Arquivo de Novembro, 2011

Música em São Roque – Ensemble Vocal Introitus

Época de Ouro da Polifonia Ibérica
Tomas Luis de Vitoria nos 400 anos da sua morte
Igreja do Instituto de São Pedro de Alcântara | 6 de Novembro de 2011 | Ensemble Vocal Introitus
in Notas ao Programa:
Escreve o cronista D.Nicolau de Santa Maria que, depois de Filipe II ter assistido às cerimónias da Semana Santa no Escorial, perguntou ao Capelão-mor da sua corte: “Que vos parece? Hauerá por ventura em toda a Christandade Igreja ou Mosteiro, em que se fação os officios diuinos com a perfeição com que se fazem neste meu Escorial? Respondeo o Bispo: Se Vossa Magestade me der licença direi aonde os vi, & ouui fazer tão bem, & melhor. El Rey admirado da resposta perguntou: E aonde? Disse o Bispo: Com licença de Vossa Magestade, em o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em Portugal, que he de conegos Regrantes de S.Agostinho”
Este é um dos episódios que mostra o alto nível de qualidade da música que se compunha e interpretava em Portugal durante o século XVII.

«Le Carnet de La Califonie» – Picasso em Cascais

Exposição: Picasso – «Le Carnet de La Califonie»
Centro Cultural de Cascais | 29 de Outubro a 8 de Janeiro de 2012
Uma vez mais ao abrigo do protocolo de colaboração celebrado em 1997 com a Fundação Bancaja, a Fundação D. Luís I apresenta até 8 de janeiro, no Centro Cultural de Cascais, uma importante coleção de 39 trabalhos da obra gráfica de Pablo Picasso. Trata-se da produção realizada pelo artista espanhol durante o período em que viveu com a sua mulher Jacqueline Roque, na vila La Californie, em Cannes, entre 1955 e 1960. A exposição tem como ponto de partida os esboços realizados pelo pintor, posteriormente reproduzidos na suite Le Carnet de La Californie, que foi adquirida pela Fundação Bancaja em 2007, e será complementada com gravuras, livros ilustrados e escritos da autoria do pintor, também pertencentes à colecção. As obras produzidas por Picasso nesta fase refletem a inspiração na atmosfera luminosa da casa e nos objectos que o rodeava, transmitindo a felicidade do pintor durante este período.

Em La Californie, Picasso transformou uma sala grande em ateliê, espaço que se tornou ele próprio protagonista de muitas das suas obras. O “regresso” ao tema do ateliê como inspiração foi igualmente interpretado como uma homenagem póstuma a Henri Matisse, que havia falecido em 1954. Esta ligação a Matisse foi também transposta para o uso das cores e para o caráter ornamental que caracteriza uma parte dos trabalhos da série.
A exposição apresenta obras em que Picasso utiliza várias técnicas gráficas (gravura calcográfica, água-tinta, linóleo e litografia), bem como alguns dos livros ilustrados pelo artista no seu atelier de La Californie, como os delicados e inovadores livros realizados com Pierre André Benoît, que contêm poemas de Reve Crevel, Jean Cocteau, ou o poema-objeto de Tristan Tzara. Destaque ainda para o livro La tauromaquia que fez para o editor catalão Gustavo Gili; o livro que contém os retratos do seu amigo Max Jacob ou os que ilustram poemas de Paul Éluard e do poeta local Henri-Dante Alberti. Via.

Concerto – 300 anos da Igreja do Menino Deus

A Música Sacra no tempo de D. João V (Compositores de 1711 a 1750)
Igreja do Menino Deus | 4 de Novembro de 2011, 21:00h | Entrada livre
Programa:
João Rodrigues Esteves: “Pinguis est Panis”
Johann Sebastian Bach: Ária “Schlummert ein, ihr matten Augen”
G.Ph.Telemann: Cantata “Ihr Völker hört” (Am Feste der heiligen drei Könige)
Johann Sebastian Bach: Sonata em Si bemol Maior, BWV 1021 Adagio/Vivace/Largo/Presto
João Rodrigues Esteves: “Regina Caeli Laetare”
La Nave Va – Ensemble Barroco
Maria Luísa Tavares, Mezzo-Soprano | Armando Possante, Barítono | António Carrilho, Flauta de Bisel | Edoardo Sbaffi, Violoncelo | Jenny Silvestre, Cravo

