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ainda que possa perder um pouco de brilho..

Uma vela nada tem a perder se acender outra vela!

«Mensagem» de Fernando Pessoa

3ª Parte – O Encoberto
III – Os Tempos

Primeiro – Noite
A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei
Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo
Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a El-Rei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.
*
Como e um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando, o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,
Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
*
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
O Poder e o Renome –
Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.
Queremos ir buscá-los, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,
A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.

Segundo – Tormenta
Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.
Isto, e o mistério de que a noite é o fausto…
Mas súbito, onde o vento ruge,
O relâmpago, farol de Deus, um hausto
Brilha, e o mar ‘scuro ‘struge.

Terceiro – Calma
Que costa é que as ondas contam
E se não pode encontrar
Por mais naus que haja no mar?
O que é que as ondas encontram
E nunca se vê surgindo?
Este som de o mar praiar
Onde é que está existindo?
Ilha próxima e remota,
Que nos ouvidos persiste,
Para a vista não existe.
Que nau, que armada, que frota
Pode encontrar o caminho
À praia onde o mar insiste,
Se à vista o mar é sozinho?
Haverá rasgões no espaço
Que dêem para outro lado,
E que, um deles encontrado,
Aqui, onde há só sargaço,
Surja uma ilha velada,
O país afortunado
Que guarda o Rei desterrado
Em sua vida encantada?

Quarto – Antemanhã
O mostrengo que está no fim do mar
Veio das trevas a procurar
A madrugada do novo dia,
Do novo dia sem acabar;
E disse: «Quem é que dorme a lembrar
Que desvendou o Segundo Mundo,
Numa o Terceiro quer desvendar?»
E o som na treva de ele rodar
Faz mau o sono, triste o sonhar,
Rodou e foi-se o mostrengo servo
Que seu senhor veio aqui buscar.
Que veio aqui seu senhor chamar –
Chamar aquele que está dormindo
E foi outrora Senhor do Mar.

Quinto – Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Numa o que é mal numa o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…
É a hora!
Vale, Fratres.

Porto! Porto! Porto!

Portugal! Portugal! Portugal!

hoje somos (quase) todos mui nobre e leais

Barca bela

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela.

Que é tão bela,

Oh pescador?

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

Colhe a vela,

Oh pescador!

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela…

Mas cautela,

Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela

Só de vê-la,

Oh pescador.

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

Foge dela

Oh pescador!

Almeida Garrett, Folhas Caídas

Inesperadamente, morreu o golfinho bébé que estava no Zoo Marine de Albufeira a ser tratado, com tantos cuidados, tanto carinho, e que já tinha conquistado a simpatia dos portugueses, fruto do acompanhamento diário que a SIC fazia da sua evolução.

Merecem uma palavra de apreço todos os que passaram horas a fio dentro da piscina com o golfinho bébé.

Para além da desilusão profissional por não terem conseguido salvá-lo, nos trinta e tal dias em que conviveram diariamente, criaram, e demonstravam-no constantemente, uma relação afectiva muito forte, e por isso devem estar a passar um momento difícil.

Inesperadamente, morreu o golfinho bébé que estava no Zoo Marine de Albufeira a ser tratado, com tantos cuidados, tanto carinho, e que já tinha conquistado a simpatia dos portugueses, fruto do acompanhamento diário que a SIC fazia da sua evolução.

Merecem uma palavra de apreço todos os que passaram horas a fio dentro da piscina com o golfinho bébé.

Para além da desilusão profissional por não terem conseguido salvá-lo, nos trinta e tal dias em que conviveram diariamente, criaram, e demonstravam-no constantemente, uma relação afectiva muito forte, e por isso devem estar a passar um momento difícil.

Internet Addiction Disorder

A Blogosfera dá para tudo

Pessoas

que não se conhecem

que cultivam amizades

que sofrem

que se insultam

de verdade

que me fazem sentir vivo

que já estão mortas e não sabem

que explicam porque se vão embora

explicaram ao que vinham?

divertidas

apaixonadas

muito

inteligentes, sensíveis

que escrevem mal

que se fartam de escrever

e dizem pouco

como diz o Gasel

um post não precisa ter muita conversa para ser interessante

Não sei para onde caminha esta comunidade

talvez para nenhures

o que seria pena, mas

este frémito parece estar a desgastar muita gente

todos os dias fecham janelas

abrem outras, é certo

Amanhã é outro dia

Boa noite

não quero acreditar ( post editado)

Que o ex-treinador do benfica disse que espera ver o Mónaco ganhar ao FC Porto!

(afinal o senhor disse que quer que o Morientes jogue bem e ganhe o jogo – o que, sendo uma afirmação diferente, vai dar ao mesmo!)

Que o porta-voz dos Inspectores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras disse, a propósito da requisição civil anunciada pelo governo caso façam greve durante o Euro, que esta seria uma lei ilegal!

Cantilena Para Um Tocador De Flauta Cego



White Faun playing the Double Flute – Picasso

Flauta da noite que se cerra,

Presença líquida de um pranto,

Todos os silêncios da terra

São as pétalas do teu canto.

Espalha teu pólen na alfombra

Do catre que por fim te acoite

Mel de uma boca de sombra

Como um beijo na boca da noite

E pois que as escalas que cansas

Nos dizem que o dia acabou,

Faz-nos crer que os céus dançam

Porque um cego cantou.

Marguerite Yourcenar, Tradução de Mário Cesariny

presunção de liberdade

Fechado numa casca de noz

eu poderia julgar-me rei

de um espaço infinito…

Shakespeare, Hamlet