Efeméride

A fórmula que resume o mundo tal como o conhecemos, faz hoje 100 anos.

Tá maluco..

Terá sido esta a afirmação do levezinho, ao ser substituido a dez minutos do fim do jogo, contra um Setúbal que se bateu bem, apesar de ter feito um remate durante noventa minutos.
E tem razão!

A insatisfação do jogador é simples reflexo do desagrado dos sócios com as substituições, excepto a do Tello, obrigatória:
– Quando o Liedson joga debilitado (engripado), falha um penalti, anda anémico o tempo todo, só é substituido a dez minutos do fim, reclama quando sai, é problema dele?!
– A tremideira causada por substituições que não funcionaram e que o treinador não conseguiu resolver, tinha de dar assobio!

Os sócios do Sporting são emotivos? Pois são!
Sabe porquê, treinador? Porque exigem vitórias categóricas no Alvalade XXI! Racionalize!

Não tolera indisciplina no Sporting, Paulo Andrade?
O Liedson serve de bode expiatório, porque não pode enfrentar a emotividade dos sócios?
É bom que não haja instabilidade. Mas há limites para a paciência!

O CASO MENTAL PORTUGUÊS

A exposição Espelho Meu, Mirror Mirror – Portugal visto por fotógrafos da Magnum, que esteve no CCB entre Julho e Agosto, reflectiu um olhar sobre o Portugal dos últimos 50 anos – desde os trabalhos de Henri Cartier-Bresson e Inge Morath, da década de 1950, passando pela Revolução de Abril até ao início deste século – , em que alguns fotógrafos que trabalham para a Magnum voltaram a Portugal para um retrato contemporâneo; enfim, para revelar os contrastes conhecidos: um país moderno através das obras do Regime, por um lado; o mesmo país atrasado dos anos 50/60, nos rostos e nos costumes, por outro.

De referir, a propósito de fotografia, o acontecimento que será a World Press Photo – de 30 de Setembro a 23 de Outubro, no CCB.

A transcrição deste artigo* de Pessoa ocorre-me, por recordar a sensação que experimentei então.
E porque me parece oportuna, a associação.

Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir os estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria “provincianismo”.
Como todas as definições simples esta, que é muito simples, precisa, depois de feita, de uma explicação completa.

Darei essa explicação em dois tempos: direi, primeiro, a que se aplica, isto é, o que deveras se entende por mentalidade de qualquer país, e portanto de Portugal; direi, depois, em que modo se aplica a essa mentalidade.

Por mentalidade de qualquer país entende-se, sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental – a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto neste caso por engano, burguesia; e a camada alta, que vulgarmente se designa por escol, ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.

O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O Povo, saiba ou não saiba ler, é incapaz de criticar o que lê ou lhe dizem. As suas ideias não são actos críticos, mas actos de fé ou de descrença, o que não implica, aliás, que sejam sempre erradas.
Por natureza, forma um bloco, onde não há mentalmente indivíduos; e o pensamento é individual.

O que caracteriza a segunda camada que não é a burguesia, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém, com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher – por ideias e não por instinto – entre duas ideias ou doutrinas que lhe apresentem; não sabe, porém, contrapor ambas a uma terceira, que seja própria. Quando, aqui e ali, neste ou naquele, fica uma opinião média entre duas doutrinas, isso não representa um cuidado crítico, mas uma hesitação mental.

O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias. Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais. O indivíduo do escol pode, por exemplo, aceitar inteiramente uma doutrina alheia; aceita-a, porém, criticamente, e, quando a defende, defende-a com argumentos seus – os que o levam a aceitá-la – e não, como fará o mental da classe média, com os argumentos originais dos criadores ou expositores dessas doutrinas.

Esta divisão em camadas mentais, embora coincida em parte com a divisão em camadas sociais – económicas ou outras -, não se ajusta exactamente a essa. Muita gente das aristocracias de história e de dinheiro, pertence ao povo. Bastantes operários, sobretudo das cidades, pertencem à classe média mental. Um homem de génio ou de talento, ainda que nascido de camponeses, pertence de nascença ao escol.

Quando, portanto, digo que a palavra “provincianismo” define, sem outra que a condicione, o estado mental presente do povo português, digo que essa palavra “provincianismo”, que mais adiante definirei, define a mentalidade do povo português em todas as três camadas que a compõem. Como, porém, a primeira e a segunda camadas mentais não podem por natureza ser superiores ao escol, basta que eu prove o provincianismo do nosso escol presente, para que fique provado o provincianismo mental da generalidade da nação.

