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‘Regata no Grande Canal’, de Francesco Guardi

Adquirida por Calouste Gulbenkian em 1918, esta obra do pintor veneziano Francesco Guardi [5 Out 1712 – 1 Jan 1793] pertence à colecção permanente do Museu.


Francesco Guardi [1712-1793] – ‘Regata no Grande Canal’


A obra é inspirada numa pintura de Canaletto intitulada Regata no Grande Canal (Castelo de Windsor), realizada no início da década de 1730, cuja gravura, executada por Antonio Visentini em 1742, conheceu larga difusão. Em Guardi a perspectiva é porém mais profunda, o ponto de vista mais recuado e a linha de horizonte mais baixa, aspectos que se reflectem na quase duplicação da superfície do céu, de magnífico efeito atmosférico. O tratamento mais vivo do tema é ainda extensivo à execução das pequenas figuras agitadas que povoam a cena e nela participam activamente.

A pintura representa o Grande Canal visto de Ca’Foscari no momento de realização de uma regata. O artista constrói o espaço em profundidade desde a tribuna próxima do Palácio Balbi, até à Ponte de Rialto, no limite do horizonte. À esquerda é possível distinguir a macchina, pavilhão flutuante onde eram distribuídos os prémios aos vencedores. A rica decoração dos tecidos nas varandas e das embarcações enfeitadas de ramos, estandartes e divindades marinhas, denunciam uma alegria e uma sugestão de movimento ao gosto rococó.
Via Museu Calouste Gulbenkian.

‘O Canal da Giudecca e a Igreja de Santa Marta’, de Francesco Guardi

Adquirida por Calouste Gulbenkian em 1920, esta obra do pintor veneziano Francesco Guardi [5 Out 1712 – 1 Jan 1793] pertence à colecção permanente do Museu.

O Canal da Giudecca e a Igreja de Santa Marta
Francesco Guardi [1712-1793]
Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa

Francesco Guardi representa nesta composição, na qual se avista a ponta de Santa Marta e o canal da Giudecca, uma Veneza periférica povoada de pormenores que narram a vida quotidiana da população local, motivo através do qual o pintor exprimiu de forma particularmente conseguida a sua imensa sensibilidade artística. Este distanciamento relativamente ao lado faustoso de outras pinturas da sua autoria, das quais o Museu Calouste Gulbenkian possui excelentes exemplos (as Feste, sobretudo), proporcionou a Guardi, pela óbvia informalidade do tema, concentrar-se na representação de um amanhecer enevoado, onde a atmosfera feérica do canal toma posse de toda a superfície pictórica.

Na cena prevalecem tonalidades prateadas e azuladas, surgindo as formas mais distantes, embarcações e silhuetas de edifícios, diluídas em leves pinceladas monocromáticas. A humidade da lagoa e o céu acinzentado fazem lembrar a arte do holandês Jan van Goyen. Francesco Guardi faz ainda uso do sfumato, uma concepção de luz com interferência directa na intensidade do contraste existente entre os objectos representados e o espaço envolvente, produzindo-se a partir desse artifício técnico um fenómeno óptico através do qual cor e contornos se atenuam e se dissolvem.
Via Museu Calouste Gulbenkian.

Colecção Rau – Canaletto


Canaletto – Saint Mark’s Square, 1740-1750

Esta obra de Canaletto (1697-1768) pertence ao período mais luminoso do pintor vedutista (de vista, paisagem, perspectiva), que se iniciou como cenógrafo.
Por esse facto, as figuras surgem salpicadas, como se de uma peça de teatro se tratasse, com a finalidade de dar vida à fachada palaciana.
É a celebração da própria história de Veneza que aqui vemos, numa grandiosa coreografia.

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