Internet Addiction Disorder

A Blogosfera dá para tudo

Pessoas

que não se conhecem

que cultivam amizades

que sofrem

que se insultam

de verdade

que me fazem sentir vivo

que já estão mortas e não sabem

que explicam porque se vão embora

explicaram ao que vinham?

divertidas

apaixonadas

muito

inteligentes, sensíveis

que escrevem mal

que se fartam de escrever

e dizem pouco

como diz o Gasel

um post não precisa ter muita conversa para ser interessante

Não sei para onde caminha esta comunidade

talvez para nenhures

o que seria pena, mas

este frémito parece estar a desgastar muita gente

todos os dias fecham janelas

abrem outras, é certo

Amanhã é outro dia

Boa noite

não quero acreditar ( post editado)

Que o ex-treinador do benfica disse que espera ver o Mónaco ganhar ao FC Porto!

(afinal o senhor disse que quer que o Morientes jogue bem e ganhe o jogo – o que, sendo uma afirmação diferente, vai dar ao mesmo!)

Que o porta-voz dos Inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras disse, a propósito da requisição civil anunciada pelo governo caso façam greve durante o Euro, que esta seria uma lei ilegal!

Cantilena Para Um Tocador De Flauta Cego



White Faun playing the Double Flute – Picasso

Flauta da noite que se cerra,

Presença líquida de um pranto,

Todos os silêncios da terra

São as pétalas do teu canto.

Espalha teu pólen na alfombra

Do catre que por fim te acoite

Mel de uma boca de sombra

Como um beijo na boca da noite

E pois que as escalas que cansas

Nos dizem que o dia acabou,

Faz-nos crer que os céus dançam

Porque um cego cantou.

Marguerite Yourcenar, Tradução de Mário Cesariny

presunção de liberdade

Fechado numa casca de noz

eu poderia julgar-me rei

de um espaço infinito…

Shakespeare, Hamlet

Quizz

Gosto muito de cinema!

E a Maria também! Por isso, para ela, que teve a ideia, e também para os amigos cinéfilos, aqui fica o desafio.


Origens – I

Vila Nova de Foz-Côa



Há cerca de vinte mil anos, o homem desceu os vales do Côa e do Douro pescando e caçando para sobreviver, e, gravando com sílex os painéis do rijo xisto de ambas as margens.



Mais recentemente, na segunda metade do século XX, acompanhado pelos primos, descia da vila e pisava, quem sabe, as mesmas pedras que o homem do paleolítico..

Saíamos de manhã.

O trajecto até ao rio que nos esperava lá em baixo, era percorrido aos saltos entre amendoeiras, figueiras e vinhedos das encostas do Douro, que nos alimentavam o corpo e as brincadeiras.



Por volta da hora do almoço já estávamos a tomar banho na margem esquerda do rio.

Por várias vezes fomos arrastados pelas fortes correntes, indo normalmente parar à retorta, uma curva providencial que desdenhava, fruto da imaturidade da adolescência!

Os primos diziam que a Senhora da Veiga, que ainda lá está na capela perto da margem, nos protegia.

Se a família soubesse..



A Igreja Matriz de Foz Côa, onde casaram os meus pais, é Monumento Nacional e tem o seu maior valor no desenho do alçado frontal, do período gótico- manuelino.

No pórtico existem duas esferas armilares, encimadas uma, pela Cruz de Cristo e outra pela Flor-de-Lis. Dois escudos com as armas reais ladeiam o nicho onde se alberga uma imagem de Nª. Srª. da Piedade, ou do Pranto, de calcário do séc. XVI.

A capela-Mór da Igreja Matriz é uma obra riquíssima em talha, em pintura e em escultura. Do lado norte do sacrário, está a imagem da Padroeira da Paróquia, Nª. Srª. do Pranto. É a Pietá, imagem do séc. XVII. Nas paredes laterais da capela-Mór encontram-se várias pinturas a óleo sobre madeira, da autoria de artistas da Escola de Grão Vasco.

Vila Nova de Foz-Côa teve três forais.

O primeiro e o segundo, dados por D. Dinis, fundador e povoador da localidade, a 21 de Maio de 1299 e a 24 de Julho de 1314, respectivamente.

O terceiro foi dado por D. Manuel a 16 de Junho de 1514.

D. João I elevou-a à categoria de vila.

D. Manuel mandou edificar a Igreja Matriz.

Por último Foz Côa é elevada a cidade em 12 de Julho de 1997



O Pelourinho, de granito do século XVI, está situado na Praça do Município.

Sustentado por quatro degraus, tem os bordos superiores do capitel ornados por cordões. O remate da cabeça é feito por um grupo de coruchéus, sobre os quais se erguem a esfera armilar e a flor-de-lis.

Plantou-me aqui e arrancou-me daqui.

E nunca mais as raízes me seguraram bem em nenhuma terra.

Miguel Torga

História Trágico-Marítima



Maria Helena Vieira da Silva

1944, óleo sobre tela, 81 x 100 cm

Centro de Arte Moderna

Mar!

Engenhosa sereia rouca e triste!

Foste tu quem nos veio namorar,

E foste tu depois que nos traíste!

Mar!

E quando terá fim o sofrimento!

E quando deixará de nos tentar

O teu encantamento
!

Miguel Torga

blogus interruptus

Nos próximos dias não vou poder cumprir um dos rituais diários, o de visitar amigos na blogosfera.

Desde o início do ano tenho-me habituado aos posts, aos comentários e, aquilo que me tem dado mais prazer, a estabelecer cumplicidades!

