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diálogo imprevisto

Hoje à tarde, depois do ritual semanal de deixar o dízimo na Fnac, desci a Nova do Almada e, ao chegar ao carro, um turista espanhol pergunta:

– Barro Altio?

– Bairro Alto? Arriba!

– Tengo de andar mucho?

– No.

– Xabes onde fica um sítio onde poxo ter una vista de la ciudad?

– Jardim São Pedro de Alcântara. Se quiseres deixo-te lá!

– Muchas gracias.

No trajecto, a ouvir a TSF:

– Vengo de Caxilhas. O paxéo de barco és mui lindo!

– É! Do rio tens uma vista magnífica sobre a cidade!

– Está a jugar Benfica? Si ganha se va a Champions, no?

– É, mas eu sou do Sporting!

– (…)

– Lixboa é una ciudad mui romantica, mui linda. Conoces Madrid?

– Si, claro, e me gusta muchissimo.

– Ah! Se Madrid tienga um rio!!

– Olha, já chegamos!

– Asta luego!

Concluí o meu trajecto a ouvir os instantes finais dos jogos, à espera de um golinho da União de Leiria na Luz, mas as minhas preces foram em vão.

O espanhol deu galo!

Le Petit Prince – Antoine de Saint-Exupery

CHAPITRE VII

Le cinquième jour, toujours grâce au mouton, ce secrèt de la vie du petit prince me fut révélé.

Il me demanda avec brusquerie, sans préambule, comme le fruit d’un problème longtemps médité en silence:

-Un mouton, s’il mange les arbustes, il mange aussi les fleurs?

-Un mouton mange tout ce qu’il rencontre.

-Même les fleurs qui ont des épines?

-Oui. Même les fleurs qui ont des épines.

-Alors les épines, à quoi servent-elles?

Je ne le savais pas. J’étais alors très occupé à essayer de dévisser un boulon trop serré de mon moteur. J’étais très soucieux car ma panne commençait de m’apparaître comme très grave, et l’eau à boire qui s’épuisait me faisait craindre le pire.

-Les épines, à quoi servent-elles?

Le petit prince ne renonçait jamais à une question, une fois qu’il l’avait posée.

J’étais irrité par mon boulon et je répondis n’importe quoi:

-Les épines, ça ne sert à rien, c’est de la pure méchanceté de la part des fleurs!

-Oh!

Mais après un silence il me lança, avec une sorte de rancune:

-Je ne te crois pas! les fleures sont faibles. Elles sont naives. Elles se rassurent comme elles peuvent. Elles se croient terribles avec leurs épines…

Je ne répondis rien. A cet instant-là je me disais: “Si ce boulon résiste encore, je le ferai sauter d’un coup de marteau.” Le petit prince dérangea de nouveau mes reflexions:

-Et tu crois, toi, que les fleurs…

-Mais non! Mais non! Je ne crois rien! J’ai répondu n’importe quoi. Je m’occupe, moi, des choses sérieuses!

Il me regarda stupéfiait.

-De choses sérieuses!

Il me voyait, mon marteau à la main, et les doigts noirs de cambouis, penché sur un objet qui lui semblait très laid.

-Tu parles comme les grandes personnes!

Ca me fit un peu honte. Mais, impitoyable, il ajouta:

-Tu confonds tout… tu mélanges tout!

Il était vraiment très irrité. Il secouait au vent des cheveux tout dorés:

-Je connais une planète où il y a un Monsieur cramoisi. Il n’a jamais respiré une fleur.

Il n’a jamais regardé une étoile. Il n’a jamais aimé personne.

Il n’a jamais rien fait d’autre que des additions.

Et toute la journée il répète comme toi: “Je suis un homme sérieux! Je suis un homme sérieux!” et ça le fait gonfler d’orgueil.

Mais ce n’est pas un homme, c’est un champignon!

-Un quoi?

-Un champignon!

Le petit prince était maintenant tout pâle de colère.

-Il y a des millions d’années que les fleures fabriquent des épines.

Il y a des millions d’années que les moutons mangent quand même les fleurs.

Et ce n’est pas sérieux de chercher à comprendre pourquoi elles se donnent tant de mal pour se fabriquer des épines qui ne servent jamais à rien?

Ce n’est pas important la guerre des moutons et des fleurs? Ce n’est pas sérieux et plus important que les additions d’un gros Monsieur rouge?

Et si je connais, moi, une fleur unique au monde, qui n’existe nulle part, sauf dans ma planète, et qu’un petit mouton peut anéantir d’un seul coup, comme ça, un matin, sans se rendre compte de ce qu’il fait, ce n’est pas important ça?

Il rougit, puis reprit:

-Si quelqu’un aime une fleure qui n’existe qu’à un exemplaire dans les millions d’étoiles, ça suffit pour qu’il soit heureux quand il les regarde.

Il se dit: “Ma fleur est là quelque part…” Mais si le mouton mange la fleur, c’est pour lui comme si, brusquement, toutes les étoiles s’éteignaient!

Et ce n’est pas important ça!

Il ne put rien dire de plus. Il éclata brusquement en sanglots. la nuit était tombée.

J’avais lâché mes outils. Je me moquais bien de mon marteau, de mon boulon, de la soif et de la mort.

Il y avait sur une étoile, une planète, la mienne, la Terre, un petit prince à consoler!

