O deus cortesão, de Velázquez

A influência de Caravaggio e Rubens na obra de Diego Velázquez (1599-1660), pela utilização do chiaroscuro e das cores primárias, está mais uma vez presente neste Los Borrachos (1628-29) – um dos expoentes da caricatura social no Barroco.
Descendente de nobres portugueses, Velázquez grangeou fama na Corte Espanhola através dos bodegones – cenas de interior com elementos de naturezas-mortas.
O seu estilo, muito próprio e inimitável, de natureza contemplativa e profundamente humanista, não fêz, porém, escola.

A obra assume um especial significado na pintura espanhola, pois a embriaguês era considerada um vício desprezível, sendo borracho o maior dos insultos.
Convidar e embebedar pessoas de classe baixa dos teatros de comédia para divertimento das senhoras, era pois uma forma de entretenimento na Corte Real.
Foi neste enquadramento que Velázquez pintou Baco para Filipe IV, que o colocou no seu quarto de verão.
Este divertido Deus do Vinho, rodeado por oito bêbados com quem convive, confere-lhes uma sensação de majestade, ao coroá-los com uma hera; por isso riem para quem se ri deles: o rei.
A caricatura da censura dos nobres face aos prazer dos camponeses pelo vinho, é simultaneamente máscara e disfarce – através da visão de um deus cortesão que se diverte, de igual modo.

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