As tuas mãos

Foto de Paul Grant Cutright

Quando as tuas mãos, amor,

procuram as minhas,

que me trazem em seu vôo?

Por que se detiveram

na minha boca, de súbito,

por que é que as reconheço

como se já antes

as tivesse tocado,

como se antes de existir

tivessem percorrido

a minha fronte, a cintura?

A sua suavidade

voava sobre o tempo,

sobre o mar, sobre o fumo,

sobre a primavera,

e quando puseste

as mãos no meu peito,

reconheci essas asas

de pomba dourada,

reconheci essa greda

e essa cor de trigo.

Passei os anos

da minha vida a procurá-las.

Subi as escadas,

atravessei os recifes,

levaram-me os comboios,

as águas me trouxeram,

e na pele das uvas

imaginei tocar-te.

De repente a madeira

trouxe-me o teu contacto,

as amêndoas anunciavam-me

tua secreta doçura,

até que as tuas mãos

em meu peito se fecharam

e ali como duas asas

terminaram a viagem.

in Os Versos do Capitão, de Pablo Neruda

Tradução de Albano Martins


Que dor de cabeça!



Posted by Hello Clique na imagem para ampliar a dor!

enviem-me para o exílio.. pode ser uma ilha no Pacífico!

As eleições para os órgãos do poder político são, na sua substância, o processo de legitimação dos representantes a quem são delegados poderes pelo voto popular.

A não participação neste processo tende a ser desvalorizada, por via da consolidação de sistemas como o americano, em que a desafectação dos cidadãos ao sistema democrático, embora elevada, não o coloca em risco.

Ora, os desafios que se colocam hoje às sociedades vão muito para além da legitimidade que advém dos actos eleitorais. A participação política dos cidadãos não se esgota – e muito menos começa aqui!

O exercício da cidadania faz-se através da intervenção em grupos, associações, apresentando propostas, que, de forma aparentemente invisível, contribuem para algumas mudanças significativas na sociedade.

Isto é tão mais verdade quanto mais consolidadas são as democracias estáveis.

No caso português, é inegável o aumento da abstenção na última década.

Tem variado entre os 30 e os 40%, tendo ultrapassado os 50% nas eleições para o Parlamento Europeu!

A falta de qualidade dos políticos, de um modo geral, a volatibilidade do voto conjuntural – a diluição do posicionamento entre direita e esquerda, têm acentuado a tendência para o descrédito das instituições democráticas.

Medina Carreira disse esta semana que não vai votar em nenhum dos dois partidos da área do poder. Será um reflexo desta análise?

A abstenção não tem uma leitura única:

– Protesto individual consciente, face à leitura dos programas partidários.

– Origem estrutural, com base no nível de politização dos conflitos sociais e do papel do Estado na mediação desses conflitos, que tendem para uma menor necessidade/vontade de participação activa do indivíduo.

– O sitema utilizado – O Método de Hondt, que consiste na repartição dos mandatos pelos partidos, proporcionalmente à importância da respectiva votação, é cada vez mais questionado, por razões que vão desde a importação para um determinado círculo eleitoral de representantes oriundos doutros círculos à distorção que representa, no sentido em que o eleitor não se sente representado.

Faz lembrar as transferências de jogadores de futebol, que quando chegam ao Benfica ou ao Sporting, dizem que eram adeptos do clube desde pequeninos!

A última vez que votei foi em 1985! Passei ao lado de uma grande carreira…

Ah! Já me esquecia..

Se não devo abster-me de votar nas eleições, é eticamente aceitável que leis e até programas de governo sejam aprovados na Assembleia da República com a abstenção de alguns/muitos deputados?!

do debate.. das ideias?! O povo quer é festa!





Devemos, pois, em primeiro lugar, precaver-nos contra esta ideia de que nos raciocínios pode não existir nada de prestável; mas convençamo-nos antes da nossa incompetência, da obrigação de procedermos energicamente, de nos esforçarmos por ser competentes –
doutra forma expomo-nos ao perigo de nos portarmos como os questionadores ignorantes.[…] Porquanto estes, quando disputam a respeito de algum assunto, não se importam com a verdadeira solução do problema; o que tomam a peito é que aos assistentes pareça verdade o que estabeleceram como tal.

