L` aventure au mont de Vénus

La femme est le contraire du Dandy.
Donc elle doit faire horreur.
La femme a faim, et elle veut manger ; soif, et elle veut boire.
Elle est en rut, et elle veut être f…
Le beau mérite !
La femme est naturelle, c’est-à-dire abominable.
Aussi est-elle toujours vulgaire, c’est-à-dire le contraire du Dandy.
Relativement à la Légion d’Honneur. – Celui qui demande la croix a l’air de dire : Si l’on ne me décore pas pour avoir fait mon devoir, je ne recommencerai plus.
Si un homme a du mérite, à quoi bon le décorer ? S’il n’en a pas, on peut le décorer, parce que cela lui donnera un lustre.
Consentir à être décoré, c’est reconnaître à l’État ou au prince le droit de vous juger, de vous illustrer, et caetera.
D’ailleurs, si ce n’est l’orgueil, l’humilité chrétienne défend la croix.
Calcul en faveur de Dieu. – Rien n’existe sans but.
Donc mon existence a un but.
Quel but ? Je l’ignore.
Ce n’est donc pas moi qui l’ai marqué. C’est donc quelqu’un plus savant que moi.
Il faut donc prier ce quelqu’un de m’éclairer. C’est le parti le plus sage.
Le Dandy doit aspirer à être sublime, sans interruption. Il doit vivre et dormir devant un miroir.

Gustave Courbet – L’Origine du monde, 1866
Baudelaire: Mon coeur mis à nu: journal intime, 1887.

Leituras de Thierry Savatier sobre o tema:
L’Origine du Monde, histoire d’un tableau de Gustave Courbet, Éd. Bartillat
Une femme trop gaie – Biographie d’un amour de Baudelaire, CNRS Editions

a tradição já não é o que era

A expressão máxima de uma visão vanguardista da sensualidade, aqui.

Nunca é demais recordar

Incêndios Florestais
Prevenção

Incêndios Florestais
Autoprotecção

Palacete Ribeiro da Cunha (2)

Destaques do Parecer que o Fórum Cidadania Lx, Quercus e Lisboa Verde enviarão à CML sobre o Plano de Pormenor do Palacete Ribeiro da Cunha, quando abrir a consulta pública.

Considerações iniciais
O Plano de Pormenor em apreço refere à Conservação, Reconstrução e Reabilitação do Palacete Ribeiro da Cunha. O propósito deste plano é exclusivamente o proporcionar viabilidade económica a um investimento privado.

Das questões de urbanismo
Pedido de Informação Prévia em 2001 recebeu parecer negativo dos serviços:
– O Palacete e parte do logradouro inserem-se nas Áreas Históricas Habitacionais (…)
– O restante Logradouro está inserido nas Áreas verdes de Recreio, pelo que apenas poderiam ser construídos equipamentos de apoio ao recreio e lazer, mantendo-se as características dominantes do Espaço Verde (…) sendo ainda parte itegrante da Zona de Protecção do Jardim Botânico.
E no entanto, é precisamente no Logradouro e nos índices de ocupação deste que incide este Plano de Pormenor.
A situação presente representa uma relação Edificado-Logradouro 28%-72%, sendo que o proposto no Plano em apreço altera a relação para 53% de área edificada contra apenas 47% de Jardim.
Significando uma diminuição de 3 330m2 para 2 190m2 do jardim em relação a um aumento da área de construção de 1 290, para 2 430m2, ou seja quase o dobro.

