Ele só queria salvar a Pátria!

No dia das eleições, num gesto de grande patriotismo, o Dr Mário Soares apelou ao voto dos portugueses, e assumiu que estava convencido que o povo daria uma vitória expressiva ao PS.

Com isto arrisca uma multa, entre 50 cêntimos e cinco euros (!), que, com o maior sorriso do mundo- diz que pagará com gosto!

Ao pretender transmitir a ideia que está senil, o Dr Mário Soares sabe que a impunidade de que goza neste país, lhe permite estas leviandades.

Se o ridículo matasse..

A sociedade por quotas declarou falência!

Vem aí a ROSA CHOQUE, S.A.!

Resultados finais

As projecções da RTP-Universidade Católica só acertaram no resultado da CDU!
Que flop!

Sondagem RTP

BE.. 10 A 14 deputados?!
Se a sondagem da RTP se confirmar, começo a ficar preocupado com o futuro..

Sondagem SIC

Estamos todos mais aliviados…
Eu já fui fazer um chichizinho!

Postais de Lisboa

Voltamos ao Chiado, local de paragem obrigatória para tomar uma bica, seja na mítica Brasileira, ou na Bénard com muito mais cachet e melhor serviço, diga-se de passagem!
Uma das recordações desta zona do coração e alma da cidade, são os bons aromas; daí valer a pena falar de um pequeno estabelecimento, que é a Casa de Cafés A Carioca.



Situada entre o Chiado e o Bairro Alto – já na Rua da Misericórdia, frente à igreja dos Italianos, desde há quase 70 anos que tem sabido escolher as melhores origens do chá e do café, refinando a arte de torrar o grão e de misturar os lotes.
Quem passa à porta, dificilmente resiste à tentação de entrar, atraído pelo forte aroma do café, que apela aos sentidos.. não é, filhinha?

Na altura em que foi fundada, em 1936, estava vocacionada a servir chás, cafés e mercearias finas, para alimentar os bons vícios de uma elite aristocrática e burguesa, entretida a acompanhar à distância a guerra civil espanhola.
Era a época da Lisboa romântica e elegante, esta em que A Carioca rivalizava com A Brasileira, onde afluiam políticos, artistas, intelectuais..
Os teatros de S. Carlos, da Trindade e o Grémio Literário alimentavam então as tertúlias, sempre com as livrarias por perto; entre um café ou chá se alimentava o espírito com que se ia comentando a situação política ou as aventuras dos fidalgos.



Hoje de manhã, a caminho da Fnac do Chiado, não resisti a entrar e pedi ao sr Gonçalves que me deixasse tirar uma foto à atracção principal da loja – o velho moinho de café, da marca Hobart, em vermelho garrido, com chaminé de alumínio, junto ao qual os lotes de café são guardados em sacos de sarapilheira.
O processo de moagem faz-se através de dois grandes discos de pedra no seu interior”, explicou-me.
O balcão de madeira, perpendicular à porta de entrada, tem atrás de si um armário com dez caixas em madeira para chá, ornamentadas com figuras chinesas em alto relevo.
Por cima, está uma balança típica, os boiões de rebuçados.. e as minha gomas preferidas!

Na montra, bules e chaleiras alternam com cafeteiras de loiça inglesa, máquinas de balão, etc.
A Carioca comercializa os melhores Robustas de Angola, em especial o Amboím, todos os Robustas da Costa do Marfim e do Uganda; As famosas arábicas de Timor, os melhores lotes da América do Sul – Brasil, Colômbia e Costa Rica.
Todos os produtos são embalados em papel com a marca da casa, registada em 1945.

Morra o Dantas, morra! Pim!

Se os indecisos se abstiverem só mais um bocadinho, conseguem esta coisa extraordinária: ultrapassar a Coligação PPD-PSD/CDS-PP, e assim a Abstenção passa a ser a segunda força viva do nosso país!
Eh pá, vá lá! Indecidam-se!

Após o país entrar em choque, Sua Seneridade oferecerá aos livres abstencionistas um cocktail Absolut Shock-Tech, com sumo de laranjas – dissolvidas pelo próprio, nos jardins do Palácio de Belém!
A bem do regime..

Seguir-se-á um After-Hours, onde a Irmandade dos Vermelhitas – ao som de Vangelis, assistirá ao gesto simbólico de ver frei Paulo e frei Santana depositar o acordo pré-nupcial na Torre do Tombo!

E depois, quando acordarmos, avistaremos o Novo Mundo!
Ao longe!
Pim-pam-pum!

pp: os quadros foram retirados daqui!

Lisboa e o Tejo.. e tudo!


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Nada me prende a nada.
Quero cincoenta coisas ao mesmo tempo.
Anceio com uma angustia de fome de carne
O que não sei que seja –
Definidamente pelo indefinido…
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstratas e necessarias.
Correram cortinas por dentro de todas as hypotheses que eu poderia ver da rua.
Não ha na travessa achada o numero de porta que me deram.

Accordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exercitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta – até essa vida…

Comprehendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tedio que é até do tedio arroja-me á praia.

Não sei que destino ou futuro compete á minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do Sul impossivel aguardam-me naufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra cousa, nem cousa nenhuma…
E, no fundo do meu espirito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos ultimos da alma, onde memóro sem causa
(E o passado é uma nevoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longinquas
Onde supuz o meu ser,
Fogem desmantelados, ultimos restos
Da ilusão final,
Os meus exercitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cohortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infancia pavorosamente perdida…
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui…
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fóra de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –,
Transeunte inutil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruido dos ratos e das tabuas que rangem
No castello maldito de ter que viver…

Outra vez te revejo.
Sombra que passa atravez de sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir…

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho magico em que me revia identico,
E em cada fragmento fatidico vejo só um bocado de mim –
Um bocado de ti e de mim!…

Álvaro de Campos
Lisbon Revisited (1926)

Não se seguiu o texto publicado em Contemporânea, em Junho de 1926, por excessivamente defeituoso, mas o testemunho dactilografado que lhe parece ter servido de base.

