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Fantas Paolo

Com início esta semana e até 28 do próximo mês de Abril, decorre na Cinemateca a Retrospectiva Integral da obra de Pier Paolo Pasolini (1922-1975), acompanhada de um essencial Catálogo.

Simultaneamente e até 20 de Junho, poderemos ver no Espaço “39 Degraus” a Exposição de Fotografia Pasolini e o Evangelho Segundo Mateus.

Para mais detalhes deste verdadeiro acontecimento cinematográfico em Lisboa, consultar aqui o Programa.

Escritor (romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, polemista), figura pública e cineasta, Pasolini é uma das mais importantes figuras intelectuais da Itália na segunda metade do século XX. Quando abordou o cinema, já tinha quase quarenta anos e era um escritor consagrado.
Embora nunca tenha deixado de escrever e publicar, entre 1961 e 1975 a parte mais visível e comentada da sua obra foi sem dúvida o cinema. E este cinema, que compreende longas e curtas-metragens, ensaios, “apontamentos”, parábolas e obras destinadas ao grande público, segue um itinerário extremamente pessoal.
Pasolini começa por sacralizar o subproletariado nos seus dois primeiros filmes, ACCATTONE e MAMMA ROMA, nos quais há ecos longínquos do neo-realismo e que marcam a chegada do cinema moderno à Itália. Depois de uma fábula contemporânea, em que enterra as certezas do marxismo (UCCELLACCI E UCCELLINI) e de uma visão moderna e quase “política” do EVANGELHO SEGUNDO MATEUS, Pasolini parte “em busca dos povos perdidos”, como observou o crítico Adelio Ferrero: primeiro através da tragédia grega (ÉDIPO REI, MEDEIA), depois na chamada “Trilogia da Vida” (DECAMERON, OS CONTOS DE CANTERBURY e AS MIL E UMA NOITES), para chegar ao “presente enquanto horror” (SALÒ, precedido por outras duas parábolas modernas, TEOREMA e PORCILE).
Para Pasolini, o cinema nunca foi puro espectáculo, mesmo nos seus filmes de mais fácil acesso.
Como escreveu o seu biógrafo Enzo Siciliano: “Fez cinema ‘de poeta’, na acepção mais ampla mas também mais radical e pura da palavra: aquele que traz para o perímetro da visão o que estava fechado, o que não tinha nome e jazia sem ser visto; aquele que ao verbalizar mostra o que não tinha sido proferido.
Pasolini faz com que seja vista a realidade de uma vida autêntica em progressiva extinção, relegada a um passado impossível de encontrar e apartado da realidade do presente”.
O catálogo que acompanhará o Ciclo inclui textos de Pasolini e textos inéditos, ou inéditos em português, de autores italianos, franceses e portugueses.

Retirado do Programa de Março da Cinemateca

Os meus filmes, em 2005

Ocean’s Twelve, de Steven Soderbergh

Saraband, de Ingmar Bergman

Closer – Perto Demais, de Mike Nichols

The Aviator – O Aviador, de Martin Scorsese

Vera Drake, de Mike Leigh

The Merchant of Venice – O Mercador de Veneza, de Michael Radford

Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos, de Clint Eastwood

Mar Adentro, de Alejandro Amenábar

Sideways
, de Alexander Payne

House of Flying Daggers – O Segredo dos Punhais Voadores
, de Zhang Yimou

The Ring Two – O Aviso 2, de Hideo Nakata

The Assassination of Richard Nixon – O Assassínio de Richard Nixon, de Niels Mueller

Birth – O Mistério, de Jonathan Glazer

The Interpreter – A Intérprete, de Sydney Pollack

Downfall – A Queda: Hitler e o Fim do Terceiro Reich, de Oliver Hirschbiegel

Star Wars: Episode III, Revenge of the Sith – A Vingança dos Sith, de George Lucas

Sophie Scholl: The Final Days – Os Últimos Dias de Sophie Scholl, de Marc Rothemund

Sin City – A Cidade do Pecado, de Frank Miller/Robert Rodriguez/Quentin Tarantino

Batman Begins – Batman: O Início, de Christopher Nolan

Crash – Colisão, de Paul Haggis

War of the Worlds – Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg

Charlie and the Chocolate Factory – Charlie e a Fábrica de Chocolate
, de Tim Burton

Cinderella Man – Cinderella Man, de Ron Howard

She Hate Me – Ela Odeia-me
, de Spike Lee

Doom – Doom: Sobrevivência
, de Andrzej Bartkowiak

Elizabethtown – Elizabethtown, de Cameron Crowe

Oliver Twist – Oliver Twist, de Roman Polanski

King Kong – King Kong, de Peter Jackson

King Kong 70 mm

A frase de Ann Darrow ( Naomi Watts) “as coisas boas não duram muito tempo” não se aplica a King Kong.

