Arquivo de 27 de Fevereiro, 2006

Mudança de estação

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender…
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar…

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos“, 8-3-1914

Discuta-se a Avenida… e o Parque Mayer!

Encontra-se numa primeira fase de discussão pública uma revisão do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE).
A proposta original – de 1990 – é de autoria do arquitecto Fernandes de Sá.

Da proposta, onde consta o alargamento dos passeios da Avenida em cerca de 7 ou 8 metros, resulta que passará a haver um único sentido do tráfego automóvel nas laterias.

Complementarmente, haverá lugar ao reordenamento do estacionamento à superfície, com a eliminação de 380 lugares ilegais, a criação de ilhas para cargas e descargas, 3 parques de estacionamentos subterrâneos com capacidade de 250 lugares cada, nas intersecções da Alexandre Herculano e Barata Salgueiro – ambos do lado direito de quem sobe a avenida – e outro na esquina do antigo teatro Tivoli.

Com a diminuição da população residente ao longo dos últimos 15 anos, esta medida pretende evitar o acentuar da desertificação – 17,3% de edifícios devolutos em 2003 – e atrair novos residentes.

Estarão assim criadas as condições para que, nomeadamente, seja recriado o Passeio Público, com espaço suficiente para o aparecimento de grandes esplanadas – preferencialmente de qualidade – pois os lisboetas também merecem ter os seus Champs Elysées!

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