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Princípio da relatividade

Este senhor faria hoje duzentos anos!
Quanta juventude, quando comparado com este senhor!

Dito de outro modo:
O pensamento de Alexis de Tocqueville, autor de A Democracia na América (1835), assume hoje verdadeiramente o papel de um homem novo, capaz de expôr as diversas formas de despotismo que os homens velhos como Mário Soares encarnam.
Haverá alguém com moral para lhe dizer isto?

Postais (com alma) da Invicta

Ribeira do Porto

Ó noite, porque hás-de vir sempre molhada!
Porque não vens de olhos enxutos
e não despes as mãos
de mágoas e de lutos!

Poque hás-de vir semimorta,
com ar macerado e de bruxedo,
e não despes os ritos, o cansaço,
e as lágrimas e os mitos e o medo!

Porque não vens natural
Como um corpo sadio que se entrega,
e não destranças os cabelos,
e não nimbas de luz a tua treva!

Poque hás-de vir com a cor da morte
– se a morte já temos nós!
Porque adormeces os gestos,
porque entristeces os versos,
e nos quebras os membros e a voz!

Porque é que vens adorada
por uma longa procissão de velas,
se eu estou à tua espera em cada estrada,
nu, inteiramente nu,
sem mistérios, sem luas e sem estrelas!

Ó noite eterna e velada,
senhora da tristeza, sê alegria!
Vem de outra maneira ou vai-te embora,
e deixa romper o dia!

Eugénio de Andrade

Detalhe da Ribeira
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Esclarecimento

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Refracção atenuada.. no ponto x

O que há em mim é sobretudo cansaço –
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas –
Essas e o que falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos

Antecâmara-I

Da leitura do último número da revista Nova Cidadania, cheguei ao documento que o Compromisso Portugal enviou aos partidos políticos por altura das Eleições Legislativas em Fevereiro último, e do qual constavam um conjunto de questões nas áreas económica, social, da educação, da justiça, política e do ambiente, que deveriam obter resposta nos respectivos programas eleitorais.

Deste valioso documento de reflexão – disponível no link acima, irei ao longo das próximas semanas destacar unicamente a relevância das questões colocadas – na perspectiva do CP,uma vez que o exercício de análise das Propostas perdeu actualidade!

Quem ainda tiver estômago para isso, pode ainda, no documento de 140 páginas, dissecar os seguintes tópicos:
– Propostas apresentada no programa
– Profundidade do tratamento
– Compromissos assumidos
– Adequação e eficácia das propostas

Apreciação Geral – Fevereiro de 2005

A verdade é que a situação do País é muito preocupante e que a nossa sociedade não cria actualmente riqueza suficiente para sustentar o presente Estado e o modelo social em que vivemos.

A verdade é que:
– o funcionamento do Estado e de muitos dos seus serviços, incluindo programas de protecção social, não é sustentável na sua forma actual, gerando frequentemente ineficiências, abusos e injustiças;
– as mudanças estruturais necessárias implicam a redução significativa, mas socialmente equilibrada e planeada, do número de funcionários públicos acompanhada da respectiva contenção salarial;
– é necessário abrir e flexibilizar efectivamente os mercados, incluindo o do arrendamento e laboral, nestes casos mantendo uma protecção social adequada;
– a prioridade do Estado deve-se centrar no combate à pobreza, na prestação de serviços públicos essenciais de qualidade e na igualdade de oportunidades para todos os Portugueses, assegurando-lhes uma qualificação mínima que lhes dê melhores perspectivas para o futuro;
– para além do Estado / Administração Pública, também as famílias têm incorrido em padrões de consumo baseados num crescente e excessivo endividamento que não é possível manter.

A verdade é que nos tempos mais próximos, o nível de vida dos Portugueses dificilmente irá subir, sendo provável que, em certos casos, possa mesmo diminuir, e que o desemprego venha a aumentar.

Sendo esta a verdade, é também verdade que nenhum dos partidos, provavelmente por razões eleitorais, mais ou menos compreensíveis, foi capaz no seu programa de ir tão a fundo no assumir desta verdade.

Mas se queremos ter esperança e inverter a situação, atingindo os objectivos últimos da nossa sociedade (a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos, em particular dos mais desfavorecidos), sacrifícios têm que ser feitos e as reformas estruturais que o Compromisso Portugal, e outros têm defendido, terão que ser, finalmente, implementadas por forma a criar mais riqueza que sustente um novo modelo social.

Para isso, também é importante que os Portugueses comecem a valorizar mais o discurso da verdade.