Os homens, desde que entre eles se levantou a ilusão ou realidade chamada civilização, passaram a viver em relação a ela, de uma de três maneiras, que definirei por símbolos, dizendo que vivem ou como os campónios, ou como os provincianos, ou como os citadinos.
Não se esqueça que trato de estados mentais e não geográficos, e que portanto o campónio ou o provinciano pode ter vivido sempre em cidade, e o citadino sempre no que lhe é natural desterro.

Ora a civilização consiste simplesmente na substituição do artificial ao natural no uso e correnteza da vida. Tudo quanto constitui a civilização, por mais natural que nos hoje pareça, são artifícios: o transporte sobre rodas, o discurso disposto em verso escrito, renegam a naturalidade original dos pés e da prosa falada.

A artificialidade, porém, é de dois tipos. Há aquela, acumulada através das eras, e que, tendo-a já encontrado quando nascemos, achamos natural; e há aquela que todos os dias se vai acrescentando à primeira. A esta segunda é uso chamar “progresso” e dizer que é “moderno” o que vem dela.

Ora o campónio, o provinciano e o citadino diferenciam-se entre si pelas suas diferentes reacções a esta segunda artificialidade.
O que chamei campónio sente violentamente a artificialidade do progresso; por isso se sente mal nele e com ele, e intimamente o detesta. Até das conveniências e das comodidades do progresso se serve constrangido, a ponto de, por vezes, e em desproveito próprio, se esquivar a servir-se delas. É o homem dos “bons tempos”, entendendo-se por isso os da sua mocidade, sejá é idoso, ou os da mocidade dos bisavós, se é simplesmente párvuo.

No pólo oposto, o citadino não sente a artificialidade do progresso. Para ele é como se fosse natural. Serve-se do que é dele, portanto, sem constrangimento nem apreço. Por isso o não ama nem desama: é-lhe indiferente. Viveu sempre (física ou mentalmente) em grandes cidades; viu nascer, mudar e passar (real ou idealmente) as modas e a novidade das invenções; são pois para ele aspectos correntes, e por isso incolores, de uma coisa continuamente já sabida, como as pessoas com quem convivemos, ainda que de dia para dia sejam realmente diversas, são todavia para nós idealmente sempre as mesmas.

Situado mentalmente entre os dois, o provinciano sente, sim, a artificialidade do progresso, mas por isso mesmo o ama. Para o seu espírito desperto, mas incompletamente desperto, o artificial novo, que é progresso, é atraente como novidade, mas ainda sentido como artificial. E, porque é sentido simultaneamente como artificial é sentido como atraente, e é por artificial que é amado.
O amor às grandes cidades, às novas modas, às “últimas novidades”, é o característico distintivo do provinciano.

Se daqui se concluir que a grande maioria da humanidade cicilizada é composta de provincianos, ter-se-á concluido bem, porque assim é.
Nas nações deveras civilizadas, o escol escapa, porém, em grande parte, e por sua mesma natureza, ao provincianismo.
A tragédia mental de Portugal presente é que, como veremos, o nosso escol é estruturalmente provinciano.

Não se estabeleça, pois seria erro, analogia, por justaposição, entre duas classificações, que se fizeram, de camadas e tipos mentais.
A primeira, de sociologia estática, define estados mentais em si mesmos; a segunda, de sociologia dinâmica, define estados de adaptação mental ao ambiente.
Há gente do povo mental que é citadina em suas relações com a civilização.
Há gente do escol, e do melhor escol – homens de génio e de talento – , que é campónio nessas relações.

Pelas características indicadas como as do provinciano, imediatamente se verifica que a mentalidade dele tem um semelhança perfeita com a da criança.
A reacção do provinciano, às suas artificialidades, que são as novidades sociais, é igual à da criança às suas artificialidades, que são os brinquedos.
Ambos as amam espontaneamente, e porque são artificiais.

Ora o que distingue a mentalidade da criança é, na inteligência, o espírito de imitação: na emoção, a vivacidade pobre; na vontade, a impulsividade incoordenada.
São estes, portanto, os característicos que iremos achar no provinciano; fruto, na criança, da falta de desenvolvimento civilizacional, e assim ambos feitos da mesma causa – a falta de desenvolvimento.
A criança é, como o provinciano, um espírito desperto, mas incompletamente desperto.

