Archive for the ‘ PAVC – Museu ’ Category

Museu do Côa

Um ano depois de uma visita clandestina às obras, no passado fim-de-semana não tive a mesma sorte.
As legendas das fotos foram retiradas da Memória Descritiva dos autores do Projecto (Arquitectos Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo)

O território sugere neste caso uma dupla leitura, pois é o suporte natural da paisagem, com que se pretende intervir e dialogar, mas é também a consequência da intervenção do homem numa natureza modelada, enfatizando a condição artificial.

No caso do Museu parece ser importante o sentido afirmativo do corpo, quer na sua leitura de intervenção na paisagem, quer quanto à sua natureza tipológica que deve ser formalizada enquanto massa física, não deixando quaisquer ambiguidades e equívocos quanto à sua localização e conteúdo…

Para a plasticidade da matéria do corpo interessa considerar três temas: a massa, textura e a sua cor

(...) sugerida nas eiras de secagem da amêndoa que pontuam alguns terrenos da envolvente...

(...) a condição de intervenção na paisagem é executada com elementos naturais promovendo continuidade, onde a geometria de carácter abstracto se impõe destacando a intervenção. (...) a estratégia é a de trabalhar um corpo, desenhado especificamente para um lugar promovendo um diálogo intimo entre artificial/natural e aumentando deste modo a complexidade temática da composição do mesmo.

O betão interessa pelas suas características plásticas e tectónicas...

No entanto, este, usado na sua cor natural, cinzento, promoveria alguma ruptura com o terreno onde predomina o castanho amarelado do xisto. Deste modo a proposta é que a matéria do corpo seja betão com inertes e pigmento de xisto resultando numa massa híbrida

Museu e Vale do Côa

Os políticos (ver artigos mais baixo) brindam-nos com conversas redondas:  Pinto Ribeiro tira coelhos da cartola sem explicar como faz o truque, o que é normal num ilusionista; Carrilho brinca ao toque e foge, quando em tempo útil teve os meios e o tempo necessário para evitar que o Parque fosse votado ao abandono, como agora refere. Resta-me o conforto de saber que no próximo fim-de-semana vou disfrutar daquelas montanhas e, se conseguir, ver como ficou o Museu 🙂

Vídeo com imagens das obras do Museu, Julho de 2008

Vila Nova de Foz Côa, Guarda, 29 Ago (Lusa) – O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, desafiou sexta-feira à noite, à chegada a Foz Côa, os municípios do Vale do Côa a criarem uma sociedade anónima juntamente com ministérios para gestão do Museu e Vale do Côa.
O modelo que gostaria que fosse aplicado é um modelo que envolvesse todos os municípios do Vale do Côa“, disse Pinto Ribeiro, que falava na sessão de boas-vindas no salão nobre da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa e à Agência Lusa.
O governante defendeu que todos os 10 municípios que compõem a Associação de Municípios do Vale do Côa “fizessem provavelmente uma sociedade anónima com um terço, onde outros 33 por cento sejam do Ministério do Ambiente e outros 33 por cento do Ministério da Cultura, formando três parceiros com uma gestão que seja feita sobretudo a partir daqui“.
José António Pinto Ribeiro considerou até a possibilidade da incluir na sociedade anónima o Ministério da Economia e do Turismo, encontrando assim uma solução de “30 por cento para os municípios, 30 por cento para o Ministério da Cultura e 20 para o Ministério do Ambiente e outros 20 para o Ministério da Economia e do Turismo“.
Isto é, vamos encontrar uma solução em que estejam envolvidas todas as entidades que podem dar o apoio a este movimento, mas que ao mesmo tempo estejam as pessoas que garantam que esta sociedade seja, de facto, um instrumento e um motor de construção e discurso de identidade e uma solução para que as pessoas que daqui saíram possam voltar“, salientou.
O ministro da cultura acredita que é possível partir desse ponto “para depois fazer uma rede ainda maior com o Museu do Douro, com Zamora, Valadolid e com outras entidades que possam sustentar esse crescimento“.
Segundo José António Pinto Ribeiro, vai ser definido um prazo de seis meses para se constituir uma sociedade de gestão do Museu e do Vale do Côa e dotá-la com os capitais necessários, pelo que está convencido que, “se isso puder ser feito“, a região do Vale do Côa conseguirá “resolver sistematicamente os seus problemas“.
Pinto Ribeiro chegou já ao romper da noite a Vila Nova de Foz Côa com “grande curiosidade“, sobretudo “para ver“, porque quando chegou ao ministério “a primeira reunião de trabalho e serviço foi acerca do atraso das obras do Museu do Côa“.
Isto é vosso“, frisou, e “se não for feito por vocês e apropriado pelas pessoas daqui não será nada“, sublinhou.
Uma das coisas que vim fazer foi ouvir localmente o meu aluno – Emílio Mesquita, presidente da autarquia de Vila Nova de Foz Côa -, que um dia foi a Lisboa pedir-me para prestar mais atenção a este território“, acrescentou, recordando sempre ouvir dizer que neste território «são nove meses de Inverno e três de Inferno». Via.

