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O Tempo dos Sonhos

“Com Mário Rita as diferentes qualidades/características espaciais tornam-se evidentes através das subtis manipulações dos corpos e linhas geométricas: as casas prolongam-se indefinidamente até aos limites da tela, os corpos (como em Alice) chegam aos confins, para lá do olho.
O corpo surge não só como modo de ocupação dos espaços pictóricos que Mário Rita desenha, mas como prolongamentos naturais de todas as formas geométricas: lembrem-se as passagens na Alice de Lewis Carrol em que o corpo de transforma em casa e a casa no corpo.
Não é o caso em que a minha casa é o meu corpo, mas o paradigma é o de a minha casa ter de ser feita à medida do meu corpo, para o meu corpo habitar: um princípio fisionómico em que o homem é a medida padrão de todas as grandezas.
Em última instância, trata-se da descoberta da coincidência do corpo humano com a génese da ocupação/utilização que as formas fazem no espaço, isto é, com a própria arquitectura”.


Alice significa, em termos filosóficos, que a percepção que se tem das coisas está sempre a sofrer alterações: atribuem-se significados e qualidades às coisas não com base num critério objectivo, físico, verificável, mas porque o nosso aparelho sensitivo vai estabelecendo com essas coisas diferentes relações.
Sendo esta a base das qualidades do mundo, tudo passa a inscrever-se num horizonte de instabilidade.

Textos de Nuno Crespo

A Exposição de Mário Rita pode ser visitada no Museu da Cidade até 2 de Setembro

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