la villa, Estoril

Jantares de negócios, uma chatice! 

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:: Amor de mãe!

Os animais também amam?

:: reminder

Filmes para alugar esta semana no blockbuster:

O Cume de Dante, Mississipi em Chamas, Vulcão, Quo Vadis..

Darfur – Sudão: Um lugar do outro mundo

Àqueles que se colocam à margem do problema e lhe chamam guerra religiosa, devemos recordar os números da pior crise humanitária no mundo:

  1. milhões de deslocados
  2. centenas de milhar de refugiados
  3. dezenas de milhar de assassinados

O Nuno Guerreiro chamou mais uma vez à atenção para esta catástrofe.

Pede-nos que publiquemos um post, uma simples foto sobre Darfur, para que a mensagem passe!

Permito-me recordar até onde é capaz de ir a estupidez dos homens!

the show must go on..

No Jornal Nacional da TVI de ontem vi uma das inúmeras reportagens que se têm feito nos últimos dias sobre o país a arder.

O repórter surge de rompante frente à câmara, supostamente ainda em off, a perguntar ao cameraman qualquer coisa como “este plano é bom?”.

O objectivo era estimular o espectador para o perigo que ele corria ao fazer a reportagem, perigosamente perto das chamas que atravessavam  a estrada.

No ano passado, ou há dois anos, já não me recordo, A Alta Autoridade para a Comunicação Social recomendava aos órgãos de comunicação social alguma moderação na apresentação das imagens sobre os incêndios, para não despertar ainda mais os pirómanos espalhados pelo território nacional.

Andam a dormir?!

Para "A Sebastiana"

Eu construí a casa.

Fi-la primeiro de ar.

Depois hasteei a bandeira

E deixei-a pendurada

no firmamento, na estrela,

na claridade e na escuridão.

Cimento, ferro, vidro,

eram a fábula,

valiam mais que o trigo e como o ouro,

era preciso procurar e vender,

e assim chegou um camião:

desceram sacose mais sacos,

a torre agarrou-se à terra dura- mas,

não basta, disse o construtor,

falta cimento, vidro, ferro, portas ,

e nessa noite não dormi. 

Mas crescia,

cresciam as janelas

e com pouco,

com pegar no papel e trabalhar,

arremetendo-lhe com joelho e ombro

ia crescer até chegar a ser,

até poder olhar pela janela,

e parecia que com tanto saco

poderia ter tecto e subiria

e agarraria, por fim, a bandeira

que suspensa do céu agitava ainda as suas cores.

Dediquei-me às portas mais baratas,

às que morreram

e tinham sido arrancadas de suas casas,

portas sem parede, rachadas,

amontoadas nas demolições,

portas já sem memória,

sem recordação de chave,e disse: “Vinde

a mim, portas perdidas:

dar-vos-ei casa e parede

e mão que bate,

oscilareis de novo abrindo a alma,

velareis o sono de Matilde

com as vossas asas que voaram tanto.”

Então a pintura

chegou também lambendo as paredes,

vestiu-as de azul-celeste e cor-de-rosa

para que se pusessem a bailar.

Assim a torre baila,

cantam as escadas e as portas,

sobe a casa até tocar o mastro,

mas falta dinheiro:faltam pregos,

faltam aldrabas, fechaduras, mármore.

Contudo, a casa

vai subindo

e algo acontece, um latejo

circula nas suas artérias:

é talvez um serrote que navega

como um peixe na água dos sonhos

ou um martelo que pica

como um pérfido pica-pau

as tábuas do pinhal que pisaremos.

Algo acontece e a vida continua.

A casa cresce e fala,

aguenta-se nos pés,

tem roupa pendurada num andaime,

e como pelo mar a primavera

nadando como ninfa marinha

beija a areia de Valparaíso,

não pensemos mais: esta é a casa:

tudo o que lhe falta será azul,

agora só precisa de florir.

E isso é trabalho da primavera.

Pablo Neruda

com 38º é difícil suportar a roupa..

Balthus – Nude with Arms Raised, 1951