Archive for the ‘ Lisboa ’ Category

Discuta-se a Avenida… e o Parque Mayer!

Encontra-se numa primeira fase de discussão pública uma revisão do Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE).
A proposta original – de 1990 – é de autoria do arquitecto Fernandes de Sá.

Da proposta, onde consta o alargamento dos passeios da Avenida em cerca de 7 ou 8 metros, resulta que passará a haver um único sentido do tráfego automóvel nas laterias.

Complementarmente, haverá lugar ao reordenamento do estacionamento à superfície, com a eliminação de 380 lugares ilegais, a criação de ilhas para cargas e descargas, 3 parques de estacionamentos subterrâneos com capacidade de 250 lugares cada, nas intersecções da Alexandre Herculano e Barata Salgueiro – ambos do lado direito de quem sobe a avenida – e outro na esquina do antigo teatro Tivoli.

Com a diminuição da população residente ao longo dos últimos 15 anos, esta medida pretende evitar o acentuar da desertificação – 17,3% de edifícios devolutos em 2003 – e atrair novos residentes.

Estarão assim criadas as condições para que, nomeadamente, seja recriado o Passeio Público, com espaço suficiente para o aparecimento de grandes esplanadas – preferencialmente de qualidade – pois os lisboetas também merecem ter os seus Champs Elysées!

O Último Cabalista de Lisboa – III

Segundo o Inimigo Público de hoje, o empresário Domingos Névoa terá mesmo oferecido 200 mil euros ao vereador Sá Fernandes.

“É verdade. E digo-lhe mais: até pagava o dobro. Não para a permuta dos terrenos, porque isso está garantido. Pagava-lhe para ele se calar, porque já não aguento mais ouvi-lo. Já rebentei quatro Sonys à paulada lá em casa, só de o ver aparecer nos telejornais”.

Chafariz do Arco de São Mamede – 1805

Em passeio pela Rua do Arco de São Mamede – próximo da Rua de São Bento -, atraído por fotos sobre uma casa abandonada que o CIDADANIA LX gentilmente me tinha enviado, e sobre a qual darei nota em breve…

Dei com este Chafariz do início do século XIX, cujos vestígios devem ter sido pintados para celebrar os 200 anos;
Porém, talvez fosse oportuno terminar com as comemorações:

Retirando os carros de cima do passeio, procedendo à limpeza do chafariz e dotando o conjunto de iluminação apropriada…

Não é pedir muito, pois não?

O Último Cabalista de Lisboa – II

No seguimento da denúncia de corrupção no caso Feira Popular/Parque Mayer e segundo o Expresso, a advogada do empresário Domingos Névoa trabalha no escritório(!) de Ricardo Sá Fernandes, irmão do vereador José Sá Fernandes, alvo da alegada tentativa de corrupção.

Parece também que a prova de denúncia foi conseguida através de escutas telefónicas(!).

A ser verdade, tudo isto é muito estranho…

O Último Cabalista de Lisboa

Primeiro, estranha-se..
A notícia de que o vereador José Sá Fernandes terá sido alvo de tentativa de corrupção pela Bragaparques, no âmbito do processo Feira Popular/Parque Mayer.

Depois, entranha-se..
Tendo em conta os antecedentes do advogado das causas populares, que se entreteve no passado recente a interpôr providências cautelares no Tribunal Administrativo Fiscal de Lisboa, a tudo o que mexia com a cidade…
será o empresário Domingos Névoa um idiota chapado, ou estaremos a ser alvo de mais uma «acção popular»?

gananciazinha

As casas desocupadas que não ultrapassem determinado consumo de água e electricidade durante mais de um ano vão ser consideradas devolutas e, como tal, vão passar a pagar o dobro da taxa de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o imposto que substituiu a Contribuição Autárquica

A ler também Casas desocupadas vão pagar imposto a dobrar, no Expresso On-line.

Esta medida é ineficiente, porque:

  • Das receitas resultantes do imposto – cujo aumento pode ir até 1,6% – em termos práticos, não resulta nenhum incentivo de maior à recuperação dos imóveis.
  • Os proprietários de prédios devolutos que actualmente utilizam o expediente dos consumos mínimos, preferem pagar a taxa adicional, com o consequente desperdício de água e energia.
  • É uma abordagem indiferenciada às razões pelas quais um imóvel está ou é considerado devoluto.
  • É demagógico dizer que esta medida é um contributo para a requalificação/renovação urbanas e ordenamento do território.
  • Um imposto com estas características – só por si – não incute confiança no mercado, se a nova Lei das Rendas não privilegiar, nomeadamente, a liberdade contratual e flexibilidade nos despejos.

azulejo – santos devotos

 

 

 

Posted by Picasa clique nas imagens para ampliar

Garagem Auto-Palace

O Edifício Auto Palace (1906-1907) tornou-se famoso pela sua estrutura metálica, projectada por Gustavo Eiffel e assinado por Vieillard & Touzet, também autores da Central-Tejo.

