Descobertas à lupa!


Um grupo de astrónomos afirma ter descoberto o planeta de características mais próximas às da Terra algum vez encontrado.

O OGLE-2005-BLG-390Lb está a uma distância de 28 mil anos-luz e situa-se na constelação de Sagitário, perto do centro da nossa galáxia, a Via Láctea.

Possui 5,5 vezes a massa da Terra e a temperatura na sua superfície deverá situar-se nos -220ºC.

A 390 milhões de km do centro – 3 vezes a distância da Terra ao Sol – a sua órbita demora cerca de dez anos.

A luminosidade da estrela, cujo desvio, provocado pela gravidade do planeta, funciona como uma lupa imaginária.

Resultado da observação a partir de cinco telescópios situados no hemisfério sul, esta importante descoberta foi obtida por via do fenómeno das lentes gravitacionais, pois poucas vezes se consegue identificar planetas em órbita com mais de 0,15 Unidades Astronómicas de distância do centro.
(1UA = distância da terra ao Sol).

O artigo completo, na Nature de hoje.

Cíclades

A claridade frontal do lugar impõe-me a tua presença
O teu nome emerge como se aqui
O negativo que foste de ti se revelasse

Viveste no avesso
Viajante incessante do inverso
Isento de ti próprio
Viúvo de ti próprio
Em Lisboa cenário de vida
E eras o inquilino de um quarto alugado por cima de uma leitaria
O empregado competente de uma casa comercial
O frequentador irónico e cortês dos cafés da Baixa
O visionário discreto dos cafés virados para o Tejo

(Onde ainda no mármore das mesas
buscamos o rastro frio das tuas mãos
– O imperceptível dedilhar das tuas mãos)

Esquartejando pelas fúrias do não-vivido
À margem de ti dos outros e da vida
Mantiveste em dia os teus cadernos todos
Com meticulosa exactidão desenhaste os mapas
Das múltiplas navegações da tua ausência –

Aquilo que não foi nem foste ficou dito
Como ilha surgida a barlavento
Com primos sondas astrolábios bússolas
Procedeste ao levantamento do desterro

Nasceste depois
E alguém gastara em si toda a verdade
O caminho da Índia já fora descoberto
Dos deuses só restava
O incerto perpassar
No murmúrio e no cheiro das paisagens
E tinhas muitos rostos
Para que não sendo ninguém dissesses tudo
Viajavas no avesso no inverso no adverso

Porém obstinada eu invoco – ó dividido-
O instante que te unisse
E celebro a tua chegada às ilhas onde jamais vieste

Estes são os arquipélagos que derivam ao longo do teu rosto
Estes são os rápidos golfinhos da tua alegria
Que os deuses não te deram nem quiseste

Este é o país onde a carne das estátuas como choupos estremece
Atravessada pelo respirar leve da luz
Aqui brilha o azul – respiração das coisas
Nas praias onde há um espelho voltado para o mar

Aqui o enigma que me interroga desde sempre
É mais nu e veemente e por isso te invoco:
«Porque foram quebrados os teus gestos
Quem te cercou de muros e de abismos
Quem derramou no chão os teus segredos»

Invoco-te como se chegasses neste barco
E poisasses os teus pés nas ilhas
E a sua excessiva proximidade te invadisse
Como um rosto amado debruçado sobre ti

No estio deste lugar chamo por ti
Que hibernaste a própria vida como o animal na estação adversa
Que te quiseste distante como quem ante o quadro p’ra melhor ver recua
E quiseste a distância que sofreste

Chamo por ti – reúno os destroços as ruínas os pedaços –
Porque o mundo estalou como pedreira
E no chão rolam capitéis e braços
Colunas divididas estilhaços
E da ânfora resta o espalhamento de cacos
Perante os quais os deuses se tornam estrangeiros

Porém aqui as deusas cor de trigo
Erguem a longa harpa dos seus dedos
E encantam o céu azul onde te invoco
Onde invoco a palavra impessoal da tua ausência

Pudesse o instante da festa romper o teu luto
Ó viúvo de ti mesmo
E que ser e estar coincidissem
No um da boda

Como se o teu navio te esperasse em Thasos
Como se Penélope
Nos seus quartos altos
Entre seus cabelos te fiasse

