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Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

A França comemorou em 2005 o centenário de morte de Júlio Verne, um dos romancistas mais imaginativos e populares. A sua obra, uma das mais traduzidas no mundo, transformou-o num dos escritores franceses universalmente mais conhecidos. Espírito extraordinariamente curioso, foi um grande leitor. Nutria a sua cultura nas enciclopédias e nos periódicos que lia sistematicamente todos os dias. Soube como ninguém revelar os sonhos da sua época, expondo as visões de um novo mundo. Suas especulações baseavam-se numa documentação científica impressionante que acumulava antes de iniciar os seus romances. A estas pesquisas se associava uma imaginação literária e poética de grande sensibilidade político-social que valorizava a importância da ciência e da tecnologia. Como disse o filósofo e escritor Serres: desde a morte de Verne falta um escritor que dê a ciência a valorização que ela merece. Até hoje, o próprio nome Jules Verne evoca as imagens de um mundo, onde o cientista era uma mente preocupada em preservar um futuro feliz e justo para a humanidade – como, por exemplo, a do capitão Nemo, capaz de destruir os seus inventos, pois acreditava que os governos ainda não estavam prontos para recebê-los – em relatos fantásticos ricamente ilustrados das Viagens extraordinárias, que mais tarde seriam aproveitados pelo cinema. Em conseqüência dos seus textos de visionário e do seu permanente aproveitamento cinematográfico, o nome de Jules Verne tornou-se um mito universal e imortal.

Jules Verne

Verne (1828-1905) foi, antes de tentar a sorte como novelista, um empenhado aprendiz de dramaturgo, trabalhando com Dumas Filho e Michel Carré, ensaiando o libretismo para duas operetas, além de uma comédia. A estas primícias não terá sido estranha uma precoce aptidão para a música, bem como uma vantajosa relação de amizade com o autor de Os Três Mosqueteiros. De permeio, uma licenciatura em Direito acentuando os traços distintivos de meticulosidade e capacidade de formalização.


A autonomia e originalidade do génio verniano só se começou a manifestar quando, em 1862, travou conhecimento com Pierre-Jules Hetzel, que veio constituir-se em sólido esteio editorial das suas obras. À publicação de Cinco semanas em balão (1863) seguiram-se a Viagem ao Centro da TerraDa Terra à Lua (1866), Os Filhos do Capitão Grant (1868) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), cujo enorme sucesso lhe permitiu ascender a cavaleiro da Legião de Honra, distinção tanto mais notável por haver sido conferida por Napoleão III, que tinha contra si o «partido das letras», com Hugo à cabeça e no qual militavam também os Dumas, Zola e Renan. À hora da hecatombe de Sedan – nesse funesto ano de 1870 – Verne encontrava-se, como voluntário, na mole dos destroços dos sonhos imperiais de Napoleón, le petit. (1864),

A fama proporcionou-lhe uma vida de grande conforto, que as viagens pela Escócia, Irlanda, Mediterrâneo, Escandinávia e EUA (no decurso da qual, a bordo da maravilha tecnológica da época, o «Great Eastern», tocou os Açores), a aquisição de iate a vapor e de um château eloquentemente atestam, mas que não o inibiram de intervir politicamente ao lado dos radicais-socialistas. Traduzido para todas as grandes línguas, incluindo o japonês e o árabe, foi aclamado e reverenciado em vida como expoente das crenças do século: o progresso científico e tecnológico ascendente e linear, a conquista, domesticação e apropriação da natureza pelo homem, o triunfo do homem branco e o colonialismo…

