Júlio Verne em Nantes (1828-1847)

Pierre Verne, oriundo de Provins, assumiu em 1826 a função de procurador público em Nantes, onde se casou, no ano seguinte, com Sophie Allotte de la Fuye. Dessa união nasceram cinco filhos: Jules, Paul, Anna, Mathilde e Marie.

A ilha de Feydeau, onde se encontra a casa natal de Jules Verne, era uma ilha fluvial situada entre os dois braços do Loire. O imóvel de número 2, do cais Jean-Bart (hoje Cours des 50 Otages), onde ele passou os primeiros quatorze anos da sua vida, dominava a confluência do Loire com o Erdre. A casa de campo de Chantenay, permitia acompanhar a atividade do porto. Jules Verne só viu o mar pela primeira vez, com a idade de 12 anos, mas as ilhas, os portos e os navios que serão temas favoritos da maior parte de suas obras, desde de muito tempo já faziam parte da sua vida e dos seus sonhos.

Na família Verne, praticava-se a poesia de circunstância: os eventos de nascimentos e de casamentos eram ocasiões a serem celebradas em versos de alegria e de amor. Jules começou a redigir as suas primeiras poesias muito jovem. “Desde a idade dos 12 ou 14 anos”, declarou a um jornalista, em 1904, “tinha sempre um lápis comigo e quando estava na escola não parava de escrever, elaborando sobretudo poemas desde a adolescência.” Preencheu dois cadernos de poesia que o acompanharam por toda sua vida e que permaneceram inéditos até a sua morte e só foram publicados em 1989. Poesia lírica ou satírica, amorosa ou rima de cancioneiros eram os gêneros que mais o atraíam.

Mais tarde, foi também letrista, fornecendo ao seu amigo, o compositor Aristide Hignard, poemas que foram musicados. Suas canções reunidas apareceram em 1857, com o título Rimas e melodias.

Júlio Verne em Nantes (1828-1847)

Pierre Verne, oriundo de Provins, assumiu em 1826 a função de procurador público em Nantes, onde se casou, no ano seguinte, com Sophie Allotte de la Fuye. Dessa união nasceram cinco filhos: Jules, Paul, Anna, Mathilde e Marie.

A ilha de Feydeau, onde se encontra a casa natal de Jules Verne, era uma ilha fluvial situada entre os dois braços do Loire. O imóvel de número 2, do cais Jean-Bart (hoje Cours des 50 Otages), onde ele passou os primeiros quatorze anos da sua vida, dominava a confluência do Loire com o Erdre. A casa de campo de Chantenay, permitia acompanhar a atividade do porto. Jules Verne só viu o mar pela primeira vez, com a idade de 12 anos, mas as ilhas, os portos e os navios que serão temas favoritos da maior parte de suas obras, desde de muito tempo já faziam parte da sua vida e dos seus sonhos.

Na família Verne, praticava-se a poesia de circunstância: os eventos de nascimentos e de casamentos eram ocasiões a serem celebradas em versos de alegria e de amor. Jules começou a redigir as suas primeiras poesias muito jovem. “Desde a idade dos 12 ou 14 anos”, declarou a um jornalista, em 1904, “tinha sempre um lápis comigo e quando estava na escola não parava de escrever, elaborando sobretudo poemas desde a adolescência.” Preencheu dois cadernos de poesia que o acompanharam por toda sua vida e que permaneceram inéditos até a sua morte e só foram publicados em 1989. Poesia lírica ou satírica, amorosa ou rima de cancioneiros eram os gêneros que mais o atraíam.

Mais tarde, foi também letrista, fornecendo ao seu amigo, o compositor Aristide Hignard, poemas que foram musicados. Suas canções reunidas apareceram em 1857, com o título Rimas e melodias.

Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

A França comemorou em 2005 o centenário de morte de Júlio Verne, um dos romancistas mais imaginativos e populares. A sua obra, uma das mais traduzidas no mundo, transformou-o num dos escritores franceses universalmente mais conhecidos. Espírito extraordinariamente curioso, foi um grande leitor. Nutria a sua cultura nas enciclopédias e nos periódicos que lia sistematicamente todos os dias. Soube como ninguém revelar os sonhos da sua época, expondo as visões de um novo mundo. Suas especulações baseavam-se numa documentação científica impressionante que acumulava antes de iniciar os seus romances. A estas pesquisas se associava uma imaginação literária e poética de grande sensibilidade político-social que valorizava a importância da ciência e da tecnologia. Como disse o filósofo e escritor Serres: desde a morte de Verne falta um escritor que dê a ciência a valorização que ela merece. Até hoje, o próprio nome Jules Verne evoca as imagens de um mundo, onde o cientista era uma mente preocupada em preservar um futuro feliz e justo para a humanidade – como, por exemplo, a do capitão Nemo, capaz de destruir os seus inventos, pois acreditava que os governos ainda não estavam prontos para recebê-los – em relatos fantásticos ricamente ilustrados das Viagens extraordinárias, que mais tarde seriam aproveitados pelo cinema. Em conseqüência dos seus textos de visionário e do seu permanente aproveitamento cinematográfico, o nome de Jules Verne tornou-se um mito universal e imortal.

Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

Júlio Verne – Um precursor da ficção científica

A França comemorou em 2005 o centenário de morte de Júlio Verne, um dos romancistas mais imaginativos e populares. A sua obra, uma das mais traduzidas no mundo, transformou-o num dos escritores franceses universalmente mais conhecidos. Espírito extraordinariamente curioso, foi um grande leitor. Nutria a sua cultura nas enciclopédias e nos periódicos que lia sistematicamente todos os dias. Soube como ninguém revelar os sonhos da sua época, expondo as visões de um novo mundo. Suas especulações baseavam-se numa documentação científica impressionante que acumulava antes de iniciar os seus romances. A estas pesquisas se associava uma imaginação literária e poética de grande sensibilidade político-social que valorizava a importância da ciência e da tecnologia. Como disse o filósofo e escritor Serres: desde a morte de Verne falta um escritor que dê a ciência a valorização que ela merece. Até hoje, o próprio nome Jules Verne evoca as imagens de um mundo, onde o cientista era uma mente preocupada em preservar um futuro feliz e justo para a humanidade – como, por exemplo, a do capitão Nemo, capaz de destruir os seus inventos, pois acreditava que os governos ainda não estavam prontos para recebê-los – em relatos fantásticos ricamente ilustrados das Viagens extraordinárias, que mais tarde seriam aproveitados pelo cinema. Em conseqüência dos seus textos de visionário e do seu permanente aproveitamento cinematográfico, o nome de Jules Verne tornou-se um mito universal e imortal.

Jules Verne

Verne (1828-1905) foi, antes de tentar a sorte como novelista, um empenhado aprendiz de dramaturgo, trabalhando com Dumas Filho e Michel Carré, ensaiando o libretismo para duas operetas, além de uma comédia. A estas primícias não terá sido estranha uma precoce aptidão para a música, bem como uma vantajosa relação de amizade com o autor de Os Três Mosqueteiros. De permeio, uma licenciatura em Direito acentuando os traços distintivos de meticulosidade e capacidade de formalização.


A autonomia e originalidade do génio verniano só se começou a manifestar quando, em 1862, travou conhecimento com Pierre-Jules Hetzel, que veio constituir-se em sólido esteio editorial das suas obras. À publicação de Cinco semanas em balão (1863) seguiram-se a Viagem ao Centro da TerraDa Terra à Lua (1866), Os Filhos do Capitão Grant (1868) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), cujo enorme sucesso lhe permitiu ascender a cavaleiro da Legião de Honra, distinção tanto mais notável por haver sido conferida por Napoleão III, que tinha contra si o «partido das letras», com Hugo à cabeça e no qual militavam também os Dumas, Zola e Renan. À hora da hecatombe de Sedan – nesse funesto ano de 1870 – Verne encontrava-se, como voluntário, na mole dos destroços dos sonhos imperiais de Napoleón, le petit. (1864),

