Palacete Ribeiro da Cunha

Ex.mo Senhor Presidente da CML
Ex.ma Srª Vereadora do Urbanismo
Ex.mo Sr.Vereador da Cultura
Ex.mo Sr.Vereador dos Espaços Verdes
e restante Vereação

Lisboa, 30 de Maio de 2006

Considerando que,

1. A proposta nº 243 a ser discutida amanhã, dia 31 de Maio, é apresentada como sendo um plano de pormenor, mas é apenas um projecto de ampliação e construção nova para um determinado edifício, edifício neo-mourisco do séc.XIX, inserido na área de protecção do Jardim Botânico.

2. Mesmo como plano de pormenor, esta proposta não respeita o PDM no seu artigo 33º, designadamente quando se refere à excepção à interdição da ocupação dos logradouros com construções ou pavimentos permeáveis, inclusive estacionamento subterrâneo em 20%: o projecto prevê uma ocupação de quase 100% do logradouro.

3. Esta proposta não respeita o perímetro de protecção do Jardim Botânico, sendo que, inclusive, o projecto implicará forte impacto visual desde o Jardim Botânico e, mesmo, desde a Avenida da Liberdade.

4. Esta proposta, a ser aprovada, consistirá um precedente grave em termos de destruição dos logradouros dos palacetes e demais vizinhos, designadamente as traseiras dos da Rua do Salitre e da Praça da Alegria, ambos objecto de protecção do plano da Avenida da Liberdade (o Jardim Botânico passará a ser o logradouro dos prédios vizinhos?).

5. Esta proposta reduz consideravelmente o actual jardim (de 3.330 m2 para 2.190 m2) e aumenta quase para o dobro a área de construção (de 1.290 m2 para 2.430 m2).

6. Esta proposta apresenta o pressuposto falso de que é o de tentar fazer crer que é possível plantar sobre o estacionamento subterrâneo “um espesso coberto vegetal, de árvores de grande porte, que recobrirá parte da construção enterrada” (!).

7. Esta proposta não é suportada em nenhum estudo hidrogeológico, de impacte de tráfego ou de impacte nas estruturas dos prédios sob o jardim.

8. Esta proposta não se destina a qualquer “hotel de charme” à europeia mas antes à empreitada de um hotel de grandes dimensões (55 quartos duplos, ampla zona de reuniões e conferências, restaurantes, salas, health club e 30 lugares de estacionamento) numa zona romântica, pacata e que importa preservar.

Apelamos à CML (a toda a Vereação) que retire esta proposta de agenda, abrindo espaço ao debate com vista a:

1. Elaboração de plano de pormenor para toda a Praça do Príncipe Real, englobando a recuperação e reutilização do valiosíssimo edificado, recuperação dos logradouros, condicionamento do trânsito, ordenamento do estacionamento, reabertura da linha de eléctrico, etc.

2. Iniciar desde já procedimentos com vista ao encontro de potenciais investidores (começando pelo investidor estrangeiro que já mostrou vontade em investir no Príncipe Real), e estabelecimento de contactos com as instituições públicas, proprietárias de alguns dos palacetes vizinhos ao Palacete Ribeiro da Cunha, hoje devolutos, com vista à sua cedência para projecto alternativo e efectivo de “hotel de charme”, em regime de várias antena(s)/pólo(s), de modo a deixar-se intacto o logradouro actual e de modo a reaproveitar-se as antigas cavalariças (classificadas juntamente com o palacete e jardins) -alguém já viu como se faz lá fora um “hotel de charme”?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Luís Pedro Correia e Nuno Caiado
(Pelo Fórum Cidadania Lx),
António Branco Almeida (pelo blogue Sétima Colina)
e João Pinto Soares (pela Associação Lisboa Verde)

