Apólogo da Morte

Esta alegoria da morte representa o triunfo do imponente Ceifeiro. Com um pé em cima do mundo e outro sobre alguns símbolos de poder, segura um caixão debaixo do braço e, com a mão, apaga a vela-luz-da-vida.  Tal como em “Finis Gloriae Mundi”, caminhamos todos alegremente para o grande festim dos bichos, sejamos santos ou pecadores 🙂

 

Juan de Valdés Leal - In Ictu Oculi, 1670-72

Juan de Valdés Leal - In Ictu Oculi, 1670-72

 

Soneto LXXXI – Moral

Vi eu um dia a Morte andar folgando
por um campo de vivos que a não viam.
Os velhos, sem saber o que faziam,
a cada passo nela iam topando.

Na mocidade os moços confiando,
ignorantes da Morte a não temiam.
Todos cegos, nenhuns se lhe desviam;
ela a todos co dedo os vai contando.

Então quis disparar e os olhos cerra:
tirou e errou: Eu, vendo seus empregos
tão sem ordem, bradei: Tem-te, homicida!

Voltou-se e respondeu: Tal vai de guerra!
Se vós todos andais comigo cegos,
que esperais que convosco ande advertida?

 

Francisco Manuel de Melo

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