A fama proporcionou-lhe uma vida de grande conforto, que as viagens pela Escócia, Irlanda, Mediterrâneo, Escandinávia e EUA (no decurso da qual, a bordo da maravilha tecnológica da época, o «Great Eastern», tocou os Açores), a aquisição de iate a vapor e de um château eloquentemente atestam, mas que não o inibiram de intervir politicamente ao lado dos radicais-socialistas. Traduzido para todas as grandes línguas, incluindo o japonês e o árabe, foi aclamado e reverenciado em vida como expoente das crenças do século: o progresso científico e tecnológico ascendente e linear, a conquista, domesticação e apropriação da natureza pelo homem, o triunfo do homem branco e o colonialismo…

O segredo do triunfo de Jules Verne terá residido na engenhosa fusão de extravagância, exotismo e teatralidade, que integrou num quadro de positividade, plausibilidade e antecipação tecnológica que veio a revelar-se, mais que profética, prospectiva. Divulgador científico, usou com mestria vasto arsenal de conhecimentos para emprestar autenticidade às novelas de antecipação, ou a habilidade literária para popularizar obras de cunho historiográfico e geográfico: exploradores do século XIX e navegadores do século XVIII. Não conhecendo limites temáticos nem geográficos, do centro da Terra aos abismos do mar e até à Lua, os cenários em que decorrem as suas novelas são animados por enredos em que a intriga política contemporânea imprime verosimilhança à aventura: Mathias Sandorf, o resistente húngaro; Miguel Strogoff, o correio do czar na luta contra os tártaros; Casa a vapor, no dédalo de ódios da revolta dos cipaios contra o poder britânico na Índia; Os filhos do Capitão Grant, episódio na guerra da secessão americana. Portugal não deixa de estar presente em algumas das novelas. Lembramos, com assinalável surpresa, que, emDa Terra à Lua, o nosso país participou com «30 000 cruzados» na expedição lunar de Barbicane, que o temível Nautilus passou por águas portuguesas na sua errática e violenta saga submarina e que em A volta ao mundo em 80 dias Passepartout se encontrou, em Singapura, com numerosos passageiros «indianos, singaleses, chineses, malaios e portugueses que, na sua maior parte, ocupavam camarotes de segunda».

Uma dimensão inquietante perpassa, porém, nessa vasta galeria de situações em que se exalta o maquinismo, a certeza científica, o triunfo da razão e o nascimento de uma nova era. Referimos, certamente, a assídua visitação a mundos artificiais escondidos, intencionalmente escondidos, ao poder marginal, na sombra, oculto, que desafia o vulnerável mundo das convenções civilizadas. O poder do capitão Nemo é marginal à ordem que aparentemente mantém o mundo. Um poder paralelo que ameaça, a todo o momento – mais perigoso que a força cega dos elementos porque inteligente –, a própria subsistência da humanidade. Neste particular, a exaltação da máquina transporta uma primeira interrogação, subsequentemente muito difundida, sobre os limites morais das aventuras da técnica. Verne parece antecipar Ernest Jünger, H. G. Wells e Conrad.

Jules Verne

Verne (1828-1905) foi, antes de tentar a sorte como novelista, um empenhado aprendiz de dramaturgo, trabalhando com Dumas Filho e Michel Carré, ensaiando o libretismo para duas operetas, além de uma comédia. A estas primícias não terá sido estranha uma precoce aptidão para a música, bem como uma vantajosa relação de amizade com o autor de Os Três Mosqueteiros. De permeio, uma licenciatura em Direito acentuando os traços distintivos de meticulosidade e capacidade de formalização.