300 ANOS da IGREJA DO MENINO DEUS: 1711-2011
A Igreja do Menino Deus é uma obra de grande importância histórica e patrimonial. Localizada no Largo do Menino Deus, meio escondida na encosta nascente da Colina do Castelo, este templo é praticamente desconhecido da maior parte dos lisboetas. Mas a sua notável qualidade e originalidade arquitectónica, aliada ao facto de ser uma das raras igrejas que escapou intacta ao grande terramoto de 1755, fazem dela um verdadeiro marco da Arquitectura Barroca nacional. A concepção da obra está atribuída ao Arquitecto Real João Antunes (1642-1712), autor de obras de referência como a Igreja de Santa Engrácia em Lisboa.
Foi no dia 4 de Julho de 1711, que o Rei D. João V, acompanhado dos Infantes, seus irmãos, D. António e D. Manuel, conjuntamente com vários membros da Casa Real, lançou a primeira pedra da igreja. A construção prolongou-se durante 26 anos tendo ficado concluída em 1737, data em que foi sagrada. No dia 25 de Março, o mesmo Rei D. João V, transferiu a imagem “milagrosa” do Menino Deus da Igreja da Ordem Terceira de S.Francisco de Xabregas. Na cerimónia da inauguração, o Rei foi acompanhado em procissão nocturna, com tochas acesas, pela população da capital e pelo jovem Príncipe D. José, seu filho, e os irmãos Infantes D. António e D. Manuel. Depois de colocada a imagem na capela-mor, se cantou o Te Deum “com excelente música de instrumentos e vozes” como nos descreve a Gazeta de Lisboa.

Nave e Capela-mor com embutidos de pedraria (embrechados) | Foto: Fernando Jorge, 2011
Ao observarmos a frontaria da igreja vemos que não está concluída, faltando-lhe o remate de frontão e as torres campanário. Mas o interior é um perfeito e completíssimo exemplo da Arquitectura portuguesa do início do séc. XVIII. Espera-nos um verdadeiro espectáculo da obra total do Barroco. O espaço é amplo, à maneira de grande salão, com cantos cortados o que confere à igreja uma peculiar forma oitavada. As paredes são integralmente revestidas de pedra e com magníficos embutidos de pedraria de várias cores.
Nesta igreja a talha dourada está limitada aos retábulos dos oito altares laterais onde se integra um conjunto de boas pinturas de André Gonçalves (1685-1762) e do pintor espanhol André Ruvira executadas por volta de 1730. O retábulo da capela-mor, em mármore, é do italiano João António Bellini, de Pádua; ao centro, em pequeno nicho, vemos a imagem do Menino Jesus, devota dos populares e que, segundo a tradição, já existia no local sendo conhecida por Menino Deus. A Capela-mor é ainda adornada com duas belas telas trilobadas: um “São Francisco Despojado dos Hábitos Seculares” de Vieira Lusitano (1699-1783) da década de 1730, e um “Trânsito de São Francisco” atribuído ao italiano Francesco Pavona. A arte da pintura do Menino Deus fica completa com o esplêndido tecto pintado, obra de parceria entre Vitorino Manuel Serra, João Nunes Abreu, Jerónimo da Silva e André Gonçalves, representando arquitecturas em tromp-l’oeil e, ao centro, painel com a “Ascensão de São Francisco com as Virtudes”.
As obras foram erguidas com esmolas públicas e ajuda do Rei. O edifício conventual ficou destinado a recolhimento das Franciscanas Mantelatas da Ordem Terceira de S. Francisco de Xabregas.
Actualmente na parte conventual funciona o Centro Social do Menino Deus, gerido por uma Congregação de São José de Cluny, frequentado diariamente por cerca de 170 crianças. A igreja já foi alvo de restauro.
Para quem ainda não conhece este deslumbrante e raro monumento de Lisboa, aconselhamos que o venha descobrir no ano em que celebra 300 anos. Via.

 Tecto da nave com pintura ilusionista em tromp-l’oeil | Foto: Fernando Jorge, 2011

Et l’aventure commence…

No Outono de 1925, Hergé começa a trabalhar no jornal Le Vingtième Siècle, interrompendo a colaboração para cumprir o serviço militar nos dois anos seguintes.

No dia 1 de Novembro de 1928 sai o primeiro número do suplemento juvenil do jornal – Le Petit Vingtième -,coordenado por Hergé. Com argumento de um dos redactores do jornal, Hergé desenha Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette et Cochonet .

No dia 10 de Janeiro de 1929, inicia-se no Le Petit Vingtième (nº 11) Tintin au pays des Soviets, a primeira de inúmeras aventuras do jovem repórter.

Hergé devint assez vite très polyvalent au sein du XXème siècle, s’occupant de la mise en page, des illustrations et du lettrage. Le directeur, voulant élargir l’audience du journal, décida de créer un supplément destiné aux jeunes. Il se tourna, tout bonnement vers Hergé qui allait se fiancer avec Germaine Kieckens, sa secrétaire. Le 1er novembre 1928, le premier numéro du Petit Vingtième paraissait. La responsabilité du nouveau journal était confiée à Hergé.

Il commença par illustrer les séries paraissant dans le Petit Vingtième, mais vite lassé, il décida de lancer sa propre série. Il reprit ses planches de Totor, en changeant quelques lettres au nom du héros et en lui donnant un nouveau métier : journaliste. Il lui ajoute une houppette et un fox terrier : Milou.
Ayant lu les B.D américaines Bringin up father, Katzenjammer kids et Krazy Cat, Hergé décide de lancer une véritable bande dessinée où dessins et paroles des personnages sont liés.
Tintin apparaît donc pour la première fois le 10 janvier 1929 dans Le Petit Vingtième. Le jeune reporter va partir en voyage au pays des bolcheviques… Hergé livrait deux planches par semaine, sans imaginer les suites que la série aura assez vite.
%d bloggers like this: