ainda que possa perder um pouco de brilho..
Uma vela nada tem a perder se acender outra vela!

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Uma vela nada tem a perder se acender outra vela!

3ª Parte – O Encoberto
III – Os Tempos
Primeiro – Noite
A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.
*
Como e um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando, o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
O Poder e o Renome –
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.
Segundo – Tormenta
Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.
Isto, e o mistério de que a noite é o fausto…
Mas súbito, onde o vento ruge,
O relâmpago, farol de Deus, um hausto
Brilha, e o mar ‘scuro ‘struge.
Terceiro – Calma
Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?
Ilha próxima e remota,
Que nos ouvidos persiste,
Para a vista não existe.
Que nau, que armada, que frota
Pode encontrar o caminho
À praia onde o mar insiste,
Se à vista o mar é sozinho?
Haverá rasgões no espaço
Que dêem para outro lado,
E que, um deles encontrado,
Aqui, onde há só sargaço,
Surja uma ilha velada,
O país afortunado
Que guarda o Rei desterrado
Em sua vida encantada?
Quarto – Antemanhã
O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Numa o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar –
Chamar aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.
Quinto – Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a hora!
Vale, Fratres.
Portugal! Portugal! Portugal!

Barca bela
Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela.
Que é tão bela,
Oh pescador?
Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!
Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela…
Mas cautela,
Oh pescador!
Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Oh pescador.
Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!
Almeida Garrett, Folhas Caídas

Inesperadamente, morreu o golfinho bébé que estava no Zoo Marine de Albufeira a ser tratado, com tantos cuidados, tanto carinho, e que já tinha conquistado a simpatia dos portugueses, fruto do acompanhamento diário que a SIC fazia da sua evolução.
Merecem uma palavra de apreço todos os que passaram horas a fio dentro da piscina com o golfinho bébé.
Para além da desilusão profissional por não terem conseguido salvá-lo, nos trinta e tal dias em que conviveram diariamente, criaram, e demonstravam-no constantemente, uma relação afectiva muito forte, e por isso devem estar a passar um momento difícil.

Inesperadamente, morreu o golfinho bébé que estava no Zoo Marine de Albufeira a ser tratado, com tantos cuidados, tanto carinho, e que já tinha conquistado a simpatia dos portugueses, fruto do acompanhamento diário que a SIC fazia da sua evolução.
Merecem uma palavra de apreço todos os que passaram horas a fio dentro da piscina com o golfinho bébé.
Para além da desilusão profissional por não terem conseguido salvá-lo, nos trinta e tal dias em que conviveram diariamente, criaram, e demonstravam-no constantemente, uma relação afectiva muito forte, e por isso devem estar a passar um momento difícil.

A Blogosfera dá para tudo
Pessoas
que não se conhecem
que cultivam amizades
que sofrem
que se insultam
de verdade
que me fazem sentir vivo
que já estão mortas e não sabem
que explicam porque se vão embora
explicaram ao que vinham?
divertidas
apaixonadas
muito
inteligentes, sensíveis
que escrevem mal
que se fartam de escrever
e dizem pouco
como diz o Gasel
um post não precisa ter muita conversa para ser interessante
Não sei para onde caminha esta comunidade
talvez para nenhures
o que seria pena, mas
este frémito parece estar a desgastar muita gente
todos os dias fecham janelas
abrem outras, é certo
Amanhã é outro dia
Boa noite
Que o ex-treinador do benfica disse que espera ver o Mónaco ganhar ao FC Porto!
(afinal o senhor disse que quer que o Morientes jogue bem e ganhe o jogo – o que, sendo uma afirmação diferente, vai dar ao mesmo!)
Que o porta-voz dos Inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras disse, a propósito da requisição civil anunciada pelo governo caso façam greve durante o Euro, que esta seria uma lei ilegal!

White Faun playing the Double Flute – Picasso
Flauta da noite que se cerra,
Presença líquida de um pranto,
Todos os silêncios da terra
São as pétalas do teu canto.Espalha teu pólen na alfombra
Do catre que por fim te acoite
Mel de uma boca de sombra
Como um beijo na boca da noiteE pois que as escalas que cansas
Nos dizem que o dia acabou,
Faz-nos crer que os céus dançam
Porque um cego cantou.
Marguerite Yourcenar, Tradução de Mário Cesariny
Fechado numa casca de noz
eu poderia julgar-me rei
de um espaço infinito…
Shakespeare, Hamlet

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