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Comunicado à população

Depois de resolvidos alguns problemas logísticos, a Comissão Instaladora está a ultimar os preparativos para se fixar na colina.
Prometemos ser breves.


Entretanto, façam o favor de tomar o ascensor até ao Carmo, digam que vão da minha parte e eles oferecem umas castanhas quentinhas.

A Roda dos Expostos

O cartoon, enquanto mensagem não verbal, deve ser vista à luz da semiótica, fenómeno cultural que estuda a natureza dos signos e inter-relaciona o significante e o significado.
Uma análise diversa deste método conduz ao radicalismo dos pragmáticos, como aconteceu com as caricaturas do Profeta Maomé.


O Verbo – palavra de Deus, é o verdadeiro reponsável pelo massacre dos inocentes, cuja confiança nos homens é traída pelo Anjo da morte (repare-se nas mãos), que, sorridente, parece dizer “deixai vir a mim as criancinhas”. Conceptualmente, para os crentes um aborto é uma vida sem direito ao paraíso; eis o ambiente de purgatório em tons de vermelho.
As alminhas a sairem pelo topo da cruz será porventura o significante mais forte deste cartoon de António, pois o ancestral repúdio pelo preservativo já tinha sido retratado na ponta do nariz de João Paulo II.

Referendo sobre o aborto

O que está em causa neste Referendo é unicamente se se altera ou não a lei vigente, através da pergunta
“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”.
É inconsequente discutir a formulação da pergunta, pois é esta e não outra.

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA
A mulher vai poder abortar, porque assim o decide. Nada de novo, portanto.
Mesmo considerando a actual lei, que concede à mulher a possibilidade de interromper a gravidez até às 12 semanas em caso de risco de vida, até às 24 em razão de o nascituro poder vir a sofrer, de forma incurável, de doença grave ou malformação congénita, será sempre pessoal o motivo – por variadíssimas razões, as apontadas ou outras – pelo qual a mulher decide viabilizar ou não o feto. É uma questão de responsabilidade individual.

A defesa do direito do feto à vida enferma de duas fragilidades:
1. A actual lei permite à mulher abortar, caso o feto seja portador de deficiência; no entanto, há mulheres que ainda assim decidem prosseguir com a gravidez. Se o direito do feto à vida fosse absoluto, a sua defesa seria irrepreensível. Não é.
2. Independentemente do desejo, ou não, de ser mãe, pois o feto tem identidade genética mas não identidade pessoal, logo não é autónomo, prevalece a consciência da mulher que – em circunstâncias que só ela pode avaliar – lhe permite decidir se o direito à vida do feto é defensável até às 10 semanas.

Porque é, no mínimo, discutível, se deve o Estado decidir quais são os motivos aceitáveis para a interrupção, daí a pertinência do termo despenalização.

NAS PRIMEIRAS DEZ SEMANAS
Não deriva de nenhum fundamento científico, o prazo de dez semanas, mas sim das necessárias condições de segurança e de saúde para a mulher. Poderiam ser 12 ou 14, como na França e Alemanha.

EM ESTABELECIMENTO DE SAÚDE LEGALMENTE AUTORIZADO
Só assim é possível desincentivar o aborto clandestino. Se assim não fosse, tratava-se duma efectiva liberalização. Não é. Argumentar que passaremos a pagar “leviandades femininas” por via dos nossos impostos não é sério, na medida em que não é legítimo pensar que o Estado quer ser promotor do aborto; O Estado deve assegurar as condições de segurança que garantam à mulher que recorrer ao Serviço Nacional de Saúde obter a salvaguarda da sua saúde, caso não possua recursos para procurar uma clínica autorizada, onde a sua intimidade será mais defendida.

É lícito discutir se o aborto é sinónimo de liberdade de eliminar uma vida, tal como é nobre a discussão sobre a defesa da vida humana – pessoa humana é outra matéria.
É importante que a sociedade discuta o aborto enquanto problema de saúde pública, bem como se o SNS deve ou não – e em que medida – fazer parte da solução.
Podemos especular sobre que regulamentação resulta da eventual alteração da lei.
Nenhum destes temas consta da pergunta colocada a Referendo no dia 11. À pergunta, eu respondo sim.

O pulsar de Lisboa

A história de uma cidade, feita de mosaicos.

De esperanças, como a do Roberto, que trabalha nos Pastéis de Belém e anseia”subir” na casa, ou do teatro de revista, que está tão morto como o Parque Mayer, embora os que lá trabalham queiram acreditar que estão vivos; Os dias do senhor Álvaro taxista, que ao volante sente os dias na “Praça” como num confessionário dos problemas dos fregueses; Um quase-cheiro a mar, a bordo do cacilheiro Eborense; A homenagem a Fernando Pessoa no Chiado, frente à hoje inenarrável Brasileira, ou ainda a impossível vida da dona Amélia, uma sem-abrigo nas arcadas do Terreiro do Paço, cujo retrato nos emociona…

São algumas destas peças que podemos ir vendo no Lisboa 24, um atelier de jornalismo feito por alunos da Nova.
Vale a pena passar por lá e ir ouvindo estas estórias.

É também esta, a Lisboa Menina e Moça, amada – Cidade mulher da minha Vida.

alargar horizontes

Durante um ano, foram publicados cerca de setenta postas no antigo Sétima Colina. É pouco.
E poucas se idendificam com o espírito que esteve subjacente à criação do blog, daí o relativo desinteresse que se instalou naquele espaço.
Porque continuo com vontade de alimentar o conhecimento sobre a cidade onde nasci, vou tentar fazer melhor neste espaço que no anterior.
Ainda assim, serão aqui republicados os posts que melhor se enquadram no que pretendo seja um espaço de partilha sobre esta Lisboa que eu amo.

Ligações perigosas

O Rei David comete adultério com a mulher de Uriah – a quem tenta em vão assassinar para esconder a sua culpa – mas é acusado pelo profeta Nathan. Como punição Divina, a criança morre ao fim de pouco tempo.

Porque deixou Ele que esta mulher tivesse uma criança nove meses dentro de si?
Misteriosos são os caminhos do Senhor…

Três anos de

Oops!

Ah pois! Mas jogaram sem o Postiga, o Lucho e o Pepe… assim, também eu!
Ah! O Quaresma falhou um penalti no último minuto!
É preciso azar, bolas!

Dossier Guitarra Portuguesa

Leitura recomendada dos primeiros c i n c o fascículos.
No Raízes e Antenas.

Myths & Legends of King Lion

Duas décadas depois de (14-12-1986) Manuel Fernandes ter escrito mais de metade do argumento do filme Setaum, o clube do coração recebe o clube dos 5.999.999* ( sem link disponível, por razões do coração).

*Ao atingir a idade da razão, a Inês deixou de ser sócia.

Marquei quatro golos, uma sensação inesquecível, mas estou convencido que se o jogo durasse mais algum tempo…