Porque há coisas que gostava de saber..

Bucólica

A vida é feita de nadas:

De grandes serras paradas

À espera de movimento;

De searas onduladas

Pelo vento;

De casas de moradia

Caídas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais;

De poeira;

De sombra de uma figueira;

De ver esta maravilha:

Meu pai a erguer uma videira

Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

O espaço não público

[…]Trinta anos depois do estabelecimento da democracia, como funciona o espaço público em Portugal?

A constatação imediata é a de que não existe. Está por fazer a história do que, nesse plano, se abriu e quase se formou durante os anos «revolucionários» do pós-25 de Abril, para depois se fechar, desaparecer e ser substituído pelo espaço dos media que, em Portugal, não constitúi um espaço público.

Como definir esse espaço aberto de expressão e de trocas, essencial para que a liberdade e a criação circulem num campo social? Determinemos primeiro como se manifesta a sua ausência na sociedade portuguesa.

Não há debate político: nem sequer na televisão que cria um espaço artificial, com regras predeterminadas que limitam a espontaneidade das intervenções, o acaso, e a participação desse «fora» que faz toda a riqueza da expressão pública. Nos jornais e na rádio, os debates confinam-se a troca de opiniões e argumentos entre homens políticos, sempre de um partido, visto que no mundo da política não há lugar para independentes, ou entre comentadores, pretensos «opinion makers» que dialogam constantemente entre si, em círculo fechado. Muitos dos políticos são também comentadores, fazem o discurso e o metadiscurso, o que suscita um circuito abafador e redundante: sempre as mesmas vozes e a mesma escrita nos mesmos tons, com os mesmos argumentos, com o mesmo plano de sentido, como se as ideias políticas se reduzissem a um empirismo sociológico de estratégias partidárias.

Se a política é «chata» em Portugal, se os portugueses estão «fartos dos políticos», isso não se deve apenas à sua incompetência, mas também ao próprio universo do debate político em que nada de novo, de inovador, de diferente, de forte, de original e estimulante surge para abalar os espíritos. O discurso político tem por função legitimar políticas ou projectos políticos e o metadiscurso confirmar essas legitimações. Confirmar, confirmar: eis para que se acumulam toneladas de argumentos e de pseudo-ideias mais ou menos subtis.

Quanto a uma abertura para fora – quando o peso da Europa Comunitária nas decisões do governo português é maior do que nunca – pode perguntar-se qual é a presença da questão europeia nos «debates» políticos nacionais?

Não há espaço público porque este está nas mãos de umas quantas pessoas cujo discurso não faz mais do que alimentar a inércia e o fechamento sobre si próprios da estrutura das relações de força que elas representam. Os lugares, tempos, dispositivos mediáticos e pessoas formam um pequeno sistema estático que trabalha afanosamente para a sua manutenção.

José Gil

Portugal, Hoje – O Medo de Existir

Relógio d’Água, 3ª edição, 2005

"The way of the future… the way of the future… the way of the future…"



A partir de agora, sou Mr. Hughes!

The Aviator

Director – Martin Scorsese

Leonardo DiCaprio – Howard Hughes

Cate Blanchett – Katharine Hepburn

Kate Beckinsale – Ava Gardner

John C. Reilly – Noah Dietrich

Alec Baldwin – Juan Trippe

Alan Alda – Senador Ralph Owen Brewster

Ian Holm – Professor Fitz

Danny Huston – Jack Frye

Gwen Stefani – Jean Harlow

Jude Law – Errol Flynn

Adam Scott – Johnny Meyer

Matt Ross – Glenn Odekirk

Kelli Garner – Faith Domergue

Frances Conroy – Mrs. Hepburn

Brent Spiner – Robert Gross

O Aviador de Scorsese é um filme longo – 170 minutos, mas para quem gosta de cinema é um bom momento de entretenimento.

É mais um grande filme do realizador de Casino, O Cabo do Medo, Tudo Bons Rapazes, Histórias de Nova Iorque…

DiCaprio surpreende pela positiva. Já tinha gostado dele em Apanha-me se Puderes, mas demonstra, pelo profundo trabalho de investigação que fez para este papel, que podemos esperar deles grandes coisas.

A excentricidade de Howard Hughes, o multimilionário amante da vida e dos sonhos impossíveis, é muito bem trabalhada por DiCaprio, que, juntamente com Scorsese, merecem os holofotes na noite dos óscares.

A análise dos críticos pode ser encontrada aqui e aqui!

As tuas mãos

Foto de Paul Grant Cutright

Quando as tuas mãos, amor,

procuram as minhas,

que me trazem em seu vôo?

Por que se detiveram

na minha boca, de súbito,

por que é que as reconheço

como se já antes

as tivesse tocado,

como se antes de existir

tivessem percorrido

a minha fronte, a cintura?

A sua suavidade

voava sobre o tempo,

sobre o mar, sobre o fumo,

sobre a primavera,

e quando puseste

as mãos no meu peito,

reconheci essas asas

de pomba dourada,

reconheci essa greda

e essa cor de trigo.

Passei os anos

da minha vida a procurá-las.

