Archive for the ‘ Pintura ’ Category

Beleza Interior

Na Antiguidade Clássica, entendia-se por belo o que agradava, o que era atractivo ao olhar, ou o que era belo espiritualmente, não coincidente com a beleza do corpo?
Para Platão, a única realidade era a do mundo das ideias, de que o nosso mundo material é uma sombra e imitação; O feio era assim o não-ser, uma imperfeição do mundo ideal.
Aristóteles, na Poética, dizia sobre a origem da Poesia, que o imitar é congénito no homem, pois os primeiros ensinamentos lhe são proporcionados pela imitação, tão mais agradável quanto mais perfeita.

A tradição satírica, difundida na Europa pelos humanistas, é bem patente na obra Esopo, de Diego Velazquez

Este Esopo, de nariz achatado, não era provavelmente o homem simples, de traços marcados pelo trabalho , que representava o ideal cínico da modéstia e da sabedoria das pessoas vulgares da sua época; Velázquez deu a Esopo as características típicas do homem cabeça-de-boi, das Fábulas. Os olhos assumem igualmente relevo, pelo tom de desprezo e de ironia, característicos nos anões e nos tolos de Velázquez.

Madrid – As execuções de 3 de Maio de 1808

Francisco Goya, 1814 - Museu do Prado

No início do século XIX, a expulsão dos invasores franceses inspirou Goya para executar esta obra.
Então perseguido por suspeição de simpatia para com o invasor, pretendeu assim afirmar a sua simpatia ao povo espanhol.
O protagonista é o povo anónimo, herói colectivo, numa demonstração romântica de ver a guerra.
A resistência dos madrilenos e suas consequências – os fuzilamentos pelos ferozes guardas egípcios que integravam o exército francês, é expressa pela forma como os que vão ser executados olham de frente a morte, uns aterrorizados e abrindo o peito às balas, outros ocultando o rosto, compondo uma galeria de horror.
Aos seus pés jazem corpos; Ao lado, outros esperam pela sua hora.
Os soldados perfilados – personagens secundarizadas pelo patriotismo, estão de costas, pois são meros executantes de ordens superiores.
A atmosfera tétrica é acentuada pela luz que invade o peito dos que vão morrer..

antes da viagem

Robert Rauschenberg, artista norte-americano de quem vi a Exposição Viagem 70-76 em Serralves


Robert Rauschenberg, Estate – 1963
Oil and silkscreen ink on canvas
96 x 70 in. (243.8 x 177.8 cm)
Philadelphia Museum of Art

Amor Eterno

Dois amantes felizes não têm fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,

são eternos como é a natureza.

poema de Pablo Neruda, gravura de René Magritte

Van Gogh em Paris

O novo mundo que Van Gogh foi encontrar em Paris permitiu-lhe tomar contacto com artistas como François Millet e Delacroix; Conheceu Toulouse-Lautrec, que tinha um particular gosto em retratar a vida dos Cafés parisienses.

Vincent van Gogh (1853 – 1890), Paris, January-March 1887

Van Gogh – Agostina Segatori Sitting in the Café du Tambourin, 1887

Agostina Segatori era a propietária do Café du Tamburin no Boulevard de Clichy, onde Van Gogh terá exposto pela primeira vez os seus trabalhos, em Paris.
Apesar de com ela ter tido um affaire, terá pago em quadros de motivos florais as refeições que fazia no Café.
Se podia pagar em espécie… não entendo os artistas! Mas adoro este tipo.
Terá sido na obra Poudre de Riz – 1887 de Lautrec que Van Gogh se terá inspirado para o retrato ali de cima, o qual prefiro.

O nono soneto

 

Le peintre masque et son modele, 1954

Quando a foder aprendeste, ensinei-te
A foder, tal que de mim esquecesses
E teu prazer do meu prato comesses
Como se amor fosse, não eu, o teu deleite.
Disse-te: mal não faz, quando me esqueces
Como se doutro te viesse o derriço!
Eu não me dou a mim, dou-te é um piço
Não é por ser meu que te traz benesses.

Se bem pretendia que te metesses
Na própria pele, não era nada a intenção
Que numa te tornasses, que não pondera
Quando, por acaso, um lhe está à mão.
Queria que de mil homens não carecesses
Para saberes o que do homem te espera.

