Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

A porta 2, com acesso pela Rua da Alegria – entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real – dá acesso à zona sul do jardim, por cima do Parque Mayer.
A entrada principal faz-se pela Rua da Escola politécnica, 54/58.

Sugiro, como possível ponto de partida para conhecer a vida do Jardim, uma visita aos seus ambientes, ao Banco de Sementes e às Exposições.

Em 1859, o Conselho da Escola Politécnica – que mais tarde daria lugar à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa – deliberou sobre a compra de terra vegetal no «sítio das Amoreiras», com destino ao futuro Jardim da Politécnica.
Iniciava-se então a preparação das plantações e sementeiras do plano superior do jardim, que só em 1873 – pela mão do Conde de Ficalho – seria impulsionada de modo decisivo.

Em 21 de Dezembro de 1877, o então Director interino da Escola, Andrade Corvo, afirmava:
«O novo jardim levantou-se como por encanto, e hoje mais de dez mil plantas florescem onde não há ainda quatro annos não vegetava um arbusto».

A organização do jardim botânico foi iniciada no plano superior, na imediata vizinhança do edifício da Escola. Foi resolvido que aqui ficassem representadas as principais famílias de Dicotiledóneas e algumas Gimnospérmicas.

As Monocotiledóneas foram colocadas na parte inferior do jardim, que constituía uma espécie de quinta, cuja exploração facultava à Junta Administrativa da Politécnica rendimentos de vulto.
Havia olival, vinha, pomar e terreno para cultivo de cevada, milho, fava e batata. A pouco e pouco, esta exploração agrícola foi dando lugar ao que presentemente constitui um arboreto de muito interesse sob vários aspectos.

A escolha das plantas foi justificada pelo Conde de Ficalho nos seguintes termos:
«A ordem adoptada foi a do Prodromus de De Candolle, não porque esta classificação seja scientíficamente preferível a todas as outras, mas porque é seguida no único Species completo que abrange todas as Dicotiledóneas, e por isso a mais geralmente adoptada».

 

 

Durante a década seguinte, a vida do Jardim Botânico foi afectada por via da abertura do Rossio, com uma intersecção na parte inferior, próxima do actual Parque Mayer.
Pelo meio houve várias tentativas malogradas de ligar o jardim à Avenida da Liberdade, desde a construção de um passeio até a uma projectada avenida que ligaria a Avenida da Liberdade à Rua da Escola Politécnica, passando por um ascensor…

Todos os projectos apresentados até final do século fracassaram.

 

 

A primeira construção empreendida no jardim foi a de uma pequena estufa de madeira, destinada provisoriamente à multiplicação e abrigo de plantas que exigem condições especiais de temperatura.

Situava-se no plano superior, junto ao canto noroeste, e deu lugar muito mais tarde a uma estufa de estrutura metálica, que serviu precariamente até 1962.

No verão de 1921, as palavras do Prof. Pereira Coutinho eram as seguintes:
«É de advertir que o nosso Jardim Botânico goza de bem merecida consideração entre os estabelecimentos similares estrangeiros, que é muito valiosa a colecção das suas plantas, e que seria para lastimar a sua decadência ou mesmo perda».

Um jardim com estas características requer permanentes cuidados com a sua conservação.
Por via da humidade, os materiais que compõem a estrutura da estufa degradam-se com relativa facilidade. A falta de verbas sempre foi uma constante, neste capítulo.

Portugal venceu à tangente, por meio a zero

À margem, três pequenas notas da noite eleitoral:

Desrespeitando a mais elementar regra da educação e bom senso, o secretário geral do PS falou ao mesmo tempo que Alegre-o-candidato-renegado, com o beneplácito das televisões.
Para agravar a coisa, revelou cobardia ao não assumir o acto.

Os candidatos que ficaram abaixo dos 10 pontos percentuais, explicaram nas suas patéticas declarações porque é que o futuro de Portugal não passa por aquilo que eles representam.

Por mim, prefiro ir ao CCB amanhã, como já aqui havia referido!

