Archive for the ‘ Uncategorized ’ Category

desculpa que te diga… mas és um ilusionista!…

Cruzes da Sé
Lisboa, Portugal
13 de Janeirode 2008

– Vossência.. vai-me perdoar a inconveniência…
Mas podia fazer-me o obséquio…
Dá-me um bocadinho do seu lume?…
….
Compreendi-te!…

desculpa que te diga… mas és um ilusionista!…

Cruzes da Sé
Lisboa, Portugal
13 de Janeirode 2008

– Vossência.. vai-me perdoar a inconveniência…
Mas podia fazer-me o obséquio…
Dá-me um bocadinho do seu lume?…
….
Compreendi-te!…

Leitura de Domingo

enquanto espero por novo transplante…

Afinal enganei-me. O Mazgani tocou a solo!
Mas direitinho ao coração. No meu, tocou e ficou. Uma pessoa simpática, com alma e uma voz poderosa. A Inês, a quem ele ofereceu um disco com assinatura, certamente irá falar sobre o assunto.

O que não correu bem foi a total falta de vergonha na cara dos responsáveis pelo espaço. A coisa devia ter início às 22:30 e o rapaz que tocou antes do Mazgani começou a tocar com mais de uma hora de atraso. Resultado: o Mazgani começou a tocar já depois da meia-noite.
Vão morrer lounge…

30 anos de Oxygene

Já passou assim tanto tempo? Lembro-me perfeitamente do dia em que fui à RCA na Rua do Carmo comprar o álbum e correr para casa, como acontecia sempre com as novidades que me interessavam. Ainda hoje recordo o cheiro das capas e do vinil…

Sempre me impressionou a meticulosa organização dos espectáculos de Jean Michel Jarre; Brutal, imaginar um milhão de pessoas na China, em Houston, em Paris…

Tive oportunidade de o ver no concerto de Sevilha, em 1993, com o palco montado no rio. Claro que não se comparou a nenhum dos anteriores em assistência, mas a grandiosidade das produções encanta, mesmo a um não apreciador de música electrónica.

A par de Oxygene (é óbvio que irei a correr comprar a gravação comemorativa dos 30 anos, na mesma rua mas um pouco mais acima, no sítio do costume), que considero uma obra-prima, adoro tanto o Equinoxe como os famosos Concertos na China, o bizarro Zoolook como Metamorphoses. Todos os que aqui estão reproduzidos!

Palavra que ainda ontem me ocorreu fazer um post sobre Jean Michel Jarre. A entrevista de Nuno Galopim publicada hoje no Dn, serviu de mola, claro!

Como descobriu a música electrónica?

Fiz primeiro o ensino clássico, depois passei por grupos de rock. E, através de um colega de liceu entrei num grupo mais experimental ligado à televisão francesa e que era dirigido pelo Pierre Schaeffer, que foi o inventor da música concreta. Foi ele quem me ensinou que a música não era apenas feita de notas e acordes, mas também de sons. E que a diferença entre o ruído e o som musical nasce da intervenção do músico.

Essa era, contudo, uma música essencialmente experimental. A sua, depois, seguiu outro rumo…

Dez anos antes de Oxygene trabalhava nesses domínios. Fiz vários discos falhados, música de filmes, produzi artistas… Foram trabalhos práticos, mas sabia que uma outra coisa me chamava.

Como explica a mudança?

Fiz Oxygene perante uma espécie de indiferença geral. Em casa, numa cozinha transformada em estúdio caseiro, minimalista, com equipamento antigo… E já dizia para mim que, um dia, o tinha de voltar a gravar com equipamento a sério.

Daí esta nova gravação?

Precisamente. Quando a alta definição apareceu, e sob o pretexto do 30.º aniversário, senti que tinha chegado o momento.

Em meados dos anos 70, a música electrónica não experimental que se ouvia era, sobretudo, a alemã. Sentia que aquele não era o seu caminho?

A pop é uma música de partilha. Mas, na época, a música electrónica era sobretudo laboratorial. Ouvia o que acontecia, mas sugeria- -me paradoxos. O primeiro que ouvi foi Walter Carlos, que sugeriu a muitas pessoas uma ambiguidade sobre os sintetizadores. Ou seja, viam-nos como instrumentos que procuravam imitar os sons de outros. E assim se passava ao lado das verdadeiras potencialidades do instrumento… A seguir chegam os alemães, que faziam uma espécie de apologia da máquina. Usavam a música electrónica de uma forma expressionista, mecânica. Sobretudo os Kraftwerk (o que não impede que adore o que fizeram). Mas era uma música fria, robótica, desumanizada.

Procurava, antes, uma ideia de humanidade na electrónica?

Para mim aqueles eram os instrumentos mais sensuais que conhecia. Podia com eles fazer som como quem faz culinária. E procurava fazer uma música que não vivesse da repetição de acontecimentos, que não fosse automática. Em Oxygene não há sons que se repitam, não há sequenciadores.

Como numa peça sinfónica?

Mais tarde reflecti sobre essa afinidade com a música clássica. A composição de Oxygene é simples, mas longe de ingénua. Era diferente do que se fazia na música electrónica da época. E essa talvez seja uma das razões objectivas que justificam o seu sucesso. Há ali qualquer coisa na qual as pessoas se encontraram de uma forma sensual e não apenas intelectual.