São estes característicos que distinguirão o provinciano do campónio e do citadino.
No campónio, semelhante ao animal, a imitação existe, mas à superfície, e não, como na criança e no provinciano, vinda do fundo da alma; a emoção é pobre, porém não é vivaz, pois é concentrada e não dispersa; a vontade, se de facto é impulsiva, tem contudo a coordenação fechada do instinto, que substitui na prática, salvo em matéria complexa, a coordenação aberta da razão.
No citadino, semelhante ao homem adulto, não há imitação, mas aproveitamento dos exemplos alheios, e a isso se chama, quando prático, experiência, quando teórico, cultura; a emoção, ainda quando não seja vivaz, é contudo rica, porque complexa, e é complexa por ser complexo quem a terá; a vontade, filha da inteligência e não do impulso, é coordenada, tanto que, ainda quando faleça, falece coordenadamente, em propósitos frustes mas idealmente sistematizados.

Comecemos por não deixar de ver que o escol se compõe de duas camadas – os homens de inteligência, que formam a sua maioria, e os homens de génio e de talento, que formam a sua minoria, o escol do escol, por assim dizer.
Aos primeiros exigimos espírito crítico; aos segundos exigimos originalidade, que é, em certo modo, um espírito crítico involuntário.
Façamos pois incidir a análise que nos propusemos fazer, primeiro sobre o pequeno escol, que são os homens de génio e de talento, depois sobre o grande escol.

Temos, é certo, alguns escritores e artistas que são homens de talento; se algum deles o é de génio, não sabemos, nem para o caso importa.
Nesses, evidentemente, não se pode revelar em absoluto o espírito de imitação, pois isso importaria a ausência de originalidade, e esta a ausência de talento.
Esses nossos escritores e artistas são, porém, originais uma só ez, que é a inevitável. Depois disso, não evoluem, não crescem; fixado esse primeiro momento, vivem parasitas de si mesmos, plagiando-se indefinidamente.
A tal ponto isto é assim, que não há, por exemplo, poeta nosso presente – dos célebres, pelo menos – que não fique completamente lido quando incompletamente lido, em que a parte não seja igual ao todo.
E se em um ou outro se nota, em certa altura, o que parece ser uma modificação da sua “maneira”, a análise revelará que a modificação foi regressiva; o poeta, ou perdeu a originalidade e assim ficou diferente pelo processo simples de ficar inferior, ou decidiu começar a imitar outros por impotência de progredir de dentro, ou resoveu, por cansaço, atrelar a carroça do seu estro ao burro de uma doutrina externa, como o catolicismo ou o internacionalismo.
Descrevo abstractamente, mas os casos que descrevo são concretos; não preciso de explicar porque não junto a cada exemplo o nome do indivíduo que mo fornece.

O mesmo provincianismo se nota na esfera da emoção. A pobreza, a monotonia da emoção dos nossos homens de talento literário e artístico, salta ao coração e confrange a inteligência. Emoção viva, sim, como aliás era de esperar, mas sempre a mesma, sempre simples, sempre simples emoção, sem auxílio crítico da inteligência ou da cultura. A ironia emotiva, a subtileza passional, a contradição no sentimento – não as encontrareis em nenhum dos nossos poetas emotivos, e são quase todos emotivos. Escrevem, em matéria do que sentem, como escreveria o Pai Adão, se tivesse dado à humanidade, além do mau exemplo já sabido, o, ainda pior, de escrever.

A demonstração fica completa quando conduzimos a análise à região da vontade. Os nossos escritores e artistas são incapazes de meditar uma obra antes de a fazer, desconhecem o que seja a coordenação, pela vontade intelectual, dos elementos fornecidos pela emoção, não sabem o que é a disposição das matérias, ignoram que um poema, não é mais que uma carne de emoção cobrindo um esqueleto de raciocínio. Nenhuma capacidade de atenção e concentração, nenhuma faculdade de inibição. Escrevem ou artistam ao sabor da chamada “inspiração”, que não é mais que um impulso complexo do subconsciente que cumpre sempre submeter, por uma aplicação centrípeta da vontade, à transmutação alquímica da consciência. Produzem como Deus é servido, e Deus fica mal servido. Não sei de poeta português de hoje que, construtivamente, seja de confiança para além do soneto.