Este espectacular filme de aventuras de Peter Jackson – realizador da trilogia O Senhor dos Anéis – tem cerca de 3 horas; demasiado longo para a narrativa, dirão os críticos!

Mas, enquanto espectador, é um deslumbramento assistir às sequências deste remake do clássico de 1933.

A reconstituição da atmosfera de New York é notável. Os edifícios da época foram meticulosamente reproduzidos em computador. O Empire State Building, que serve de cenário à fuga impossível de Kong, foi reconstruido de forma perfeita.

I’m someone you can trust, I’m a film producer.

Ann Darrow, actriz de teatro desempregada, vítima da Depressão dos anos 30, revela a sua integridade ao rejeitar a possibilidade de trabalhar num cabaret; Conhece então o louco Carl Denham ( Jack Black) – realizador com uma paixão ilimitada pela sétima arte e de ambição desmesurada – que a convence a embarcar na aventura de se tornar actriz de cinema, num filme de acção e aventura.

Com apenas meia dúzias de páginas do guião para iniciar as filmagens, o manhoso Carl arrasta o escritor Jake Driscoll (Adrien Brody) na tortuosa viagem de barco, que os conduzirá à misteriosa Ilha das Caveiras.

A aventura

A aventura da equipa de filmagens começa logo que põem os pés em terra; uma tribo de gente de aspecto fantasmagórico torna Ann prisioneira e inicia o ritual da oferenda ao poderoso Kong, que a leva para a densa floresta.

Entre a frustrada tentativa de salvamento da bela Ann e o sentido de oportunidade de Carl para registar em película o desenrolar dos acontecimentos, vamos assistindo a espantosas sequências de acção.

Naquela ilha hostil, onde habitam criaturas estranhíssimas, desde dinossauros a aranhas e lagartos gigantes, os desfiladeiros ladeados por luxuriante vegetação servem de palco, por um lado, às perseguições de Kong por parte da equipa de filmagens e da tripulação do barco; por outro, eles próprios serão vítimas de perseguição por parte dos répteis, dominadores, no seu habitat natural.

Porém, o gigante Kong é de tal forma poderoso que vence qualquer inimigo, desferindo violentos golpes com uma mão, enquanto segura a frágil loira com a outra.

O inevitável

A loira deixa-se seduzir pelo olhar ternurento do gorila, e ele rende-se ao irresistível encanto daquela doce fêmea..

O escritor, que também se apaixonara pela actriz, consegue salvá-la e juntos correm em direcção ao mar que os há-de levar de regresso a casa.
A tripulação do barco, especialista em capturar animais selvagens, utiliza clorofórmio e põe Kong a dormir.

De volta aos palcos, o agora aclamado Carl exibe o gorila gigante a uma plateia circense, entre a estupefacção e o terror, com a visão daquele monstro.

A encenação do ritual do sacrifício da donzela enfurece o gigante Kong, que se liberta das correntes de aço e destroi o teatro.

The beast looked upon the face of beauty. Beauty stayed his hand, and from that moment he was as one dead.

Inicia então a busca da loira, destruindo tudo o que lhe aparece pela frente.
A viagem termina no topo do edifício mais alto de New York, onde o reeencontro derradeiro tem lugar.

Título original: King Kong
Realização: Peter Jackson
Intérpretes: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Jamie Bell, Kyle Chandler, Lobo Chan, Thomas Kretschmann
Nova Zelândia/EUA, 2005

King Kong – 2005
King Kong – 1976
King Kong – 1933

Sexual Healing

Jack, executivo numa empresa de biotecnologia, descobre que o presidente Powell é autor de grandes desfalques e decide denunciar a situação à Comissão de Mercados.
Num ápice, a sua vida dá uma volta; é despedido, vê as suas contas congeladas e não consegue arranjar emprego em lado nenhum.