Sophia de Mello Breyner Andresen,
evocando Fernando Pessoa

Agradecimento


maispresidenciais2006.scp

Em semana de Benfica-Sporting – o clássico dos clássicos – o capitão Sá-coração-de-leão-Pinto afirma que vamos à Luz para ganhar.
Obviamente que isto é um lugar comum. Sempre foi!
Será sempre assim contra os cabeçudos, respeitosamente…


Após sujeitar o seu projecto à apreciação do Conselho Leonino, que não deverá levantar problemas de maior, Filipe Soares Franco irá formalizar a sua candidatura na Assembleia Geral, a realizar em Março.
Uma das medidas que defende é precisamente a venda de património – em causa estão, nomeadamente, o Alvaláxia, a Clínica CUF e o Holmes Place – em conjunto com a diminuição do capital social da SAD, tendo em vista o aumento da capacidade desportiva do clube.

O Movimento Sporting Renovado (MSR), liderado pelo meu amigo Subtil de Sousa, vai patrocinar uma candidatura de ruptura que defenda o compromisso de o Sporting Clube de Portugal não alienar mais património.
Como parece que será Dias Ferreira o rosto da candidatura, certamente que as coisas vão começar a aquecer.. quer dizer, a subir de tom!

O próximo Presidente do Sporting deve ser, não de continuidade, com a carga negativa que alguns apontam, mas um factor de estabilidade continuada. É necessário reafirmar o projecto de sucesso iniciado com José Roquette; O sucesso relativo do ano passado, em que quase ganhámos tudo, não aconteceu por acaso, aconteceu por mérito.

A possibilidade de haver três candidatos às eleições de Maio, é útil para a discussão dos problemas e apontar soluções.
Sem prejuizo de outras eventuais candidaturas, Filipe Soares Franco será o meu Presidente.

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

A porta 2, com acesso pela Rua da Alegria – entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real – dá acesso à zona sul do jardim, por cima do Parque Mayer.
A entrada principal faz-se pela Rua da Escola politécnica, 54/58.

Sugiro, como possível ponto de partida para conhecer a vida do Jardim, uma visita aos seus ambientes, ao Banco de Sementes e às Exposições.

Em 1859, o Conselho da Escola Politécnica – que mais tarde daria lugar à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa – deliberou sobre a compra de terra vegetal no «sítio das Amoreiras», com destino ao futuro Jardim da Politécnica.
Iniciava-se então a preparação das plantações e sementeiras do plano superior do jardim, que só em 1873 – pela mão do Conde de Ficalho – seria impulsionada de modo decisivo.

Em 21 de Dezembro de 1877, o então Director interino da Escola, Andrade Corvo, afirmava:
«O novo jardim levantou-se como por encanto, e hoje mais de dez mil plantas florescem onde não há ainda quatro annos não vegetava um arbusto».

A organização do jardim botânico foi iniciada no plano superior, na imediata vizinhança do edifício da Escola. Foi resolvido que aqui ficassem representadas as principais famílias de Dicotiledóneas e algumas Gimnospérmicas.

As Monocotiledóneas foram colocadas na parte inferior do jardim, que constituía uma espécie de quinta, cuja exploração facultava à Junta Administrativa da Politécnica rendimentos de vulto.
Havia olival, vinha, pomar e terreno para cultivo de cevada, milho, fava e batata. A pouco e pouco, esta exploração agrícola foi dando lugar ao que presentemente constitui um arboreto de muito interesse sob vários aspectos.

A escolha das plantas foi justificada pelo Conde de Ficalho nos seguintes termos:
«A ordem adoptada foi a do Prodromus de De Candolle, não porque esta classificação seja scientíficamente preferível a todas as outras, mas porque é seguida no único Species completo que abrange todas as Dicotiledóneas, e por isso a mais geralmente adoptada».

 

 

Durante a década seguinte, a vida do Jardim Botânico foi afectada por via da abertura do Rossio, com uma intersecção na parte inferior, próxima do actual Parque Mayer.
Pelo meio houve várias tentativas malogradas de ligar o jardim à Avenida da Liberdade, desde a construção de um passeio até a uma projectada avenida que ligaria a Avenida da Liberdade à Rua da Escola Politécnica, passando por um ascensor…

Todos os projectos apresentados até final do século fracassaram.

