo que reforça a experiência de conhecer melhor a Cidade, enquanto o Prémio Luzboa-Schréder celebra as carreiras de um conjunto de personalidades consideradas importantes para a Cultura da Luz.

Ulises y las sirenas, de Picasso

A la vora del mar. Tenia
una casa, el meu somni,
a la vora del mar.

Alta proa. Per lliures
camins d’aigua, l’esvelta
barca que jo manava.

Els ulls sabien
tot el repòs i l’ordre
d’una petita pàtria.

Com necessito
Contar-te la basarda
que fa la pluja als vidres!
Avui cau nit de fosca
damunt la meva casa.

Les roques negres
m’atrauen a naufragi.
Captiu del càntic,
el meu esforç inútil,
qui pot guiar-me a l’alba?

Ran de la mar tenia
una casa, un lent somni.

excerto XXV do poema Cementiri de Sinera (1946)
do poeta catalão
Salvador Espriu

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