Surge então Fátima – a bela e sensual ex-namorada que descobriu que também gostava de rata – acompanhada da sua possessiva companheira, Alex.
Elas querem engravidar e cada uma oferece dez mil dólarescash para que Jack seja o pai biológico.

O rapaz, depois de refeito do choque, rapidamente ultrapassa o dilema moral e deita mãos à obra.

Fátima resolve levar a coisa mais longe e Jack torna-se numa money-making chicken, engravidando metade das lésbicas de New York – incluindo Simona, a filha de Don Angelo Bonasera, um mafioso italiano!


Powell e Margo tentam fazer a folha a Jack, denunciando o seu próspero negócio de comércio de paternidades.

Mas a coisa não vai acabar bem para eles.

O final feliz para Jack – o sonho de qualquer homem – revela um ser sensível, sem perder o orgulho viril da condição de hetero, disposto a enfrentar o white power.

Em She Hate Me, Spike Lee alimenta o enredo com a ironia habitual com que aborda o sexo, a misceginização, o racismo, a droga, os poderes instituídos..
tudo temas pacíficos
!

A analogia entre Jack e Frank Wills – o segurança que denunciou os assaltantes no caso Watergate – e o riff de Torturro, imitando com imensa graça Marlon Brando em O Padrinho, são marcas do estilo inteligente de Lee fazer filmes. Sem retórica.

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Actores:
Anthony Mackie – John Henry ‘Jack’ Armstrong
Kerry Washington – Fatima Goodrich
Ellen Barkin – Margo Chadwick
Woody Harrelson – Leland Powell
Monica Bellucci – Simona Bonasera
John Turturro – Don Angelo Bonasera
Dania Ramirez – Alex Guerrero

Outros filmes de Spike Lee de visão obrigatória
:
Malcolm X-1992, Jungle Fever-1991, Mo’ Better Blues-1990, Do the Right Thing-1989.

Vício: leitura cinematográfica

O segredo da fórmula está na generosidade interessada de Frank Miller, ao emprestar a Robert Rodriguez as pranchas como guião para a melhor adaptação de uma obra de bd ao cinema, Sin City – A Cidade do Pecado!

Et pour cause, é desnecessária – indesejável até, a comparação com obras como Superman, Batman, Spiderman, Hulk..

Quem é que quer saber se as personagens têm ou não densidade?!


Alguém está interessado em deslindar – na cena inicial – porque a bela mulher é tão depressa seduzida, quão rápida e brutalmente é assassinada a sangue-frio?!




Sim, João! O amor tem um preço!

É por estas e por outras que gosto de ir ao cinema.. à noite!

Para começar.. um aperitivo!

To be free like the wind

House of Flying Daggers de Zhang Yimou, é muito mais do que uma história sobre um triângulo amoroso.

Estamos no ano 859 A.D.
Mei (Zhang Ziyi) é membro secreto dos Punhais Voadores – cujo líder foi morto pelos polícias da corrupta Dinastia Tang.
Jin (Takeshi Kaneshiro) e Leo (Andy Lau Tak Wah), ambos capitães da polícia, estão firmemente empenhados em anular o novo líder dos rebeldes.

A luminosa Zhang Ziyi desenha um esplendoroso quadro de ballet durante o Jogo do Eco, acompanhada pelo som dos tambores.

Mei, que actua no Pavilhão de Peony – um luxuoso bordel, é presa por suspeita de pertencer ao movimento rebelde.

Jin simula o salvamento de Mei e foge com ela, a caminho da Casa dos Punhais Voadores.

À medida que vai conquistando a sua confiança, Jin vai-se envolvendo com a bela e elegante Mei, num jogo de sedução a que não estamos habituados no cinema europeu, sem no entanto deixar de ser familiar.

Quando são atacados por uma patrulha que os persegue, contam com a inesperada ajuda de um misterioso protector, que segue Mei e a protege.
Jin percebe então que existe outro homem na vida de Mei. Inicia-se o triângulo amoroso.

São imagens excitantes, as perseguições pela floresta de bambú!

Num claro desafio às leis da natureza – tal como em O Tigre e o Dragão, os guerreiros voam por cima das árvores, identificados quase exclusivamente pelos silvos das lanças de bambú, como efeito musical do movimento.