Postais de Lisboa

Mapa de Portugal, desenhado com troncos de árvore e símbolo da UE no topo da escadaria frente à Assembleia da República, esta manhã.

a côr dos anjos: azul eléctrico

A norueguesa – mais uma! – Anja Garbarek vai construindo o seu colar de sons.

Durante a juventude, acompanhou o saxofonista Jan Garbarek nas diversas digressões que o pai fez.

Inspirou-se em Brian Eno e Laurie Anderson para compor o emocionante Smiling and Waving.
A ouvir, os samples de The Diver, Spin The Context, You Know e And Then, aqui.

No seu mais recente trabalho Briefly Shaking, Anja acrescentou-lhe mais algumas pérolas: por exemplo, Still Guarding Space e My Fellow Riders.

Estes nórdicos dão-me a volta ao miolo!

Analema, ou paciência de santo


O oito nesta fotografia é muito mais difícil de obter do que se possa imaginar.
O registo deste analema solar resulta da observação da posição do sol, à mesma hora do dia, durante um ano.
Da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da sua órbita elíptica em torno do Sol, resulta esta rara imagem, obtida pelo astrónomo amador Anthony Ayiomamitis, para o que utilizou a técnica da multi-exposição numa única película de filme.

Via Portal do Astrónomo.

Por exclusão das partes

No artigo do Público de ontem e reproduzido pelo Eduardo Pitta no Da Literatura, Eduardo Lourenço entende que a campanha eleitoral tem sido pouco esclarecedora como perspectiva futurante.
Não concordo.

Cavaco e o renegado Alegre supra-partidários
A clareza nos discursos dos candidatos das esquerdas, demonstrada pela mais do que óbvia (in)dependência dos respectivos aparelhos partidários, evidencia a opacidade daquilo que são e representam.
Tendo em consideração que o que está em causa é a eleição do PR, a estratégia dos que só-são-candidatos-contra-Cavaco, retira-lhes qualquer possibilidade de merecer a minha atenção.

Não são os votos da esquerda e direita radicais que decidem eleições presidenciais

O mundo globalizou-se e o sonhador Soares, com um discurso deslocado no tempo, em sucessivas e frustradas tentativas de vestir a Cavaco o manto do fantasma da direita – como se ele representasse toda a esquerda em Portugal e Cavaco toda a direita – não conseguiu chegar ao milhão de eleitores que deu a maioria absoluta a Sócrates.

A Pátria não precisa de um pai, e muito menos de um padrinho.
Soares poderá não ter morrido politicamente. Mas já está enterrado.
Estamos esclarecidos nesta matéria.

Salomé

Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais Alma do que lua…
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo…

Tudo é capricho ao seu redor, em sombras fátuas…
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou…
Tenho frio… Alabastro! A minha´alma parou…
E o seu corpo resvala a projectar estátuas…

Ela chama-me em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebranto…
Timbres, elmos, punhais… A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar – há sexos no seu pranto…
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo…

Mário de Sá-Carneiro

Um passarinho sussurrou-me ao ouvido: "RVG"!!!

Ladies and gentleman, as you know we have something special down here at Birdland this evening… a recording for Blue Note records…

Interessante, ou melhor, simpático, era colocar em cd a selecção que se segue..
E oferecer aos amigos..

How about that?

Ornette ColemanLive At The Golden Circle, Volumes 1 e 2
com David Izenzon e Charles Moffett
do volume 1, a ouvir os samples de 4.Dee Dee e 5.Dawn, aqui
do volume 2, a ouvir os samples de 2.Morning Song e 4. Antiques, aqui

Jimmy SmithCool Blues
com Lou Donaldson, Tina Brooks, Eddie McFadden, Art Blakey e Donald Bailey
a ouvir, o sample de 7.Small’s Minor, aqui

Lou DonaldsonThe Natural Soul
com Tommy Turrentine, Grant Green, John Patton e Ben Dixon
a ouvir, os samples de 3. Spaceman Twist e 4. Sow Belly Blues, aqui