Poema de Bertolt Brecht, gravura de Pablo Picasso

O nono soneto

LE PEINTRE ET SON MODÈLE (The Painter and his Model), 1954

Quando a foder aprendeste, ensinei-te
A foder, tal que de mim esquecesses
E teu prazer do meu prato comesses
Como se amor fosse, não eu, o teu deleite.

Disse-te: mal não faz, quando me esqueces
Como se doutro te viesse o derriço!
Eu não me dou a mim, dou-te é um piço
Não é por ser meu que te traz benesses.

Se bem pretendia que te metesses
Na própria pele, não era nada a intenção
Que numa te tornasses, que não pondera
Quando, por acaso, um lhe está à mão.
Queria que de mil homens não carecesses
Para saberes o que do homem te espera.

Poema de Bertolt Brecht, gravura de Pablo Picasso

Júpiter e Antíope, de Antoine Watteau

Resumidamente, que falar de Ovídio é como as cerejas:
Antíope era desejada por Júpiter que, sob a forma de sátiro, se aproximou dela e a violentou. A pobre ninfa foi perseguida, imagine-se, pelos próprios filhos, os gémeos bastardos. Antíope encontrou um senhor que lhe queria bem e viveram felizes para sempre. Os pormenores desta tragédia grega, aqui.

Antoine Watteau (1684-1721), de origem parisiense, juntou-se ainda jovem aos artistas flamengos que deram origem aos discos de nu jazz que cá em casa se ouvem regularmente, Saint-Germain-des-Prés. Influenciado pela obra de Rubens, distinguiu-se através das suas criações sobre festas galantes e cenas da comédia italiana.

Cabeça de Mulher, de Picasso

‘Tête de femme’ (‘La Lectrice-Dora Maar’) pertence a uma série de pinturas nas quais Picasso [1881-1973] representou a pintora, fotógrafa e poeta francesa, que foi sua amante e companheira artística nos finais do anos 30 e princípios de 40.
Tendo-a conhecido em 1936, rapidamente se deixou seduzir pela sua beleza e inteligência, com quem partilhava as suas preocupações intelectuais e políticas.

Tête de femme’ (‘La Lectrice-Dora Maar’) 1938

 

A imagem, intensa e penetrante, transmite a beleza de Dora Maar e a sua personalidade alegre.
Pintados durante os anos da Guerra Civil espanhola (1936-39) e da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os retratos de Dora Maar reflectem não só o estado emocional de Picasso durante esse período, mas também a instabilidade da época.

Prenda Nossa?

Foi encontrado na Grécia um pequeno caderno de capa castanha, com 60 páginas preenchidas com esboços de retratos, que se acredita ser do pintor holandês Vincent van Gogh. Especialistas do Museu Van Gogh, em Amesterdão, estão a analisar os desenhos para garantir a sua autenticidade. A descoberta foi anunciada hoje pela proprietária do caderno.

O caderno terá caído nas mãos de um soldado grego da resistência, que combateu na Segunda Guerra Mundial, num comboio Nazi e depois guardado em caixotes, agora encontrados pela filha desse soldado, a escritora grega Doreta Peppa.

“Segundo os seus escritos, o meu pai apanhou o caderno durante um ataque a um comboio Nazi que se retirava da Grécia, no final da ocupação alemã”, explicou.

Um perito em arte contratado por Peppa concluiu que os esboços pertencem mesmo ao pintor do século XIX. Outros especialistas estrangeiros deverão analisar o caderno para decidir sobre a sua autenticidade, disse Peppa. “Estou aberta a que outros cientistas avaliem o caderno”. Se for verdadeiro terá um valor estimado em quatro milhões de euros. Mas para já, Peppa não pretende vender o caderno de esboços.

“O caderno… é uma grande prenda para o mundo das artes”, comentou o artista grego e perito em arte Athanasio Celia, a quem Peppa pediu para analisar os esboços.

“Além disso, é um testemunho exclusivo em como o desenho era, como ele acreditava, a estrutura base da pintura”, acrescentou Célia.

O caderno tem o carimbo da Brussels Royal Academy of Art, para onde Gogh se mudou em 1880, bem como um carimbo Nazi.

fonte: Reuters