Aos amigos que têm a gentileza de visitar o meu cantinho desejo uma boa semana, com um sorriso!

Meus amigos, desculpai-me

pois, inadvertidamente, vos iludi.

Bem sei agora que de mim

vós todos esperáveis um poeta completo,

alguém como um semideus

que conseguisse se embrenhar no segredo do cosmo,

capaz de sofrer a angústia do big-bang inicial

e de viver o gozo, supremo e espasmódico,

de algum astro recém-nascido.

Não, meus amigos.

Decididamente não sou eu o poeta que buscais.

Para desfazer qualquer dúvida que ainda remanesça,

permiti que vos diga, num rasgo de confessada humildade,

que eu jamais consegui decifrar o código de angústia

do riacho que, perdido, serpenteia pela floresta;

que eu, embora tenha me esforçado ao extremo,

ainda não traduzo fielmente a voz do vento andarilho,

mexeriqueiro bailarino a confabular com as árvores

os segredos trazidos de distantes paragens.

Tende em mente que minha sensibilidade

é suficiente apenas para entender

que a cor avermelhada da aurora

se deve ao sangue das paixões sublimadas.

É honesto dizer ainda que não tenho tido êxito

ao tentar compreender as conversas informais das estrelinhas

quando, nas noites frias de inverno,

se reúnem para tricotar suas nuvens de algodão.

Bem se vê que é indevido o vosso comportamento

quando, em contato com meus versos humildes,

vos dizeis maravilhados das palavras desconexas

que, presunçosamente, apelidei de poesia.

E, para melhor vos iludir,

fiz do meu verbo uma argamassa

composta de dores e amores,

de sonhos e prantos e sorrisos e lágrimas.

Porque – é forçoso reconhecer! –

este vosso amigo, longe de ser um poeta pleno,

ainda não conseguiu ir além do coração do homem.

Solange Rech

Do amante

Ai, a carne é fraca, não tem discussão

E eu, que enfraqueci mulher de amigo

Evito o meu quarto, dormir não consigo

Vejo-me à noite: atento a qualquer som!

E isso advém de o seu quarto afinal

Ser contíguo ao meu.

O que me consome

É que eu ouço tudo, quando ele a come

E se não ouço, penso:

é pior o mal!

Se já tarde os três bebemos um copito

E eu noto que o meu amigo não fuma

E, quando a mira, põe olhos em bico

Encho o copo dela a deitar por fora

E obrigo-a a beber, se não colabora,

P’ra ela à noite não dar por nenhuma.

Poema de Bertolt Brecht, gravura de Pablo Picasso

Sun Tzu on the Art of War

I. LAYING PLANS

1. Sun Tzu said: The art of war is of vital importance to the State.

2. It is a matter of life and death, a road either to safety or to ruin.

Hence it is a subject of inquiry which can on no account be neglected.

3. The art of war, then, is governed by five constant factors, to be taken into account in one’s deliberations, when seeking to determine the conditions obtaining in the field.

4. These are:

(1) The Moral Law.

(2) Heaven.

(3) Earth.

(4) The Commander.

(5) Method and discipline.

5,6. The Moral Law causes the people to be in complete accord with their ruler, so that they will follow him regardless of their lives, undismayed by any danger.

7. Heaven signifies night and day, cold and heat, times and seasons.

8. Earth comprises distances, great and small; danger and security; open ground and narrow passes; the chances of life and death.



9. The Commander stands for the virtues of wisdom, sincerely, benevolence, courage and strictness.

10. By method and discipline are to be understood the marshaling of the army in its proper subdivisions, the graduations of rank among the officers, the maintenance of roads by which supplies may reach the army, and the control of military expenditure.

11. These five heads should be familiar to every general: he who knows them will be victorious; he who knows them not will fail.

12. Therefore, in your deliberations, when seeking to determine the military conditions, let them be made the basis of a comparison, in this wise.

13. (1) Which of the two sovereigns is imbued with the Moral law?

(2) Which of the two generals has most ability?

(3) With whom lie the advantages derived from Heaven and Earth?

(4) On which side is discipline most rigorously enforced?

(5) Which army is stronger?

(6) On which side are officers and men more highly trained?

(7) In which army is there the greater constancy both in reward and punishment?

14. By means of these seven considerations I can forecast victory or defeat.

15. The general that hearkens to my counsel and acts upon it, will conquer: let such a one be retained in command! The general that hearkens not to my counsel nor acts upon it,

will suffer defeat: let such a one be dismissed!

16. While heading the profit of my counsel, avail yourself also of any helpful circumstances over and beyond the ordinary rules.

17. According as circumstances are favorable, one should modify one’s plans.



18. All warfare is based on deception.

19. Hence, when able to attack, we must seem unable; when using our forces, we must seem inactive; when we are near, we must make the enemy believe we are far away;when far away, we must make him believe we are near.

20. Hold out baits to entice the enemy. Feign disorder, and crush him.

21. If he is secure at all points, be prepared for him. If he is in superior strength, evade him.

22. If your opponent is of choleric temper, seek to irritate him.

Pretend to be weak, that he may grow arrogant.

23. If he is taking his ease, give him no rest. If his forces are united, separate them.

24. Attack him where he is unprepared, appear where you are not expected.

25. These military devices, leading to victory, must not be divulged beforehand.

26. Now the general who wins a battle makes many calculations in his temple ere the battle is fought. The general who loses a battle makes but few calculations beforehand. Thus do many calculations lead to victory, and few calculations to defeat: how much more no calculation at all! It is by attention to this point that I can foresee who is likely to win or lose.