Ora, feitos estes reparos analíticos quanto ao estado mental dos nossos homens de talento, é inútil alongar este breve estudo, tratando com igual pormenor a maioria do escol.
Se o escol é assim, como será o não-escol do escol?
Há, porem, um característico comum a ambos esses elementos da nossa camada mental superior, que aos dois irmana , e, irmanados, os dois define: é a ausência de ideias gerais e, portanto, do espírito crítico e filosófico que provém de as ter.
O nosso escol político não tem ideias excepto sobre política, e as que tem sobre política são servilmente plagiadas do estrangeiro – aceites, não porque sejam boas, mas porque são francesas ou italianas, ou russas, ou o que quer que seja.
O nosso escol literário é ainda pior: nem sobre literatura tem ideias. Seria trágico, à força de deixar de ser cómico, o resultado de uma investigação sobre, por exemplo, as ideias dos nossos poetas célebres.
Já não quero que se submetesse qualquer deles ao enxovalho de lhe perguntar o que é a filosofia de Kant ou a teoria da evolução. Bastaria submetê-lo ao enxovalho maior de lhe perguntar o que é o ritmo.

Fernando Pessoa

* Publicado em 1932 na revista Fama, dirigida por Augusto Ferreira Gomes.

Orgulho e Preconceito

Os espanhóis preparam-se para encher a Castelhana, face à provável vitória de Fernando Alonso no Mundial de Fórmula 1. E orgulham-se.

Os portugueses, que desde os tempos de Colombo sabem que a Terra não é plana, estão prestes a plebiscitar um sistema em que não acreditam, composto maioritariamente por pessoas que não convidariam para sua casa.
E envergonham-se de o assumir.

Indigno-me, não só porque o patriotismo português é minado pelos processos de manipulação da opinião pública utilizados pelas elites sem escrúpulos, mas principalmente com a nossa falta de coragem moral e espírito crítico.

“Checks and balances”, no caso português, significa que os cínicos – em períodos eleitorais – dizem aos eleitores: Vocês só têm os governantes que merecem!

Possam um dia os portugueses ser ingratos!

Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!

Vale, Fratres.

in Mensagem, de Fernando Pessoa

Grandes Causas.. mais ou menos..

Senhor Procurador Geral da República:
Suponha que vivemos num Estado de Direito, onde as decisões dos Tribunais devem ser respeitadas.
Suponha ainda que todos os cidadãos são formalmente iguais perante a Justiça.
Agora, suponha que os portugueses esperam que o senhor dê voz à sua indignação, quando vêm os valores sociais esbulhados de tal forma que sentem vergonha do seu país!
Continua a entender que é simplesmente “uma questão que tem a ver com os cidadãos” e não consigo?

Actualização do post Grandes Causas:

Artur Marques – o advogado da senhora – disse ao Expresso que a decisão é irrecorrível, porquanto a lei só permite o recurso da aplicação da prisão preventiva e não da sua revogação.
Se ele sabe do que fala.. e agora, José?

Mas nem tudo são pesadelos.

A 20 de Novembro, os deuses menores que dão pelo nome de Sigur Rós, tocam no Coliseu, naquele que se espera seja um momento de sonho (li sobre o concerto da semana passada no Beacon Theatre de New York, que fizeram uma pausa de 30 segundos entre duas músicas.. e o público permaneceu em silêncio absoluto!).
Vêm apresentar o novo trabalho – Takk – que se pode ouvir quase na totalidade aqui, em Free Stream.
Para disfrutar, antes que volte ao éter!

Atrás de um vaso de nuvens, um sol acorda da sua letargia, refresca-se com pequenas gotas de chuva, brinca com as chamas do fogo e faz um arco-íris.

Resistência aos calendários

Os Verões

Foram longos e ardentes os verões!
Estávamos nus à beira-mar
e o mar ainda mais nu. Com os olhos,
e em nossos corpos ágeis, fazíamos
a mais ditosa possessão do mundo.

Chegavam-nos as vozes acesas de luar
e era a vida cálida e violenta,
ingratos com o sono decorríamos.
O ritmo das ondas tão escuro
abrasava-nos eternos e éramos só tempo.
Apagavam-se os astros na alvorada
e, com a luz que regressava fria,
furioso e delicado principiava o amor.

