Arquivo de 24 de Julho, 2007

Luz Boa – Green Line

Aqui se instalou o único teatro de ópera em Portugal, feira de vaidades da alta e média burguesia novecentista.

Lune, de Bruno Peinado, ‘cai’ neste espaço ortogonal, limpo, quase asséptico, de evidente importância para a imagem política cultural, pela forma como discretamente se localiza no centro institucional de Lisboa.

A presença improvável de um astro poisado, nota surreal que é visão da própria rebeldia da Arte, que vence uma distância impossível num gesto simples: um balão insuflado, iluminado do interior, repousa provocadoramente nas imediações da “Grande Ópera”.

Ao fundo, os Armazéns do Chiado, que marcaram o espírito do comércio da Baixa durante todo o séc. XX. Se os Armazéns desapareceram na sequência de um incêndio de origem duvidosa, e ressurgiram como extraordinária operação de renovação urbana diariamente visitada por dezenas de milhares de pessoas, Luzboa reforça a imagem daquela fachada histórica, ponto de fuga da Rua Garrett…

excertos do texto publicado aqui.

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Luz Boa – Green Line

Aqui se instalou o único teatro de ópera em Portugal, feira de vaidades da alta e média burguesia novecentista.

Lune, de Bruno Peinado, ‘cai’ neste espaço ortogonal, limpo, quase asséptico, de evidente importância para a imagem política cultural, pela forma como discretamente se localiza no centro institucional de Lisboa.

A presença improvável de um astro poisado, nota surreal que é visão da própria rebeldia da Arte, que vence uma distância impossível num gesto simples: um balão insuflado, iluminado do interior, repousa provocadoramente nas imediações da “Grande Ópera”.

Ao fundo, os Armazéns do Chiado, que marcaram o espírito do comércio da Baixa durante todo o séc. XX. Se os Armazéns desapareceram na sequência de um incêndio de origem duvidosa, e ressurgiram como extraordinária operação de renovação urbana diariamente visitada por dezenas de milhares de pessoas, Luzboa reforça a imagem daquela fachada histórica, ponto de fuga da Rua Garrett…

excertos do texto publicado aqui.

desperdício de almas

O Príncipe de Montparnasse morreu novo, cedo para ser reconhecido como um dos grandes talentos da pintura no início do século XX. Apesar da vida de boémio (como se fosse possível viver de outra forma, no antro de deboche que era Montparnasse naquele tempo!) deve ter encontrado na pintura a felicidade que a vida lhe recusou. Acontece a muito boa gente.

Amadeo Modigliani (1884-1920) inspirou-se nos Mestres Botticelli, Correggio e Giorgione para criar o seu próprio estilo, “a muda aceitação da vida” – os rostos ovais, os pescoços alongados – quase caricaturais-, impregnados de uma sensualidade raramente obtida pela nudez.

Quando em 1906 se mudou para Paris, integrou-se no movimento avant-garde, onde se cruzavam artistas como Picasso, Brancusi, Mondrian e Braque.

Muitas das mulheres retratadas por Modi eram suas amantes, ou paixões, como a poetisa russa Anna Akhmatova, a escritora britânica Beatrice Hastings, por quem Modigliani teve uma atracção platónica e a estudante de arte Jeanne Hébuterne (retratada nestas duas imagens), que se suicidou no dia seguinte à morte de Modigliani.

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