Winston Churchill – II

Graças à notoriedade adquirida enquanto correspondente de guerra do Morning Post na Guerra dos Bóeres – África do Sul, Winston Churchill tornou-se deputado pelo Partido Conservador, em 1900.

Após mudar para o Partido Liberal, quatro anos mais tarde, chegou a Secretário de Estado e mais tarde a Ministro. Em 1911, tornou-se Primeiro Lorde do Almirantado.

Sobre o receio das provocadoras intenções dos Alemães em atacarem a Armada Britânica, escreveu um dia, num misto de ingenuidade e esperança nos homens:

“Parecem tão cautelosas e correctas, aquelas palavras mortíferas. Vozes suaves, a murmurar frases urbanas, graves e ponderadas, com precisão, em grandes salões pacíficos.

Mas essa mesma Alemanha já abriu fogo com os seus canhões e já derrubou países com menos pré-aviso.

Por isso, agora, os telégrafos do Almirantado sussurram através do éter aos mastros altos dos navios, e os comandantes percorrem para trás e para diante o convés dos seus navios, absortos nos seus pensamentos.

Não é nada. É menos que nada. É demasiado absurdo, demasiado fantástico pensar-se tal no século XX.

Ou será fogo e morte a irromperem na escuridão e a saltarem-nos ao pescoço, serão torpedos a rasgar o ventre de navios meio-adormecidos, uma alvorada para uma supremacia naval que já não existe e para uma ilha, até agora bem guardada, finalmente indefesa?

Não, não é nada. Ninguém faria tais coisas. A civilização já superou tais perigos. A interdependência das nações ao nível das relações e trocas comerciais, o sentido do direito público, a Convenção de Haia. Os princípios Liberais, o Partido Trabalhista, a alta finança, a caridade cristã, o bom senso tornaram impossíveis tais pesadelos.

Têm mesmo a certeza? Seria uma pena enganarmo-nos. Um erro desses só poderia ser cometido uma vez – de uma vez por todas.”



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