Arquivo de 28 de Outubro, 2004

O contraditório na Santa Aliança

Estávamos em 1982.

Na Assembleia da República, João Morgado era deputado do CDS e afirmou:

«A igreja Católica proibe o aborto porque entende que o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho».

Natália Correia, então deputada do PSD, retorquiu:

Já que o coito diz Morgado

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menino ou menina

e cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca,

sendo só pai de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou – parca ração! uma vez.

E se a função faz o órgão – diz o ditado –

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.


A iniciação sexual tem vindo a verificar-se cada vez mais precocemente.. e deu origem ao termo autodeterminação sexual – continuo sem entender o significado de tal expressão..!

As causas e consequências do aborto, continuam a alimentar um equívoco nacional – o de que o problema se resolve por decreto ou por referendo!

Evoluiu-se para a possibilidade de, em circunstâncias que possam fazer perigar a vida da mãe, esta poder interromper a gravidez até às 24 semanas.

Não parece ter havido grande evolução – no que concerne a esta matéria, mas também das mentalidades – nas últimas duas décadas!

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