Tendo por base critérios como a originalidade, a introdução de tecnologias inovadoras e a contribuição para o desenvolvimento económico-social do país, foi considerada uma das 100 Obras de Engenharia mais relevantes do século XX.

Rua Alexandre Herculano, 66-68
Imóvel de Interesse Público – Decreto nº 29/84 de 25-06
Zona Especial de Protecção, Portaria nº 529/96, Diário da República, 1ª série-B, nº 228, de 1 de Outubro


Exemplar raro da arquitectura industrial, merecem destaque os vitrais Arte-Nova, datados de 1907 e assinados por C. Martins.
Os motivos são relacionados com a actividade do edifício, vocacionada para automóveis.
Para assinalar os 50 anos da presença da Auto-Industrial, o edifício – que c
ompleta 100 anos em 2007 -, foi recentemente alvo de obras de recuperação.

Posted by Picasa clique nas imagens para ampliar

Prémio Valmor de Arquitectura – 1980


Edifício de escritórios, no cruzamento da Rua Castilho, 223-233 com a Rua D. Francisco Manuel de Melo, 2-8.

Autores do projecto – Arquitectos Manuel Salgado, Sérgio Coelho e Penha e Costa.
Valias – valorização do espaço em todas as áreas do edifício.

O prestigiado Prémio Valmor de Arquitectura – sinónimo de qualidade arquitectónica – é atribuido em partes iguais ao proprietário e ao arquitecto autor do projecto que reflicta o gosto dominante num determinado ano ou época.

O Prémio Municipal de Arquitectura valoriza também obras de natureza diversa, normalmente mais modernas dos que as premiadas pelo Valmor.

Recentemente, passaram a estar incluidos trabalhos na área da Arquitectura Paisagista.

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

A porta 2, com acesso pela Rua da Alegria – entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real – dá acesso à zona sul do jardim, por cima do Parque Mayer.
A entrada principal faz-se pela Rua da Escola politécnica, 54/58.

Sugiro, como possível ponto de partida para conhecer a vida do Jardim, uma visita aos seus ambientes, ao Banco de Sementes e às Exposições.

Em 1859, o Conselho da Escola Politécnica – que mais tarde daria lugar à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa – deliberou sobre a compra de terra vegetal no «sítio das Amoreiras», com destino ao futuro Jardim da Politécnica.
Iniciava-se então a preparação das plantações e sementeiras do plano superior do jardim, que só em 1873 – pela mão do Conde de Ficalho – seria impulsionada de modo decisivo.

Em 21 de Dezembro de 1877, o então Director interino da Escola, Andrade Corvo, afirmava:
«O novo jardim levantou-se como por encanto, e hoje mais de dez mil plantas florescem onde não há ainda quatro annos não vegetava um arbusto».

A organização do jardim botânico foi iniciada no plano superior, na imediata vizinhança do edifício da Escola. Foi resolvido que aqui ficassem representadas as principais famílias de Dicotiledóneas e algumas Gimnospérmicas.

As Monocotiledóneas foram colocadas na parte inferior do jardim, que constituía uma espécie de quinta, cuja exploração facultava à Junta Administrativa da Politécnica rendimentos de vulto.
Havia olival, vinha, pomar e terreno para cultivo de cevada, milho, fava e batata. A pouco e pouco, esta exploração agrícola foi dando lugar ao que presentemente constitui um arboreto de muito interesse sob vários aspectos.

A escolha das plantas foi justificada pelo Conde de Ficalho nos seguintes termos:
«A ordem adoptada foi a do Prodromus de De Candolle, não porque esta classificação seja scientíficamente preferível a todas as outras, mas porque é seguida no único Species completo que abrange todas as Dicotiledóneas, e por isso a mais geralmente adoptada».

 

 

Durante a década seguinte, a vida do Jardim Botânico foi afectada por via da abertura do Rossio, com uma intersecção na parte inferior, próxima do actual Parque Mayer.
Pelo meio houve várias tentativas malogradas de ligar o jardim à Avenida da Liberdade, desde a construção de um passeio até a uma projectada avenida que ligaria a Avenida da Liberdade à Rua da Escola Politécnica, passando por um ascensor…

Todos os projectos apresentados até final do século fracassaram.

 

 

A primeira construção empreendida no jardim foi a de uma pequena estufa de madeira, destinada provisoriamente à multiplicação e abrigo de plantas que exigem condições especiais de temperatura.

Situava-se no plano superior, junto ao canto noroeste, e deu lugar muito mais tarde a uma estufa de estrutura metálica, que serviu precariamente até 1962.

No verão de 1921, as palavras do Prof. Pereira Coutinho eram as seguintes:
«É de advertir que o nosso Jardim Botânico goza de bem merecida consideração entre os estabelecimentos similares estrangeiros, que é muito valiosa a colecção das suas plantas, e que seria para lastimar a sua decadência ou mesmo perda».

Um jardim com estas características requer permanentes cuidados com a sua conservação.
Por via da humidade, os materiais que compõem a estrutura da estufa degradam-se com relativa facilidade. A falta de verbas sempre foi uma constante, neste capítulo.