Je le pris dans les bras. Je le berçai. Je lui disais: “La fleur que tu aimes n’est pas en danger… Je lui dessinerai une muselière, à ton mouton… Je te dessinerais une armure pour ta fleur… Je…” Je ne savais pas trop quoi dire.

Je me sentais très maladroit. Je ne savais comment l’atteindre, où le rejoindre… C’est tellement mystérieux, le pays des larmes.

mais do que um sonho: comoção!

sinto-me tonto, enternecido,

quando, de noite, as minhas mãos

são o teu único vestido.

e recompões com essa veste,

que eu, sem saber, tinha tecido,

todo o pudor que desfizeste

como uma teia sem sentido;

todo o pudor que desfizeste

a meu pedido.

mas nesse manto que desfias,

e que depois voltas a pôr,

eu reconheço os melhores dias

do nosso amor.

David Mourão-Ferreira

mais do que um sonho: comoção!

sinto-me tonto, enternecido,

quando, de noite, as minhas mãos

são o teu único vestido.

e recompões com essa veste,

que eu, sem saber, tinha tecido,

todo o pudor que desfizeste

como uma teia sem sentido;

todo o pudor que desfizeste

a meu pedido.

mas nesse manto que desfias,

e que depois voltas a pôr,

eu reconheço os melhores dias

do nosso amor.

David Mourão-Ferreira

jardim da primeira infância

Localizado na Praça do Príncipe Real, foi inicialmente conhecido por Alto da Cotovia.

O topo norte do Bairro Alto, nas proximidades do Príncipe Real, foi desde muito cedo designado por Alto dos Moinhos e Sítio dos Moinhos de Vento.

Este sítio do Jardim esteve, anteriormente ao terramoto, ocupado pelas obras de um palácio projectado pelo conde de Tarouca.

Por ocasião do Terramoto, o terreno é destinado ao acampamento de regimentos militares da província, com o intuito de manter a segurança na cidade.

Foi local de realização de enforcamentos, instalação provisória da Paróquia da Encarnação, até que em 1756, Monsenhor Perry de Linde celebrou a 1ª Missa na nova Basílica Patriarcal que aí foi instalada, e que ardeu em 1769.

Em 1835, ordenou-se o estabelecimento de um mercado público.

A terraplanagem do largo fez-se em 1849 e as obras do Jardim iniciaram-se 10 anos depois.

O Jardim foi plantado entre 1859 e 1863, em homenagem ao filho primogénito da Rainha D. Maria II.

O gosto de ajardinar a cidade de Lisboa surge em meados do século XIX e o Jardim do Príncipe Real é exemplo disso mesmo, aproveitando um bom espaço central, embelezando um dos bairros aristocráticos mais prestigiados de então: com numerosos palácios e palacetes, onde vivia a burguesia em plena época romântica.

Em 1877, o negociante de tabaco José Ribeiro da Cunha manda edificar em frente ao Jardim o seu palacete em estilo neo-árabe.

O Jardim França Borges, assim designado em homenagem ao jornalista republicano do mesmo nome fundador do jornal “O Mundo”, foi inspirado no modelo romântico inglês.

O Jardim ocupa uma área de 1,2 ha e distingue-se pelo monumental e secular Cedro-do-Buçaco, com mais de 20m de diâmetro, ex-libris do jardim.

Constitui a maior e mais bonita sombra natural de Lisboa.

O Jardim tem, no meio, um vasto tanque, que alia a sua função decorativa a um papel utilitário, pois serve de arejadouro às águas do Reservatório de Água da Patriarcal, que existe no subsolo da praça.

Projectado em 1856 e construído entre 1860 e 1864, faz parte do Museu da Água da EPAL.

Tem também uma esplêndida esplanada que felizmente mudou de donos há pouco tempo, e está muito mais bonita!

Foi neste jardim que comecei a brincar!

Imagem do Dia: C/2002 T7

Descoberto pelo programa Lincoln Near Earth Asteroid Research (LINEAR) no mês de Outubro de 2002, o cometa C/2002 T7 aproximou-se agora do Sistema Solar interior, tendo atingido o seu ponto mais próximo do Sol no passado dia 23 de Abril.

Este cometa é agora visível a olho nu na direcção da constelação dos Peixes, perto do horizonte Este, pouco antes do amanhecer.

O cometa atingirá o seu ponto mais próximo da Terra no próximo dia 19 de Maio, altura em que será ainda mais brilhante, podendo então ser observada, em todo o seu esplendor, a sua cauda que atinge já dois graus de extensão

testemunho para memória futura (II)

três épicos

Que estão indelevelmente ligados entre si!

Tubular Bells, de 1973, a obra mais emblemática de Oldfield, com o poderoso Grand Piano!

Ommadawn, de 1975, para muitos a obra-prima, bebe no anterior, mas instrumentalmente mais rico!

Amarok, de 1990, talvez o mais maduro, com uma hora ininterrupta de criatividade!

E que me transportam para outras sonoridades!

Bártok e Stravinski!

Jethro Tull e Frank Zappa!

Chieftains e Riverdance!

ambiguidade da beleza na adolescência

Le Garçon à la Pipe

Pablo Picasso – Paris, 1905

a noite está feia!



Reuters/Ali Jarekji

Nem tudo é mau!

Da minha janela não consigo ver a lua, mas tenho uns amigos que a trazem até mim!