Vista do Côa, a partir da Foz. O museu está situado do lado direito da encosta, por cima do meu Portal

Manuel Maria Carrilho, o ex-ministro da Cultura que lançou o projecto do Parque do Côa e a sua bem-sucedida candidatura a Património Mundial, mostra-se perplexo com as medidas que o seu sucessor ontem anunciou. “O momento parece-me impróprio, atendendo ao contexto quase eleitoral em que estamos, os objectivos são insólitos, à luz das exigências de protecção de um património mundial, e toda essa conversa das percentagens parece-me também um bocado obscura”, afirmou Carrilho. O actual embaixador de Portugal na UNESCO recorda ainda que “o Estado português assumiu compromissos muito claros em relação ao raríssimo e valiosíssimo património paleolítico do Côa” e sublinha que a maior parte dos sítios que hoje correm riscos de desclassificação o devem, justamente, a questões relacionadas com os respectivos modelos de gestão.
Carrilho reconhece que o Côa tem “problemas evidentes”, mas assaca-os ao “abandono a que o projecto foi votado a partir de 2001”, lembrando que “o parque tem hoje metade dos guias de que dispunha nessa data, quando o que estava previsto era ter o quádruplo”, e que a sua frota de jipes nunca foi renovada. “É isso que deve ser alterado”, diz, “mas sem que o Estado se demita de responsabilidades que em exclusivo lhe cabem”. Via.

Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa – Comunicado

Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa

Tendo em conta declarações públicas proferidas por vários responsáveis do IGESPAR prevendo a abertura do Museu do Côa durante o corrente ano de 2009, a Associação Profissional de Arqueólogos (APA) dirigiu a este instituto uma série de questões concretas que consideramos não terem sido devidamente esclarecidas (cf. troca de correspondência anexa).

Não podemos deixar de expressar a nossa apreensão pelo facto do organismo que tutela o património cultural em Portugal não dar a conhecer as suas intenções relativas ao modelo de gestão a adoptar para o Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), bem como à forma de integração do património cultural nas regras estratégicas para o desenvolvimento regional ? necessariamente dependentes do ainda inexistente plano especial de ordenamento para o território abrangido pelo PAVC. Assumindo o IGESPAR a abertura do Museu do Côa no corrente ano de 2009, cujo último semestre que atravessamos é inevitavelmente marcado por eleições legislativas e autárquicas, a APA teme que possam precipitar-se decisões que venham a revelar-se pouco adequadas à protecção e valorização do património arqueológico do Vale do Côa.

Nesse sentido, apelamos publicamente à divulgação das intenções do Ministério da Cultura sobre esta matéria, de modo a que possam ser construtivamente debatidas por todos os agentes necessariamente envolvidos: dos gestores do património cultural aos arqueólogos, passando pelos agentes de promoção e operação turística e todas as entidades públicas e privadas de âmbito local, regional e nacional interessadas no desenvolvimento deste território. Certos de que uma solução sustentável de desenvolvimento do Vale do Côa se fará melhor com o contributo de todos, a APA expressa publicamente em nome dos profissionais de arqueologia a disponibilidade para a colaboração na construção dos instrumentos necessários ao retorno social do investimento público já realizado na salvaguarda e valorização deste importante património arqueológico.

