Tarde demais para amar?


O que leva uma mulher madura a procurar como
companhia alguém consideravelmente mais novo?

A mulher madura – liberta dos cuidados maternais – está mais disponível para exercer a sua sexualidade de forma livre e descomprometida, sem se preocupar com outra coisa que não seja a satisfação pessoal.

O parceiro é uma viagem; O importante não é o destino, mas a forma de lá chegar.

A mulher madura gosta de si própria.
Não quer amar, mas deseja ser amada.
Não beija, quer ser beijada.
A relação amorosa é uma forma de poder, não de entrega.
A sua sensualidade está à flôr da pele, mas de forma insubmissa.


Sharon Stone fotografada em 2004

Bento – XXI

Para que fique registado no Colectivo Leonino, o quixotesco presidente abdicou do comando do Sporting, depois de o seu roncinante treinador o ter feito na véspera.
Porém, fê-lo com a segurança de que não seria sucedido por nenhum pançudo.
Apesar da ventania, o Moinho é defendido por gente sábia, como Soares Franco.

O voto de confiança em Paulo Bento tem bases sólidas.
Foi campeão nacional em Alvalade, onde terminou a carreira.
Escolheu o Sporting para iniciar a carreira de treinador; no primeiro ano, conseguiu o título de Campeão Nacional de Júniores.
A sua ponderação, certamente porá juízo nas cabecinhas de vento do balneário; neste momento, não é preciso muito mais para que a equipa volte a jogar bem, como os sócios gostam.

A melhor recepção que os leões lhe podem dar, será aderir em massa ao Alvalade XXI, independentemente dos dois resultados até lá!

O sismo das igrejas

Convento do Carmo, antes do Terramoto de 1 de Novembro de 1755

Mandado edificar por D. Nuno Álvares Pereira no século XIV, começou por ser um convento carmelita.
Na cerca, foram construidas celas minúsculas, destinadas a acolher os frades que vinham de Moura.
A cela do Santo Condestável ficou conhecida como “Casa do Século”.

Por consequência do Terramoto, vários conventos foram destruídos; O fervor religioso regista também um forte abalo, culminando na expulsão e extinção das Ordens Religiosas, ordenada por Joaquim António de Aguiar, em 1834.

De traço gótico, foi parcialmente destruído pelo Terramoto de 1755; Nunca tendo sido totalmente reconstruído, resta hoje o Claustro – de planta rectangular – e parte das ogivas da coberta.

Último post relacionado: Da memória dos homens

Blogue do dia

Vou agora. Que se faz tarde para a justiça.
Vou sem ilusão alguma. Sem medo algum. Honra e cidadania.
Vou pelas crianças vítimas do horror, pela dignidade do Estado, pela democracia, pela liberdade, por Portugal.

Não faço juízos de valor sobre as razões que levaram o Do Portugal Profundo a publicar documentos relacionados com a investigação do Processo Casa Pia; somos responsáveis pelos nossos actos. Mesmo nos blogs, convém ter presente.
Precisamente porque a liberdade que se respira na blogosfera deve ser responsável, devemos ser ponderados, mesmo quando entendemos que um determinado post reflete
não mais do que uma opinião meramente pessoal.
Será um lugar comum, mas a liberdade individual e a cidadania – que muito prezo – devem ser exercidas no estrito conhecimento das regras do jogo.
Parece simples, mas por vezes torna-se complicado.

Castidade

Tarde de chuva / É a península inteira a chorar / Entro numa igreja fria como um círio cintilante /
Sentada, imóvel / Fumando em frente ao altar / Silhueta, o esboço, a esfinge de um anjo fumegante /
Há em mim um profano desejo a crescer / Sinto a língua morta, o latim vai mudar /
Os santos no altar devem tentar compreender / O que ela faz aqui fumando… / Estará a meditar? /
Atirem-me água benta / Por ela assalto a caixa de esmolas / Com ela eu desço ao inferno de Dante / Atirem-me água benta / Por parecer latina, calculo que o nome dela é Maria / É casta, eu sei /
Se é virgem ou não, depende da vossa fantasia.
Rui Reininho, 1988

As dores do Leão


No dia do funeral de Carlos Gomes – obviamente que não tive o privilégio de conhecer uma das grandes glórias do Sporting – o presidente Dias da Cunha falou sobre os superiores interesses do Clube, para justificar a saída do treinador.
Não percebi o alcance das declarações.

