Arquivo de 19 de Outubro, 2004

Em Ti a Terra



Foto de Pedro Marques Pereira

En ti la tierra

Pequeña

rosa,

rosa pequeña,

a veces,

diminuta y desnuda,

parece

que en una mano mía

cabes,

que así voy a cerrarte

y a llevarte a mi boca,

pero

de pronto

mis pies tocan tus pies y mi boca tus

labios,

has crecido,

suben tus hombros como dos colinas,

tus pechos se pasean por mi pecho,

mi brazo alcanza apenas a rodear la delgada

línea de luna nueva que tiene tu cintura:

en el amor como agua de mar te has desatado:

mido apenas los ojos más extensos del cielo

y me inclino a tu boca para besar la tierra.



Pequena

rosa,

rosa pequena,

às vezes,

diminuta e nua,

parece

que numa das minhas mãos

tu cabes,

que assim vou apertar-te

e levar-te à boca,

mas,

de repente,

os meus pés tocam os teus pés e a minha boca os teus

lábios,

cresceste,

os teus ombros erguem-se como duas colinas,

os teus peitos passeiam pelo meu peito,

o meu braço mal consegue cingir a delgada

linha de lua nova que há na tua cintura:

derramaste-te no amor como água do mar:

meço apenas os olhos mais dilatados do céu

e inclino-me sobre a tua boca para beijar a terra.

Pablo Neruda

Os Versos do Capitão

(Tradução de Albano Martins)

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