O simbólico combate de morte, no meio de uma repentina tempestade de neve, entre os dois homens que lutam pelo amor dela é uma tragédia lírica, quase operática.
Como um combate de morte pode ser comovente!

O trabalho sobre a côr é magnífico, num exercício de fotografia de Zhao Xiaoding que capta muito bem as autênticas coreografias nas cenas de acção, bem como os tons outonais das paisagens. Muito bonito, este filme.

Pelo menos uma vez na vida deve ver-se um filme assim!

Leo Carax é um realizador iluminado e, por vezes, chega até nós um pouco da sua luz, através de grandes momentos de cinema.
É o caso do maravilhoso Les amants du Pont-Neuf!

Paris.
Pessoas sem abrigo vivem em pequenas comunidades, perto da ponte mais velha da cidade, Le Pont-Neuf.

Alex perde os sentidos numa rua movimentada e é atropelado.
De volta ao abrigo, tem como que uma visão: Michèle, uma linda mulher que dorme..
Tem um olho tapado, fruto de um processo degenerativo da visão.
Reconhece-a. É uma pintora originária de uma família burguesa, que decidiu viver na rua e dessa forma depurar a sua arte.

Alex ganha dinheiro a fazer teatro e fogo de rua.

Tornam-se amigo e amantes.

Alex tem um violento acto de ciúmes e é preso como desordeiro.
Michèle, entretanto recuperada da visão, vai visitá-lo e promete que se encontrarão na ponte, quando ele for libertado..

A violência da côr do fogo-de-artifício e do arco do violoncelo, provocam uma estranha sensação de abandono à paixão de Alex – numa explosão de luz, perante os nossos sentidos.
A ressaca da emoção é violenta!

Les amants du Pont-Neuf, de Leo Carax – 1991
Juliette Binoche – Michèle Stalens
Denis Lavant – Alex

Nada de equívocos.. este filme não é sobre boxe!

Frankie Dunn é um envelhecido manager de boxe, cuja existência atormentada pela filha ausente o leva todos os dias à igreja.
O seu amigo de longa data Eddie, que perdeu um olho no centésimo nono combate, vive no ginásio e trata da limpeza.
Maggie, uma rapariga de trinta e dois anos, procura um treinador, e crê que Frank é capaz de a ajudar a concretizar o sonho de chegar ao topo.

A narração tranquila e envolvente de Freeman, a elegância e mestria de Eastwood, como realizador, actor e autor da magnífica banda sonora, e “always protect yourself” Swank, fazem de Million Dollar Baby um dos mais belos filmes dos últimos tempos.

Esta comovente história sobre sonhos.. desfeitos.. por realizar..

Merece um grande aplauso no próximo domingo!

RealizadorClint Eastwood
Clint Eastwood – Frank
Hilary Swank – Maggie
Morgan Freeman – Eddie

"The way of the future… the way of the future… the way of the future…"



A partir de agora, sou Mr. Hughes!

The Aviator

Director – Martin Scorsese

Leonardo DiCaprio – Howard Hughes

Cate Blanchett – Katharine Hepburn

Kate Beckinsale – Ava Gardner

John C. Reilly – Noah Dietrich

Alec Baldwin – Juan Trippe

Alan Alda – Senador Ralph Owen Brewster

Ian Holm – Professor Fitz

Danny Huston – Jack Frye

Gwen Stefani – Jean Harlow

Jude Law – Errol Flynn

Adam Scott – Johnny Meyer

Matt Ross – Glenn Odekirk

Kelli Garner – Faith Domergue

Frances Conroy – Mrs. Hepburn

Brent Spiner – Robert Gross

O Aviador de Scorsese é um filme longo – 170 minutos, mas para quem gosta de cinema é um bom momento de entretenimento.

É mais um grande filme do realizador de Casino, O Cabo do Medo, Tudo Bons Rapazes, Histórias de Nova Iorque…

DiCaprio surpreende pela positiva. Já tinha gostado dele em Apanha-me se Puderes, mas demonstra, pelo profundo trabalho de investigação que fez para este papel, que podemos esperar deles grandes coisas.

A excentricidade de Howard Hughes, o multimilionário amante da vida e dos sonhos impossíveis, é muito bem trabalhada por DiCaprio, que, juntamente com Scorsese, merecem os holofotes na noite dos óscares.

A análise dos críticos pode ser encontrada aqui e aqui!