O que transparece, pela ausência de ideias claras, é que não existe uma estratégia de curto-prazo para o futebol profissional. Aliás, desde o início da época que se nota, desde os resultados às exibições.
Por isso os sócios mostraram a indignação, mesmo ganhando ao Setúbal. Só não vê quem não quer!
Que diferença!, para o melhor futebol de Portugal, de há meia dúzia de meses..

As declarações de Paulo Andrade, não querendo fazer sangue dentro do Sporting, ficam-lhe bem, e mostram que é um grande sportinguista. Mas não é mais sportinguista que eu!
Se havia cabeças para rolar – como acontece em qualquer empresa – não era certamente por factores externos; a ser assim, caíam ministros todos os dias!

Uma coisa é verdade: a comunicação social tem muitas vezes responsabilidades nas danças de treinadores – e terá tido alguma no alimentar da instabilidade em torno da equipa do Sporting!
(para ilustrar este facto – que não é de forma nenhuma uma teoria da conspiração – veja-se o que estão a fazer com o treinador do F.C.Porto – quando as televisões passam até à exaustão as declarações em que ele diz que, se os sócios mostrarem os lenços, vai embora.)

Peseiro teve responsabilidades no desfecho da final da Uefa? Teve.
Mas não é o único responsável pelas exibições vergonhosas que a equipa tem feito.
Onde começou a instabilidade? Com a saída de Barbosa? Porque é que até jogadores como Douala e o puto Moutinho andam apáticos? Queriam que a imprensa olhasse para o ar com o episódio entre o Beto e o Custódio?

Depois de 2 semanas com o campeonato parado, a equipa blindada à imprensa, foi notório no jogo com a Académica que Peseiro não conseguiu resolver os problemas que havia dentro do balneário; na conferência de imprensa, ninguém – presidente, director e treinador – se atreveram sequer a aflorar o assunto, que – sendo interno – tem de ser explicado aos sócios.

Nenhum sportinguista aceita que uma equipa com o nível do Sporting jogue em casa a passar bolas ao guarda-redes!
E depois queixam-se da má imprensa.

Como eu não possuo, ou a incapacidade de ser..

desenho de Pablo Picasso, 1954
Como eu não possuo

Olho em volta de mim. Todos possuem —
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse — ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?…

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!…

Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim — ó ânsia! — eu a teria…

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá Carneiro

Safe Sax


Para quem gosta de good sax, Joe Lovano dispensa apresentações.

Joyous Encounter (Blue Note Records, 2005), merece uma referência especial, pois é um disco cheio de style.

Depois de ouvir os samples deste competentíssimo quarteto composto por

Joe Lovano – sax tenor, Hank Jones – piano (uma lenda viva!), George Mraz baixo e Paul Motian – bateria

recomendo – para ser perfeito – a audição de I´m All For You – Ballad Songbook (Blue Note, 2004).

O deus cortesão, de Velázquez

A influência de Caravaggio e Rubens na obra de Diego Velázquez (1599-1660), pela utilização do chiaroscuro e das côres primárias, está mais uma vez presente neste Baco-Os Bêbados (1628-29) – um dos expoentes da caricatura social no Barroco.

Descendente de nobres portugueses, Velázquez grangeou fama na Corte Espanhola através dos bodegones – cenas de interior com elementos de naturezas-mortas.
O seu estilo muito próprio e inimitável, de natureza contemplativa e profundamente humanista, não fêz, porém, escola.

Baco (Os bêbados)

Esta obra assume um especial significado na pintura espanhola, pois a embriaguês era considerada um vício desprezível, sendo borracho o maior dos insultos.
Convidar e embebedar pessoas de classe baixa dos teatros de comédia para divertimento das senhoras, era pois uma forma de entretenimento na Corte Real.
Foi neste enquadramento que Velázquez pintou Baco para Filipe IV, que o colocou no seu quarto de verão.

Este divertido Deus do Vinho, rodeado por oito bêbados com quem convive, confere-lhes uma sensação de majestade, ao coroá-los com uma hera; por isso riem para quem se ri deles: o rei.

A caricatura da censura dos nobres face aos prazer dos camponeses pelo vinho, é simultaneamente máscara e disfarce – através da visão de um deus cortesão que se diverte, de igual modo.

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Onde é que se apanha o metro para o colégio militar? – É na linha azul..

Adeptos de uma agremiação desportiva da quinta da luz abandonam o campo de futebol do adversário, após uma sofrível exibição das duas equipas, em que os forasteiros venceram – com duas amáveis fífias da defesa da casa – por duas bolas a zero!