Muitos associaram esta música a ambientes de ficção científica.

De facto, mas não eu. Gosto de ficção científica. Mas a minha música não a ligo ao espaço sideral. Antes ao espaço vital, ao que nos envolve. É uma música mais da biosfera que da estratosfera. Daí o facto de, ao longo dos anos, ter feito tantos trabalhos ligados a questões ambientais, com uma mensagem ecologista sem querer dar lições como outros têm feito. O artista deve passar mensagens do ponto de vista emocional e não dogmático.

Esperava o sucesso que o álbum obteve então?

De modo algum! Aquela música foi recusada por quase todas as editoras. Estávamos em tempo do punk e do disco… Não sabiam que música era aquela, sem cantor, sem single. Era um ovni para a produção da época. A minha própria mãe perguntava-me porque dei o nome de um gás a um disco… Depois do sucesso, o que era negativo virou positivo. O facto de ser francês funcionou como exotismo.

Como nasceu a sua relação com a música ao vivo em eventos ao ar livre. Outro “exotismo”?

Esta é uma música que nem é do espaço estratosférico nem da cave (como o rock). É da biosfera, do espaço público. Além disso, vivo obcecado pelo conceito do one off, do momento que não se repete.

Porque não deu ainda concertos em Portugal?

Já esteve para acontecer três vezes. Uma no Terreiro do Paço, outra na Expo, esta em Lisboa. E houve planos para o Porto. Mas nenhum se concretizou ainda. E tenho de tocar em Lisboa um dia. A luz da cidade lembra-me a de Lyon, onde nasci.

Simplex


Como é fácil de imaginar, quando os serviços de emergência médica intervêm em acidentes e tentam contactar alguém próximo das vítimas, é difícil saberem a quem.

A solução reside em cada um de nós incluir na agenda do telemóvel o contacto da pessoa a contactar em caso de urgência.

O nome internacional é ICE (= In Case of emergency). Com este número inscreveremos a pessoa com a qual deverão contactar os bombeiros, polícias, INEM, protecção civil…
Quando houver várias opções poderemos assinalá-las como ICE1, ICE2, ICE3, etc.

ao domingo é dia de limpeza

Algum dia tinha de ser…
E hoje parece-me um dia tão bom como outro qualquer para libertar espaço no disco rígido.

Agora, vou dedicar-me à impermeabilização do miocárdio. Até jazz…

azul desmaiado

A praia de Porto-de-Mós, no Algarve, é uma das contempladas este ano com a bandeira azul. No Barlavento algarvio, a água é normalmente mais fresca que no Sotavento; apesar disso, é uma experiência invulgar ir ao Algarve encontar água mais fria que na Caparica. Radical foi constatar que a água cheirava mal e tinha uma côr baça. Rapidamente me apercebi que as queixas não eram só minhas.

Afinal, parece que há por ali um esgoto que traz os resíduos dos hotéis instalados na encosta. Em conversa com pessoas que costumam frequentar esta praia, é geral a convicção que, face ao cheiro e à côr da água, tem de haver ali um esgoto subterrâneo.


Não é preciso ser muito perspicaz para descobrir o esgoto a céu aberto que foi dissimulado antes das inspecções que atribuem a classificação às praias serem efectuadas. É por isso muito estranho que ninguém se tenha apercebido que os arbustos que ocultam o esgoto foram ali plantados para inglês ver.
Tenho pena que isto seja má publicidade, mas entendo que é um problema de saúde pública e por isso deve ser denunciado.

a menina desaparecida

Temos lido muitas opiniões sobre o caso da pequenina desaparecida no Algarve, em grande número indignadas com a excessiva mediatização deste processo face a vários outros que nunca adquiriram o mesmo relevo neste mundo global (chegamos ao absurdo de ver jornalistas a entrevistar colegas de profissão sobre o tema).
O mundo das oportunidades não é igual para todos em quase tudo na vida e os pais da menina agarraram-se com todas as suas forças ao poder dos media para tentar encontrar a filha. Qualquer de nós, se tivesse essa possibilidade, faria exactamente o mesmo se perdesse um filho nestas terríveis circunstâncias.
Também é verdade que as não-notícias vão perdendo impacto e gradualmente a esperança vai sendo menor. É até provável que à menina possa já ter acontecido algo de inimaginável para quem, de forma natural, tenha adquirido simpatia pela causa, ainda que o principal motivo seja a difusão até à exaustão de imagens da menina…
Já foi vista em Marrocos, na Grécia e sabe-se lá onde mais… mas infelizmente a pequenita não é a imagem de Nossa Senhora de Fátima que aparece só porque as pessoas acreditam muito!
Sem a fé dos pais da Maddie neste momento, digo, do fundo do coração, que a melhor prenda de aniversário que hoje poderia receber seria ver uma imagem da menina, viva. Seria uma prenda para dividir, pelo que significa de esperança – que devemos manter – e pela possibilidade de explicar às nossas crianças porque podem acreditar no ser humano.

Don`t try to fix me, I`m not broken

Francisco de Goya y Lucientes - Saturno devora a su hijo, 1821-1823