O segredo do triunfo de Jules Verne terá residido na engenhosa fusão de extravagância, exotismo e teatralidade, que integrou num quadro de positividade, plausibilidade e antecipação tecnológica que veio a revelar-se, mais que profética, prospectiva. Divulgador científico, usou com mestria vasto arsenal de conhecimentos para emprestar autenticidade às novelas de antecipação, ou a habilidade literária para popularizar obras de cunho historiográfico e geográfico: exploradores do século XIX e navegadores do século XVIII. Não conhecendo limites temáticos nem geográficos, do centro da Terra aos abismos do mar e até à Lua, os cenários em que decorrem as suas novelas são animados por enredos em que a intriga política contemporânea imprime verosimilhança à aventura: Mathias Sandorf, o resistente húngaro; Miguel Strogoff, o correio do czar na luta contra os tártaros; Casa a vapor, no dédalo de ódios da revolta dos cipaios contra o poder britânico na Índia; Os filhos do Capitão Grant, episódio na guerra da secessão americana. Portugal não deixa de estar presente em algumas das novelas. Lembramos, com assinalável surpresa, que, emDa Terra à Lua, o nosso país participou com «30 000 cruzados» na expedição lunar de Barbicane, que o temível Nautilus passou por águas portuguesas na sua errática e violenta saga submarina e que em A volta ao mundo em 80 dias Passepartout se encontrou, em Singapura, com numerosos passageiros «indianos, singaleses, chineses, malaios e portugueses que, na sua maior parte, ocupavam camarotes de segunda».

Uma dimensão inquietante perpassa, porém, nessa vasta galeria de situações em que se exalta o maquinismo, a certeza científica, o triunfo da razão e o nascimento de uma nova era. Referimos, certamente, a assídua visitação a mundos artificiais escondidos, intencionalmente escondidos, ao poder marginal, na sombra, oculto, que desafia o vulnerável mundo das convenções civilizadas. O poder do capitão Nemo é marginal à ordem que aparentemente mantém o mundo. Um poder paralelo que ameaça, a todo o momento – mais perigoso que a força cega dos elementos porque inteligente –, a própria subsistência da humanidade. Neste particular, a exaltação da máquina transporta uma primeira interrogação, subsequentemente muito difundida, sobre os limites morais das aventuras da técnica. Verne parece antecipar Ernest Jünger, H. G. Wells e Conrad.

Jules Verne

Verne (1828-1905) foi, antes de tentar a sorte como novelista, um empenhado aprendiz de dramaturgo, trabalhando com Dumas Filho e Michel Carré, ensaiando o libretismo para duas operetas, além de uma comédia. A estas primícias não terá sido estranha uma precoce aptidão para a música, bem como uma vantajosa relação de amizade com o autor de Os Três Mosqueteiros. De permeio, uma licenciatura em Direito acentuando os traços distintivos de meticulosidade e capacidade de formalização.


A autonomia e originalidade do génio verniano só se começou a manifestar quando, em 1862, travou conhecimento com Pierre-Jules Hetzel, que veio constituir-se em sólido esteio editorial das suas obras. À publicação de Cinco semanas em balão (1863) seguiram-se a Viagem ao Centro da TerraDa Terra à Lua (1866), Os Filhos do Capitão Grant (1868) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), cujo enorme sucesso lhe permitiu ascender a cavaleiro da Legião de Honra, distinção tanto mais notável por haver sido conferida por Napoleão III, que tinha contra si o «partido das letras», com Hugo à cabeça e no qual militavam também os Dumas, Zola e Renan. À hora da hecatombe de Sedan – nesse funesto ano de 1870 – Verne encontrava-se, como voluntário, na mole dos destroços dos sonhos imperiais de Napoleón, le petit. (1864),

A fama proporcionou-lhe uma vida de grande conforto, que as viagens pela Escócia, Irlanda, Mediterrâneo, Escandinávia e EUA (no decurso da qual, a bordo da maravilha tecnológica da época, o «Great Eastern», tocou os Açores), a aquisição de iate a vapor e de um château eloquentemente atestam, mas que não o inibiram de intervir politicamente ao lado dos radicais-socialistas. Traduzido para todas as grandes línguas, incluindo o japonês e o árabe, foi aclamado e reverenciado em vida como expoente das crenças do século: o progresso científico e tecnológico ascendente e linear, a conquista, domesticação e apropriação da natureza pelo homem, o triunfo do homem branco e o colonialismo…

