Archive for the ‘ Fotografia ’ Category

as mulheres e a cidade

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei, é uma rapariga
Descalça e leve.
Um vento súbito e claro
Nos cabelos,
Algumas rugas finas
A espreitar-lhe os olhos,
A solidão aberta
Nos lábios e nos dedos,
Descendo degraus
E degraus
E degraus até ao rio

Eugénio de Andrade

Outras Colinas – Praga

Nos próximos dias, vou descobrir mais um pouco da zona velha da cidade, que é das mais bonitas que conheço.

Old Town Square

A ver se é desta que descubro onde viveu Mozart!

Aqueduto da Águas Livres – na pista do Barroco

 

Marca imponente da entrada de Lisboa
A arcaria do Aqueduto das Águas Livres revela a obra notável de engenharia hidráulica que resistiu ao Terramoto de 1755 e demonstra o papel indispensável que o Aqueduto teve para a cidade.

Descobrir os seus trajectos e a história da sua construção, que demorou quase um século e se estende por cerca de 60 km , é a proposta do Museu da Água.

Das suas nascentes, na região de Carenque-Caneças, até à
Mãe de Água das Amoreiras são, respectivamente, o ponto de partida e de chegada do passeio A Rainha Refresca-se – na pista do Barroco.


A Rainha Refresca-se
Este percurso recria o espírito barroco e proporciona a visita a locais de grande beleza ao longo das nascentes, de Caneças ao Vale de Alcântara, refazendo o percurso pelo Aqueduto das Águas Livres que a família real, a corte e o povo faziam ao deslocar-se de Mafra a Queluz.
Estamos às portas do século das luzes, a época que privilegia a razão por excelência e coloca no auge o espírito barroco onde se assiste à procura do êxtase da grandiosidade, como se se quisesse criar impressão a todo o custo.
Dá-se início a uma consciência de que a grandiosidade das obras públicas são o melhor símbolo de prestígio para o poder vigente.
As galerias do Aqueduto assemelham-se mais às alas de um convento do que a simples condutas de água.
Os respiradouros, situados ao longo das extensas galerias, oferecem um espectáculo natural de luz minimalista.
São estes jogos de luz, ar, sombra, respiração e a nobreza da pedra que tocam a imaginação e levam-nos até à “Rainha Refresca-se”.

Caminhos da Água
Com a colaboração da Quinta da Regaleira e do Palácio de Queluz os visitantes são convidados a experimentar o elemento Água nas suas três dimensões.
Entre os segredos e rituais dos Pedreiros Livres, insondáveis mistérios da Ordem dos Templários ou na promessa antiga de um Quinto Império que falta cumprir em Portugal, revela-se a verdadeira dimensão da Água enquanto símbolo esotérico na Quinta da Regaleira.
Em nenhuma época como no período áureo de D. Pedro e D. Maria, ficou tão bem demonstrada a intima ligação dos interiores do Palácio de Queluz com os seus jardins. Estes, cuidadosamente organizados, serviam os novos objectivos, ganhando um carácter eminentemente lúdico, prevendo harmoniosas e diversificadas possibilidades de fruição dos seus espaços. Em todo o jardim, dominado por lagos e cascatas, os jogos de água marcavam presença no quotidiano de exterior, ganhando novas formas e cores de acordo com a iluminação e os objectivos. Aqui o visitante encontra o elemento água enquanto “divertissment”.
Por fim o visitante tem a possibilidade de, nas nascentes do Aqueduto das Águas Livres, experimentar a água como um valor moral. O visitante é convidado a, por alguns instantes, entrar no Espírito Barroco, onde se assiste à procura do êxtase, da grandiosidade teatral, pomposa, numa ostentação de manifesto poder.<

Da Patriarcal ao Chafariz do Vinho
O Museu da Água em colaboração com o Chafariz do Vinho retomou um percurso que leva os visitantes pelas galerias subterrâneas da cidade, desde a Patriarcal (Príncipe Real) ao Chafariz do Vinho (Praça da Alegria). Este último foi recuperado e adaptado às suas novas funções de enoteca.

vista do Bairro da Serafina

Percurso Pedestre – Do Aqueduto ao Palácio Marquês da Fronteira
Com início no Aqueduto das Águas Livres, à Calçada da Quintinha, o percurso pedestre até ao Palácio Marquês da Fronteira, a S. Domingos de Benfica pretende criar uma simbiose entre o Património Ecológico e o Património Histórico- Cultural.
Atravessando o majestoso Aqueduto das Águas Livres sobre o Vale de Alcântara, os visitantes poderão contemplar uma agradável panorâmica de Lisboa entrando de seguida no Parque Florestal de Monsanto que, quer pelo seu relevo, quer pela sua área florestal, apresenta-se como um dos últimos refúgios de Lisboa.
Antes de finalizar o percurso, os visitantes são ainda convidados a apreciar a Igreja de S. Domingos de Benfica e o Palácio dos Marqueses de Fronteira.

Os Caminhos da Luz
Quando a Arte se inscreve na sua condição de matéria, tem a capacidade de reflectir momentos, acontecimentos e conjunturas que ocorrem num determinado tempo e num determinado espaço.
Neste âmbito, a construção do Aqueduto das Águas Livres é um marco na história e na arte do século XVIII e do espírito Barroco que o envolveu, talvez a maior oferenda da arte deste século, conseguindo aliar à matéria, o Espírito e a Inteligência Portuguesa da época que aí se manifestam de forma tão especial, através do que há de mais imaterial: A LUZ

Textos retirados daqui.
Post publicado também no Sétima Colina.