[Objecções de Símias e de Cebes. Sócrates responde a Símias]

in Fédon, de Platão

Diverti-vos, pois a alma é mais duradoura que o corpo!

sem título

Vincent Van Gogh

Lane with Poplar Trees, início de 1884 – 54 x 39 cm

Rijksmuseum Vincent van Gogh, Amsterdam

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Fernando Pessoa



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Serralves, início de 2005

frio? qual frio? o frio! mas que frio? o frio!

A campanha eleitoral – ou pré-campanha, é como os saldos!

Eles bem acenam com promoções fantásticas, mas os clientes não se entusiasmam!

Os recém-chegados bloggers(!) José Sócrates e Pedro Santana Lopes bem tentam aquecer os locais por onde passam, mas… a música não faz dançar ninguém!

Confrangedor! Nem uma ideia!

Votasse eu.. e eles iam ver!

Toda a Verdade!

Se ainda subsistia alguma dúvida sobre a honorabilidade do Ministro Morais Sarmento – isto a propósito da polémica em torno das despesas com a viagem a São-Tomé e o episódio do mergulho, está à vista de todos a forma transparente como o processo decorreu.



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Como se pode extrair das imagens colhidas no Campo Pequeno, A Escola de Navegação e Recreio patrocinou as aulas de mergulho – até se comenta nos mentideros que MS foi acompanhado de um instrutor!

.. E sem aqueles encargos absurdos de que o acusaram, meus amigos!

Só não compreendo como Santana Lopes comentou ao ser informado do assunto, que as despesas eram “incómodas”!



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E depois vêm certas e determinadas pessoas dizer.. ah! e tal!

Mas o que é isto?!

Avançamos tanto.. e no entanto, tão pouco!

Há cem anos, em 1905, um certo Einstein enunciava os Postulados da Teoria da Relatividade:

A relatividade da distância e a relatividade dos intervalos de tempo.

Eternizado no século XX, Albert Einstein (1879-1955) revolucionou a Ciência;

Transformou o mundo da Física e mudou a perspectiva que o homem tinha do Universo.

Explicava a sua teoria através duma comparação relativamente simples de entender: “uma hora com uma jovem e bela mulher passa como um minuto, mas um minuto sobre um forno quente parece uma hora”.

Para celebrar este centenário, a Unesco declarou 2005 “Ano Mundial da Física”.

Algumas das mais importantes iniciativas associadas às comemorações podem ser consultadas aqui, aqui e aqui.

Parabéns!

Ao Miguel Duarte e votos de afirmação do Movimento Liberal Social!

A virtude está no Extremo-Centrismo

Se há alguma coerência no Professor Diogo Freitas do Amaral é a sua postura de centrista. Desde que em 1974 fundou o CDS-Centro Democrático Social, teve a arte de trazer a direita para o centro do regime, o que em abono da verdade constitui um contributo fundamental na consolidação da nossa jovem democracia.

As alianças que fez entretanto – com o PS em 1978 e que deu o primeiro Bloco Central, e no ano seguinte a AD-Aliança Democrática, com Francisco Sá Carneiro e Gonçalo Ribeiro Teles, demonstram a sua habilidade política, quer na sedução da ala esquerda do PSD, quer da ala direita do PS.

De candidato presidencial derrotado por Soares em 1985 à presidência da Assembleia Geral da ONU, são dois indicadores da condição de estadista que marcam a personalidade de Freitas do Amaral – um dos oito magníficos do pós 25 de Abril, como disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Os recentes episódios – oportunisticamente aproveitados por Sócrates, ao dizer que Freitas do Amaral apelou hoje ao voto no PS com a coragem que só espíritos livres o podem fazer, mas fê-lo também por nobreza de carácter e em nome do interesse nacional, unicamente porque pede maioria absoluta para o PS nas próximas eleições legislativas, e o caso do parecer jurídico contra a transferência do Fundo de Pensões da CGD para a CGA – a meu ver erradamente, pois tenho muita dificuldade em separar o Jurista do Presidente da Assembleia de accionistas da Caixa, são matéria quente neste momento de agitar das bandeiras, mas logo que a onda passe, concluiremos que Freitas do Amaral não faz mais do que estar no meio dos que em cada momento estão na mó de cima.

Diogo Freitas do Amaral não é um homem de causas. É um homem de compromissos!