 

 

A primeira construção empreendida no jardim foi a de uma pequena estufa de madeira, destinada provisoriamente à multiplicação e abrigo de plantas que exigem condições especiais de temperatura.

Situava-se no plano superior, junto ao canto noroeste, e deu lugar muito mais tarde a uma estufa de estrutura metálica, que serviu precariamente até 1962.

No verão de 1921, as palavras do Prof. Pereira Coutinho eram as seguintes:
«É de advertir que o nosso Jardim Botânico goza de bem merecida consideração entre os estabelecimentos similares estrangeiros, que é muito valiosa a colecção das suas plantas, e que seria para lastimar a sua decadência ou mesmo perda».

Um jardim com estas características requer permanentes cuidados com a sua conservação.
Por via da humidade, os materiais que compõem a estrutura da estufa degradam-se com relativa facilidade. A falta de verbas sempre foi uma constante, neste capítulo.

Portugal venceu à tangente, por meio a zero

À margem, três pequenas notas da noite eleitoral:

Desrespeitando a mais elementar regra da educação e bom senso, o secretário geral do PS falou ao mesmo tempo que Alegre-o-candidato-renegado, com o beneplácito das televisões.
Para agravar a coisa, revelou cobardia ao não assumir o acto.

Os candidatos que ficaram abaixo dos 10 pontos percentuais, explicaram nas suas patéticas declarações porque é que o futuro de Portugal não passa por aquilo que eles representam.

Por mim, prefiro ir ao CCB amanhã, como já aqui havia referido!

Postais de Lisboa

Mapa de Portugal, desenhado com troncos de árvore e símbolo da UE no topo da escadaria frente à Assembleia da República, esta manhã.

a côr dos anjos: azul eléctrico

A norueguesa – mais uma! – Anja Garbarek vai construindo o seu colar de sons.

Durante a juventude, acompanhou o saxofonista Jan Garbarek nas diversas digressões que o pai fez.

Inspirou-se em Brian Eno e Laurie Anderson para compor o emocionante Smiling and Waving.
A ouvir, os samples de The Diver, Spin The Context, You Know e And Then, aqui.

No seu mais recente trabalho Briefly Shaking, Anja acrescentou-lhe mais algumas pérolas: por exemplo, Still Guarding Space e My Fellow Riders.

Estes nórdicos dão-me a volta ao miolo!

Analema, ou paciência de santo


O oito nesta fotografia é muito mais difícil de obter do que se possa imaginar.
O registo deste analema solar resulta da observação da posição do sol, à mesma hora do dia, durante um ano.
Da inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da sua órbita elíptica em torno do Sol, resulta esta rara imagem, obtida pelo astrónomo amador Anthony Ayiomamitis, para o que utilizou a técnica da multi-exposição numa única película de filme.

Via Portal do Astrónomo.

Por exclusão das partes

No artigo do Público de ontem e reproduzido pelo Eduardo Pitta no Da Literatura, Eduardo Lourenço entende que a campanha eleitoral tem sido pouco esclarecedora como perspectiva futurante.
Não concordo.

Cavaco e o renegado Alegre supra-partidários
A clareza nos discursos dos candidatos das esquerdas, demonstrada pela mais do que óbvia (in)dependência dos respectivos aparelhos partidários, evidencia a opacidade daquilo que são e representam.
Tendo em consideração que o que está em causa é a eleição do PR, a estratégia dos que só-são-candidatos-contra-Cavaco, retira-lhes qualquer possibilidade de merecer a minha atenção.

Não são os votos da esquerda e direita radicais que decidem eleições presidenciais

O mundo globalizou-se e o sonhador Soares, com um discurso deslocado no tempo, em sucessivas e frustradas tentativas de vestir a Cavaco o manto do fantasma da direita – como se ele representasse toda a esquerda em Portugal e Cavaco toda a direita – não conseguiu chegar ao milhão de eleitores que deu a maioria absoluta a Sócrates.

A Pátria não precisa de um pai, e muito menos de um padrinho.
Soares poderá não ter morrido politicamente. Mas já está enterrado.
Estamos esclarecidos nesta matéria.