Cumplicidade* entre terra e mar

Estive ontem no empreendimento Mar da Califórnia, em Sesimbra.
Arrebatadora, a vista que se tem a partir dos apartamentos.. este mar é simplesmente do outro mundo!
Ninguém pode deixar de se impressionar, face à imponência do projecto, com cerca de duzentos metros de frente e onze andares!


Do ponto de vista do usufruto – ninguém tenha dúvidas, é um privilégio abrir a janela, sentar-mo-nos no terraço e deixar correr o tempo.. respirar calmamente a leve brisa deste mar.. como poucas conheço no nosso país.

Tivesse isto sido construído noutro local..


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É chocante, a forma como uma Câmara se permite dar o pior exemplo de interpretação do PDM, ao alegar que se encontra no perímetro urbano da vila!
Que despudor!
Esta coisa está a ser edificada em cima da arriba, três metros acima do nível do mar!
Ao nível do pior Algarve..(!)
Durante quanto tempo continuará a ser este o critério de alguns autarcas do nosso país?!

Para terminar, de referir que, em jeito de contrapartida(?!) – com total desprezo pela inteligência e sensibilidade dos sesimbrenses, tenha sido acenada a cenoura da Nova Marginal, oferecida pela empresa proprietária do empreendimento.
Construída com materiais nobres – como o tijolo que sustenta o Passeio Marítimo, de um gosto mais do que duvidoso, ao melhor estilo pato-bravo ( espero enganar-me, mas aquilo não tem estrutura para suportar muitos invernos seguidos!)

Que saudades da velha Marginal, quando nos podíamos sentar na esplanada do Tony para comer uns bichos, mesmo suportando de vez em quando alguns escapes de automóveis!

*Cumplicidade: tornar cúmplice; participação na execução ou na tentativa de um crime.

Lisboa antes do Terramoto..

.. de 1755!

Duzentos e cinquenta anos mais tarde..

Novo Terramoto, com epicentro no Porto!
Desta vez, porém, os danos mais significativos registaram-se na zona alta da cidade, com um abalo de 4.2 na escala.. sei lá de quê!
A esta hora, continuam a sentir-se réplicas.. um pouco por toda a cidade!

Apesar de endereçar sinceros parabéns aos meus amigos (do mal o menos!), sempre digo que, apesar de esta segunda-feira ser feriado nacional, eu vou trabalhar!

Anniversario


Em flagrante delitro

No tempo em que festejavam o dia dos meus annos,
Eu era feliz e ninguem estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer annos era uma tradição de ha séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa como uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus annos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a familia,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de supposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco,
O que fui de serões de meia-provincia,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui – ai meu Deus!, o que só hoje sei que fui…
A que distancia!…
(Nem o acho…)
O tempo em que festejavam o dia dos meus annos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes…
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme atravez das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um phosphoro frio…

No tempo em que festejavam o dia dos meus annos…
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo physico da alma de se encontrar alli outra vez,
Por uma viagem metaphysica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim…
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que ha aqui…
A mesa posta com mais logares, com melhores desenhos na louça, com
mais copos,
O aparador com muitas coisas – doces, fructas, o resto na sombra
debaixo do alçado –,
As tias velhas, os primos differentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus annos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço annos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o fôr.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!…

O tempo em que festejavam o dia dos meus annos!…

Álvaro de Campos

02:30, planet earth – lisbon


Posted by Hello

Stars from a galaxy far, far away.. to a theatre near, near me..


Posted by Hello NGC6946 Gemini

Recomendável acesso por banda larga para ver a Galáxia Espiral NGC-6946 – Imagem em Full Resolution (31.5 MB)


Tonight, The Force Is With Me!

Sexo "Bruto" – Epílogo

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Porque sou do Sporting

O Verde e Branco
São As Cores Do Meu Encanto
De Verde e Branco Venho à Bola Para Te Ver
Cantar Por Ti Vamos Vencer
Oh! Grande Sporting
A Teu Lado Até Morrer
Trago-te Sempre No Coração
Só Eu Entendo Esta Paixão
Esforço Dedicação Devoção E Glória
Eis O Sporting A Lutar Pela Vitória

Não há milagres?!

