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Musica Aeterna

Ainda não me tinha ocorrido perguntar ao estimado João Chambers qual a peça de abertura do Musica Aeterna, que faço por ouvir aos sábados entre as 14:00 e as 16:00 na Antena 2.
Tropecei finalmente nesta interpretação do Savall no Mezzo, que de imediato soou familiar. Parcos segundos depois, já tinha ido ao Youtube e colocado o vídeo no Facebook, onde escrevi que se dá tudo isto por adquirido, tal como os miúdos fazem. Mas não é exactamente assim. Só por si, isto nada tem de extraordinário, mas conseguir congelar momentos destes, no caos da web, requer um conhecimento adquirido que os miúdos não têm.
Por isso é que eu sou um miúdo crescido. 🙂

Diálogos musicais entre o Ocidente e o Oriente

O concerto inaugural da 6.ª edição do Festival de Música Sacra do Baixo Alentejo – Terras sem Sombra, conta com Jordi Savall e Pedro Esteván, dois músicos excepcionais bem conhecidos do público português, e com um programa fascinante intitulado Oriente-Ocidente: Diálogo entre as Músicas Antigas e as Músicas do Mundo.

Hoje, às 21h30, na Igreja Matriz de Santiago Maior, em Santiago do Cacém, o gambista e maestro catalão mostrará a sua arte em instrumentos como a lira de arco, o rebab e a viela em conjunto com as percussões de Pedro Esteván numa série de peças instrumentais oriundas da antiga Espanha cristã, judaica e muçulmana, da Itália medieval, de Marrocos, de Israel, da Pérsia, do Afeganistão e do antigo Império Otomano. Trata-se de um percurso bem emblemático da actividade de Savall, que ao longo de décadas tem conciliado as práticas históricas da música antiga com os repertórios de tradição oral de várias culturas numa frutuosa simbiose.As músicas propostas proporcionam também um convite à reflexão sobre o diálogo intercultural e os errantes rumos da história. Como escreve Amin Maalouf no programa deste primeiro concerto, ouvir estas músicas do Oriente e do Ocidente, subtilmente reunidas porJordi Savall, não é uma experiência comum, porque à emoção estética se junta um sentimento ainda mais intenso: o de se comunicar, por encantamento, com uma humanidade reconciliada”. O escritor e jornalista libanês recorda que o mundo árabe e o mundo judaico parecem ter-se esquecido da sua fecunda fraternidade de outrora (antes da segunda metade do século XV) e que “entre Oriente e Ocidente as pontes mentais e espirituais foram destruídas e não voltaram a erguer-se”. O Mediterrâneo deixou assim “de ser um mar fértil situado no centro do nosso universo cultural para se tornar apenas um campo de batalha e uma barreira”. Organizado pela produtora Arte das Musas e pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, com o apoio da Direcção-Geral das Artes e de vários municípios alentejanos, o Festival Terras sem Sombra tem-se destacado no panorama musical português pela originalidade dos seus programas, pela combinação entre intérpretes nacionais e internacionais reconhecidos, pela aposta nos jovens músicos e pela utilização de espaços arquitectónicos históricos com grande qualidade acústica e artística.

A edição deste ano, que decorre até 8 de Maio, conta com mais seis concertos e uma conferência por Rui Vieira Nery – A Música Antiga e a Máquina do Tempo: Redescoberta, Releitura, Reinvenção (20 de Março, na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres em Beja). Entretanto, o festival prossegue a 6 de Fevereiro na Basílica Real de Castro Verde, com o Mário Franco Ensemble e o programa Lux Perpetua: Improvisos sobre Música Sacra Medieval e Renascentista. No dia 20 de Fevereiro, na Igreja Matriz de Almodôvar, o Quarteto Arabesco faz a versão para quarteto de cordas de P. Lichtenthal (1780-1853) do Requiem de Mozart e no dia 6 de Março o grupo Vozes Alfonsinas apresenta Cantares antigos: Da Aquitânia ao Brasil na Igreja Matriz do Alvito. Um recital de oboé barroco, viola da gamba e cravo (Beja, 10 de Abril), um concerto pedagógico pelo Ensemble Alpha (Grândola, 24 de Abril) e a actuação do agrupamento Sete Lágrimas no encerramento (Grândola, 8 de Maio), com um dos seus mais belos trabalhos discográficos – Kleine Musik: música de Heinrich Schütz (1585-1672) e Ivan Moody (1964) – completam a programação.
Cristina Fernandes – Público, 23 de janeiro de 2010

delírio onírico

“Lo pinté en mi taller de la rue Blomet. Mis amigos de aquel entonces eran los surrealistas. Intenté plasmar las alucinaciones que producía el hambre que pasaba. No es que pintara lo que veía en sueños, como propugnaban entonces Breton y los suyos, sino que el hambre me provocaba una especie de trance parecido al que experimentan los orientales. Entonces realizaba dibujos preparatorios del plan general de la obra, para saber en que sitio debía colocar cada cosa. Después de haber meditado mucho lo que me proponía hacer comencé a pintar y sobre la marcha introducía todos los cambios que creía convenientes. Reconozco que El Bosco me interesaba mucho, pero yo no pensaba en él cuando trabajaba en el “Carnaval”. En la tela aparecen ya elementos que se repetirán después en otras obras: la escalera que es la de la huída y la evasión, pero también la de la elevación, los animales y sobre todo los insectos, que siempre me han interesado mucho. La esfera oscura que aparece a la derecha es una representación del globo terráqueo, pues entonces me obsesionaba ya una idea: “¡Tengo que conquistar el mundo!”, el gato que lo tenía siempre junto a mí cuando pintaba. El triángulo negro que aparece en la ventana representa la torre Eiffel. Trataba de profundizar el lado mágico de las cosas. Por ejemplo, la coliflor tiene una vida secreta y eso era lo que a mi me interesaba y no su aspecto exterior. Durante ese año frecuenté mucho la compañía de los poetas porque pensaba que era necesario ir más allá del “hecho plástico” para alcanzar la poesía” Miro, 1938

Estou tentado à prática do jejum durante uns dias ( não que precise de dieta, mas o que se poupa em comida dá para pagar as tintas, as telas e os pincéis)…
Talvez a alucinação me dê para fazer qualquer coisa de surreal…
ou… simplesmente… qualquer coisa… que ilustre a desordem mental.
Vou experimentar com a mão esquerda, o que configura dois cenários positivos:
talvez passe despercebida a transcendente falta de jeito…
e consiga ainda desconstruir o processo… sem recurso a terapia.
Estou cansado de pensar.
Agora vou comer. Este post deu-me fome…

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