Os meus filmes, em 2006 – parte II

Para completar a lista de filmes de 2006, cuja primeira série foi publicada neste post, é mais fácil dizer do que não gostei: O Sentinela, uma charopada! Lady in the Water – A Senhora da Água -de um realizador com uma obra quase imaculada – é uma fábula que não conseguiu fazer-me sentir novamente criança! Do atrevido Marie Antoinette gostei da banda sonora e da rainha adolescente, pas suffisant!

Romance e Cigarros e Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos são as melhores comédias do ano.
Gostei francamente de Tobey Jones em Infame, menos espalhafatoso que Seymour Hoffman em Capote! WTC foi uma desilusão ao lado de Vôo 93, cuja expectativa era bem menor. Uma História de Violência, O Novo Mundo, Três Enterros de um Homem, Munique, Poseidon ( muito melhor que Titanic), Miami Vice, The Departed – Entre Inimigos e Babel completam a dúzia de filmes que mais gostei de ver em 2006.

Se outra utilidade esta posta não tiver, certamente os links farão as delícias de quem gosta de cinema!
Em 2007, gostava de dedicar mais atenção ao cinema europeu já que, de um modo geral, não sou grande entusiasta do asiático.


Romance & Cigarettes – Romance & Cigarros, o primeiro filme de John Turturro como realizador.
Flight 93 – Voo 93, de Paul Greengrass
The Sentinel – O Sentinela, de Clark Johnson
World Trade Center, de Oliver Stone


Lady in the Water – A Senhora da Água, de M. Night Shyamalan
The Black Dahlia – A Dália Negra, de Brian De Palma
Little Miss Sunshine – Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos, de Jonathan Dayton e Valerie Faris
Marie Antoinette, de Sofia Coppola


The Departed – Entre Inimigos, de Martin Scorsese
007 – Casino Royale, de Martin Campbell
Infamous – Infame, de Douglas McGrath
The Queen – A Rainha, de Stephen Frears


The Holiday – O Amor Não Tira Férias, de Nancy Meyers
Déjà Vu, de Tony Scott
Babel, de Alejandro González Iñárritu

Hiper-Realismo, de Ron Mueck

For Untitled (Big Man), Mueck used an airbrush to apply the final smooth layer of paint, which convincingly resembles human flesh. In addition to being an exploration of anatomy and illusionism, Untitled (Big Man) is a study in color; blue eyes and veins contrast with the yellow undertones of hairless pink skin. Mueck’s sculpture, unlike the classical nudes of Ancient Greece and the European Renaissance which celebrate human beauty and proportions, presents the viewer with a monumental yet unidealized version of the human body that emphasizes its physical presence, fleshiness, and weight.
Kristen Hileman, 2001

Para quem tiver possibilidade de ir ao Brooklyn Art Museum até 4 de Fevereiro, pode aproveitar para ver também a Exposição 700 Anos de Pintura Europeia.

Happy Birthday, Mr Jones!


David Bowie, que hoje atinge a bonita idade de 60 anos, foi – na fase final enquanto Ziggy Stardust – dos primeiros responsáveis pela decoração das paredes do meu quarto de adolescente, ao lado dos Kiss, Alice Cooper, Led Zeppelin, Black Sabbath e The Who.
Também havia posters relacionados com outro tipo de sensibilidades; Enquanto os de Rock saíam da Bravo alemã, os outros dependiam da playmate do mês.

Oops!

Ah pois! Mas jogaram sem o Postiga, o Lucho e o Pepe… assim, também eu!
Ah! O Quaresma falhou um penalti no último minuto!
É preciso azar, bolas!

a moderninade, na linguagem da côr

Escolhemos o dia de anos da minha princesa para ver a Exposição Sonia Delaunay. Atelier simultané 1923-1934.
O mais divertido desta colecção de esboços para tecidos em gouache sobre papel, é imaginar as expressões de pessoas que há 70 ou 80 anos se deslocavam ao Atelier de Sonia Delaunay para escolher padrões de tecidos. Deve ter sido um gozo!
Parabéns, filhinha querida!

Sonia Delaunay utiliza a estética do simultaneísmo em objectos têxteis, padrões de tecidos que lhe estimularam a criatividade e permitiram-lhe a própria subsistência, sobretudo após o seu regresso definitivo a Paris, em 1921.
Em 1923 uma empresa têxtil de Lyon encomenda-lhe padrões de tecidos. Foi a profissionalização de uma vocação e as suas concentração nos guaches que, apesar da técnica e do pequeno formato, são experiências plásticas, pesquisas baseadas na sensibilidade e pensadas como pintura.



Em 1924 funda o Atelier Simultané, onde são impressos os tecidos simultâneos e produzidos os acessórios. Entre 1923 e 1934 (data em que os Delaunay decidem de deixar o nº 19 do boulevard Malesherbes onde funcionava o Atelier Simultané) Sonia Delaunay realiza inúmeros “desenhos de tecidos” como lhes chamou, numa pesquisa puramente pictórica de relações de cores com formas geométricas ritmadas.

Era um trabalho de que Sonia gostava e o guache sobre papel foi uma técnica que lhe serviu particularmente; mais leve, rápido e fluído do que o óleo sobre tela, permitiu-lhe multiplicar experiências.