Subi as escadas,

atravessei os recifes,

levaram-me os comboios,

as águas me trouxeram,

e na pele das uvas

imaginei tocar-te.

De repente a madeira

trouxe-me o teu contacto,

as amêndoas anunciavam-me

tua secreta doçura,

até que as tuas mãos

em meu peito se fecharam

e ali como duas asas

terminaram a viagem.

in Os Versos do Capitão, de Pablo Neruda

Tradução de Albano Martins


Que dor de cabeça!



Posted by Hello Clique na imagem para ampliar a dor!

enviem-me para o exílio.. pode ser uma ilha no Pacífico!

As eleições para os órgãos do poder político são, na sua substância, o processo de legitimação dos representantes a quem são delegados poderes pelo voto popular.

A não participação neste processo tende a ser desvalorizada, por via da consolidação de sistemas como o americano, em que a desafectação dos cidadãos ao sistema democrático, embora elevada, não o coloca em risco.

Ora, os desafios que se colocam hoje às sociedades vão muito para além da legitimidade que advém dos actos eleitorais. A participação política dos cidadãos não se esgota – e muito menos começa aqui!

O exercício da cidadania faz-se através da intervenção em grupos, associações, apresentando propostas, que, de forma aparentemente invisível, contribuem para algumas mudanças significativas na sociedade.

Isto é tão mais verdade quanto mais consolidadas são as democracias estáveis.

No caso português, é inegável o aumento da abstenção na última década.

Tem variado entre os 30 e os 40%, tendo ultrapassado os 50% nas eleições para o Parlamento Europeu!

A falta de qualidade dos políticos, de um modo geral, a volatibilidade do voto conjuntural – a diluição do posicionamento entre direita e esquerda, têm acentuado a tendência para o descrédito das instituições democráticas.

Medina Carreira disse esta semana que não vai votar em nenhum dos dois partidos da área do poder. Será um reflexo desta análise?

A abstenção não tem uma leitura única:

– Protesto individual consciente, face à leitura dos programas partidários.

– Origem estrutural, com base no nível de politização dos conflitos sociais e do papel do Estado na mediação desses conflitos, que tendem para uma menor necessidade/vontade de participação activa do indivíduo.

– O sitema utilizado – O Método de Hondt, que consiste na repartição dos mandatos pelos partidos, proporcionalmente à importância da respectiva votação, é cada vez mais questionado, por razões que vão desde a importação para um determinado círculo eleitoral de representantes oriundos doutros círculos à distorção que representa, no sentido em que o eleitor não se sente representado.

Faz lembrar as transferências de jogadores de futebol, que quando chegam ao Benfica ou ao Sporting, dizem que eram adeptos do clube desde pequeninos!

A última vez que votei foi em 1985! Passei ao lado de uma grande carreira…

Ah! Já me esquecia..

Se não devo abster-me de votar nas eleições, é eticamente aceitável que leis e até programas de governo sejam aprovados na Assembleia da República com a abstenção de alguns/muitos deputados?!

do debate.. das ideias?! O povo quer é festa!





Devemos, pois, em primeiro lugar, precaver-nos contra esta ideia de que nos raciocínios pode não existir nada de prestável; mas convençamo-nos antes da nossa incompetência, da obrigação de procedermos energicamente, de nos esforçarmos por ser competentes –
doutra forma expomo-nos ao perigo de nos portarmos como os questionadores ignorantes.[…] Porquanto estes, quando disputam a respeito de algum assunto, não se importam com a verdadeira solução do problema; o que tomam a peito é que aos assistentes pareça verdade o que estabeleceram como tal.

[Objecções de Símias e de Cebes. Sócrates responde a Símias]

in Fédon, de Platão

Diverti-vos, pois a alma é mais duradoura que o corpo!

sem título

Vincent Van Gogh

Lane with Poplar Trees, início de 1884 – 54 x 39 cm

Rijksmuseum Vincent van Gogh, Amsterdam

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Fernando Pessoa



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Serralves, início de 2005

frio? qual frio? o frio! mas que frio? o frio!

A campanha eleitoral – ou pré-campanha, é como os saldos!

Eles bem acenam com promoções fantásticas, mas os clientes não se entusiasmam!

Os recém-chegados bloggers(!) José Sócrates e Pedro Santana Lopes bem tentam aquecer os locais por onde passam, mas… a música não faz dançar ninguém!

Confrangedor! Nem uma ideia!

Votasse eu.. e eles iam ver!

Toda a Verdade!

Se ainda subsistia alguma dúvida sobre a honorabilidade do Ministro Morais Sarmento – isto a propósito da polémica em torno das despesas com a viagem a São-Tomé e o episódio do mergulho, está à vista de todos a forma transparente como o processo decorreu.



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Como se pode extrair das imagens colhidas no Campo Pequeno, A Escola de Navegação e Recreio patrocinou as aulas de mergulho – até se comenta nos mentideros que MS foi acompanhado de um instrutor!

.. E sem aqueles encargos absurdos de que o acusaram, meus amigos!

Só não compreendo como Santana Lopes comentou ao ser informado do assunto, que as despesas eram “incómodas”!



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E depois vêm certas e determinadas pessoas dizer.. ah! e tal!

Mas o que é isto?!