A Direcção da Associação Portuguesa de Arqueólogos

13 de Julho 2009

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Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa

A abertura do Museu do Côa e a legalização do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) estão para breve, faltando alguns pormenores e a aprovação política. A garantia foi deixada na semana passada pela directora do PAVC, Alexandra Cerveira Lima, segundo a qual, neste momento, está a ser definido o modelo de gestão do parque, já que integra o museu. «Trata-se estritamente de uma decisão política, porque é possível, em última análise, a mudança das leis. Só depende da decisão da tutela, que vai definir a melhor solução para a gestão do parque», disse. Recorde-se que o PAVC ficou numa situação irregular quando foi criado, porque a legislação portuguesa referente ao património não previa a figura do Parque Arqueológico. Quando isso foi possível, definiram-se também os passos para a sua criação e o último é a promulgação de um decreto regulamentar, como já acontecia com os parques naturais. «É este passo que falta e estamos a todo o momento à espera. Esperemos que ainda este ano, quando ocorrer a abertura do museu ao público, também se possa dizer que o parque está legalmente criado», adianta a responsável. Quanto ao museu – que está sob a tutela do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), Alexandra Cerveira Lima assegura que «o edifício está acabado, faltando apenas o recheio». A obra, orçada em cerca de 18 milhões de euros e que teve o seu início em Janeiro de 2007, irá permitir o acolhimento de novos públicos, acredita a responsável.
Constituindo-se como um local de descodificação da arte, outra característica do futuro museu será o facto de grande parte do seu conteúdo estar no exterior, como o território e a arte rupestre do Vale do Côa. «O museu é também uma estrutura relevante porque não carece de marcação prévia. A partir do momento em que for inaugurado, as pessoas vão visitar o que quiserem, conduzidas já com uma informação sobre o território que as guia por aquilo que podem ver. E se quiserem ficar, têm sempre realidades interessantes para ver, o que é algo que não é possível na estrutura actual ao fim-de-semana e em época alta. E nem nós nem os guias a trabalhar em operadores privados conseguimos fazer face à procura», refere a directora. Aquele que será o segundo maior museu (em área) de Portugal a seguir ao de Arte Antiga, em Lisboa poderá vir ainda a beneficiar do interesse espanhol, espera Alexandra Cerveira Lima: «A Junta de Castela e Leão está interessada numa ligação ao Côa por causa da candidatura de Siega Verde a Património da Humanidade e até numa dinâmica cultural». «Aproveitando a ligação a Espanha, ao Douro e ao Sul, juntando estas sinergias e com pessoas da área, pensamos que é possível fazer uma programação muito interessante», sustenta a directora do PAVC.Via.

Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

Quinze anos depois…
Da revelação, ao mundo, de uns rabiscos que não sabiam nadar.
De os mesmos rabiscos chegarem a ter sido datados por especialistas, como tendo no máximo 300 anos – Juro que não fui eu! Apesar de por ali ter passado em miudo, quando ia banhar-me na ribeira, estou convencido que os rabiscos já lá estavam…
Do desvario dos senhores da Unesco, que classificaram o sítio como Património da Humanidade.
De pouco ou nada se ter investido em infraestuturas na Região, de modo a potenciar o Parque.
De o Rio Sabor – que não tem culpa nenhuma, – ser quem vai pagar as favas.

O Vale do Côa vai assistir, finalmente, à inauguração do seu Museu, que divulgará um dos mais longos ciclos de arte rupestre da Europa… e o resto é paisagem. Minimalista! 🙂

 

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Museu do Côa

Enquanto não é divulgada a data de inauguração do Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa (atenção ao calendário, sr ministro da cultura, as eleições estão aí à porta), a esforçada equipa do PAVC vai puxando pela imaginação para atrair visitantes.
Duas notas ainda, para as obras em fase de acabamentos e para o lançamento do novo livro de António Martinho BaptistaO paradigma perdido: o Vale do Côa e a arte paleolítica de ar livre em Portugal.