(A partir de um artigo publicado no Suplemento de Economia do Público)

No final da primeira década de adesão à União Europeia, a Áustria tornou-se num modelo económico de sucesso:

RIQUEZA
– Crescimento económico dinâmico
– Uma das mais baixas taxas de desemprego da UE (4,6%)
– Uma invejável qualidade de vida
– Desde que aderiu à UE, o PIB per capita aumentou 50%
– Os austríacos são o quinto país mais rico dos 25

CHAVES DO SUCESSO
– O modelo económico austríaco é o de uma economia social-liberal de mercado, conjugando liberalismo, solidariedade e equilíbrio social
– Sólidas parcerias sociais e políticas fortes favorecem a negociação com os aliados e as privatizações
(Um mau exemplo de quando as coisas não funcionam assim: na República Checa, o desentendimento entre os partidos com maior representatividade é tal, que nos últimos dez anos construiram 16 km de auto-estradas!)

REFORMAS
– Sector terciário é muito forte, com um peso de 65% no PIB
– As principais fontes de receitas e criadoras de emprego são o turismo
– 18 milhões de visitantes/ano fazem da Áustria um dos destinos turísticos mais apetecidos em todo o mundo
– Resistindo à pressão do turismo em massa, tem sabido encontrar o equilíbrio entre oferta de qualidade e preservação do património cultural e natural
(certamente que copiaram o nosso modelo de desenvolvimento integrado da Região do Algarve!)

INVESTIGAÇÃO/LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
– O investimento das PME nas suas próprias actividades de investigação representa 59% , acima da média da UE, que se situa nos 44%
– Desde a desintegração do Bloco de Leste, tem beneficiado da localização geográfica e com isso triplicou o volume de exportações para esses países
(Espanha! Espanha! Espanha! É já a seguir!)

REFORMAS/CONSOLIDAÇÃO ECONÓMICA
– Consolidação de um Sistema Fiscal simplificado: Redução do IRS para 25%, como grande medida atractiva para o investimento estrangeiro
– Reforma do Sistema de Saúde
– Consolidação Orçamental
– Ajustamento do Sistema de Pensões
– Previsão de um crescimento económico à volta dos 2,3%, no período 2005-2008
– Redução da dívida para menos de 60% do PIB

LIBERALIZAÇÃO
– Sectores das Telecomunicações e Energia

PRIVATIZAÇÕES
– Banca e Indústria: Fusões com empresas internacionais nestes sectores estratégicos, como pólo de mudança na estrutura tradicional da economia

Apontamento para reflexão:
Salvaguardadas as distâncias geo-políticas.. teremos condições para importar o modelo?
Afinal, importamos tanta coisa inútil..

Gosto muito deste conjunto

As mãos

Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.

Eugénio de Andrade

Dialética de um assexuado

Miguel Sousa Tavares manifestou indignação pelo facto de o Tribunal de Ponta Delgada que julgou o caso de pedofilia discriminar o acto sexual praticado com adolescente, consoante o abusador seja homem ou mulher, ou seja, dependendo de se tratar de um acto homossexual ou heterossexual.
Argumenta com o erro de a orientação sexual do abusador prevalecer sobre a da vítima, e eu obviamente concordo com ele.

Aquilo que realmente importa é olhar/julgar pelo ponto de vista da vítima – não no plano dos danos morais (deriva daqui a instabilidade emocional de Daniel Chaparro Oliveira?!), mas simplesmente pelos danos corporais sofridos, que qualquer pessoa emocionalmente estável ( para não utilizar a expressão de MST, intelectualmente honesta ) entende serem diferentes, consoante o abusador seja homem ou mulher, quer o abusador seja homossexual, quer seja heterossexual!

Daniel Chaparro Oliveira diz que MST faz confusão entre crianças e adolescentes(!)..
Pergunto-lhe então se entre os 14 e 16 anos lhe parece bem, ou.. será aceitável descermos mais um bocadinho?!

A prática sexual, seja com crianças ou adolescentes constitui crime de abuso sexual, sim senhor!
Isto não é preconceito!
Se é necessário explicar a alguém como Daniel Oliveira o significado de senso comum nesta matéria, então estamos – de facto, perante uma crise de valores!

A inteligência não é imune ao erro. É natural e humano que assim seja. As leis do homens estão, em primeira instância, submetidas às leis da natureza.
Por isso me incomoda a ligeireza com que estes modernos fazem graçola sobre questões que colocam em causa valores civilizacionais de que não somos herdeiros, mas simplesmente seus depositários. Valores que devemos transmitir às gerações futuras!

Não coloco link para o blog, pela simples razão de não me parecer correcto colar todas as pessoas que lá escrevem, àquilo que DO defende nesta matéria.