    • Anonymous
    • 1 de Junho, 2006

    É com grande alegria que vejo tantos Alfacinhas tão preocupados com a nossa Lisboa. Não posso deixar também de referir que criticar todos e quaisquer projectos sem apresentar soluções estruturadas e objectivas não nos leva a lado nenhum.
    Vivo á 30 anos na zona do Príncipe Real e sempre me encantou este palacete, quando era a reitoria da Universidade Nova, muitas das inúmeras vezes que por ali passava entrava e admirava aquele “magnifico palácio”.
    Faz me muita confusão que ele esteja fechado e que ninguém posso usufruir dele…. Quando descobri que ele ira ser transformando num hotel de charme fiquei bastante satisfeito, pois acredito que será este o melhor destino possível, podendo todos nós assim visitar os seus excelentes espaços.
    Quando leio num Blog uma sugestão pouco feliz, que então para tornar rentável um hotel se devia distribuir por outros edifícios da Praça as áreas em falta para desenvolver o hotel de charme…. parece me muito pouco realista dormir no Palacete Ribeiro da cunha e ir tomar o pequeno almoço do outro lado desta praça …ou um cliente lhe apetecer comer um hambúrguer a meio da noite e o funcionário ter de mudar de edifício para entregar a ceia a um cliente. Não sou hoteleiro mas antes de escrever aqui foi me informar me das necessidades um hotel Charme de 55 quartos…. nem é dos mais rentáveis, pois os custos fixo de exploração são muito semelhantes aos de um de 90 quartos….Dos estudos que obtive informação e dos hotéis de charme em funcionamento nunca estive na presença de um hotel com 10 quartos. Segundo as informações disponíveis deste projecto, para se manter a dignidade do palacete e da sua arquitectura é o que se consegue desenvolver.
    O que desenvolve uma cidade são projectos que preservam e ao mesmo tempo modernizam e desenvolvem estruturas consistentes para conseguir criar valor acrescentado .
    O que eu gostava de ver no Palacete Ribeiro da Cunha:
    Gostava de ver nascer um hotel impar de grande qualidade “arquitectónica” (e julgo estar esta minha preocupação salvaguardada pela qualidade indiscutível dos intervenientes), que fosse este mesmo projecto mote de desenvolvimento sustentado em Lisboa, que acabasse com os monstros de hotéis de massas que por essas grandes e novas avenidas crescem sem critério contra o actual PDM só porque em anos anteriores para ali se deu o aval de aprovação de uma construção massiva.
    É minha convicção que Lisboa necessita de se recolocar no mercado Turístico, nivelando por cima a sua oferta. Não quero com esta minha frase dizer que só devemos ter turismo de topo, quero com isto dizer, que até nos tão falados ” Low cost Hotel´s “ podem ser estes projectos de grande qualidade. Devemos usar esses projectos para dar vida e requalificar zonas deixadas ao abandono na nossa cidade.
    Já tive a oportunidade de poder visitar vários hotéis de charme em Portugal e na Europa
    O Fórum cidadania devia se preocupar em salvaguardar que este fosse o “hotel”, aquele que se enquadra com a cidade que a reabilita, requalifica e devolve vivências até então perdidas e adormecidas.
    Que este hotel seja um exemplo de intervenções de grandes arquitectos, que conjugue o passado e o presente sobrevivendo ao futuro e as adversidade que nele podemos vislumbrar.
    Que possa ser um instrumento da promoção da nossa Cidade, transmitindo a beleza e o encanto de Lisboa e dos seus edifícios.
    Que faça Lisboa crescer com soluções sustentáveis.
    Que não se peça para preservar elementos que já não existem como o pombal de um jardim, onde ninguém pode ir actualmente mas sim que o requalifiquem e o integrem nas novas intenções de projecto. ……..

    Acho que existe também um ponto a favor á construção de um hotel, não sendo este um factor fundamental ,mas sim um reforço das minhas pretensões.
    Se um promotor estrangeiro investe em Lisboa o seu retorno abandona o nosso País, um Hotel cria emprego, impostos todos os anos, taxas pagas á CML etc. …

    Para concluir com a promessa de voltar a escrever, propondo novas soluções para ajudar Lisboa deixo este apelo:
    Porquê só agora se critica como em tantos outros projectos polémicos, é triste esperar que os proprietários que tentam reabilitar os edifícios e devolver-lhes a dignidade que Lisboa merece nela reflectida)
    O PDM é o instrumento de gestão urbanística da cidade de Lisboa o que nao o faz prefeito…ele próprio deixa a abertura para se adaptar a casos concretos ajudando a cidade a desenvolver-se evitando a sua estagnação!!!