Das questões ambientais
(…) o jardim integrante desta parcela era caracterizado pela abundância e a diversidade de espécies arbóreas que contribuem para uma melhor relação e interligação com o Jardim Botânico (…)

Das questões culturais
O Palacete Ribeiro da Cunha é um dos raros edifícios neo-mouriscos do séc. XIX existentes em Portugal (os outros dois são a Quinta do Relógio e Monserrate, ambos em Sintra) combinando na perfeição o binómio casa-paisagem, e que, portanto, este projecto quebraria a autenticidade e a genuinidade do conjunto.
(…) a única alternativa prevista que poderia cobrir a alteração proposta pelo projecto seria considerar que o edifício existente não representa um elemento com interesse urbanístico, arquitectónico ou cultural, tanto individualmente como para com o conjunto em que se integra (…)
(…) o Jardim Botânico é um Monumento Nacional, portanto dotado de uma envolvente de protecção de 50m, a contar dos seus muros, é evidente que o Logradouro do Palacete Ribeiro da Cunha se encontra neste espaço de protecção, nomeadamente o local onde se desenvolve a nova construção, contigua ao muro do Jardim.

Conclusões
Qualquer que seja a perspectiva de requalificação para um chamado Hotel de Charme, esta teria sempre de respeitar a envolvente arquitectónica, paisagística, histórica e vivencial da área em que se integra. (…)
O facto de reconhecidamente ter que se proceder a uma alteração desse plano, significa precisamente que o projecto não se integra, nem respeita nenhuma dessas condicionantes.
O estudo económico de viabilidade, apontado como vértice da necessidade de alterar o PDM, não é um estudo produzido pelos serviços da Câmara Municipal de Lisboa. É sim um estudo do Promotor.

O documento original encontra-se aqui.

Sobre este assunto, recordo a carta enviada à autarquia.

Arte Pública – CowParade, Largo do Rato

Já abriram as inscrições para o Leilão da CowParade-Lisboa, que se realiza a 30 de Setembro. A base de licitação é 1500 euros.

Segundo li, a obra sobre a qual há mais pedidos de informação é a vaca do Benfica; do modo como a equipa tem jogado, bem pode a direcção licitar de modo a colocar a vaca leiteira à porta do estádio.

Vacas mais caras:
Waga-Moo-Moo (Dublin, 2003) – 125.000 euros
HANDsome (Chicago, 1999) – 86.000 euros
Miss Football (Paris, 2006) – 71.000 euros

clique nas imagens para ampliar


Publicado originalmente no Sétima Colina

Arte Pública – CowParade, Largo do Rato

Já abriram as inscrições para o Leilão da CowParade-Lisboa, que se realiza a 30 de Setembro. A base de licitação é 1500 euros.

Segundo li, a obra sobre a qual há mais pedidos de informação é a vaca do Benfica; do modo como a equipa tem jogado, bem pode a direcção licitar de modo a colocar a vaca leiteira à porta do estádio.

Vacas mais caras:
Waga-Moo-Moo (Dublin, 2003) – 125.000 euros
HANDsome (Chicago, 1999) – 86.000 euros
Miss Football (Paris, 2006) – 71.000 euros

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Corpo Presente

A pedra é uma fronte onde gemem os sonhos
sem água turva ter, nem ciprestes gelados.
A pedra é um dorso para levar ao tempo
com árvores de lágrimas de fitas e planetas.

Já vi chuvas cinzentas a correr para as ondas
erguendo seus tenros braços lacerados,
para não serem caçadas pela pedra estendida
que desata seus membros sem absorver o sangue.

Porque a pedra colhe nuvens e sementes,
esqueletos de calhandras e lobos de penumbra;
porém, não dá rumores, nem fogo, nem cristais,
mas só praças e praças e outra praça sem muros.

Já está sobre a pedra Ignacio o bem-nascido.
Já se acabou. Que se passa! Contemplai sua figura!
A morte cobriu-o de pálidos enxofres
e pôs-lhe uma cabeça de escuro minotauro.

Já se acabou. A chuva penetra em sua boca.
Como louco, o ar deixa seu peito submerso,
e o Amor, empapado com lágrimas de neve,
aquece-se no cume das ganadarias.

Que dizem? Um silêncio com fedores repousa.
Estamos com um corpo presente que se esfuma,
com uma forma clara que teve rouxinóis
e vemos que se enche de buracos sem fundo.