Teresa Rita Lopes, Álvaro de Campos – Livro de Versos (Edição Crítica). Lisboa, Editorial Estampa – 3ª edição, 1997.

Que dilema!


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Qual é o discurso politicamente correcto?

A Fundação Calouste Gulbenkian promoveu, em Outubro de 2003, uma conferência sobre as Relações entre a Europa e os EUA.

A intervenção, politicamente… de Durão Barroso, então Primeiro-Ministro, pode ser lida aqui!

Aqui fica um excerto da palestra politicamente… de Alain Minc, numa análise prospectiva das relações entre os dois lados do Atlântico.. e não só!

Sob um certo ponto de vista, os Estados Unidos são, actualmente, uma espécie de síntese do novo mundo. Se me é permitido, utilizarei as seguintes palavras: Ontem, os Estados Unidos eram um país ocidental, mas hoje são um «país universal», uma espécie de súmula do mundo inteiro e não unicamente a expressão do antigo mundo ocidental.
[…]
A que se assemelham os Estados Unidos quando os indianos se tornarem tão poderosos como os judeus, os chineses ficarem tão influentes como os WASP – white anglo-saxon people, e os hispânicos detiverem tanta influência política como os irlandeses católicos?
Claramente, as elites dos Estados Unidos mudarão.
Basta observar quem se encontra, actualmente, nas universidades americanas e saberemos, com exactidão, quem comandará o país daqui a cinco, dez ou vinte anos.
Será possível imaginar os Estados Unidos com os indianos, os chineses e os hispânicos nas posições de liderança? Será este o mesmo país e terá os mesmos laços com a Europa? Funcionará o multiculturalismo como actualmente funciona?
[…]
Esses não são os Estados Unidos com os quais a Europa se sente tão directamente ligada.
Quais serão, então, os seus valores?
Partilharemos a democracia e o mercado. Felizmente, esses valores são cada vez menos ocidentais e mais universais.
Todavia, à excepção desses, teremos a longo prazo uma visão comum sobre Deus? Sobre o lugar da religião nas nossas sociedades, sobre os direitos humanos ( incluindo o aborto e a pena de morte), sobre o habeas corpus, sobre a liberdade ou mesmo sobre o equilíbrio de poder?
A Europa é e será, se este termo pode ser utilizado, o reservatório dos velhos valores ocidentais; os Estados Unidos serão o laboratório dos novos valores universais.
É também evidente que as diferenças estão associadas às nossas opiniões públicas. Na Europa, infelizmente, o pacifismo significa antiamericanismo e anticapitalismo.
[…]
Até agora existia uma velha base de hábitos, história e valores comuns nas relações transatlânticas. Manter-se-á a longo prazo?
Penso ser óbvio que o multiculturalismo vai funcionar e que as minorias americanas serão profundamente americanizadas, mas essa multiculturalização alterar-se-á com os novos costumes, e alterar-se-á tanto mais quanto as minorias mudarem.
[…]
Enquanto «país universal», os Estados Unidos terão preocupações universais e parece óbvio que, a longo prazo, a China será o seu principal adversário, o seu principal complexo industrial, o seu primeiro credor, e, evidentemente, o seu principal concorrente estratégico.
[…]
Claramente, haverá uma América com fortes elites chinesas, sino-americanas, que terão de negociar com a China.
Depois existitrá, é claro, a Índia. O futuro complexo mundial de serviços: porque é que a indústria vai para a China e os serviços para a Índia? Devido à língua inglesa. Quando se trabalha na indústria dos serviços é necessário falar inglês; ao invés, quando se trabalha numa fábrica, é preciso falar a língua local.
[…]
A Rússia continuará no jogo, menos como potência nuclear e mais como potência petrolífera.
Obviamente, as áreas eruptivas ( Médio Oriente, Ásia Central), com ligações ao terrorismo, preocuparão os Estados Unidos. E, no que respeita à ameaça terrrorista, esta afecta todos os países e não só os países ricos. A mesma ameaça não cria um interesse comum unicamente entre os Estados Unidos e a Europa, mas entre os Estados Unidos e o resto do mundo.
[…]

Quais serão as nossas preocupações em comparação com as dos Estados Unidos?
Na realidade, enquanto europeus, teremos três preocupações: A primeira será a imigração, a tornar-se uma obsessão crescente para países como a Itália, Espanha e Portugal. Países de emigração até agora, terão de aprender a ser países de imigração, como o foi sempre a França. A segunda, está associada à primeira e relaciona-se com a demografia e a questão das pensões, que se tornará para nós uma questão central. A terceira liga-se à imprecisão das nossas fronteiras. Desconhecemos onde se encontram as mesmas a leste e a sul.
Parece, portanto, claro, que não nos consideramos como uma potência mundial!
[…]
Já não teremos inimigos comuns. O terrorismo não é um inimigo comum: é um bode expiatório comum, insuficiente para fortalecer uma aliança de longa duração.
Creio, por isso, que vivemos, ou viveremos, realmente, em dois mundos diferentes.
[…]

in Conflito e Cooperação nas Relações Internacionais
Relações Transatlânticas Europa-EUA