 

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Museu do Côa

Vídeo com imagens das obras do Museu, Julho de 2008

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O Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa será o segundo maior museu (em área) de Portugal, a seguir ao de arte antiga de Lisboa. O Projecto ganhador do concurso internacional é de autoria dos arquitectos Pedro Tiago Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo, PORTO

Do Relatório do Júri:
Além do valor cultural e patrimonial presente em todos os trabalhos hierarquizados, o trabalho apresentado pelos Arquitectos Pedro Lacerda Pimentel e Camilo Bastos Rebelo propõe criar uma peça de cariz escultório e emblemático, assumidamente contemporâneo, e acrescentando mais-valias à paisagem.
Apresenta uma organização muito compacta, uma figura forte, capaz de responder com clareza e intensidade aos valores da paisagem e do território.
O júri considerou a solução arquitectónica extraordinária e carismática. Uma inventiva e adequada resposta à integração na envolvente. O acesso revela-se bem pensado, introduzindo um compasso de espera entre a chegada, com uma noção clara da paisagem e da envolvente, e a descida ao espaço do museu.
Os conceitos utilizados na memória descritiva são notáveis e reveladores da consistência da proposta. Os espaços expositivos estão bem organizados e o acesso aos serviços bem resolvido.
A estrutura funcional apresenta-se adequada às exigências expressas no programa de intervenção, tendo contudo alguns aspectos que requerem maior reflexão. A solução demonstra flexibilidade evolutiva. Boa exequibilidade da solução, à luz dos actuais modos de construção.

Da Memória Descritiva do Concorrente:
“os temas abordados são diversos, resultando de uma dinâmica de trabalho que procura cruzar factores exteriores, como topografia e acessibilidades, e factores de conteúdo programático.
O desafio de fundir estes factores torna-se explicito no conceito da intervenção conceber um museu enquanto instalação na paisagem.

Conceito:
A Arte Rupestre que qualifica de forma única as margens do Rio Côa é provavelmente a primeira forma de “Land Art” da História da Humanidade. Esta condição revelou-se desde logo o motor de construção da ideia do projecto. A “Land Art” caracteriza-se genericamente de duas formas distintas.
Na primeira a condição de intervenção na paisagem é executada com elementos naturais promovendo continuidade, onde a geometria de carácter abstracto se impõe destacando a intervenção. Na segunda a estratégia é a de trabalhar um corpo, desenhado especificamente para um lugar promovendo um diálogo intimo entre artificial/natural e aumentando deste modo a complexidade temática da composição do mesmo.
O território sugere neste caso uma dupla leitura, pois é o suporte natural da paisagem, com que se pretende intervir e dialogar, mas é também a consequência da intervenção do homem numa natureza modelada, enfatizando a condição artificial.
No caso do Museu parece ser importante o sentido afirmativo do corpo, quer na sua leitura de intervenção na paisagem, quer quanto à sua natureza tipológica que deve ser formalizada enquanto massa física, não deixando quaisquer ambiguidades e equívocos quanto à sua localização e conteúdo.”

“Corpo: A forma / volume do corpo é triangular e resulta de três condições topográficas. O corpo triangular é lapidado pela geometrização abstracta da topografia, que no ponto mais alto do terreno (implantação) está entalado entre dois vales (Vale José Esteves e o Vale do Forno) e abre uma terceira frente ao encontro dos rios Douro e Côa.”

“Matéria: Para a plasticidade da matéria do corpo interessa considerar três temas: a massa, textura e a sua cor. Das possibilidades analisadas prevalecem duas: o xisto como sendo o material local e existindo em abundância, mas também pelo factor de ser o suporte escolhido no Paleolítico para o registo das gravuras. O betão interessa pelas suas características plásticas e tectónicas, mas também como material que aparece recentemente na paisagem do Douro em construções de médio e grande porte. No entanto, este, usado na sua cor natural, cinzento, promoveria alguma ruptura com o terreno onde predomina o castanho amarelado do xisto. Deste modo a proposta é que a matéria do corpo seja betão com inertes e pigmento de xisto resultando numa massa híbrida. Esta composição é sugerida nas eiras de secagem da amêndoa que pontuam alguns terrenos da envolvente, embora com a predominante xisto.

No seguimento deste texto de Rui Resende, via Arquitectura.pt, ver também a apreciação Sobre o Museu do Côa, e esta coisa portuguesa de chamar ao terreno a responsabilidade sobre o projecto

Vale Encantado

Na encosta sobre a margem esquerda do Rio Côa e antes de chegar à ponte férrea, está a nascer o Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa

Arte Rupestre do Vale do Côa



Penascosa, Rocha 1