Arquivo de 4 de Dezembro, 2008

D. Francisco Manuel de Melo

Nesta coisa das efemérides, a muito recente e quase despercebida passagem dos quatrocentos anos do nascimento de Francisco Manuel de Melo (1608-1666), tem pelo menos a virtude de permitir recordar, ainda que fugazmente, as diversas facetas e obra do maior polígrafo do século XVII.

 

"Finis Gloriae Mundi", de Juan de Valdés Leal , século XVII

"Finis Gloriae Mundi", de Juan de Valdés Leal , século XVII

 

Soneto I
Formosura, e Morte, advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura.

Armas do amor, planetas da ventura
Olhos, adonde sempre era alto dia,
Perfeição, que não cabe em fantasia,
Formosura maior que a formosura:

Cova profunda, triste, horrenda, escura,
Funesta alcova de morada fria,
Confusa solidão, só companhia,
Cujo nome melhor é sepultara:

Quem tantas maravilhas diferentes
Pode fazer unir, senão a morte?
A morte foi em sem-razões mais rara.

Tu, que vives triunfante sobre as gentes.
Nota (pois te ameaça uma igual sorte)
Donde pára a beleza, e no que pára.

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