O segredo do triunfo de Jules Verne terá residido na engenhosa fusão de extravagância, exotismo e teatralidade, que integrou num quadro de positividade, plausibilidade e antecipação tecnológica que veio a revelar-se, mais que profética, prospectiva. Divulgador científico, usou com mestria vasto arsenal de conhecimentos para emprestar autenticidade às novelas de antecipação, ou a habilidade literária para popularizar obras de cunho historiográfico e geográfico: exploradores do século XIX e navegadores do século XVIII. Não conhecendo limites temáticos nem geográficos, do centro da Terra aos abismos do mar e até à Lua, os cenários em que decorrem as suas novelas são animados por enredos em que a intriga política contemporânea imprime verosimilhança à aventura: Mathias Sandorf, o resistente húngaro; Miguel Strogoff, o correio do czar na luta contra os tártaros; Casa a vapor, no dédalo de ódios da revolta dos cipaios contra o poder britânico na Índia; Os filhos do Capitão Grant, episódio na guerra da secessão americana. Portugal não deixa de estar presente em algumas das novelas. Lembramos, com assinalável surpresa, que, emDa Terra à Lua, o nosso país participou com «30 000 cruzados» na expedição lunar de Barbicane, que o temível Nautilus passou por águas portuguesas na sua errática e violenta saga submarina e que em A volta ao mundo em 80 dias Passepartout se encontrou, em Singapura, com numerosos passageiros «indianos, singaleses, chineses, malaios e portugueses que, na sua maior parte, ocupavam camarotes de segunda».

Uma dimensão inquietante perpassa, porém, nessa vasta galeria de situações em que se exalta o maquinismo, a certeza científica, o triunfo da razão e o nascimento de uma nova era. Referimos, certamente, a assídua visitação a mundos artificiais escondidos, intencionalmente escondidos, ao poder marginal, na sombra, oculto, que desafia o vulnerável mundo das convenções civilizadas. O poder do capitão Nemo é marginal à ordem que aparentemente mantém o mundo. Um poder paralelo que ameaça, a todo o momento – mais perigoso que a força cega dos elementos porque inteligente –, a própria subsistência da humanidade. Neste particular, a exaltação da máquina transporta uma primeira interrogação, subsequentemente muito difundida, sobre os limites morais das aventuras da técnica. Verne parece antecipar Ernest Jünger, H. G. Wells e Conrad.

Obikweeeeeluuuuuu

Afirmações de Obikwelu depois de ganhar a medalha de ouro nos 200 metros dos Europeus de Gotemburgo:
“Claro que o futebol continua a ser uma paixão grande. Sempre que Portugal joga sofro como um louco. Adoro o Luis Figo…”

A isto eu chamo patriotismo. Aliás, o Chico “Obiquelo” da Silva já tinha dado provas disso, caro JCD

#1

Lisboa à noite

Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo,
Tudo é não ter nem encontrar.Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

Fernando Pessoa, 24-08-1930

#1

L` aventure au mont de Vénus

La femme est le contraire du Dandy.
Donc elle doit faire horreur.
La femme a faim, et elle veut manger ; soif, et elle veut boire.
Elle est en rut, et elle veut être f…
Le beau mérite !
La femme est naturelle, c’est-à-dire abominable.
Aussi est-elle toujours vulgaire, c’est-à-dire le contraire du Dandy.
Relativement à la Légion d’Honneur. – Celui qui demande la croix a l’air de dire : Si l’on ne me décore pas pour avoir fait mon devoir, je ne recommencerai plus.
Si un homme a du mérite, à quoi bon le décorer ? S’il n’en a pas, on peut le décorer, parce que cela lui donnera un lustre.
Consentir à être décoré, c’est reconnaître à l’État ou au prince le droit de vous juger, de vous illustrer, et caetera.
D’ailleurs, si ce n’est l’orgueil, l’humilité chrétienne défend la croix.
Calcul en faveur de Dieu. – Rien n’existe sans but.
Donc mon existence a un but.
Quel but ? Je l’ignore.
Ce n’est donc pas moi qui l’ai marqué. C’est donc quelqu’un plus savant que moi.
Il faut donc prier ce quelqu’un de m’éclairer. C’est le parti le plus sage.
Le Dandy doit aspirer à être sublime, sans interruption. Il doit vivre et dormir devant un miroir.

Gustave Courbet – L’Origine du monde, 1866
Baudelaire: Mon coeur mis à nu: journal intime, 1887.

Leituras de Thierry Savatier sobre o tema:
L’Origine du Monde, histoire d’un tableau de Gustave Courbet, Éd. Bartillat
Une femme trop gaie – Biographie d’un amour de Baudelaire, CNRS Editions

a tradição já não é o que era

A expressão máxima de uma visão vanguardista da sensualidade, aqui.

Nunca é demais recordar

Incêndios Florestais
Prevenção

Incêndios Florestais
Autoprotecção