A autonomia e originalidade do génio verniano só se começou a manifestar quando, em 1862, travou conhecimento com Pierre-Jules Hetzel, que veio constituir-se em sólido esteio editorial das suas obras. À publicação de Cinco semanas em balão (1863) seguiram-se a Viagem ao Centro da TerraDa Terra à Lua (1866), Os Filhos do Capitão Grant (1868) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1869), cujo enorme sucesso lhe permitiu ascender a cavaleiro da Legião de Honra, distinção tanto mais notável por haver sido conferida por Napoleão III, que tinha contra si o «partido das letras», com Hugo à cabeça e no qual militavam também os Dumas, Zola e Renan. À hora da hecatombe de Sedan – nesse funesto ano de 1870 – Verne encontrava-se, como voluntário, na mole dos destroços dos sonhos imperiais de Napoleón, le petit. (1864),

A fama proporcionou-lhe uma vida de grande conforto, que as viagens pela Escócia, Irlanda, Mediterrâneo, Escandinávia e EUA (no decurso da qual, a bordo da maravilha tecnológica da época, o «Great Eastern», tocou os Açores), a aquisição de iate a vapor e de um château eloquentemente atestam, mas que não o inibiram de intervir politicamente ao lado dos radicais-socialistas. Traduzido para todas as grandes línguas, incluindo o japonês e o árabe, foi aclamado e reverenciado em vida como expoente das crenças do século: o progresso científico e tecnológico ascendente e linear, a conquista, domesticação e apropriação da natureza pelo homem, o triunfo do homem branco e o colonialismo…

O segredo do triunfo de Jules Verne terá residido na engenhosa fusão de extravagância, exotismo e teatralidade, que integrou num quadro de positividade, plausibilidade e antecipação tecnológica que veio a revelar-se, mais que profética, prospectiva. Divulgador científico, usou com mestria vasto arsenal de conhecimentos para emprestar autenticidade às novelas de antecipação, ou a habilidade literária para popularizar obras de cunho historiográfico e geográfico: exploradores do século XIX e navegadores do século XVIII. Não conhecendo limites temáticos nem geográficos, do centro da Terra aos abismos do mar e até à Lua, os cenários em que decorrem as suas novelas são animados por enredos em que a intriga política contemporânea imprime verosimilhança à aventura: Mathias Sandorf, o resistente húngaro; Miguel Strogoff, o correio do czar na luta contra os tártaros; Casa a vapor, no dédalo de ódios da revolta dos cipaios contra o poder britânico na Índia; Os filhos do Capitão Grant, episódio na guerra da secessão americana. Portugal não deixa de estar presente em algumas das novelas. Lembramos, com assinalável surpresa, que, emDa Terra à Lua, o nosso país participou com «30 000 cruzados» na expedição lunar de Barbicane, que o temível Nautilus passou por águas portuguesas na sua errática e violenta saga submarina e que em A volta ao mundo em 80 dias Passepartout se encontrou, em Singapura, com numerosos passageiros «indianos, singaleses, chineses, malaios e portugueses que, na sua maior parte, ocupavam camarotes de segunda».

Uma dimensão inquietante perpassa, porém, nessa vasta galeria de situações em que se exalta o maquinismo, a certeza científica, o triunfo da razão e o nascimento de uma nova era. Referimos, certamente, a assídua visitação a mundos artificiais escondidos, intencionalmente escondidos, ao poder marginal, na sombra, oculto, que desafia o vulnerável mundo das convenções civilizadas. O poder do capitão Nemo é marginal à ordem que aparentemente mantém o mundo. Um poder paralelo que ameaça, a todo o momento – mais perigoso que a força cega dos elementos porque inteligente –, a própria subsistência da humanidade. Neste particular, a exaltação da máquina transporta uma primeira interrogação, subsequentemente muito difundida, sobre os limites morais das aventuras da técnica. Verne parece antecipar Ernest Jünger, H. G. Wells e Conrad.

Obikweeeeeluuuuuu

Afirmações de Obikwelu depois de ganhar a medalha de ouro nos 200 metros dos Europeus de Gotemburgo:
“Claro que o futebol continua a ser uma paixão grande. Sempre que Portugal joga sofro como um louco. Adoro o Luis Figo…”

A isto eu chamo patriotismo. Aliás, o Chico “Obiquelo” da Silva já tinha dado provas disso, caro JCD

#1

Lisboa à noite

Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.
Tudo é longínquo, tudo é enredo,
Tudo é não ter nem encontrar.Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,
Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.

Fernando Pessoa, 24-08-1930

#1