Sonny RollinsA Night At The Village Vanguard
com Donald Bailey, Wilbur Ware, Pete la Roca e Elvin Jones
do disco 1, a ouvir o sample de 4. Softly As In A Morning Sunrise (Alternate Take)

do disco 2, a ouvir os samples de 3.Sonnymoon For Two e 4.I Can’t Get Started, aqui

Art BlakeyMoanin’
com Lee Morgan, Benny Golson, Bobby Timmons e Jymmie Merritt
a ouvir, o sample de 5. The Drum Thunder Suite,
aqui

John ColtraneBlue Train
com Lee Morgan, Curtis Fuller, Kenny Drew, Paul Chambers e Philly Joe Jones
a ouvir, os samples de 1.Blue Train e 5.Lazy Bird, aqui

Sonny RollinsSonny Rollins, Volume 2
com J.J.Johnson, Horace Silver, Telonius Monk, Paul Chambers e Art Blakey
a ouvir, o sample de 3. Misterioso(Telonius Monk), aqui

McCoy TynerThe Real McCoy
com Joe Henderson, Ron Carter e Elvin Jones
a ouvir, os samples 2.Contemplation e 4.Search For Peace, aqui

Clifford BrownMemorial Album
com Lou Donaldson, Elmo Hope, Pearcy Heath e Art Blakey, entre outros
a ouvir, os samples 4.Brownie Speaks e 15.Minor Mood, aqui

Wayne ShorterJUJU
com McCoy Tyner, Reggie Workman e Elvin Jones
a ouvir, os samples 2.Deluge, 3.House Of Jade e 6.Twelve More Bars To Go, aqui

Herbie HancockEmpyrean Isles
com Freddie Hubbard, Ron carter e Tony Williams
a ouvir, os samples 2.Ololoqui Valley e 3.Cantaloupe Island, aqui

Thelonious MonkGenius Of Modern Music, Volume 1 –
com Billy Smith e Art Blakey, entre outros
a ouvir, os samples 4.Thelonious, 8.Ruby My Dear, 9.Well You Needn’t e 12.Introspection, aqui

Dois anos de Luminescências


“Somos o que fazemos com aquilo que fizeram de nós.”

Jean-Paul Sartre

Dois anos depois da descolagem, o prazer da viagem mantém-se.

Graças a esta ferramenta, tenho podido publicar sobre assuntos de interesse pessoal, algumas vezes para meu deleite, outras com o espírito de partilha.

É particularmente gratificante verificar que algumas pessoas têm nos seus blogs ligações para o Luminescências.

Porque o reconhecimento é um estímulo, tentarei continuar a merecer essa distinção.

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Património Nacional – Amieira


Situada entre Nisa e Portalegre, no Norte Alentejano, a povoação de Amieira pertence ao antigo Priorado do Crato.

Cercada por montes de relativamente baixa elevação, espraia-se em direcção ao Tejo por meio de charnecas e ribeiros.

Os nomes das ruas do Adro, do Açougue, do Arrabalde e a Travessa do Forno, que liga a Rua de Santa Maria à Rua da Barca, mantêm-se desde o século XVII, possivelmente o período de maior desenvolvimento da povoação.

Autêntico cartão de visita, o castelo avista-se de imediato na descida para esta bonita povoação, que merece maior vitalização pois, além da Sociedade Recreativa e da Casa do Pão (imagem abaixo) como fontes de entretenimento para os habitantes, não existe sequer um sítio onde o visitante possa almoçar.

Rua do Castelo, que desemboca na praça fronteira ao castelo.


O Castelo de Amieira, mandado edificar em meados do séc. XIV pelo pai de D. Nuno Álvares Pereira, fazia parte da linha defensiva da margem sul do Tejo.
Durante o século XV chegou a ser utilizado como prisão.
Parcialmente destruido durante o terramoto de 1755, só durante o século passado foi alvo de significativas obras de recuperação, que ainda hoje continuam.



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