Parece hoje um engano que fôssemos felizes
à maneira dos deuses, imerecida.
Que estranha e breve foi a juventude!

Francisco Brines, 1986

Grandes Causas

Senhor Procurador Geral da República:
Suponha que vivemos num Estado de Direito, onde as decisões dos Tribunais devem ser respeitadas.
Suponha ainda que todos os cidadãos são formalmente iguais perante a Justiça.
Agora, suponha que os portugueses esperam que o senhor dê voz à sua indignação, quando vêm os valores sociais esbulhados de tal forma que sentem vergonha do seu país!
Continua a entender que é simplesmente “uma questão que tem a ver com os cidadãos” e não consigo?

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou hoje que o Ministério Público (MP) vai recorrer da anulação da prisão preventiva de Fátima Felgueiras, por “não concordar com a decisão” tomada ontem pelo tribunal de Felgueiras. Segundo a lei, o MP tem um prazo de 15 dias para recorrer da decisão.

Acho que foi uma decisão de um juiz que eu tive que respeitar, tal como o MP respeita. Simplesmente como o Ministério Público não concorda com a decisão tomada vai interpor recurso“, afirmou o procurador-geral da República, José Souto Moura, em declarações à RTP.

Confrontado com a possibilidade de os cidadãos ficarem perplexos com esta interpretação da lei, o procurador respondeu: “Isso é uma questão que tem a ver com os cidadãos e não comigo“.

Alguém estaria à espera que eu dissesse que o estado da justiça é bom? Suponho que ninguém está à espera disso“, disse ainda Souto Moura.

Fonte: Jornal Público

A exemplo da iniciativa do Abrupto no caso OTA, sobre as declarações do Ministro da Economia, seria do maior interesse que a blogosfera desse mais um sinal inequívoco, difundindo esta pergunta, nestes ou noutros termos que – alguém que partilhe esta indignação – entenda mais adequados.

Vénus e Marte, de Botticelli

A pintura florentina da segunda metade do séc. XV sofreu uma transformação cultural que evoluiu de uma cultura cívica para uma cultura palaciana, em grande medida pelo poder e influência dos Médicis.

Vénus e Marte, de Sandro Botticelli (1445-1510) ilustra essa mudança.

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Vénus e Marte - Sandro Botticelli, 1480

Vénus, a Deusa do Amor – aqui ricamente trajada e com uma postura vigilante – conquistou Marte, o Deus da Guerra, que – despojado de pensamentos bélicos – dorme no chão, rodeado pelos faunos.
Vénus e Marte refletem o amor espititual, que se sobrepõe à violência.

“O Pensamento Platónico alia-se ao Cristianismo sob a forma de tensão erótica”

É curioso como Vénus, em aparente estado de alerta, tem uma postura algo descontraída, enquanto Marte, com a cabeça reclinada, sugere algum movimento, pela postura dos braços.

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Vénus e Marte - Sandro Botticelli, 1480 (detalhe)

Da memória dos homens

Provavelmente, um dos mais terríveis desastres naturais na Europa foi o terramoto que destruiu Lisboa – uma das mais bonitas cidades do Velho Continente – no dia 1 de Novembro de 1755.
Houve três grandes terramotos: o primeiro foi o maior, às 9:40 da manhã. Seguiram-se outros dois, às 10:00 e ao meio-dia.
O choque principal durou seis a sete minutos, uma duração extraordinariamente longa.
Em cerca de seis minutos morreram 30.000 pessoas, a maioria dos edifícios públicos ruiram, bem como cerca de 12.000 habitações.
Era um dia de culto, donde grande parte das perdas humanas ocorreram nas igrejas.
Os incêndios que entretanto deflagraram um pouco por toda a zona da cidade que havia sido afectada, foram alimentados durante cerca de uma semana.

Ainda hoje podemos ver reflexos da devastação de há 250 anos, em locais como o Convento do Carmo e a Sé.

O gosto de revisitarmos a nossa história é hoje facilmente ultrapassado pelo mediatismo de acontecimentos de larga escala, mas de curta memória. É a vida.

Eufemismo do dia

“Até o Tiago Monteiro tem mais pontos que o Benfica”

Para aqueles menos familiarizados com as coisas do desporto, o Benfica é um clube de futebol.