Óscares 2006 – Três Marias Cheias de Graça

Parábola das vidas (in)acabadas

Um dia, um homem que viajava na estrada de Jerusalém para Jericho, foi atacado, roubado e agredido, face à indiferença de outros cidadãos respeitáveis, que não paravam para oferecer ajuda.
Um samaritano que passava viu o homem ferido e prestou-lhe auxílio;
Tratou-lhe as feridas e providenciou-lhe alojamento até ele estar recuperado.

Exposição – O Sagrado


Armanda Passos
expõe na Galeria São Mamede 16 óleos sobre tela.

A pintura neofigurativa de Armanda Passos caracteriza-se pela disposição no plano bidimensional – sem profundidade – das figuras representadas.

Até 15 de Março.

Antecâmara – VI

ÁREA V – MERCADOS, COMPETITIVIDADE, INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

1. Em que termos se pretende reforçar a abertura, sã concorrência e flexibilidade nos mercados?

Relevância da Questão
A ausência de concorrência nos mercados é fonte de ineficiência, que nos sectores monopolizados ou pouco sujeitos à concorrência internacional se manifesta pelo seu peso excessivo, e fornecimento de bens e serviços de menor qualidade mas com custos e preços excessivos. A ausência de flexibilidade dificulta a adaptação como resposta a inovação e choques externos.


2. Acredita-se na nas vantagens para todos de uma maior flexibilidade laboral? Como é que ela vai ser implementada? Que alterações a fazer na actual legislação?

Relevância da Questão
A flexibilidade no mercado de trabalho é essencial para a sua maior transparência e para permitir o crescimento da produtividade. Um mercado com rigidez favorece o desenvolvimento da economia paralela e cria assimetrias entre empresas e dificulta a mobilidade sectorial, podendo assim contribuir para maiores níveis de desemprego.

3. Como se vai garantir um funcionamento mais justo e flexível do mercado de arrendamento? Quais as alterações previstas na legislação?

Relevância da Questão
Um mercado de arrendamento activo é um importante factor para a mobilidade geográfica, complementar à mobilidade sectorial. Com um mercado de arrendamento incipiente há insuficiente manutenção e requalificação, contribuindo para um peso elevado do sector da construção imobiliária, e gerando um número excessivo de proprietários.


4. Como se vai atrair investimento estrangeiro? Quais os objectivos para esta área?

Relevância da questão
Num pequeno país como Portugal o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) pode ser um importante promotor de inovação, contribuindo para o desenvolvimento e modernização do país. O atracção de IDE deve ser aberta, facilitando entradas e saídas, avaliado pelas suas externalidades e não tanto funcionando como instrumento de política industrial activa.


5. Como se vai garantir a independência do Estado face aos interesses dos grupos económicos e corporativos dominantes?

Relevância da questão
Um Estado cativo dos interesses de grupos económicos e corporativos dominantes não tem condições para realizar reformas económicas eficientes. Esta dimensão é especialmente relevante no âmbito das actividades das entidades de regulação.

Áreas abordadas anteriormente :
Apreciação Geral – Fevereiro de 2005
Área I – Coesão Social, Protecção Social e Segurança Social
Área II – Educação
Área III – Serviços Públicos, Administração Pública, Despesa Pública
Área IV – Fiscalidade

Le Petit Prince – Antoine de Saint-Exupery

Chapitre XXIII

– Bonjour, dit le petit prince.

– Bonjour, dit le marchand.

C’était un marchand de pilules perfectionnées qui apaisent la soif. On en avale une par semaine et l’on n’éprouve plus le besoin de boire.

– Pourquoi vends-tu ça? dit le petit prince.

– C’est une grosse économie de temps, dit le marchand. Les experts ont fait des calculs. On épargne cinquante-trois minutes pas semaine.

– Et que fait-on des cinquante-trois minutes?

– On fait ce que l’on veut…

“Moi, se dit le petit prince, si j’avais cinquante-trois minutes à dépenser, je marcherais tout doucement vers une fontaine…”

Capitólio – mais uma causa perdida?

Gabriela Seara defende a preservação do ‘Capitólio’ no futuro Parque Mayer, uma medida que não está prevista no projecto do arquitecto Frank Gehry.

Basta dar uma volta pelo moribundo Parque Mayer, para concluir que é preciso ser muito optimista para, depois de uma breve observação do Cine-teatro Capitólio – que consta da lista da World Monuments Watch – 100 Most Endangered Sites,2006 – não concordar com o parecer de 2003 do IST, que diz que só será possível manter a fachada.
Hoje, nem isso parece grandemente viável, dado o estado de degradação a que chegou.