Portas

Rua da Escola Politécnica, 157

Capitólio – mais uma causa perdida?

Gabriela Seara defende a preservação do ‘Capitólio’ no futuro Parque Mayer, uma medida que não está prevista no projecto do arquitecto Frank Gehry.

Basta dar uma volta pelo moribundo Parque Mayer, para concluir que é preciso ser muito optimista para, depois de uma breve observação do Cine-teatro Capitólio – que consta da lista da World Monuments Watch – 100 Most Endangered Sites,2006 – não concordar com o parecer de 2003 do IST, que diz que só será possível manter a fachada.
Hoje, nem isso parece grandemente viável, dado o estado de degradação a que chegou.

Porque é que tem de se chegar a este ponto para se decidir pela preservação?

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Discuta-se a Avenida… e o Parque Mayer!

Encontra-se numa primeira fase de discussão pública uma revisão do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE).
A proposta original – de 1990 – é de autoria do arquitecto Fernandes de Sá.

Da proposta, onde consta o alargamento dos passeios da Avenida em cerca de 7 ou 8 metros, resulta que passará a haver um único sentido do tráfego automóvel nas laterias.

Complementarmente, haverá lugar ao reordenamento do estacionamento à superfície, com a eliminação de 380 lugares ilegais, a criação de ilhas para cargas e descargas, 3 parques de estacionamentos subterrâneos com capacidade de 250 lugares cada, nas intersecções da Alexandre Herculano e Barata Salgueiro – ambos do lado direito de quem sobe a avenida – e outro na esquina do antigo teatro Tivoli.

Com a diminuição da população residente ao longo dos últimos 15 anos, esta medida pretende evitar o acentuar da desertificação – 17,3% de edifícios devolutos em 2003 – e atrair novos residentes.

Estarão assim criadas as condições para que, nomeadamente, seja recriado o Passeio Público, com espaço suficiente para o aparecimento de grandes esplanadas – preferencialmente de qualidade – pois os lisboetas também merecem ter os seus Champs Elysées!

Chafariz do Arco de São Mamede – 1805

Em passeio pela Rua do Arco de São Mamede – próximo da Rua de São Bento -, atraído por fotos sobre uma casa abandonada que o CIDADANIA LX gentilmente me tinha enviado, e sobre a qual darei nota em breve…

Dei com este Chafariz do início do século XIX, cujos vestígios devem ter sido pintados para celebrar os 200 anos;
Porém, talvez fosse oportuno terminar com as comemorações:

Retirando os carros de cima do passeio, procedendo à limpeza do chafariz e dotando o conjunto de iluminação apropriada…

Não é pedir muito, pois não?

gananciazinha

As casas desocupadas que não ultrapassem determinado consumo de água e electricidade durante mais de um ano vão ser consideradas devolutas e, como tal, vão passar a pagar o dobro da taxa de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o imposto que substituiu a Contribuição Autárquica

A ler também Casas desocupadas vão pagar imposto a dobrar, no Expresso On-line.

Esta medida é ineficiente, porque:

  • Das receitas resultantes do imposto – cujo aumento pode ir até 1,6% – em termos práticos, não resulta nenhum incentivo de maior à recuperação dos imóveis.
  • Os proprietários de prédios devolutos que actualmente utilizam o expediente dos consumos mínimos, preferem pagar a taxa adicional, com o consequente desperdício de água e energia.
  • É uma abordagem indiferenciada às razões pelas quais um imóvel está ou é considerado devoluto.
  • É demagógico dizer que esta medida é um contributo para a requalificação/renovação urbanas e ordenamento do território.
  • Um imposto com estas características – só por si – não incute confiança no mercado, se a nova Lei das Rendas não privilegiar, nomeadamente, a liberdade contratual e flexibilidade nos despejos.

Fotografia para uma legenda

Casa da Música, Porto-Portugal


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Legenda para uma fotografia

Como diluir as estrias que traem tua idade
ao irromper do que não queres lembrar,
a não ser quando tudo te repudia tanto
que em ti embebes as tuas espadas,
ansiando remir o que não clama resgate?
E ris, sorris: corola vesperal a desfolhar nas faces
um esmalte falaz que teus olhos recusam.

Injuria-te a luz, embora te defendas
num recanto que as lâmpadas receiam:
aí a música amaina, extenuada,
permite que te envolva
uma outra que de ti se evola
num tempo de que foste expulsa.


Não são máscaras esse carmim viscoso,
os cabelos sufocados em adornos grotescos
e em tinta,
o debrum crepuscular das pálpebras,
a cilada sedenta de uma boca
constrangida a abdicar da força da mentira.
São em ti apelos transparentes:
por eles te denuncias e somente
suplicas ser, sem precisares depor
sobre teus desígnios, teus actos.

Que poderás dizer que todos não saibam?
O que és não o partilharás ao exprimi-lo.
Tuas palavras para os outros significam
o mesmo que silêncio. E os teus gestos
só para ti vertem um conteúdo.

Mas reges a magia de discretos sinais:
uma pulseira que distancia tua mão, um aroma
a convidar para um quarto clandestino,
um leque a ondular sobre o teu peito
o adejo de uma dança nupcial.

Detém-te nesse lugar, se ninguém te convida.
Na noite, tua cama pródiga, um esquife
que te espera sem pressa.
Goya ou uma objectiva cruel
iludem-se quando tentam perpetuar-te
ao tornar-te motivo de uma tela
tão perecível como tu.

Mas de nada te acusam:
apontam-te ao meu discurso desatento,
a alguém que deseje
conhecer o corpo turbado que dissipas.

Poema de José BentoSilabário
Fotografias de Pierre Molinier