Apreciação do Programa do Governo PS – Abril de 2005

São motivos de alguma preocupação o facto de o Governo:

– Não dizer claramente aos Portugueses que a atitude de optimismo e esperança que devemos ter se encontra directamente relacionado com a nossa capacidade de realizarmos as mudanças necessárias, o que implica os sacrifícios inerentes, que poderão exigir a contenção ou mesmo a redução de salários reais.

– Não apresentar uma definição clara do papel do Estado, parecendo apostar, em muitas áreas, num intervencionismo, deste que se poderá revelar excessivo. É importante que os Estado deixe de asfixiar a sociedade civil e os cidadãos e liberte estes e a iniciativa privada para novas oportunidades e desafios, mantendo as suas responsabilidades sociais.

– Não traçar, desde já, objectivos para a despesa pública nem clarificar as principais áreas onde a respectiva redução irá ser concretizada.

– Não apresentar uma estratégia geral para o financiamento do Estado.

– Não ter explicitado no programa uma aposta forte e clara numa sã concorrência, abertura e flexibilidade dos vários mercados, incluindo o laboral.

– Não explicar quais vão ser os factores diferenciadores do enquadramento em que vamos apostar para atrair mais investimento de maior qualidade.

– Não ter apresentado uma listagem das principais medidas a tomar nos primeiros cem dias.

Será importante que, a curto prazo, O Governo venha a dar resposta a estas e outras questões, de modo a transmitir à sociedade uma maior confiança na sua capacidade de prosseguir uma acção verdadeiramente reformista e estruturante, alterando significativamente a forma como o País funciona.
De facto, o País precisa de mudanças e alterações profundas, para atingirmos os objectivos últimos da nosa sociedade: aumento de qualidade de vida de todos os Portugueses, em particular ods mais desfavorecidos e a maximização das possibilidades de realização e felicidade pessoal de cada um.

Excerto do artigo Objectivos e Reformas do Governo, publicado na edição deste trimestre.
Os sublinhados nos dois textos anteriores são meus.

Pois bem:

Pese embora o sentimento generalizado de que os sinais de confiança transmitidos por quem nos desgoverna se traduzam em medidas do género:
– para pequenos remédios, como a contenção da despesa pública, o Estado tem grandes males, como a OTA e o TGV;
– para grandes desígnios como o défice, nos são pedidos pequenos esforços como o aumento dos impostos;

Continuo a acreditar que um dia destes eles vão acordar e perceber que o verdadeiro papel do Estado deverá passar pela promoção de serviços de qualidade nas áreas da educação, da saúde, da justiça;
Estado que acredite na sociedade civil e promova efectivamente o progresso económico, um sistema fiscal competitivo, enfim.. generalidades que – ainda que discretamente, levem as pessoas e as empresas a dar o seu melhor nas actividades que exercem, contribuindo assim para o progresso social e bem estar individual.

Lisbon Revisited

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Para bem ver e estimar uma paisagem, é preciso estar fora dela?!
José Rodrigues Miguéis

Há sempre um ângulo possível para fazer bonecos, em Lisboa!
Neste caso, não foi fácil, pois dentro dos Armazéns do Chiado não é permitido utilizar câmaras, vá-se lá saber porquê!
A ideia inicial era fazer uma foto panorâmica; porém, como dava muito nas vistas levantar-me, os registos foram obtidos sentado – enquanto me debatia com uma picanha sofrível e uma caipirinha daquelas que também não fazem história, de forma que tive de colar três fotos para simular o efeito pretendido.
Fica a intenção..

Postal de férias


Posted by Picasa Roman bridge in Tavira, Algarve

Soube há pouco tempo que o rio que divide a cidade das 37 igrejas (um dos meus locais de eleição no Algarve) se chama Séqua até chegar à Ponte Romana, e daí até à foz adopta o nome de Gilão.

Não fôra..


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O ar quente na cara, durante a travessia de barco para chegar à praia..

A água estupidamente morna do Sotavento..

O divinal arroz de marisco da dona Maria do Carmo..

As ostras e as amêijoas da tasca junto à igreja em Cacela Velha..

.. e a Ria Formosa não teria o mesmo encanto..

nem ao pôr-do-sol..

Desculpa, mas já tinha as férias marcadas!

Sabes.. tenho um compromisso inadiável com os ventos dispersos pelo mar do sul!

Prometo que volto..
Um dia destes!

Cárcere



Edvard Munch

Self Portrait – Between Clock and Bed

Um terror já esquecido me atormenta,
Da humanidade inteira a dor me oprime;
Vive ela atrás desta muralha bolorenta,
E uma doce ilusão foi o seu crime!
Hesitas em ir até ela!
Tens medo de voltar a vê-la!
Anda! Teu temor faz que a morte mais se anime!

in FAUSTO, de Johann W. Goethe