Porque é que tem de se chegar a este ponto para se decidir pela preservação?

Posted by Picasa clique nas imagens para ampliar

FIBD – Angoulême 2006

Melhor Álbum
Notes pour une histoire de guerre, de Gipi

Três jovens vêm-se envolvidos num contexto de guerra civil, algures nos Balcãs…
Gipi expõe de forma inteligenteos mecanismos do ódio, através destes rapazes que integram as milícias, em busca da sua própria identidade.

Melhor Argumento e Prémio do Público

Baseada nas memórias dos seus pais nos anos sessenta, a narrativa deste álbum a preto e branco decorre na conservadora região de Maine-et-Loire, onde reinava a autoridade da igreja e dos patrões.
Em flash-back, conta-nos as actividades progressistas dos pais, militantes de esquerda: da mãe, então com 14 anos e operária fabril, que tira partido das actividades da juventude católica e do pai, professor.

Em Paris, verão de 1944, resiste-se à ocupação nazi.
Nas margens do Sena, a rapariga, escondida num barco que se prepara para receber uma carga misteriosa, é salva por um soldado da Wehrmacht.

Posted by Picasa clique nas imagens para ampliar


Mudança de estação

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos“, 8-3-1914

Discuta-se a Avenida… e o Parque Mayer!

Encontra-se numa primeira fase de discussão pública uma revisão do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE).
A proposta original – de 1990 – é de autoria do arquitecto Fernandes de Sá.

Da proposta, onde consta o alargamento dos passeios da Avenida em cerca de 7 ou 8 metros, resulta que passará a haver um único sentido do tráfego automóvel nas laterias.

Complementarmente, haverá lugar ao reordenamento do estacionamento à superfície, com a eliminação de 380 lugares ilegais, a criação de ilhas para cargas e descargas, 3 parques de estacionamentos subterrâneos com capacidade de 250 lugares cada, nas intersecções da Alexandre Herculano e Barata Salgueiro – ambos do lado direito de quem sobe a avenida – e outro na esquina do antigo teatro Tivoli.

Com a diminuição da população residente ao longo dos últimos 15 anos, esta medida pretende evitar o acentuar da desertificação – 17,3% de edifícios devolutos em 2003 – e atrair novos residentes.

Estarão assim criadas as condições para que, nomeadamente, seja recriado o Passeio Público, com espaço suficiente para o aparecimento de grandes esplanadas – preferencialmente de qualidade – pois os lisboetas também merecem ter os seus Champs Elysées!

No Jardim do Bem e do Mal – entre a razão e a emoção

A UNIÃO DO CÉU E DO INFERNO (1)
Argumento

Rintrah(2) ruge e treme os seus fogos no ar carregado;
Nuvens famintas balançam sobre o abismo.

Submisso outrora e no caminho do perigo,
O justo percorria
O vale da morte.
Plantam-se rosas onde crescem espinhos
E na estéril charneca
Cantam as abelhas

Foi então plantado o caminho do perigo
E um rio e uma fronte brotaram
De cada penhasco e cada túmulo,
E nos ossos branqueados
Brotou barro vermelho.

Até que o vilão(3) deixou os caminhos do fácil
Para seguir os caminhos do perigo
E expulsar o justo para regiões estéreis.

A vil serpente anda agora
Em mole humildade
E o justo percorre em fúria os desertos
Onde erram os leões.

Rintrah ruge e treme os seus fogos no ar carregado;
Nuvens famintas balançam sobre o abismo.

William Blake (1757-1827)

(1) Sobre o texto: existem 9 cópias de A União do Céu e do Inferno, compostas por 24 pranchas (gravura e texto) seguidas de mais 3, correspondentes a Um Cântico de Liberdade.
Sobre o título: este adapta, unindo (casando) satiricamente os opostos, o título da talvez mais conhecida obra de Swedenborg, De Coelo et Inferno et ejus mirabilibus: ex auditis et visis, 1758, de onde o texto de Blake retira o impulso inicial e para o qual remete continuamente.

(2) Tal como Urthona, em Um Cântico de Liberdade, Rintrah é uma figura mítica e simbólica da poesia profética de Blake; A potência maléfica (vilão) expulsa o justo.

(3) O vilão simboliza o padre e a sua moral hipócrita e repressiva; O Argumento simboliza a escravidão e a revolta

Tradução e notas de João Ferreira Duarte
Editora – Relógio D`Água