    http://lx-desenvolvimento-sustentado.blogspot.com

    • Anonymous
    • 1 de Junho, 2006

    É com grande alegria que vejo tantos Alfacinhas tão preocupados com a nossa Lisboa. Não posso deixar também de referir que criticar todos e quaisquer projectos sem apresentar soluções estruturadas e objectivas não nos leva a lado nenhum.
    Vivo á 30 anos na zona do Príncipe Real e sempre me encantou este palacete, quando era a reitoria da Universidade Nova, muitas das inúmeras vezes que por ali passava entrava e admirava aquele “magnifico palácio”.
    Faz me muita confusão que ele esteja fechado e que ninguém posso usufruir dele…. Quando descobri que ele ira ser transformando num hotel de charme fiquei bastante satisfeito, pois acredito que será este o melhor destino possível, podendo todos nós assim visitar os seus excelentes espaços.
    Quando leio num Blog uma sugestão pouco feliz, que então para tornar rentável um hotel se devia distribuir por outros edifícios da Praça as áreas em falta para desenvolver o hotel de charme…. parece me muito pouco realista dormir no Palacete Ribeiro da cunha e ir tomar o pequeno almoço do outro lado desta praça …ou um cliente lhe apetecer comer um hambúrguer a meio da noite e o funcionário ter de mudar de edifício para entregar a ceia a um cliente. Não sou hoteleiro mas antes de escrever aqui foi me informar me das necessidades um hotel Charme de 55 quartos…. nem é dos mais rentáveis, pois os custos fixo de exploração são muito semelhantes aos de um de 90 quartos….Dos estudos que obtive informação e dos hotéis de charme em funcionamento nunca estive na presença de um hotel com 10 quartos. Segundo as informações disponíveis deste projecto, para se manter a dignidade do palacete e da sua arquitectura é o que se consegue desenvolver.
    O que desenvolve uma cidade são projectos que preservam e ao mesmo tempo modernizam e desenvolvem estruturas consistentes para conseguir criar valor acrescentado .
    O que eu gostava de ver no Palacete Ribeiro da Cunha:
    Gostava de ver nascer um hotel impar de grande qualidade “arquitectónica” (e julgo estar esta minha preocupação salvaguardada pela qualidade indiscutível dos intervenientes), que fosse este mesmo projecto mote de desenvolvimento sustentado em Lisboa, que acabasse com os monstros de hotéis de massas que por essas grandes e novas avenidas crescem sem critério contra o actual PDM só porque em anos anteriores para ali se deu o aval de aprovação de uma construção massiva.
    É minha convicção que Lisboa necessita de se recolocar no mercado Turístico, nivelando por cima a sua oferta. Não quero com esta minha frase dizer que só devemos ter turismo de topo, quero com isto dizer, que até nos tão falados ” Low cost Hotel´s “ podem ser estes projectos de grande qualidade. Devemos usar esses projectos para dar vida e requalificar zonas deixadas ao abandono na nossa cidade.
    Já tive a oportunidade de poder visitar vários hotéis de charme em Portugal e na Europa
    O Fórum cidadania devia se preocupar em salvaguardar que este fosse o “hotel”, aquele que se enquadra com a cidade que a reabilita, requalifica e devolve vivências até então perdidas e adormecidas.
    Que este hotel seja um exemplo de intervenções de grandes arquitectos, que conjugue o passado e o presente sobrevivendo ao futuro e as adversidade que nele podemos vislumbrar.
    Que possa ser um instrumento da promoção da nossa Cidade, transmitindo a beleza e o encanto de Lisboa e dos seus edifícios.
    Que faça Lisboa crescer com soluções sustentáveis.
    Que não se peça para preservar elementos que já não existem como o pombal de um jardim, onde ninguém pode ir actualmente mas sim que o requalifiquem e o integrem nas novas intenções de projecto. ……..

    Acho que existe também um ponto a favor á construção de um hotel, não sendo este um factor fundamental ,mas sim um reforço das minhas pretensões.
    Se um promotor estrangeiro investe em Lisboa o seu retorno abandona o nosso País, um Hotel cria emprego, impostos todos os anos, taxas pagas á CML etc. …

    Para concluir com a promessa de voltar a escrever, propondo novas soluções para ajudar Lisboa deixo este apelo:
    Porquê só agora se critica como em tantos outros projectos polémicos, é triste esperar que os proprietários que tentam reabilitar os edifícios e devolver-lhes a dignidade que Lisboa merece nela reflectida)
    O PDM é o instrumento de gestão urbanística da cidade de Lisboa o que nao o faz prefeito…ele próprio deixa a abertura para se adaptar a casos concretos ajudando a cidade a desenvolver-se evitando a sua estagnação!!!

    http://lx-desenvolvimento-sustentado.blogspot.com

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