Quem enruga o sudário? O que ele diz é falso!
Não canta aqui ninguém, nem chora em seu recanto,
nem crava as esporas, nem assusta a serpente:
aqui não quero mais do que os olhos redondo
para ver esse corpo sem possível descanso.

Eu quero ver aqui os homens de voz dura
os que domam cavalos e dominam os rios:
os homens cujo esqueleto lhes soa e cantam
com uma boca cheia de sol e pederneiras.

Quero vê-los aqui. Diante da pedra.
Diante deste corpo com as rédeas quebradas.
Eu quero que me mostrem onde está a saída
para este capitão atado pela morte.

Eu quero que me mostrem um pranto como um rio
que tenha doces névoas e margens bem profundas,
para levar o corpo de Ignacio e que se perca
sem escutar o resfolgo duplo dos touros.

Que ele se perca na praça redonda da lua
que em menina finge um dorida rês imóvel;
que se perca na noite sem um canto dos peixes
e na moita branca do fumo congelado.

Não quero que tapem sua cara com lenços
para que se acostume com a morte que leva.
Vai, Ignacio: Não sintas o ardente bramido.
Dorme, voa, repousa: Mesmo até o mar morre!

poema de Federico García Lorca, in Llanto por Ignacio Sánchez Mejías
gravura de Francisco Goya

a diva e o pianista (post editado)

Em memória de Elisabeth Schwarzkopf, ouvir o lirismo e a vivacidade dramática da diva sobre o piano do grande Edwin Fischer.

Na habitual coluna no Público (link não disponível), Augusto M. Seabra afirma:
“Nela imperava a pose, a ponto de a sofisticação a fazer mesmo perder-se. O seu Schubert, por exemplo, é controverso, e os famosos 12 “lieder” gravados em 1952 com Edwin Fischer são-o particularmente – e sou um dos que acham essa gravação insuportável, por causa dela. Mas era a classe, a classe que em todos os sentidos a definia.”
Pois. Critique-se a sugestão dos 24 “lieder” de 1954, ou os “12” de 52, A Voz é a mesma. Por isso mantenho a homenagem. Obviamente.

Sob o signo de John Coltrane *


Em ano de homenagem a Mestre Coltrane, o destaque óbvio do Jazz em Agosto-2006 vai para o sexteto do virtuoso saxofonista Anthony Braxton, que actuará na última noite, dia 12.

Em minha opinião, o Festival tem vindo a perder algum fulgor, depois de nas décadas de 80 e 90 ter trazido pesos pesados como Jan Garbarek Quartet, 1987 / Ornette Coleman e “Prime Time Band”, 1988 / Branford Marsalis Quartet, 1990 / Don Byron Quartet, 1991 / Steve Coleman & Five Elements, 1992 / Dave Holland, 1992,1997 e 1999 com John Scofield e Joe Lovano / Max Roach Quartet, 1995 / Terence Blanchard Group, 1996 / Bobby Hutcherson Quartet e Branford Marsalis, ambos em 1998.

A quem gosta de jazz, recomendo a apreciação que o meu homónimo António Branco faz no excelente Improvisos Ao Sul.

* post editado em 20060817, para sublinhar o artigo A permanente actualidade da obra de Anthony Braxton de Manuel Jorge Veloso, no DN

Alla Turca (Allegretto)

Wolfgang Amadeus Mozart – The Piano Sonatas
Maria João Pires, piano
Deutsche Grammophon

Maria João Pires terá as suas idiossincrasias e tal como eu, por vezes, não gosta do país que vê.
Por isso os seus estados de alma têm impacto em aguns espíritos inquietos, que episodicamente saem em defesa da cultura do subsídio, para o que utilizam apenas uma mão estendida.
Não porque entenda que haja alguém acima da crítica, mas porque o virtuosismo e a delicadeza de MJP a colocam no restrito número dos pianistas realmente excepcionais, permito-me sugerir que ouçam a Sonata para Piano No.11 -“Alla Turca” tocado a duas mãos. Sem qualquer reverência.