Múltiplas variações executadas metodicamente num ritmo frenético, em cadernos e folhas soltas, com numerações da própria artista, séries de variantes, sucessões e imbricados de estruturas, formas e cores, contrastes, todas estas obras permitiram a Sonia Delaunay de relacionar os desenhos de tecidos com a modernidade e a arte abstracta.

Numa linguagem sensível e rítmica, Sonia Delaunay conseguiu uma divulgação espectacular e democratizada de pesquisas pictóricas, palpitantes de sensibilidade que lhe conferem um lugar privilegiado na criação contemporânea, guaches sobre papel durante muito tempo desvalorizados.

O Quinto Elemento

Elmano Coelho (Lisbon Underground Music Ensemble), Nuno Martins, Ricardo Pires e Rodrigo Lima fundaram o CUTSAX – Quarteto de Saxofones de Lisboa.
Actualmente, pretendem acompanhar um fadista ao som dos saxofones, em vez da tradicional viola e guitarra portuguesa.

“É um estilo musical que se identifica com o povo português e que tem sido explorado, maioritariamente, numa vertente tradicional”.
Elmano Coelho

“No entanto, há que ter alguns cuidados para dar seguimento ao projecto. É uma iniciativa que requer uma certa preparação porque é preciso, por um lado, arranjar um quinto elemento (o fadista) e, por outro, estudar as músicas e ver, em termos harmónicos, quais as que se adequam, tanto ao saxofone como ao timbre do fadista”.
Nuno Martins


“Temos um outro projecto musical dirigido para as crianças, que conta histórias infantis através do saxofone. A iniciativa visa essencialmente permitir que os mais pequeninos se interessem pela música em geral, e pelo saxofone em particular”.
Elmano Coelho

“Na nossa vertente, tentamos diversificar ao máximo tocando todos os estilos que vão desde o clássico, ao jazz, passando pelo popular ou pelo ligeiro. Fazemos música com o máximo de seriedade, aproveitando os concertos para brincarmos com situações que nos permitam interagir com o público e torná-las ainda mais apelativas”
Nuno Martins

A sombra da dúvida

Henry Matisse, 1925-26

A Coexistência, possível pela insónia que te mantém acordada, num espaço a que não pertences, mas do qual te tornas cúmplice…

crime e castigo

DEATH OF A NATURALIST, de Seamus Heaney.


All year the flax-dam festered in the heart
Of the townland; green and heavy headed
Flax had rotted there, weighted down by huge sods.
Daily it sweltered in the punishing sun.
Bubbles gargled delicately, bluebottles
Wove a strong gauze of sound around the smell.
There were dragon-flies, spotted butterflies,
But best of all was the warm thick slobber
Of frogspawn that grew like clotted water
In the shade of the banks. Here, every spring
I would fill jampotfuls of the jellied
Specks to range on window-sills at home,
On shelves at school, and wait and watch until
The fattening dots burst into nimble-
Swimming tadpoles. Miss Walls would tell us how
The daddy frog was called a bullfrog
And how he croaked and how the mammy frog
Laid hundreds of little eggs and this was
Frogspawn. You could tell the weather by frogs too
For they were yellow in the sun and brown
In rain.

Then one hot day when fields were rank
With cowdung in the grass the angry frogs
Invaded the flax-dam; I ducked through hedges
To a coarse croaking that I had not heard
Before. The air was thick with a bass chorus.
Right down the dam gross-bellied frogs were cocked
On sods; their loose necks pulsed like sails. Some hopped:
The slap and plop were obscene threats. Some sat
Poised like mud grenades, their blunt heads farting.
I sickened, turned, and ran. The great slime kings
Were gathered there for vengeance and I knew
That if I dipped my hand the spawn would clutch it.

Dossier Guitarra Portuguesa

Leitura recomendada dos primeiros c i n c o fascículos.
No Raízes e Antenas.

Literatura explicativa

Poema de Ruy Belo, ilustrado pelo último pôr-do-sol de 2006; não é em espinho mas na praia do abano, ao lado do guincho, o que vai dar no mesmo.
O pôr-do-sol é onde quisermos, ou soubermos escolher…

O pôr-do-sol em espinho não é o pôr-do-sol

nem mesmo o pôr-do-sol é bem o pôr-do-sol

É não morrermos mais é irmos de mãos dadas

com alguém ou com nós mesmos anos antes

é lermos leibniz conviver com os medici

onze quilómetros ao sul de florença

sobre restos de inquietação visível em bilhetes de eléctrico

Há quanto tempo se põe o sol em espinho?
Terão visto este sol os liberais no mar

ou antero de junto da ermida?

O sol que aqui se põe onde nasce? A quem

passamos este sol? Quem se levanta onde nos deitamos?

O pôr-do-sol em espinho é termos sido felizes

é sentir como nosso o braço esquerdo

Ou melhor: é não haver mais nada mais ninguém

mulheres recortadas nas vidraças

oliveiras à chuva homens a trabalhar

coisas todas as coisas deixadas a si mesmas

Não mais restos de vozes solidão dos vidros

não mais os homens coisas que pensam coisas sozinhas

não mais o pôr-do-sol apenas pôr-do-sol